Perguntas e respostas sobre oração e meditação
entrevista com Swami Dayananda Saraswati - 16 de Maio de 2002 - Nenhum comentário
Dr. S. L. Prabhu - A palavra "meditação" tem sido usada na tradução de dhyána e nididhyásana. Como o senhor interpreta e traduz esses dois termos?Swami Dayananda Saraswati - É verdade que a palavra "meditação" seja usada indiscriminadamente tanto para dhyána quanto para nididhyásana. Isso acontece porque nididhyásana pode ser chamado dhyána, mas dhyána não é nididhyásana. Ambos são dhyána, pois são puramente mentais. Porém, nididhyásana tem como base o já adquirido Átman Vidyá (Conhecimento do Ser).
Dr. S. L. Prabhu - Todas as formas de upásana, seja japa, pránavíksana ou rituais, etc, podem ser chamadas de dhyána, e nididhyásana ser reservado para o processo de assimilação consciente do Conhecimento, seguindo svarana (escutar) e manana (refletir)?
Nesse sentido, então, nididhyásana não poderia ser uma forma de dhyána?
Swami Dayananda Saraswati - Todos os upásanas, sendo mentais, podem ser chamados de dhyána. Qualquer coisa que envolve algo além da mente não é dhyána. Por exemplo: prána víksana pode ser um degrau para dhyána, mas é visto como um pránáyáma. Por essa razão, ásana e pránáyáma são degraus para dhyána no Ashtanga Yoga.
Dr. S. L. Prabhu - Algumas pessoas afirmam que durante a meditação o japa silencioso não deve ser ligado à respiração, enquanto outros afirmam que isso deve ser feito (durante a inspiração repete-se uma vez o mantra, e na exalação outra repetição desse mantra). Por favor, esclareça isso. Eu considero que, na prática, o japa parece inconscientemente vincular-se ao ciclo da respiração. A eficácia se perde quando isso acontece?
Swami Dayananda Saraswati - Não se deve vincular a respiração ao japa mental. Somente acaba com a absorção que deve ser alcançada com o japa mental. A razão é óbvia: a mente é extrovertida. Suponhamos que você queira repetir mentalmente o mantra com rapidez ou bem devagar. Você não poderá fazê-lo se o mantra estiver vinculado à respiração. Portanto, definitivamente, não é aconselhável vincular respiração e repetição mental.
Dr. S. L. Prabhu - Dentro de todo processo de sádhana, aonde poderemos encaixar a invocação, seja a oração ou arcana (a repetição dos nomes de Deus com o oferecimento de flores)? Não parece estar nas categorias de Karma Yoga e dhyána. Invocação é um antídoto para mala (impureza da mente) ou vikshepa (agitação) ou ambos?
Swami Dayananda Saraswati - Todas as formas de oração, incluindo rituais, cabem dentro de Karma Yoga. Dessa maneira, até mesmo se a meditação estiver na forma de oração deve ser considerada Karma Yoga. Somente se estiver vinculada ao Conhecimento será diferente. Qualquer forma de oração que não seja puramente mental será para a purificação de mala. Se for mental, pode atingir mala e vikshepa.
Extraído do Informativo Vidyá-Mandir de agosto de 1989, do Vidyamandir - Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, Rio de Janeiro, e digitado por Cristiano Bezerra.
Visite o site do Arsha Vidya Gurukulam, o ashram de Swami Dayananda Saraswati na Pensilvânia, EUA, em www.arshavidya.org
Para conhecer mais a obra de Swami Dayananda, visite o site do Vidyamandir - Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, da profª Glória Arieira, em www.vidyamandir.org.br
Swami Dayananda nasceu em uma vila no sul da Índia. Em 1953, morando e trabalhando em Chennai, vem a saber de uma série de palestras ministradas por Swami Chinmayananda, que se torna um de seus mestres, o que transforma sua vida. Dá início, então, ao aprofundamento do seu conhecimento de Vedánta e Sânscrito e em 1962 torna-se um renunciante.
Começou a ensinar Vedánta e Sânscrito em Rishkesh, no norte da Índia, às margens do rio Ganges, e em 1973 foi chamado por Swami Chinmayananda para ensinar durante dois anos e meio a um grupo de 50 estudantes em Mumbai.
Foi o início de vários cursos na Índia e nos Estados Unidos. Seus cursos, também ministrados em inglês, abriram aos estudantes do Ocidente a oportunidade de acesso a esse ensinamento. Swamiji, como é conhecido por seus discípulos, viaja por toda a Índia ministrando cursos e palestras, e desde 1976 tem viajado para os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Suécia, Austrália, África do Sul, Brasil e Argentina.
Em todos esses países, assim como na Índia, Swami Dayananda Saraswati é conhecido por sua facilidade de comunicação e pela clareza e profundidade de seu conhecimento de Vedánta e da complexidade humana.
A primeira visita de Swamiji ao Brasil data de dezembro de 1978. Desde então, já realizou mais de 11 visitas ao nosso país, tendo estado em São Paulo, Recife e Campinas, além do Rio de Janeiro. Seus cursos e palestras são traduzidos para o português pela Professora Glória Arieira. Uma de suas mais recentes visitas ocorreu em março de 1999, quando tivemos a oportunidade de conviver com ele em um curso de quatro dias em Itatiaia, sul do Estado do Rio de Janeiro.
Swamiji dirige dois ashrams na Índia, um em Rishkesh e outro em Coimbatore, e o Arsha Vidya Gurukulam, nos Estados Unidos. Nessas instituições, onde Swamiji é o principal instrutor, os cursos de Vedánta e Sânscrito tem duração de trinta meses, em regime residencial, e o ensinamento é passado de mestre a discípulo, num fluir permanente, que tem como objetivo desdobrar a visão de "eu" como um Ser completo e livre.
Recentemente, Swamiji criou um programa para ajudar as pessoas que vivem em áreas distantes dos centros urbanos, na Índia. Esse programa oferece uma ajuda nas áreas de saúde, educação, autosuficiência e validação cultural. Para isso, ele conseguiu unir vários representantes de diferentes sampradayas ou tradições de ensinamento da Índia. Esse movimento chama-se All India Movement for Seva, AIM for Seva, movimento de toda a Índia para o serviço. Recentemente, Swamiji esteve envolvido com o Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa, que acontececeu em Delhi, de 15 a 17 de novembro de 2001, e que foi decorrente das palestras proferidas por ele na ONU nos dois últimos anos, cujo teor pode ser lido em carta para uma revista de Vedánta publicada na Índia.
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