Tantra, a democratização do Yoga
José Hermógenes - 24 de Março de 2002 - 1 Comentário
Os yugas e os shastras
A tradição hindu fala de quatro eras ou yugas. Elas diferem quanto ao grau de obediência dos homens ao Sanáthana Dharma, isto é, à "Lei Eterna", a lei que determina justiça, retidão, moralidade e inspira e fundamenta todas as religiões, pois é a essência eterna e única de todas elas. Cada yuga tem uma dada escritura (ou shastra) apropriada ao nível ético de sua Humanidade.
No Sathya ou Krita Yuga, também denominado "Era de Ouro" ou "da Verdade", quando viveram santas criaturas, o Sanáthana Dharma era plenamente cumprido, sendo os Vedas, ou Shruti (1) sua escritura adequada. No Treta Yuga, a retidão já perdera 1/4, e sua escritura foi Smriti, isto é, a sabedoria que fora guardada na memória (smriti) (2). O Yuga seguinte chamou-se Dwápara. Nele, do dharma (retidão, dever, justiça) sobrara apenas a metade. A escritura que os seres humanos deveriam então estudar, compreender e aplicar é chamada Purána. O presente Yuga é chamado Kali (treva, escuridão). Em nossos dias, apenas 1/4 da ética ainda resta. Dizem os teóricos que a escritura que hoje nos resta seguir é o tantra.
Os Vedas, os Smritis e os Puránas (3) agora perderam então sua validade ou são contra-indicados para nós, contemporâneos da "Idade das Trevas"? A resposta é um veemente "não". Essas preciosas escrituras são eternamente válidas por serem apropriadas a homens e mulheres que, embora vivendo durante o Kali Yuga, graças a esforços evolutivos que realizaram nesta e em encarnações anteriores, pertencem efetivamente a yugas mais primorosos. Numa mesma família podem conviver pessoas de diversos graus de consciência, cada uma afinada a um yuga diferente.
Neste caldeirão de violência, vícios e corrupção de nossos dias, a predominância é da personalidade que eu tenho diagnosticado como "normótica". Nossa "normalidade", aceitemos ou não, é mórbida, pois estamos na "Era de Kali". Se optarmos por um status ético, psíquico e espiritual acima da "normose" dominante, não podemos evitar desajustar-nos da coletividade. Devemos dispor-nos a pagar o preço de sermos diferentes da mediocridade; temos de aceitar o status de "patinho feio", aquele da história. Mas é compensador assumir corajosamente uma abençoada e sadia "anormalidade", com o cuidado de não tornar nossa diferença agressiva aos outros. É uma feliz opção, mas que acarreta sacrifício.
A democratização do Yoga
A palavra tantra deriva da raiz tan (espalhar, divulgar) e mais o sufixo tra (salvar). Significa, portanto, "divulgar para salvar". Talvez seja mais apropriado entender o Tantra como uma democratização do Yoga. Em meu trabalho ao longos das décadas, fui descobrindo que há um "Yoga para quem pode" e - graças a Deus! - um "Yoga para quem precisa". Até agora tenho me ocupado somente deste Yoga. O outro é elitista. Usamos o termo elitista no melhor sentido. Há realmente um número muito reduzido de pessoas formando uma abençoada e luminosa "elite espiritual" que tem virtudes e potencial suficientes para o altíssimo ônus de avançar por caminho estreitíssimo.
O Tantra Shástra, ou escritura tântrica, consta de diálogos entre Shiva e sua esposa Parvati, ao longo dos quais importantes informações são divulgadas e verdades profundas são "des-veladas", com o misericordioso propósito de ajudar aqueles que, vivendo na "era das trevas", sinceramente anelem pela salvação. O Cristo declarou que viera, não para os bons, mas para os maus (os do Kali Yuga?).
Trata-se de diálogos entre o Senhor (a Consciência Suprema) e sua divina esposa, também denominada Shakti (a energia cósmica criadora). Quando é Ela que pergunta e Ele responde, o texto é conhecido como Ágama. No caso contrário, Nigama.
Cada texto inclui os tópicos seguintes:
a) criação do Universo;
b) sua destruição;
c) a adoração;
d) os exercícios espiritualizantes (Yoga);
e) os rituais e cerimônias;
f) as seis ações (kriyás) de purificação e
g) meditação (dhyána).
Características do Tantra
As diversas escrituras tântricas apresentam uma série de características comuns (4):
1) Aceitam os Vedas e não contestam os seis darshanas ou ângulos de visão na interpretação desses Vedas (as seis "escolas filosóficas").
2) Têm por objetivo salvar o homem do Kali Yuga.
3) São democratizantes, pretendendo ajudar a todos. Ninguém é excluído por motivo de casta, cor, sexo, temperamento, tempo, lugar, etc. Essa catolicidade ampla do Tantra, em seu aspecto chamado Dakshina, isto é, o "Tantra da mão direita", torna-o aceitável e assimilável pelas mais diferentes religiões. Até mesmo sem o saber, religiões ocidentais utilizam procedimentos litúrgicos e princípios tipicamente tântricos.
4) Enfatizam a prática, o exercício. Asseveram que os textos que são simples especulações intelectuais sobre a natureza última das coisas não chegam a saciar a sede espiritual, da mesma forma que só a leitura da bula não cura o doente. Tem de haver a experiência. Não somente theoria, mas também, e muito mais, a praxis.
5) Firmam que o ser humano precisa crescer, transformar-se e aprimorar-se para poder se libertar da mediocridade e das aflições deste mundo.
6) Recomendam a aceitação do mundo que nos envolve, exaltando cada coisa, nada descartando, mas colocando cada uma em seu justo lugar. O tantrismo, no entanto, fornece prescrições apropriadas para uma ordenação da vida segundo e seguindo as Leis da Natureza. Para o tantrista, este mundo material é tão real quanto os mundos sutis. Tudo é manifestação da mesma Shakti ou Divina Energia.
7) As escrituras prescrevem uma particular forma de viver, apropriadas ao temperamento e à natureza de cada indivíduo, seja ele quem for. Considerando o guna (5) dominante, há três espécies de temperamento:
a) pasubhava (tipo animal), para o qual o sádhana pode ser uma tremenda permissividade;
b) virabhava (tipo heróico), que tem por sádhana a devoção evoluindo da simples superstição até o bhakti mais sublimado pelo amor (prema) e pela ação benfazeja; e
c) divabhava (tipo áureo), ao qual é recomendada dhyána (meditação).
O progresso de um tipo a outro é seguro àqueles que forem firmes na disciplina e sinceros em seus propósitos e suas aspirações de progresso.
8) A certeza científica é cultuada. Ter fé é dispensável, pois a eficiência do Tantra é cientificamente demonstrável. Diz um mestre:
Pratique o que dizemos e, por si mesmo, constate o resultado. Deixe a fé para depois.
Shiva e Shakti
No Tantrismo, cabem tanto a convicção dualista como a monista. Uma não exclui a outra. É questão de nível de consciência. Seu propósito é libertar o jiva (alma individual) mediante um método que o eleve à verdade monista (ou não-dualista) por intermédio da verdade dualista (6). O praticante mergulhará na felicidade suprema quando conseguir transformar a dualidade em unidade. Arthur Avalon cita o próprio Senhor Shiva:
No mundo, uns desejam a sabedoria monista, enquanto outros, o conhecimento. Aqueles, porém, que conheceram Minha Verdade, ultrapassaram tanto o dualismo como o não-dualismo.
Citado por Pandit, M.P., in Studies in Tantras & Veda, Madras, Ganesh & Company.
A Realidade Última é Brahman (que traduz-se por imensidão), a potencialidade infinita. Quando, por si mesmo, Brahman se move no propósito de manifestar algo de sua plenipotência, promove uma comoção que toma a forma de uma polaridade: Shiva (o equilíbrio estático, o eterno masculino) e Shakti (o equilíbrio dinâmico, o eterno feminino). Ele, a Consciência Suprema. Ela a Energia d'Ele, aquela energia que gera universos. Cada universo nasce da fecunda união do Divino Casal. A fecundação cósmica é um ato de gozo transcendente, um folguedo (lila) partilhado pelos celestiais esposos. O prazer sexual desfrutado por um par amoroso humano é uma parte ínfima do orgasmo cósmico gerador de universos, bem como do êxtase experienciado por um místico em seu mergulho unitivo no oceano de beatitude do Ser Supremo.
O mesmo divino jogo (lila) dá existência a cada forma individual. Assim, cada coisa, cada homem é uma encarnação de Shiva e Shakti, e é campo para o delicioso jogo do Senhor e sua Esposa.
Pandit, M.P., idem.
O Tantrismo é predominantemente, mas não exclusivamente, inspirado no culto ao Divino Casal Shiva-Shakti. Há tantristas que adoram outro Divino Par - Vishnu-Lakshmi. Existe também tantristas que veneram e cultuam predominantemente a Shakti, isto é, a Mãe Parvati, a Energia universal. Portanto, o Tantra tem três ramos: Shaivismo (dos adoradores de Shiva), Vaishinavismo (dos adoradores de Vishnu) e Shaktismo (dos adoradores da Shakti).
Mão direita e mão esquerda
Há dois caminhos gerais oferecidos pelo tantrismo:
a) o nivritti marga, ou "caminho da renúncia, da abnegação, do desapego, da submissão a Deus, da humildade, disciplina castidade oração, canto devocional, amor sublimado (prema)...", próprio dos tipos virabhava e divabhava;
b) o pravritti marga, ou "caminho da auto-afirmação, da permissividade, do egoísmo selvagem, da magia sexual...", apropriado ao tipo animalesco, pasubhava.
Os que transitam pelo primeiro caminho podem ser chamados também de dakshinacharis, e os do segundo caminho, vamacharis.
Em seu Glossário Teosófico, H.P. Blavatsky define dois termos:
a) Tantra - Literalmente, "regra ou ritual". Certos trabalhos místicos e mágicos, cuja peculiaridade principal é a adoração ao potencial feminino, personificado na Shaktidevi ou Durgá (Kálí, esposa de Shiva), que é a energia especial ligada aos ritos sexuais e poderes mágicos - a pior forma de magia negra ou feitiçaria.
b) Tântricas - Cerimônias ligadas à adoração acima citada. Shakti tendo uma dupla natureza, branca e negra, boa e má, os shaktas (adoradores) são divididos (também) em duas classes: os dakshinacharis e os vamacharis, respectivamente: os shaktas da mão direita e os da mão esquerda, isto é, magos "brancos" e os "negros". A adoração feita pelos últimos é a mais licenciosa e imoral.
Declarações tão graves, feitas por uma venerável autoridade em assuntos espirituais, a fundadora da Sociedade Teosófica, reclamam esclarecimentos maiores.
O assunto é polêmico e exige que autoridades no assunto falem também:
Sem dúvida, o Tantra é um tema delicado por conta de suas intensas e extensas ramificações eróticas. Deve ser visto de dois níveis: (a) o literal (mukya); e (b) o da interpretação metafórica de sua doutrina (gauna). A primeira visão é vamachara ou da "mão esquerda", a segunda, dakshinachara ou da "mão direita".
Stutley, Mararet and James, in A Dictionary of Hinduism, Mumbay, Allied Publishers Limited.
O tantrismo vamashina é aquele que inspirou a denúncia de Blavatsky. Prescreve rituais eróticos exacerbados e outras formas de licenciosidade como é o caso do preceito dos "cinco M's", que parece consagrar a permissividade, tão ao gosto dos indivíduos mais materialistas e sensuais, aqueles que o Tantra classifica como pasubhava (tipo animal).
A "doutrina dos M's" determina, como forma de cultuar a Shakti, não as preces, meditações, purificações, renúncias e disciplinas, mas exatamente o oposto, isto é, a gratificação com: madya (vinho), mamsa (carne), matsya (peixe), mudra (cereais ressecados) e maithuna (fornicação). Observe que as palavras têm o m por inicial. São os cinco M's.
Ora, isso pode ser visto como a antítese do que as religiões em geral propõem como ascese. Soa como um convite para "chegar a Deus pelo caminho que o diabo gosta". Como explicar tão flagrante contradição? Procuremos juntos a resposta.
Há milênios, a Kata Upanishad menciona dois caminhos: o "Caminho Bom" e o "Caminho do Bem", naturalmente para convidar para o último. O Cristo veio depois a confirmar:
Entrai pela porta estreita. Porque larga é a porta e espaçosa a estrada que conduz à perdição, e são muitos os que por ela entram, mas estreita é a porta e apertada a estrada que conduz à vida, e poucos são os que a encontram.
Mateus, 7:13-14.
Os que fazem o marketing do "caminho largo" jogam com argumentos inegavelmente brilhantes e convincentes. Eis um texto de Haridas Chaudhuri que sintetiza uma argumentação hoje monotonamente repetida por uns poucos reverenciados como "gurus" (?!), e por alguns "modernos terapeutas", pretendendo com ela incentivar, respectivamente, devotos e pacientes a "liberar o animal" que se agita dentro de si. Demonstram que assim evitarão as indesejáveis conseqüências da "repressão" psicológica. Tais "gurus", argumentando cavilosamente, têm encontrado facilidade em convencer crédulos discípulos (previamente convencidos) da "sacralidade" (?!) de uma gratificante "liturgia erótica".
O Yoga tântrico é audaciosamente afirmativo em suas abordagens metodológicas. Outros sistemas de Yoga dão muito destaque à renúncia e à ausência de desejo como ajuda à libertação. Mas o Tantra Yoga afirma a necessidade de uma satisfação inteligente dos desejos naturais. Nessa visão, não há antagonismo básico entre a natureza e o espírito. A natureza é o poder criativo do espírito na esfera objetiva. Ninguém, portanto, pode entrar no reino do espírito sem primeiro obter um passaporte emitido pela natureza. A prática da austeridade, ascetismo e automortificação é um insulto à natureza. Cria mais dificuldades que as soluciona. Por enfraquecer o corpo e por gerar conflitos internos e tensões, enquanto solapa o desenvolvimento sadio e equilibrado.
Haridas Chaudhuri, in Integral Yoga, Londres, Georg Allen and Unwin Ltd.
A defesa da tese do "caminho largo" prossegue, convincente, a arrastar muitos ao gostoso "é proibido proibir", à licenciosidade irresponsável. Toda essa argumentação (a essa altura já consideravelmente gasta) configura um velho e eficiente sofisma, sintetizado pela fórmula: quem está no chão só consegue levantar-se apoiando-se no mesmo chão. Ouso perguntar: Mas, se a criatura se encontra no lodo, num atoleiro, em areia movediça, como se apoiar se a busca de apoio a faz afundar ainda mais?!
Haridas Chaudhuri prossegue, com promessas àqueles já predispostos à sedutora licenciosidade:
Se uma pessoa inteligentemente atender às tendências de sua própria natureza, seus desejos se tornarão cada vez mais refinados e elevados. Os desejos básicos gradualmente cederão lugar a desejos nobres. Os impulsos inferiores serão substituídos por impulsos mais elevados...
A experiência prova, no entanto, exatamente o oposto. Um famoso filme japonês - O Império dos Sentidos - há alguns anos mostrou um caso real onde os amantes sofregamente se renderam sem reserva ao "império dos sentidos", em busca de uma impossível saciedade erótica total, e, ao final, como não podia deixar de ser, suas vidas se acabaram de maneira trágica.
Todos os Avatares e Grandes Mestres mostram que satisfazer aos desejos com o objetivo de vencer a pressão com que eles "imperiosamente" se impõem é tão inteligente quanto tentar apagar fogueira lançando combustível sobre as labaredas. Na Bhagavad Gítá, o Senhor Krishna descreve, com precisão e dramaticidade, como um homem que se entrega à gratificação dos desejos sensuais, conforme proposto acima, ao contrário do prometido, a sublimação, desce num tobogã para a própria ruína. Declarou o Avatar:
Quando um homem se demora a pensar nos objetos (sensórios), cria apego por eles. Do apego, o desejo nasce. Do desejo surge o ódio. O ódio produz o embuste. A partir da ilusão perde-se a memória. Dessa perda sobrevém a destruição da capacidade de discernir. Perdido o discernimento, a ruína acontece.
Bhagavad Gítá, II: 62-63.
O "assuma" e "libere-se", tão receitado por certa classe de "terapeutas" modernosos, como se vê, não é uma novidade. Vetustos textos e gurus tântricos (da "mão esquerda") já preceituavam tal sádhana (?!!!). Mas somente a seus discípulos pasubhava (tipo animalesco). Um velho guru tântrico - esclareça-se - tinha bastante sabedoria para orientar o discípulo a fim de evitar promiscuidades, abusos, aberrações e distorções, e ainda mais, tendo progredido para a condição de virabhava (tipo heróico), percebia quando o sádhana do discípulo deveria ser modificado. Recomendava, então, rituais apropriados a seu novo statua espiritual, os da "mão direita", isto é, Bhakti, Kriya, Karma, Hatha e Jñana Yoga.
O mesmo Haridas Chaudhuri, que tão convincentemente defende o "vale-tudo" para atender aos desejos, sob o pretexto de o Tantra ser uma "abordagem afirmativa da natureza", em páginas seguintes da mesma obra propõe valiosas advertências:
...tem-se freqüentemente a tendência de levar muito longe o espírito de afirmação. (...) Quando uma pessoa se torna muito afirmativa no seguir o caminho da natureza, é preciso que se lhe fale sobre a glória transcendente do espírito. Doutra forma, ela pode perder-se no labirinto do desejo e vir a transviar-se no auto-embuste em nome da religião. (...) Algumas vezes, a promiscuidade sexual é sancionada como um modo de religião. (...) A magia negra então se mascara de religião.
A ética do Tantra
A indicação da orgia erótica como um caminho tântrico é um tremendo equívoco. Embora muito ao gosto dos libertinos, é coisa típica e exclusivamente dos adhikaris (7), os da "mão esquerda", ou "magos negros". Os da "mão direita", ou "magos brancos", devem, ao contrário, cumprir prescrições éticas que são ainda mais rigorosas que as do próprio Rája Yoga, ou Ashtánga Yoga de Pátañjali. Enquanto este tem cinco yamas e cinco niyamas, o Tantra prescreve o dobro de yamas e niyamas. O Gandarva Tantra informa que os yamas são: não-violência, veracidade, não roubar, continência sexual, paciência, retidão, bondade, simplicidade, moderação alimentar e pureza. E os niyamas são: austeridade (jejum, etc), satisfação (contentamento), fé nos Vedas, caridade, culto ao Senhor, escutar o ensino da Verdade, modéstia, mente dirigida para o conhecimento e a prática preceituadas pelas escrituras, repetição do mantra e ritual vêdico.
Que imenso contraste entre os dois caminhos!
(1) Shruti literalmente significa escutar. Os Vedas são "a sabedoria que foi escutada".
(2) Smriti - da raiz smar, lembrar. É o conhecimento que foi conservado de memória daquele que foi escutado (shruti).
(3) Os Puránas ensinam as verdades vêdicas sobre a criação, destruição e renovação do Universo, sobre a genealogia dos deuses e patriarcas e o reino dos legisladores divinos (Manus), entremeadas com observações éticas, filosóficas e científicas, mas tudo em caráter lendário.
(4) Pode ser dito o mesmo do Kriya Yoga ensinado por Pátañjali, bem como do Sarva Yoga estudado no capítulo 10 do meu livro Iniciação ao Yoga.
(5) Gunas são as qualidades ou atributos de todos os seres do mundo material (prakritti). Os gunas são: sattwa (harmonia, inteligência, bondade), rajas (agitação, paixão, tensão) e tamas (ignorância, torpor, maldade).
(6) Os dualistas (dwaitas) afirmam uma distinção e uma distância irredutíveis entre a alma e Deus, entre matéria e Espírito. Os não-dualistas, ou monistas (adwaitas), vêem somente um Uno-sem-segundo. Portanto, não existem distâncias nem distinções a separar-nos do Ser, de Brahman.
(7) A palavra adhikaris, quando se trata de aspirantes da "mão esquerda", não pode ser traduzida por "discípulo", pois discípulo é aquele que obedece a uma disciplina. E os permissivos detestam qualquer disciplina. Discípulo sem disciplina é uma flagrante contradição.
Extraído do livro Iniciação ao Yoga, Editora Nova Era, Rio de Janeiro, e digitado por Cristiano Bezerra.
Visite o site do Professor Hermógenes em www.profhermogenes.com.br
Respostas:
Laura Malcher
Postado em: 28 de Julho de 2006 às 15h21
Eu gostaria de saber mais sobre Tantra e onde fazer cursos a respeito.
Responder esse comentário
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