Devemos provar tudo antes do Yoga?

Pedro Kupfer - 12 de Janeiro de 2017 - 2 Comentários

Antes do Yoga, precisamos viver todas as experiências possíveis?

Algumas pessoas pensam que é preciso viver todos os prazeres possíveis antes de dedicar-se à espiritualidade. Essa é uma crença bastante espalhada e comum. Isso acontece porque algumas pessoas que começam essa caminhada acabam fazendo exatamente o contrário do que pregam: deixam-se levar pelas paixões exacerbadas quando supostamente deveriam ser contidos, acumulam imensas fortunas quando deveriam cultivar a simplicidade e coisas do gênero. 

Daí, com algum direito as pessoas pensam: “ele fez isso porque não viveu o suficiente número de experiências mundanas antes de dedicar-se à espiritualidade”. Porém, essa ideia é uma falácia. Parece verdade mas não é. Na medida em que realizamos ações, criamos novas condições para fazer outras novas no futuro próximo. O apego às memórias passadas nos prende nos condicionamentos. O nosso karma pode ser prazeroso ou doloroso. Mas nós mesmos é que escolhemos, em todo caso, o que fazemos com ele.

É preciso discernir as coisas: em primeiro lugar, há uma situação kármica, que pode ser prazerosa, dolorosa ou uma combinação de ambas. Porém, sempre podemos escolher se e como, a partir desse setup, vamos continuar alimentando esse círculo ou não. A ignorância existencial é a coisa mais medonha. Mas não precisamos tornar-nos vítimas dela. 

Qualquer um pode cair. Qualquer um pode se deixar arrastar pelas fraquezas. Porém, se mantivermos um coração limpo e clareza nos nossos propósitos e intenções, nada poderá nos demover do nosso objetivo. O primeiro passo é fazer as pazes com o próprio karma. Não se sentir culpado nem vitimizado por ele. Depois, é necessário considerar a importância da renúncia. Renúncia, no sentido de suavizar a ideia de que precisamos viver para satisfazer os sentidos.

Depois, é recomendável desenvolver curiosidade, foco e motivação para compreender o que é melhor para nós e agir em consequência: se vamos vezes e mais vezes nos deixar arrastar pela ânsia de satisfazer os desejos e as experiências sensoriais, ou ainda, se nos mantemos dispostos a crescer através de e para além deles. Noutras palavras, nos manter focados em cultivar bons hábitos, saudáveis e construtivos. Colocar as prioridades em primeiro lugar, em suma.

Somos ao mesmo tempo vítimas da identificação com o corpo e do nosso desleixo em relação a ele. É por isso que acreditamos que seja necessário priorizar as coisas. Não nos deixemos levar pelo apego. Não vivamos focados unicamente no prazer sensorial. Isso é perder o tempo. Afinal, viver para satisfazer os sentidos acaba sendo uma autopunição que pagamos muito caro nas diversas formas do sofrimento e da aflição. Namaste!

Respostas:

Priscilla

Postado em: 31 de Janeiro de 2017 às 13h53

Estou aprendendo muito com vocês.

Obrigada a todos por compartilhar e escreverem. 

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Luiz Carlos Souza Gomes

Postado em: 16 de Janeiro de 2017 às 15h29

Na verdade quem escolhe o caminho dos prazeres é o condicionamento anterior acumulado, então é necessário a prática do yôga em qualquer tempo, pois o equilíbrio dos chakras é que vai possibilitar a percepção que a felicidade não é a obtenção dos prazeres. A experiencia desses prazeres também vai mostrar que satisfeito um prazer o cérebro logo procura outro, levando à dinâmica alegria seguida de frustração quando um desejo não se torna realidade.Nossa única bússola é a busca da felicidade e só vamos perceber que já somos a felicidade que procuramos quando estivermos equilibrados e vermos que tudo é um. Existe uma fábula do cervo almiscarado que ilustra essa busca. Era uma vez um cervo que farejou um odor delicioso, e saiu correndo atrás desse cheiro, que ora parecia que vinha de um lado, ora do outro e assim corria de um lado para outro até que exausto deitou-se para descansar , enrodilhado, e só aí percebeu que o perfume saia do seu próprio umbigo.

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