Lidando eficazmente com a raiva
Swami Dayananda Saraswati - 24 de Janeiro de 2012 - 8 Comentários
A raiva nada mais é do que uma expressão da dor e da expectativa. Sri Shankaracarya confirma isso em seus escritos. Nós esperamos que certas coisas aconteçam, mas há um obstáculo entre o que acontece e nós mesmos.
Noutras palavras, entre aquele que deseja e aquilo que é desejado, há um obstáculo bloqueando o cumprimento do que é desejável. Devido a este obstáculo, o desejo é desviado. Esta forma desviada do desejo ou da expectativa é o que chamamos de raiva.
O problema é que nós não incluímos obstáculos em nossas expectativas, porque nós não os queremos. Mas a vida é cheia de obstáculos. Mesmo respirando temos obstáculos. No ato de pensar, definitivamente, temos obstáculos, o que nós poderíamos dizer ser um "bloqueio de escritor". O escritor não pode começar a escrever, mas, uma vez que ele ou ela comece, se torna mais fácil e, eventualmente, as palavras começam a fluir.
Da mesma forma, existem obstáculos em tudo. Mas, porque nós não podemos tolerá-los, nós acabamos ficando com raiva. Na verdade, às vezes, nós somos o nosso próprio obstáculo. Há um Ser ideal, algo que eu quero ser e há um Ser verdadeiro, que é muito diferente; porque nós nos dividimos deste modo, ficamos com raiva de nós mesmos. Aqui, também, nós vemos que a raiva nada mais é do que uma expressão da expectativa.
Viver sem expectativas é sem sentido. Portanto, eu diria, viva com expectativas e deixe que as expectativas incluam obstáculos também. O que pode dar errado vai dar errado. Inclua essa máxima em suas expectativas. Esta é uma afirmação muito sensata e não significa que você deseje ou faça as coisas para que dêem erradas. É, de fato, uma afirmação totalmente positiva.
As coisas podem dar erradas e se derem, tenha isto como um progresso. Então, não haverá raiva. Se há uma possibilidade de as coisas darem erradas, você pode certamente se precaver, sendo cauteloso e evitando todas as armadilhas conhecidas. Isto é ser objetivo. Esta é uma parte importante do planejamento, bem como fazer o que tem que ser feito.
Apesar de todos os seus planejamentos e precauções, no entanto, você deveria saber que as coisas podem dar erradas. Assim, você pode ser objetivo apenas quando leva em conta essas possibilidades.
Om tat sat!
Traduzido por Humberto Meneghin: http://www.yogaemvoga.blogspot.com/.
Respostas:
Ana
Postado em: 25 de Fevereiro de 2012 às 23h29
Obrigada, hoje quero ter planos, incluindo e aceitando os possíveis erros. O texto é coeso e muito agradável. Abraço
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Ana
Postado em: 25 de Fevereiro de 2012 às 23h28
Obrigada, hoje quero ter planos, incluindo e aceitando os possíveis erros. O texto é coeso e muito agradável. Abraço
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Luciano Lameira
Postado em: 23 de Fevereiro de 2012 às 16h41
Gostei do texto, mas ainda tenho questionamentos. No meu entendimento, raiva é algo natural, como a alegria, a tristeza e o medo. Para mim, não é salutar negar a raiva. Precisamos sim aprender a expressá-la de forma a não criarmos uma crise com os outros e com o mundo. Penso que é importante estarmos atentos ao grau da raiva, pois os extremos devem ser evitados. Quem sabe a raiva possa vir apenas como uma irritação ou uma aversão ao invés de uma fúria avassaladora? Abraço.
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Taia
Postado em: 14 de Fevereiro de 2012 às 18h39
Eu nunca havia pensado na raiva sob essa perspectiva, gostei desse texto, pois me fez refletir que o ato de dar errado alguma coisa, também significa que há um movimento, há algo em processo, pois acredito que a estagnação que é algo empobrecedor. Muito obrigada.
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Pedro
Postado em: 12 de Fevereiro de 2012 às 18h04
A lógica de raciocínio do texto está clara, como sempre. Só que na prática, raiva parece ter muito mais a ver com sentimentos de violência e de intolerância. Não sei se isso não foi contemplado no texto de propósito ou se o conceito que tenho pode estar errado. Abraços,
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Leticia Mello
Postado em: 26 de Janeiro de 2012 às 14h23
Mais um texto perfeito. Obrigada a voces pque traduzem as palavras do Swami Dayananda e as compartilham conosco aqui e no Facebook. Pessoalmente, ainda tenho que me lembrar diariamente do fato de que os obstáculos são imprevisíveis. Tendo a quer.er antever todas as dificuldades do caminho e, de antemão, pensar não apenas na postura que devo tomar para tentar evitá-las (o que o Swami diz ser saudável), mas sim para me resposicionar caso as coisas não saiam como eu gostaria. Acho que esse hábito mental, além de mostrar a ilusão de um controle absoluto das circunstâncias, seria uma forma de desqualificar os obstáculos, evitando o amadurecimento permanente que surge com a surpresa. Ainda bem que a Ordem não deixa. Isvara me mostra a cada dia que não conheço nada do que está por vir. Namastê!
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dani gerber
Postado em: 25 de Janeiro de 2012 às 22h23
muito bom, amei o texto, esclareceb muita coisa, e jjusto nessa semana que estou tndo lidar com a raiva.
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Paulo
Postado em: 24 de Janeiro de 2012 às 09h27
Agradeço a Dayanando pelo esclarecimento concedido.
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