Meditação no manipura chakra
Pedro Kupfer - 08 de Dezembro de 2006 - 1 Comentário
Tempo: 35 a 50 minutos
Nível: intermediário e avançado
Sinopse: a prática inclui kaya sthairyam, ákásh pránáyáma, bíja mantra e a visualização dos símbolos e deidades do chakra. O manipura se vincula a agni (o elemento fogo), ao poder interior, à capacidade de realização, à raiva e à digestão.
Sente numa posição de meditação com as costas eretas e as mãos em jñána mudrá. Mantenha os olhos fechados. Inspire profundamente e vocalize o mantra Om durante sete fôlegos: Om, Om, Om, Om, Om, Om, Om. Permaneça consciente do seu corpo. Construa uma imagem mental do corpo. Ou sinta o corpo. Ou as duas. Como você quiser. Permaneça consciente do corpo inteiro. Tome consciência da sua espinha dorsal, que está perfeitamente ereta, sustentando o pescoço e a cabeça.
Tome consciência da posição equilibrada dos braços e pernas. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, dos pés à cabeça. Imagine-se como se estivesse crescendo a partir do chão, como se fosse uma árvore. Suas pernas são as raízes da árvore. O resto do corpo é o tronco. Vivencie isto com intensidade. Você está crescendo a partir do chão, fixando-se no chão. Você está absolutamente estável. Absolutamente imóvel.
Como se fosse uma árvore enorme e forte. Perceba-se, vivencie-se crescendo a partir do chão. Fixando-se no chão. Unindo-se com o chão. Não há diferença entre o corpo e o chão. Você está absolutamente estável. Absolutamente imóvel. Consciência intensa.
Concientize-se das partes do corpo, começando pela cabeça. Visualize a sua cabeça e mantenha consciência total nela. Faça o mesmo com o pescoço. Visualize o seu pescoço e mantenha consciência total nele. Faça o mesmo com o ombro direito. Com o ombro esquerdo. Com o braço direito. Com o braço esquerdo. Com a mão direita. Com a mão esquerda. Permaneça consciente das costas inteiras. Do peito. Do abdômen. Do glúteo direito. Do glúteo esquerdo. Mantenha-se consciente da perna direita. Da perna esquerda. Do pé direito. Do pé esquerdo. E depois, do corpo inteiro. O corpo inteiro de uma só vez. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, como uma unidade.
Agora visualize o exterior do corpo. Como se você estivesse se vendo num espelho. Veja seu corpo na posição de meditação. Pela frente. Pelo lado direito. Pelo lado esquerdo. Por trás. Por cima. E depois, de todos os lados ao mesmo tempo. Consciência total no seu corpo inteiro. Seu corpo inteiro, como uma unidade. Tome consciência das sensações físicas que o seu corpo experimenta. Consciência total em todas as sensações físicas. Permita que estas sensações se transformem num foco para o seu pensamento. Consciência total.
Faça um sankalpa: tome a resolução de permanecer absolutamente estável e imóvel durante toda a prática. Repita mentalmente: 'durante toda a prática fico absolutamente estável, absolutamente imóvel. Absolutamente estável e imóvel'. Fique atento aos sinais de desconforto do seu corpo. Consciência total em todos os sinais de desconforto: dor, coceira, formigamento, necessidade de deglutir saliva, o que for. E permaneça absolutamente firme e imóvel. Quando você se prepara para permanecer atento e evitar todo e qualquer movimento, o corpo permanece imóvel e rígido como uma estátua. E você percebe uma sensação de levitação astral.
Se houver algum movimento inconsciente, tome consciência desse movimento. Torne-o consciente. Consciência total no corpo e na estabilidade. Consciência total no corpo e na imobilidade. Seu corpo está totalmente estável e imóvel. Absolutamente firme e descontraído. Esta é a forma da sua consciência agora.
Você está preparado para manter esse estado. Sinta seu corpo ficando mais e mais rígido. Mais e mais firme. Tão rígido e firme que, depois de algum tempo, você não consegue mais se mexer. Consciência total no corpo e na rigidez. Consciência total no corpo e na firmeza. Seu corpo está absolutamente rígido e firme. Rígido e firme, porém, perfeitamente descontraído e relaxado. Absolutamente imóvel. Consciência intensa.
Ao manter a consciência centrada, você sente o seu corpo ficar cada vez mais leve, cada vez mais sutil. Tão leve e sutil que agora, a consciência do corpo se esvai. Este é o momento para transferir a atenção para o ritmo natural da sua respiração. Consciência total no ritmo natural da sua respiração, mantendo-a tão silenciosa quanto for possível. Agora coloque a consciência no limite exterior das narinas, no ponto que define se o ar está dentro ou fora delas. Dentro ou fora do seu organismo. Consciência total.
Leve a consciência para além do limite das narinas. Observe o movimento de entrada e saída do ar. Ao exalar, o ar de fora é deslocado pelo ar que sai das narinas. Ao inalar, o ar nos pulmões é comprimido pelo ar novo que entra. Consciência total no processo respiratório, mantendo a respiração tão silenciosa quanto for possível. Agora torne a respiração mais sutil. Prolongue aos poucos a duração da inspiração e da expiração. Não force nada. Respiração leve e sutil.
A sua respiração fica tão sutil que ao inspirar, não há compressão do ar dentro dos pulmões, e ao exalar, não há deslocamento do ar de fora. A sua respiração está absolutamente silenciosa. Aqui você experiencia o ákásh, princípio do espaço.
Coloque a atenção no manipura chakra, na altura do umbigo. Consciência total no manipura. Ao mesmo tempo, faça mentalmente o bíja mantra Ram. Repita este mantra de maneira contínua e rítmica, associando o ritmo com a respiração: Ram, Ram, Ram, Ram, Ram.
Faça japa mentalmente, criando uma textura sonora constante e uniforme. Sinta a vibração do mantra ressoando no chakra. Para revelar seu poder, o bíja mantra precisa fazer-se junto com visualizações. Se não for assim, a repetição será inútil. Consciência contínua e intensa no manipura chakra. Associe agora ao bíja mantra a imagem de um triângulo vermelho com o vértice para baixo, dentro de um lótus de dez pétalas de cor azul. O triângulo é símbolo de agni, o elemento fogo.
[Atenção: nas primeiras práticas, se você for iniciante ou tiver dificuldades para visualizar claramente, omita esta parte da meditação e passe diretamente à visualização do redemoinho de luz.]
Visualize o bíja mantra Ram na cor dourada, pulsando sobre o triângulo. Sobre o bíja aparece o carneiro, símbolo e veículo de Agni, o fogo. Sobre o manipura, do lado esquerdo, está Braddha Rudra, o Shiva ancião. Ele tem pele azul, longa barba e cabelos prateados, e senta sobre uma pele de tigre dourado, que representa a vitória do yogi sobre a sua própria mente. Com a mão esquerda ele sustenta o damaru, tambor em forma de ampulheta, com que marca o ritmo de dissolução do Universo. Com a mão direita segura um tridente.
Ao seu lado está Lakiní Shaktí. Ela tem três cabeças e quatro braços. Sua pele é escura e veste um sari amarelo. Com a mão superior esquerda segura um raio. Na outra mão esquerda, uma flecha. Com a mão inferior direita faz abhaya mudrá, o gesto de dissipar o medo. Com a outra mão direita sustenta brasas incandescentes. Consciência total na representação do manipura chakra.
Se em algum momento você perder a concentração, construa tudo de novo: respiração lenta e consciente e repetição mental do bíja mantra Ram, o triângulo vermelho invertido, yantra do elemento fogo, as dez pétalas azuis, o bíja mantra pulsando sobre o triângulo, o carneiro, Braddha Rudra, Lakiní Shaktí, com três cabeças e quatro braços.
Agora visualize que o manipura se transforma num lótus azul com o centro vermelho. Aos poucos, o lótus começa a girar. Um vórtice de energia girando vertiginosamente. Mergulhe nesse redemoinho. Observe o sentido do giro. Sinta a vibração da energia primal pulsando através de você. Consciência intensa e contínua.
Nesse momento, a imagem do lótus se esvai. Conclua a meditação. Mantenha os olhos fechados. Fique atento ao momento presente, aos seus sentimentos, ao efeito da prática, ao lugar onde você está. Então, movimente-se devagar. Abra os olhos. A prática de meditação está completa.
Om Shanti, Shanti, Shanti.
Respostas:
Elaine Cristina do Prado Nóbrega
Postado em: 01 de Março de 2007 às 20h03
Vai fazer um mês que eu pratico o Yoga. Para aprimorar e obter uma amplo conhecimento a respeito dessa prática, busco informações através de artigos como os contidos neste site, para que eu possa conhecer e me atualizar diante de um tema que já vem sendo explorado há tantos anos, mas que atualmente está se tornando algo favorável à saúde e qualidade de vida das pessoas. Sabemos que existem pesquisas de psiquiatras e estudantes do meio que dizem que o Yoga é um valioso e poderoso processo de elevação do corpo, mente e alma. Sendo assim, ocorre um avanço na essência de uma pessoa. Porém, vale lembrar, e até mesmo ressaltar, que o processo e sua prática requer um equilibrio e exercícios lentos, assim a mudança será obtida a partir do momento no qual sinto algo. Então Yoga hoje é uma cultura na busca incessante da transformação de um mundo no "caos" para uma grande harmonização de todos. Grata, Elaine Prado, 21 anos, São Paulo.
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