Assimilando o Vedanta

Swami Dayananda Saraswati - 29 de Junho de 2017 - 2 Comentários

Pergunta:

Sua presença é inequivocamente divina. Não importa o que passa pela minha mente, pois assim que senhor vem, o fluxo de pensamentos fica mais lento e a mente se prepara para um grande realinhamento. O senhor traz uma alegria contagiante, reminiscência de momentos seguros de alegria que senti na minha infância.

Isso limpa automaticamente o que estava lá na mente e abre o meu coração para o crescimento. Por favor, compartilhe a sua visão de como podemos tirar o máximo proveito do tempo que nos resta por aqui para trazer ao mundo um efeito combinado semelhante ao efeito da sua presença divina em nós.


Resposta:

A secreção da insulina, que mantém o nível de açúcar no corpo, é produzida e regulada pelo pâncreas. Na primeira forma de diabetes, o pâncreas não produz a insulina corretamente e então a pessoa precisa tomar a insulina a partir de uma fonte exterior. No segundo tipo de diabetes, não há nada errado com o pâncreas, a insulina é produzida, mas as células não são capazes de usá-la.

Este é o local onde os medicamentos do Ayurveda podem ajudar. Assim, você não precisa tomar insulina, mas você tenta processar a insulina. A insulina está lá, mas a assimilação não ocorre. Este segundo tipo de diabetes é similar ao da posição de um estudante de Vedanta. O Vedanta está lá, mas a assimilação não tem lugar.

O que é necessário para assimilar o Vedanta?

Isso é algo que eu tenho muita experiência para compreeder. Como um buscador, eu tinha experiência e como professor eu tenho experiência, o que é mais gratificante. O que é que inibe a assimilação do Vedanta? Meus alunos me deram uma luz sobre como fazê isso funcionar.

Eu trabalho com alunos; eu os observo, eu os ajudo, eu os ouço, não importa quais erros cometam, eu me mantenho sem julgamento. Eu sei que o Vedanta funciona. Ele funciona numa forma dupla: eu só posso deixar entrar o tanto quanto o que eu posso deixar sair e o amor por Atma deve estar lá.

Nas Upanishads você tem histórias, akhyayikas, onde o pai fala para o filho ou o marido fala para sua esposa, etc. Na Brhadaranyaka Upanisad (4.5.6), o professor, Yajnavalkya, diz atmanastu Kamaya sarvam priyam bhavati à sua esposa, Maitreyi, a quem ele ama. Ele fala de forma responsável e dá o melhor para a amada. O que ele ensina à Maitreye é hitam (o que é bom para ela), mesmo que ele esteja saindo.

Este kamah é uma palavra muito bonita. Kamah pode ser o objeto de desejo ou você pode tomá-lo como um desejo. O objeto é desejado por causa de algum fascínio. É o significado de palavras como "priya”, “ista” , “raga“. Seus significados comuns são "algo que é agradável". Atma é o mais adorável; portanto, Atma é Ananda Svarupa, a natureza essencial da Felicidade ou Plenitude. Ananda Svarupa é Atma, portanto, Atma é o mais adorável. Diz-se que em ambos os sentidos.

Isto é demonstrado na sampradaya, a tradição. Está tudo bem, mas o meu argumento é este: o que quer que me evoque prazer, eu adoro. Com o argumento da sampradaya, pode-se levantar objeções como algumas pessoas que estão dispostas de desistir de suas vidas por uma outra. Então, eles dizem que desistir de algo para o bem do outro é o que agrada a pessoa. Assim, eles andam ao redor para voltar ao Atma, sendo o mais adorável.

O Vedanta não funciona a menos que você se ame. E a menos que você remova o kanaya, as inibições inconscientes que negam o amor próprio e que leva você a se detestar, você não pode se amar. Portanto, você começa a se cuidar.

O cuidar-se começa com o que álguém considera como o seu Ser é. Uma mulher me pediu produtos para a pele contendo ingredientes naturais. Para ela, o cuidar-se começa com cuidados com a pele. Então, você vai para o centro de saúde, em seguida ao yoga, depois cuida da saúde mental e então a terapia, etc.

Portanto, Atma va are drstavyah srotavyah mantavyah nididhyasitavyah maitreyi. O Ser, minha querida Maitreyi, deve realmente ser conhecido – deve ser ouvido, refletido e meditado. Eu lido com o mais amado, o eu, Atma!

Primeiro cuide-se e então você entenderá a si mesmo. O autocuidado é igual ao amor próprio. Amor próprio é tão bom quanto o amor que você tem pelos outros. Fugir do mundo não vai adiantar. Quanto mais você foge do mundo, mais você foge de si mesmo. Swami Chinmayanandaji uma vez me disse: "Quanto mais você quer fugir, mais você precisa ficar aqui."

Ele disse este pensamento porque era bom para mim, não porque ele queria que eu fizesse algum esforço. Ele não colocou o seu interesse próprio no aconselhamento aos outros. Nunca. Levou anos para eu entender isso e eu me esforçava e me esforçava. Eu nunca parei.

Agora, nada mais funciona no meu corpo. Meu olho esquerdo não funciona. Minha garganta se foi. Eu não posso levantar nada. Nada funciona, mas nada pára. Eu deixo os médicos desesperados! Eles deveriam se admirar, mas ao em vez de se admirarem, se desesperavam. Agora, cada dia é uma graça. Enquanto minha cabeça funcionar, eu posso continuar a trabalhar.

Nestes poucos meses você tem que aprender a trabalhar na sociedade. Perceba como você se exaure, até que você dê tudo. Quanto mais você dá, mais você ama. Quanto mais você se ama, mais você entende o que está acontecendo. Esta é a ingestão de remédios para energizar o sistema. Então, a sua clareza aumenta.

O trabalho envolve ambos compartilhando este conhecimento e fazendo coisas que abrirão o coração. Seva e precaução envolve tudo o que você pode fazer para o seu próprio povo. Aqueles que são de outros países deveriam voltar e compartilhar estas atitudes, se não estas formas. Atitudes podem ser compartilhadas; formas não precisam ser. Aqui há uma atitude em relação ao dinheiro, dinheiro é Laksmi devi. Você pode compartilhar essa atitude. Faça-os reconhecer que Ishvara é tudo.

Há uma história que, depois de completar o Brahmasutra, o sábio Vyasa sentiu-se triste. Narada veio e lhe disse para escrever o Bhagavatam. Vyasa se sentiu triste após escrever os Brahmasutra, mas depois de escrever o Bhagavatam ele estava bem! Isto não é verdade. O Bhagavatam foi escrito por um comentarista, não por Vyasa, mas isso é o que eles dizem.

Da mesma forma, primeiro eu ensinei Vedanta e então eu comecei a AIM para Seva! Portanto, temos um movimento voluntário. É uma grande avenida para se trabalhar. No processo, nós crescemos e compreendemos e beneficiamos as pessoas. E tudo tem a ver com o amor pelo Atma.

Um yogi, pelo Ashtanga Yoga, obtem ananda anubhava e alcança um estado de laya, absorção. Um músico pode também alcançar tal estado e pode transferi-lo para os ouvintes que conhecem a música. Portanto, a música é superior ao Yoga.

Assim, um músico pode levar mil pessoas para atingir um estado de laya. Da mesma forma, seva tem a capacidade de trazer laya. Se você pode fazer uma pessoa se sentir feliz, você pode fazer a pessoa crescer espiritualmente. Você tem que fazer a pessoa se sentir cuidada, não com medo. Aquele que faz seva é feliz.

Você pode aprender neste período (de seis meses), vendo como a infra-estrutura está configurada, como iniciar o trabalho de seva. Você pode fazer seva em seu próprio país, mas temos um movimento já em curso no qual você pode aprender e usar a estrutura. Sastra é importante. É uma benção.

Om Tat Sat.


Tradução de Humberto Meneghin: http://www.yogaemvoga.blogspot.com/.

Respostas:

MARIA MARIANA

Postado em: 03 de Julho de 2017 às 19h41

OLÁ! PEDRO QUE VONTADE DE TE CONHECER!!! ESTOU ESTUDANDO YOGA E USO MUITO O YOGA .PRO. E ESSE TEXTO SE PARECE COMIGO,NÃO CONSIGO ENTENDER COM CLAREZA O QUE É "VEDANTA" E PARA CADA PROFESSOR QUE EU PERGUNTO VÊM UMA EXPLICAÇÃO DE FORMULAÇÃO DIFERENTE... FICO TENTANDO ACHAR ALGO QUE ME BASTE NÃO NÃO ACHO! E SOU APAIXONADA POR VEDANTA ...AOS ASSUNTOS ABORDADOS(AMOR A MIM AMOR AO PRÓXIMO ) MAS NÃO CONSIGO ENTENDER SEU REAL SIGNIFICADO(ENDENTE?). SE EXISTIR UMA DEFINIÇÃO CLARA PARA "VEDANTA" ,QUAL SERIA? NAMASTE !

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Fabio

Postado em: 24 de Setembro de 2012 às 10h07

Muito útil. Eu não teria feito essa pergunta, no entanto a resposta foi para mim. Meu corpo está morrendo. E, embora eu não sinta ansiedade a esse respeito, é bom saber que as minhas intuições sobre o que fazer com o tempo que me resta estavam corretas.

Ramana Maharshi disse uma vez (várias, aliás) que "o que damos aos outros, damos a nós mesmos". Todos entendemos isso. Mas é muito bom Entender isso! Muito obrigado pela oportunidade de aprender com vocês, amigos! Que a bênção e a paz de Deus estejam sobre todos nós!

Salam!

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