Gheranda Samhita, capítulo VI: dhyána
Yogi Gheranda - 28 de Abril de 2007 - Nenhum comentário
Dhyána: descrição de várias técnicas de meditação
6:1. Gheranda disse: 'dhyána é de três classes: sthúla, súkshma e jyotish'.Quando se contempla uma forma concreta, como o guru ou ishtadevatá,chama-se sthúla. Quando se contempla Brahma ou prakriti, como unamassa luminosa, denomina-se jyotish. Quando se contempla Brahma como bindu ou kundalini, denomina-se súkshma.
Sthúla dhyána
6:2-8. Com os olhos fechados, imaginar que há um mar de néctar dentro docoração e no meio deste mar há uma ilha de pedras preciosas, cujas areiassão formadas por diamantes e rubis pulverizados. Por toda a parteobservam-se árvores kadamba, cheias de flores perfumadas; perto dessasárvores, como numa planície, observa-se uma fila de árvores em flor, tais como malati, mallika, jati, keskara, champaka, parijata e pakdma,espalhando a sua fragrância por todo lado. O yogi deve imaginar que nomeio deste jardim ergue-se uma bela árvore kalpa, com quatro ramas querepresentam os quatro vedas, cheio de flores e de frutos. Ali esvoaçam osinsectos e cantam os pássaros. Por debaixo da árvore, o yogui deve imaginaruma rica plataforma de pedras preciosas e sobre ela um magnífico trono com jóias incrustadas, e que sobre esse trono se senta sua ishtadevatá, talcomo lhe ensinou o seu guru. Deve-se contemplar exactamente essa forma com os adornos e o veículo da divindade. A contemplação continuada desta maneira é sthúla-dhyána.
6:9-11. Outra técnica é a seguinte: o yogui deve imaginar que no exteriror dgrande lótus de mil pétalas (sahasrara chakra) há um lótus mais pequeno,de doce pétalas, de cor branca e muito luminoso, com doce letras bíja,denominadas ha, sa, ksha, ma, lam, vam, ram, yam, ham, sam, kham, prem.No exteriror deste lótus menor há três linhas que formam um triângulo (a,ka, tha), com três ângulos denominados ha, la, ksha. No centro deste triângulo está o pránava Om.
6:12. Em seguida, contemplar dentro deste o lugar onde residem nada ebindu. Neste sítio há dois cisnes e um par de sandálias de madeira.
6:13-14. Depois deve contemplar-se guru-deva, com três braços e três olhos, vestido com roupas brancas e puras, ungido com pasta branca de sândalo ecoberto de grinaldas de flores brancas. À esquerda da divindade está Shakti, de cor vermelha sangue. Contemplando deste modo o guru, alcança-se sthúla-dhyána.
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Jyotish dhyána
6:15. Gheranda disse: 'mostrei-te sthúla-dhyána. Escuta agora acontemplação da luz pela qual o yogi alcança o êxito e conhece a sua autêntica natureza'.
6:16. Em mula chakra está kundalini, sob a forma de uma serpente. O jivátman reside ali como a chama de uma lamparina. Deves contemplar esta chama como o Brahman luminoso. Isto denomina-se tejo-dhyána ou jyotish-dhyána.
6:17. Outra técnica é a seguinte: o yogi deve contemplar a luz de Om,como uma chama no centro das sobrancelhas, acima de manas. Este é umoutro método para contemplar a luz.
Sukshma dhyána
6:18-19. Oh, Chanda! Ouviste já a técnica de tejo-dhyána. Escuta agora sobre o súkshma-dhyána. Quando, por uma grande sorte se desperta kundalini, esta reúne-se com átmam e abandona o corpo físico através das portas dos olhos, regozija-se marchando pelo caminho real (corpo subtil ou súkshma-sharíra). Mas não pode ver-se devido à sua subtileza e à sua enorme mobilidade.
6:20. No entanto, o yogi consegue o seu objectivo realizando shambavimudra, ou seja, olhando fixamente o espaço sem pestanejar (então, poderáver súkshma-shaíîra). Isto denomina-se súkshma-dhyána, difícil de atingirmesmo para os deva, pois constitui um grande mistério.
6:21.Jyotish-dhyána é cem vezes superior a sthúla-dhyána; mas súkshmadhyána é cem mil vezes superior a jyotish-dhyána.
6:22. Oh Chanda! Desta forma revelei-te dhyána-yoga, um conhecimentomuito valioso, pois, por meio dele é possível conhecer a autêntica naturezado ser. É, precisamente, por isto que se exalta dhyána.
Traduzido pelo praticante e professor português de Yoga Gustavo André Cunha. O email do Gustavo é cunhagustavo@gmail.com.
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