Uma breve síntese sobre a Taittiriya Upanishad
Cristiano Bezerra - 22 de Julho de 2006 - 2 Comentários
Uma das grandes contribuições da civilização indiana tem sido no campo da educação, cobrindo não apenas a filosofia da educação mas também o sistema de educação. A filosofia da educação que os videntes e sábios (rishis) ofereceram não era diferente da filosofia da vida. Isso pode ser visto em sua forma mais pura nas Upanishads, cujo significado etimológico é sentar-se aos pés do mestre para ouvir os seus ensinamentos.
Havia um sistema de educação, conhecido como Gurukula, que era uma das mais audaciosas experiências em educação e que permanece até hoje como uma das melhores contribuições da Índia no campo da educação. Talvez em nenhuma outra Upanishad encontremos uma visão tão abrangente da educação Gurukula como vemos na Taittiriya, a terceira mais antiga entre as Upanishads, cujo nome devira do instrutor Taittiri (cujo nome significa "perdiz") e é pertencente ao Yajur Veda, o hinário védico das fórmulas sacrificiais, tendo três seções principais, conhecidas como Vallis, as quais tratam da educação social, intelectual e espiritual do estudante. Talvez o ensinamento mais fascinante da Taittiriya Upanishad seja a doutrina, recebida e transmitida por Bhrigu, de que todas as coisas devem ser consideradas como alimento (anna). Trata-se de uma antiga idéia ecológica que se refere à interligação de todas as coisas - a cadeia da vida - e prefigura o Eco Yoga da atualidade. Nas palavras dessa Upanishad:
Do alimento, em verdade, são produzidas as criaturas - todas [as criaturas] que residem na Terra. Além disso, é pelo alimento, em verdade, que elas vivem, e em alimento elas por fim se transformam. (2.21)

É interessante observar como ao mesmo tempo em que os instrutores upanishádicos podiam elevar-se a vertiginosas alturas de compreensão filosófica, podiam também permanecer firmemente plantados no chão. Não eram visionários que descuidavam do lado prático. Na Taittiriya Upanishad vemos o Instrutor estabelecendo os princípios fundamentais da ciência da educação. É verdade que na nossa civilização moderna de colossal urbanização nós não possamos ter o sistema Gurukula na forma e estrutura que existia em uma época onde o ritmo de vida era lento. Mas, mesmo que não possamos reproduzir a forma, certamente podemos examinar a possibilidade de impregnar os nossos sistemas modernos de educação com o espírito e conteúdo dos antigos Gurukulas, explorando a exeqüibilidade ao dar ênfase em como aprender, e não meramente ao que aprender.
Síntese por Cristiano Bezerra baseada em trechos dos livros A Tradição do Yoga, de Georg Feuerstein, História do Yoga, de Pedro Kupfer, e O Chamado das Upanishads, de Rohit Mehta.
Visite o sítio de Cristiano em www.ekadantayogashala.pro.br
Respostas:
Cristiano Bezerra
Postado em: 23 de Julho de 2006 às 12h22
Olá, minha amiga! Grato pelo teu comentário tão incentivador. Na realidade, devo dizer que esse meu texto aqui tem muito intertexto, visto que se trata mais de um "fichamento integrado" de extratos desses três livros consultados e citados no rodapé, e o que fiz foi apenas transcrever e costurar pequenos trechos dos mesmos, com a finalidade inicial de dispor de uma breve apresentação dessa Upanishad para a divulgação deste evento com a Gloria Arieira aqui em Fortaleza: www.ekadantayogashala.pro.br/43/gloria_2006.html. Como Pedro viu e gostou disso que fiz, me sugeriu publicar por aqui. Abraços para você também, Rosana!
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Rosana Biondillo
Postado em: 22 de Julho de 2006 às 13h52
Olá, meu amigo, gostei muito de ver um texto seu aqui no Yoga.pro. Já não era sem tempo! E espero ver muitos mais, pois talento, habilidade e discernimento você tem de sobra. Começar pelas Upanishads foi uma excelente escolha. Como leitora, espero poder ler outros artigos seus por aqui. Abraços pra você, Cristiano!
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