Ser um Sadhu

Swami Dayananda Saraswati - 22 de Novembro de 2011 - 4 Comentários

Em sânscrito a palavra para a renúncia é sannyasa. Aquele que é um renunciante é chamado sannyasi. Geralmente a vida de renúncia é associada a uma vida de austeridade, de abnegação ou de monasticismo. A Bhagavadgita (5-3) define um sannyasi da seguinte maneira:

jñeyah sa nityasannyāsi yo na nd dvesti na kanksati
nirdvandvo hi mahābāho sukham bandhātpramucyate

"A pessoa que não odeia nem deseja (qualquer coisa)
deve ser conhecida sempre como um renunciante (
sannyasi),
ó Arjuna, aquele que está livre dos opostos (gostos e aversões)
é liberado sem esforço da escravidão."

Assim, a palavra sannyasi designa uma pessoa que pode lidar com seus sentimentos no mundo, uma pessoa, que independentemente da situação que viva, é capaz de manter o equilíbrio.

Outra palavra para um renunciante é sadhu, que se traduz como "boa pessoa", é um termo que designa alguém confiável, cuja mente não provoca qualquer temor. É uma pessoa simples, cuja vida é um grupo valores; de gentileza e da honestidade. 

Ser um sadhu realmente significa ser uma pessoa cuja mente está resolvida em relação à própria vida. Essa pessoa pode ser de qualquer ordem de vida: pai, empresário, monge, etc.

A atitude de alguém perante a vida é a base para ser um sadhu.

Na Índia, a tradição do monasticismo é simbolizada por um tecido laranja, e, geralmente, alguém que tenha a tendência de ser monge usa a cor laranja.

O laranja simboliza os primeiros raios do sol nascente ao amanhecer – os raios que eliminam as trevas, isto é, a cor laranja representa o conhecimento, o dissipador da ignorância. O laranja também é a cor do fogo simbolizando a queima dos problemas que caracterizam a vida humana.

Estes problemas são conhecidos como karma, que pode ser bom ou ruim e que ligam uma pessoa a uma vida de servidão. Assim, a cor laranja representa jñanam, o autoconhecimento.

Ao longo da história tem havido aqueles que realmente possuem as qualidades associadas com o tecido e aqueles que não as têm. No Bhaja Govindam, o autor nos adverte sobre uma pessoa cujo comportamento é mithyāchara, incoerente enquanto à natureza do manto que está vestindo:

"Um asceta com tranças emaranhadas ou
com a cabeça raspada, ou aquele cujos pêlos
são retirados um a um ou um trajando vestes ocre,
iludidos que são, embora vendo, não enxergam.
Realmente estes diferentes disfarces ou roupagens
servem somente ao propósito de encher a barriga."

Como alternativa, existem pessoas que não usam as vestes, mas que tem esse conhecimento e os valores associados. Um sadhu é alguém cuja mente é sadhu, que tem sadhu buddhi, e que vive uma vida simples, sem conflitos pessoais.

Tradicionalmente, se uma pessoa escolhe a vida de um monge, ela é absolvida dos deveres habituais na sociedade. Na Índia, um monge que busca entender a verdade é apoiado pela comunidade. Também é conhecido como bikshu, mendicante.

Geralmente há dois estilos de vida associado a ser um monge: o da abelha, ou seja, de alguém que anda de um lugar para o outro e que recebe seu alimento a partir de fontes diferentes; e o da píton, ou seja, uma pessoa que se senta em um lugar e aceita qualquer alimento que chega até ele.

No momento que recebe o pano açafrão, das mãos do seu professor, o sadhu é convidado a dizer o abhaya mantra, um voto em que ele promete não causar dano a nenhuma criatura.

Seu voto é o de não ferir nem ser ferido mas vive num mundo onde é muito fácil ferir ou ser ferido. O entendimento que está envolvido, a fim de alguém se comprometer com a vida de não-violência, é o que realmente conta para ser um sadhu.

Oṁ tat sat.


Traduzido por Humberto Meneghin: http://www.yogaemvoga.blogspot.com/.

Respostas:

jefferson

Postado em: 19 de Dezembro de 2011 às 15h23

e pelo que tenho lido e bem difícil ser alguém do templo mas vale bastante a pena lembra dos motivos de se viver bem a não violência pois como praticam está doutrina também acreditam em uma força maior que sua compreensão física mas não espiritual que os protegem e que dão forças para continuarem vivos e na mais tranquila das paz em seu proprio corpo e podendo passar está energia para sua moradia e convívio, por isso penso porque não pensarmos como eles então procurar uma maneira melhor de se confraternisar e buscar uma manera melhor de viver e de se relacionar com Deus não para perder mas para agradecer . : Jefferson SouSa Batista

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Thiago Albuquerque

Postado em: 17 de Dezembro de 2011 às 15h46

As escolas de yoga hindu em geral desencorajam a total renúncia de desejos entre pessoas que vivem no mundo, especialmente pais e mães de família. Geralmente o caminho da renúncia total é considerado sinuoso, cheio de altos e baixos, vivendo no mundo e tentando forçá-lo gera confusão e frustrações.

O ego deve morrer, e junto com ele os desejos, por isso pode-se neglenciar suas obrigações em manter a família com dignidade por exemplo. Mas ainda assim renúncia é algo essencial para praticamente todas as religiões indianas. Pessoas do mundo ainda a praticam mesmo no meio das demandas e confusão do dia-a-dia.

Por exemplo, no casamento os noivos devem se sacrificar um pelo outro, os pais pelos filhos, os filhos se sacrificam e oferecem seu serviço e devoção aos pais, ao guru, à comunidade etc etc. Isso é chamado de "Jiva Yajña", sacrifício do indivíduo. E toda a virtude gerada é oferecida para Deus.

O indivíduo espera assim alcançar um balança cármica positiva e purificar a natureza egóica negativa, possibilitando alcançar total renúncia e salvação mais facilmente em nascimentos futuros, devido as impressõe mentais (Samskaras) geradas pela prática cotidiana. Isso é Karma Yoga, yoga das ações.

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Joan Pablo Francesch

Postado em: 24 de Novembro de 2011 às 17h02

Sempre me perguntei como o ser humano inserido na Babilônia (grandes metrópoles), poderia atingir a iluminação. Somos cobrados pela sociedade, família e por nós mesmos, fruto de convenções e modelos de vida inseridos desde nossa infância.

Ao analisar e estudar a vida de alguns iluminados, percebo que os mesmos, renunciaram ao mundo e se isolaram para obter esse autoconhecimento. Como silenciar a mente com tantos estímulos e cobranças? Quem vislumbrou um caminho, comparta conosco!

Um grande abraço e fiquem com Deus!

Joan Pablo.

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Patrick Carvalho

Postado em: 29 de Novembro de 2011 às 02h15

 

Joan,

boa provocação a sua. Nos grandes centros, onde as tensões de todo tipo são uma constante, torna-se missão quase impossível atingir um certo grau de "iluminação". Mas, percebo que da busca por harmonia no meio dessa turbulência se pode conseguir um bom entendimento e melhoramento, sem dispensar períodos de descanso, meditação e reposição em ambientes afastados destes lugares.

Namastê.

Patrick Carvalho.

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Li e concordo com os termos de uso

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