Satsanga
Gloria Arieira - 01 de Fevereiro de 2002 - Nenhum comentário
Satsanga é ficar em companhia de pessoas que possuem o conhecimento claro de sua própria natureza absoluta, ou daquelas que buscam esse mesmo conhecimento.
O momento de encontro acompanhado de conversas, perguntas/respostas ou canções cantadas em conjunto é chamado Satsanga. Esses momentos são importantes fontes de inspiração para os que valorizam o conhecimento de si mesmo e querem viver suas vidas com a clareza do Ser Imutável que são. Através de dúvidas suas e de outros que são elucidadas, nasce maior clareza, e o ambiente informal une essas pessoas que têm para si o mesmo objetivo.
Esses momentos podem acontecer uma ou mais vezes por semana. Porém, o melhor Satsanga não é um encontro semanal, mas todos os momentos diários da vida.
Conviver todos os dias com pessoas que querem descobrir em si mesmas os valores que conduzem ao conhecimento (chamados jñána, conhecimento, no capítulo XIII da Bhagavad Gítá), escutar, refletir e meditar sobre o Átman, o Ser Imutável, é o Satsanga ideal.
Um deve ser para o outro constante inspiração, estímulo e auxílio para o conhecimento, na forma de meios para antahkaranasuddhih, a preparação da mente, e jñánanistha, a clareza do conhecimento e sua constante vivência.
Além de conviver constantemente com outros que também desejam o Absoluto, o maior Satsanga é o contato direto com pessoas que vivem a realização do Átmabrahman. Pessoas cujas vidas são o próprio exemplo da plenitude do conhecimento.
Nosso grande mestre, Sri Ádi Shankarachárya, diz no conhecido texto Bhaja Govindam:
Satsangatve Nissangatvam
Nissangatve Nirmohatvam
Nirmohatve Niscalatatvam
Niscalatatve Jívanmuktah
Na companhia daqueles que buscam a Verdade, nasce o desapego.
Com o desapego, a ilusão se vai.
Quando a ilusão se vai, a Realidade Imutável torna-se clara.
Com o conhecimento da Realidade Imutável, o indivíduo torna-se liberado ainda em vida.
Sanga é associação, companhia, contato e, até mesmo, apego. Satsanga, a associação com pessoas que desejam o Sat, o Real, o Ilimitado, conduz a nissanga, a ausência da necessidade de estar sempre em companhia de pessoas, apegado a objetos. A ausência dessa necessidade nasce da análise, do questionamento, que é viveka, que tem como conseqüência vairagya, o desapego natural e gradual. Isto é, a ausência da ilusão e a presença da mente clara para analisar a si mesmo e apreciar o seu verdadeiro Ser, Consciência Sem Limites. Essa compreensão resolve a pergunta original do ser humano: quem sou eu? Para onde caminho? Respondendo a essas questões, vivendo, você está liberado do sofrimento de ignorar ser o que você já é e ainda deseja ser.
Extraído do Informativo Vidyá-Mandír, de janeiro de 1991, do Vidyamandir - Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, e digitado por Cristiano Bezerra.
Visite o site do Vidyamandir - Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, da profª Glória Arieira, em www.vidyamandir.org.br
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