Repensando o Ashtanga Vinyasa Yoga

Rodrigo Carvalho - 11 de Julho de 2007 - 214 Comentários

 

Este artigo vem propor a ampliação de horizontes no Ashtanga Vinyasa Yoga, questionando a ausência de meditação, essencial para se atingir profundidade no Yoga, bem como do estudo dos sutras e outras escrituras, a fim de trazer consistência e amadurecimento para as práticas.

 

Quando comecei a praticar o método ensinado por Pattabhi Jois, minha mente se encheu de questionamentos relacionados ao que eu ouvia e lia sobre o tema e o que via realmente á minha volta. Começando pela inspiração para o nome do método, o Ashtanga Yoga de Patanjali e considerando a devoção ao estudo dos sutras que observamos em Iyengar, A.G. Mohan, T.K.V. Desikachar e outros relacionados à linhagem de Krishnamacharya. Era de se esperar que o Yoga clássico, ou pelo menos o Yoga Sutra, fosse o alicerce filosófico, a pedra fundamental onde se erigisse a construção do ensino e da prática do Ashtanga Vinyasa Yoga.

Nas publicações a respeito do método é comum ver-se a exposição de conceitos do Yoga Sutra, quer dizer, em tese menciona-se algo sobre os angas, em teoria até fala-se dos valores do Yoga, mas observando o modus operandi das aulas de Ashtanga, pode-se perceber que, na prática, a coisa não funciona bem assim. Há um distanciamento muito grande entre os ensinamentos do sábio Patanjali e o que se vê nas salas. A começar pela didática habitual que parece não deixar espaços nem dar importância para os conhecimentos da tradição do Yoga, dando uma ênfase excessiva a detalhes e tecnicismos dos asanas, contagens de respiração e ajustes.

Exclui-se a meditação sob a alegação de se manter a 'pureza' e a 'fidelidade' ao método. A Falta de tempo não é desculpa, pois pode-se aumentar um pouco a duração da aula ou diminuir as repetições de posturas como navasana, urdhva dhanurasana, e até mesmo suprimir, se necessário, variações de algum asana como paschimottanasana, por exemplo. A repetição (abhyasa) é importante, mas não é necessário que seja aplicada em demasia numa mesma prática, pois o próprio sutra 1:14 adverte que a estabilidade (drdhabhumi, 'solo firme') surge quando há dedicação e desempenho correto por um 'longo tempo' (dirgha kala).

Quanto à 'pureza' do método, sabe-se que o Yoga sempre se adaptou às necessidades humanas. É nessa adaptabilidade que reside sua força e também de onde resulta sua longevidade, amplitude e eficiência. Se o Yoga não se transformasse, estaríamos até hoje fazendo as práticas do yoga pré-clássico: mantra, meditação, controle respiratório e rituais. Além do mais, falando-se em tradição, nada é tão antigo e tradicional em Yoga como meditação, a não ser, é claro, os conhecimentos vêdicos. Mas é evidente que estes surgiram através das revelações de origem meditativa dos sábios e rishis.

Uma reflexão: É difícil acreditar que as pessoas - provavelmente apresentadas ao método através da badalação da mídia - no fim de um dia estressante - distantes de si mesmas ainda imersas no torvelinho das obrigações do dia a dia - consigam chegar á aula e 'desligar-se' disso tudo desempenhando uma prática adequada de Yoga, sem ter a experiência e a percepção adquiridas com a prática da meditação e da vivência dos yamas e niyamas.

Como esperar uma atitude de dharana, tapas, svadhyaya e ishvara pranidhana na prática de pessoas que ignoram estes conceitos e ainda por cima chegam à aula atordoadas pelo ritmo louco de suas rotinas, depois de enfrentarem o tráfego das cidades e vão direto praticar sem um relaxamento, reflexão ou meditação inicial que os prepare mentalmente para o Yoga?

Como fazê-las compreender que não devem buscar no Ashtanga somente saúde, um corpo esculpido ou a capacidade de fazer posturas difíceis sem lhes deixar claro que esses são meros resultados naturais de uma busca muito maior de conhecimento (vidya), liberdade (moksha) e plenitude (ananda)? Será que o Ashtanga Vinyasa Yoga e nós professores estamos cumprindo o papel de encaminharmos os praticantes em sua própria senda de auto-descoberta?

Um olhar atento pode verificar que há uma certa frivolidade no meio, pouco investimento pessoal em estudo das escrituras e auto-estudo (svadhyaya), além de um excesso de preocupação com a forma. Isso tudo demonstra que dentro da prática e ensino desta modalidade, não se utilizam todos os angas do caminho óctuplo.

O objetivo deste artigo não é fazer uma crítica estéril, mas propor a busca de novos horizontes, porém baseados em antigos pilares do Yoga: conhecimento e meditação.

Apesar de nunca ter professado a metodologia convencional, respeito todos os professores que a utilizam, por quem, aliás, tenho gratidão, pois eles me deram valiosos ensinamentos. Não tenho a pretensão de revolucionar uma didática já difundida com sucesso, mas trazer sugestões e propostas, pois certamente não sou o único que pensa assim. Deixo a sugestão de Paulo de Tarso que diz para 'Examinar tudo e reter o que for bom'.

O método é muito procurado por modismo, por pessoas que querem emagrecer e geralmente é visto como uma 'malhação' indiana. Os professores ficam sem o direito de reclamar disso enquanto perpetuarem esses padrões de ensino e essa atitude de passividade e resistência á mudanças (que já não são apenas necessárias, são urgentes!).

Muitos praticantes de Yoga têm preconceito em relação ao Ashtanga Vinyasa, o que é compreensível diante da inconsistência conceitual e prática com que pretende representar o verdadeiro Ashtanga Yoga.

A realidade é que se defrontarmos o Ashtanga Vinyasa com o Yoga dos sutras e de seus comentários principais (bhashyas), encontraremos inúmeras incoerências. É necessário muita imaginação para encontrar rastros do Yoga clássico na prática moderna de Hatha-Yoga organizada por Pattabhi Jois.

Apesar disso, não precisamos desistir do método, pois este ainda pode vir a ser um autêntico caminho de Yoga. Mas para isso acontecer, ele deve realmente basear-se no sistema proposto por Patanjali, pois deste o Ashtanga Vinyasa só utilizou o nome. Fora isso, a semelhança entre os dois é como a da água e a do azeite.

Pattabhi Jois sempre diz: 'Pratique e tudo acontecerá', mas para que aconteça, não é necessário apenas que a pessoa saiba como praticar de forma adequada, mas fundamental que haja discernimento (viveka). Uma conquista impossível sem uma consciência construída no estudo, reflexão e vivência dos shastras para orientar o processo da prática. Segundo Patanjali, não se consegue a capacidade de discernir (vivekakhyatir) sem meditação. A verdade é que essa frase de Pattabhi Jois, é uma excelente desculpa para quem quer eliminar o estudo do Yoga ou evitar questionamentos dos alunos.

Técnicas do Ashtanga Vinyasa Yoga

Segue agora, uma interpretação livre das técnicas utilizadas na prática de Ashtanga Vinyasa, onde acrescentei dharana por crer que esta técnica deve permear todas as outras, servindo como base para sua execução adequada. Dharana, o sexto anga, é a introdução no processo da meditação, o estágio inicial do que Patanjali chamou de antaranga (membros internos, chamados conjuntamente de samyama). Quando realmente concentrados, estamos também consequentemente em pratyahara e iniciando o caminho para o samadhi, que pode vir a ocorrer.

Dharana

Segundo a Kshurika Upanishad, dharana (concentração) é a adaga (Kshurika) que desfaz, que corta o nó da ignorância (avidya granthi). Quando estamos dispersos não participamos do que fazemos, perdendo a capacidade de observar a nós mesmos e às coisas, pessoas e situações à nossa volta com exatidão, captando assim apenas parcelas da realidade, dentro e fora. É como um profundo estado de alienação.

Pramana, a percepção real das coisas, é o resultado de nossa concentração e esta, por sua vez, o aprofundamento da atenção. O poeta William Blake disse: 'Quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo parecerá ao homem tal qual é, infinito. Pois o homem se enfermou a tal ponto que não consegue enxergar senão através das fendas estreitas de sua caverna'. Vivenciamos quase o tempo todo esse estado 'enfermo' de alienação, ficando impedidos de ver a realidade.'A vida como um domo de vidro multicolorido mancha a branca radiância da eternidade' (Shelley). Qual o filho pródigo da parábola, ficamos 'perdidos', muito distantes da 'casa paterna' (desidentificados com nossa própria natureza - svarupa). Inebriados pela loucura mundana, entorpecidos pelo hedonismo e pela dispersão, acabamos por nos perder de nós mesmos ('vrtti sarupyam itaratra' y.s 1:4).

Como no mito da caverna de Platão, essa percepção parcial da realidade só nos possibilita ter uma visão indireta, na qual só enxergamos as projeções de sombras vindas do mundo exterior nas paredes da (nossa) caverna, mas nunca os seres e objetos como realmente são. Ou como disse o apóstolo Paulo de Tarso: 'pois agora vemos como por um espelho, em parte. (...) Mas então veremos face a face'. Quando tivermos a capacidade de nos manter constantemente concentrados, atentos ao desenvolvimento, ao fluir de nossas existências, 'veremos' e vivenciaremos então, somente aquilo que é real ( tada drashtuh svarupe avasthanam y.s 1:3 ).

Asana

Num estilo de Yoga que demonstra tanto envolvimento com ajustes, alinhamentos, alongamentos, tônus muscular, padrões posturais e com seqüências tão longas e variadas de posições, pode-se ter a ilusão de que o asana é um fim em si mesmo, ou que é o objetivo do Yoga. Que a postura bem executada é aquela que se expressa numa forma perfeita, padronizada e bela em termos de plasticidade. Esse é um erro comum, mas é um grave engano, pois essa beleza plástica é apenas a parte periférica do asana, sua 'casca'. O mais importante acontece dentro, em níveis mais sutis e profundos, num vasto universo psicoenergético.

O grande acontecimento do asana consiste na percepção das sensações, sentimentos e emoções que ele provoca e nas reflexões que disto resultam: na observação dos fluxos de energia, sendo desobstruídos e direcionados de forma específica em cada postura; na expansão e contração da força pelo corpo e na relação existente entre todos esses fatores.

No entanto, a principal atuação dos asanas em nossa vida, está no trabalho de transformação que acontece através de um treinamento de nosso esforço e autocontrole, vontade e persistência, aceitação e paciência.

Para que haja eficiência, o praticante deve estar ciente de que os asanas são eficazes ferramentas para a busca de si mesmo, mas deve saber também que eles são caminhos e não a 'chegada'. Ele deve ter o mínimo de noção sobre o que é Yoga, quais são seus fundamentos, reais objetivos, enfim, no que consiste uma verdadeira prática e qual é a atitude ideal perante ela.

Vinyasa

O vinyasa é uma técnica definida pela associação sincrônica entre movimento e respiração. Para executá-lo devemos guiar nossos movimentos pela respiração, aprendendo a expressá-los tendo esta como referencial.

Vejo-o como a arte de saber movimentar-se, pois ele facilita e 'educa' as conexões neurais denominadas sinapses, tornando ágil a transmissão da vontade para o sistema nervoso e sua transformação em ação.

Quando executado com a noção correta, o vinyasa torna-se uma regulação dos ritmos internos. O fluxo dos pensamentos é regulado pelo da respiração que, por sua vez, é afinada com os movimentos internos e externos do corpo.

O ritmo do coração (batimentos cardíacos, circulação), pulmão (movimentos de expansão e contração respiratória), os movimentos do fluxo de prana (circulação dos vayus), o ritmo da atividade mental e os movimentos externos do corpo devem se tornar unos, sintonizar-se no vinyasa. Algo simples e óbvio: o ritmo dos movimentos corporais imprime uma resposta imediata na velocidade da aceleração cardíaca e na respiração. Essa, por sua vez, influenciará a mente, ajudando a definir o 'ritmo' e o teor dos vrtts. Segundo a Hatha Yoga Pradipika e o Yoga Vasishtha existe uma relação intrínseca entre a circulação e as características do prana e os estados mentais (citta avastha). A mente infuencia o prana e este interfere na mente, assim como as correntes e as ondas do mar se infuenciam mutuamente e dependem uma da outra. Conclui-se então que a circulação do prana responde ao processo mental e respiratório. Movimento, sangue, respiração, prana e pensamentos são integrados no vinyasa.

O vinyasa deve se transformar num movimento natural do corpo, fluido, leve e harmônico. Deve ter uma característica de facilidade e leveza, servindo como uma espécie de descanso ou intervalo entre o esforço dos asanas. 'A natureza nunca se cansa, pois repousa em movimento', diziam os antigos. O vinyasa deve acontecer de forma naturalmente fácil, como é quando respiramos ou caminhamos. Porém, isso só acontecerá depois de muita prática, e a atenção deve ser plena, pois sem a devida consciência nesse processo e através da repetição e da facilidade adquirida com esta, o vinyasa acaba por se tornar mecânico, como o ato de dirigir ou mastigar, atividades que fazemos geralmente sem atenção, no 'piloto automático'. E é exatamente essa atenção que é o diferencial entre naturalidade e automatismo. Só ela pode transformar a prática de Ashtanga em uma 'meditação em movimento', como pretendem muitos. Embora seja necessário lembrar que esta não substitui a meditação tradicional que consiste em sentar-se de forma estável e concentrar-se, colocando-se na perspectiva de observador consciente (sakshi ou drashtuh).

A concentração profunda no fluxo respiratório e em cada movimento associado torna o vinyasa natural, um movimento vivenciado pelo corpo e também pela mente atenta. No entanto, quando não há atenção suficiente, não há vivência, nem experiência e tão pouco aprendizado real. Então, o vinyasa se torna automático, um movimento inconsciente, um condicionamento, com certeza saudável, porém apenas mais um condicionamento.

Pranayama

É comum que o termo pranayama seja traduzido como exercício respiratório. Isso ocorre devido à mesma pobreza conceitual que classifica o asana como um exercício físico e yogi como aquele que os executa com beleza e facilidade.

Pranayama é 'expansão consciente do prana', um exercício de domínio da energia vital que torna mais eficiente sua absorção e distribuição. Deve ser realizado com conhecimento do que se faz, pois é o aspecto mais sutil da prática de Ashtanga e, ao mesmo tempo, o mais importante do ponto de vista fisiológico.

A respiração deve fazer a 'ponte', a ligação entre corpo e mente. É um grande engano crer que simplesmente dominando a técnica do ujjayi, no que tange ao seu som e sensações peculiares, estamos realizando pranayama. Esta atividade acontece muito mais no plano da mente e requer uma sensibilidade para a percepção do prana no corpo, além de treinamento da vontade e controle mental para expandir essa energia para onde houver necessidade.

O ujjayi, sobretudo, é um pranayama maravilhoso para servir como 'foco' de concentração e meditação, aumentando a concentração na prática de asanas. Seu som assemelha-se ao de várias manifestações naturais: o som do vento, das ondas do mar, de um contínuo e leve crepitar de chamas e até mesmo o sibilar das serpentes, lembrando-nos o tempo todo a idéia da unidade de tudo e a origem comum de todas as coisas que formam a prakriti (natureza).

Bandhas e Drishtis

Com tantos condicionamentos e superficialidades na prática dos asanas, pranayamas e vinyasas, como podemos fazer o aluno entender a devida importância dos bandhas e drishtis?

Se o enfoque está todo no externo, plasticidade, imagem, no aparente, naquilo que pode ser visto, é difícil surgir interesse em uma técnica interna, que para o leigo pode parecer desnecessária e, ainda, de difícil execução. A verdade é que a maioria dos praticantes não realiza os bandhas ou os fazem durante uma reduzida fração da prática, quando não os fazem errado. Não sei se é solução ficar 'martelando' comandos para fazer os bandhas o tempo todo. Sem um ensinamento que crie um interesse real, as pessoas o farão por poucos instantes, apenas como uma obrigação 'chata' cobrada pelo professor. É necessário que se ensine um rudimento de anatomia e fisiologia sutil, que se explique como funciona o bandha num âmbito energético e a importância de sua execução correta e domínio, ajudando a economizar a energia e canalizá-la, tornando a prática mais 'leve', reduzindo o esforço físico, estruturando a coluna, facilitando os saltos e, principalmente, vitalizando as estruturas superiores pela elevação da energia.

Os drishtis se referem à exploração de novos ângulos e perspectivas de visão. No mundo moderno olhamos demais para fora, para o outro, preocupamo-nos em demasia com a nossa imagem e com a das pessoas. Os drishtis são uma forma de mudarmos o enfoque do olhar, restringindo-o ao campo espacial do asana. Apesar de olharmos para o próprio corpo, no olhar do drishti não deve haver espaço para avaliação ou julgamento do que estamos vendo, é um olhar de concentração. Nele aprende-se a não se interessar e não se distrair com o cenário à sua volta, decoração da sala, roupas e corpos de outras pessoas ou o seu próprio. É ekagrata, um foco criado pelo direcionamento da atenção visual.

Conclusão

Por fim, quero dizer que não devemos apenas incluir a meditação como uma das práticas do Ashtanga Vinyasa, mas adotar uma atitude meditativa, de compreensão e contemplação durante todo o processo. Vendo todos os aspectos da prática como 'motivos' de meditação. Enxergando com maior profundidade a beleza de cada técnica e concebendo-as como oportunidades de compreender as metáforas da natureza implícitas em nós: o drishti nos ensinando que é preciso ter uma visão reta nas situações da vida; os bandhas elevando a energia e demonstrando o caminho da ascensão da força (kundalini); a constância ininterrupta do pranayama nos recordando a eternidade; a mudança, transitoriedade, fluidez e o impermanente simbolizado e vivenciado no vinyasa; a estabilidade, a permanência que nos remete ao ser representado na firmeza e imobilidade do asana.

Tento ensinar aos alunos que saber fazer as séries de Ashtanga não é uma meta de realização. E crescimento no Yoga é vivenciar os yamas e niyamas e estar sempre atento, como uma testemunha desperta (sakshi).

Que não há melhor 'ajuste' do que adaptar nossos desejos às necessidades reais, desenvolvendo simplicidade e contentamento. E que o melhor 'alinhamento' é o dos pensamentos com a fala e as atitudes, trazendo convicção e veracidade para a vida, tornando o yogi transparente e íntegro.

Om shantih, shantih, shantih.

 

 


Rodrigo ensina Ashtanga e Hatha Yoga em Belo Horizonte e ministra cursos de Yoga e Ayurveda pelo Brasil. Se quiser fazer contato com o autor, escreva para vinyasavidya@yahoo.com.br. Obrigado! :)

 

Respostas:

Liliane Albuquerque

Postado em: 07 de Agosto de 2007 às 20h31

Perdoe-me por minha ignorância desde já! Sou apenas uma praticante. Adorei o artigo como todos os outros que tenha lido, é sempre uma fonte confiável de aprendizado! Mas muito me surpreendi com os comentários! Respeitando a forma como cada um conduziu esses debates aqui listados, me veio um dos ensinamentos do sutra, que fala sobre a importância do sentido que damos a todas as coisas, e como isso está vulnerável as flutuações da mente, e suas distrações!Esse artigo propiciou diferentes reflexões, mas acho que todas se afunilam nessa reflexão. Independente de quem ensine ou de quem aprenda, todos somos feitos da mesma substância e sujeitos ás mesmas oscilações...Cabe a cada um conduzir todo e qualquer movimento externo ou interno para um conforto universal!Para isso me utilizo do Dharma...Prefiro conduzir essa leitura rica em diversidade, de forma a me trazer tranquilidade e responsabilidade para com minhas ações: palavras, pensamentos e sentimentos. Entendo que o Yoga é um instrumento de auto-estudo que nos possibilita gerenciar a melhor forma de interpretarmos às ações externas e internas! Obrigada a todos por me possibilitar essa auto-reflexão. Nasmastê!

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Maria

Postado em: 07 de Agosto de 2007 às 13h48

Este comentário responde ao comentário de João Mendes. Penso que todos ganharíamos se o João tivesse relido o seu comentário antes de o publicar, uma vez que se o tivesse feito com certeza teria desistido de o enviar ou, pelo menos, talvez tivesse eliminado dele as críticas e objecções já gastas que faz, e que já foram exaustivamente e exemplarmente respondidas pelo Professor Pedro noutros comentários. O primeiro erro cometido por este comentarista reside na sua definição de calúnia: João, uma calúnia não provada é um pleonasmo. E não me parece que o Professor Pedro tenha o ónus de apresentar mais provas das suas afirmações além das que já apresentou. Relatou situações presenciadas por ele, que testemunhou na primeira pessoa (o que é em si prova suficiente, pelo menos para quem conhece a sua honestidade e rectidão de carácter), e convidou todos os interessados a obter mais informações sobre o tema na Internet, onde muitas outras pessoas apresentaram as suas denúncias, ou então a dirigirem-se a Mysore para verificar in loco a veracidade das suas afirmações. Mais do que isto, só se o Pedro se dispusesse a ir a Mysore fotografar Pattabhi com a mão na massa (ou, melhor, na virilha de alguma aluna). Por outro lado, João acusa Pedro de ser precipitado por contar o que viu, e ao mesmo tempo critica-o por ter esperado 6 anos pela altura adequada para o fazer. É difícil não ver a falta de coerência entre as suas várias afirmações. Uma última nota sobre esta afirmação de João ?Asana não é feito para o bem do corpo, e sim para moldar o corpo para bem do Yoga.? Felizmente que os meus professores não entendem assim, caso contrário não estaria disposta a ceder o meu corpo para ser ?moldado?, sem qualquer cuidado nem respeito pelos seus limites, para bem do Yoga, por mais que aprecie esta filosofia milenar? :) Namaste! Maria.

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Anônima

Postado em: 07 de Agosto de 2007 às 13h10

Rodrigo, Namastê! Estou horrorizada com tanta confusão. Eu li o artigo logo que saiu, e desde este momento tenho pensado em formas de mexer na minhas aulas de um jeito que não incomode ou não deixe os alunos assustados com alterações, você disse que era apertado de dinheiro e eu também sou, não posso perder alunos. Tentei te contactar pelo endereço que vocês forneceram e não consegui. Vc diz que ainda tem muito mais sujeira debaixo do tapete, gostaria muito de saber o que é essa sujeira. Esse artigo mexeu profundamente comigo e com minha maneira de praticar, inicialmente pensei até em parar, mas o debate me fez mudar de idéia sobre isso também. Se você for menos enigmático, saberei oque é preciso mexer primeiro. Vou continuar tentando uma resposta sua, mas não quero dizer meu nome, porque também moro em Minas e tenho medo de repressão de "amigos".Vou tentar de novo direto no seu endereço Pedro, você só demonstra sua seriedade colaborando com movimentos como esse. Saudações!

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Rodrigo

Postado em: 07 de Agosto de 2007 às 10h55

Caro João José, Se você ler o comentário que escrevi para Karla, vai constatar que não estou apostando em generalizações. Gostaria de entender o que você chama de ?barulho mental?. Esse é um conceito bem relativo. Minha esposa, ao ler mensagens do debate, me disse várias vezes que eu não deveria ficar respondendo vários dos comentários enviados, que deveria ignorar, evocando uma pretensa atitude de superioridade como esta dos professores que você citou. Minha filha de dez anos, que também fica incomodada de ser privada do pai algumas vezes, por causa desse debate, certa vez, na casa de parente que visitávamos, sentada ao meu colo quando eu lia, falou que alguns comentários que chegaram para mim e para o Pedro eram ?coisa de gente doida?. Para elas talvez o ?barulho mental? e a ?consciência periférica? esteja sendo utilizada pelas pessoas que nos enviam comentários improdutivos. Fiz várias vezes pedidos para mantermos o foco do debate, mas parece que poucos querem. Recebi no trabalho mensagens agressivas depois que critiquei as aulas Mysore, provavelmente de professores. Mensagens que não faziam o mínimo sentido, eram apenas agressões diretas a mim. Talvez para estes ?barulho mental? seja minha crítica. Como vê, não tenho computador em casa, e tenho que ir a lan-houses ou aproveitar visitas a casas de quem tem computador. Muitas pessoas estão considerando este debate como válido para seu próprio crescimento e esclarecimento. O que você chama de exagero da minha parte, chamo de dever, esforço e consideração. Se eu não tivesse consideração não responderia grande parte dos comentários que chegam. Mas não acho correto desconsiderar ninguém, independente do que escreveu ser pertinente ou não. Quanto à ?guerra santa?, se você nos acusa, ao meu ver é uma inversão de papéis. ?Guerra santa? é coisa de fundamentalistas, gente extremada, de orientação fanática. Com um mínimo de discernimento e paciência para reler os comentários e nossas respostas, você vai poder constatar que essa postura coube perfeitamente nas atitudes de muitos dos professores e praticantes (aqueles que não são ?nobres? o suficiente para se manter isentos). O que você deve considerar absurdo é o fato de que eu e Pedro nos defendemos dos ataques pessoais, muitas vezes usando as próprias palavras do agressor, para mostrar sua incoerência. O fato de termos consideração não implica que tenhamos que coadunar com opinões sem fundamento moral, lógico ou ético. O termo ?disputa de egos?, ao que me consta fui eu mesmo que utilizei quando um professor me fez a absurda proposta de ?discutir? os shastras como num duelo. Apesar de minha esposa ter pedido que não me envolvesse tanto, creio que já me envolvi no momento em que escrevi um artigo que incomoda a conveniência alheia. A paz do mundo do Yoga, especialmente no meio do Ashtanga, é uma paz falsa, ela repousa na ?cama? da conveniência. Se ninguém ferir a suscetibilidade alheia, todo mundo fica em paz e amizade. ?Sou muito tranquilo, até que pisem no meu calo?, ou ?sou seu amigo, mas não toque no meu bolso? Seria oportuno também expor porque você considera que ?é um equívoco opor tão rasteiramente o Ashtanga Yoga ao Ashtanga Vinyasa Yoga? , e porque ? não se trata de oposição?. Também seria proveitoso que por favor explicasse como ?O Ashtanga Vinyasa Yoga pode ser entendido perfeitamente como um meio para a realização do Ashtanga Yoga ?. O objetivo deste debate é exatamente elucidar as pessoas. Gostaria muito que estivéssemos discutindo formas de crescer e melhorar, mas muitas pessoas só querem provar que estamos errados, mas também não provam. Você disse que sua ?mestra?, além de professora é uma ?praticante exímia de Ashtanga Vinyasa Yoga?, que não se restringe a fórmula de aulas habitual. Parabenizo-a por ensinar de forma diversa que a convencional enriquecendo suas aulas com a prática de outros angas. Você está redondamente enganado colega, o Ashtanga Vinyasa é um Yoga ?globalizado?. Em todos os cantos do mundo é possível encontrar aulas iguais, ?fiéis? à forma original, ?como ensinado em Mysore?. Quem ensina diferente costuma ser estigmatizado como desvirtuador. Tenha a bondade de informar o nome de sua ?mestra?, dando as pessoas a oportunidade de conhecerem formas mais completas de praticar. Não seria justo você priva-las de tal informação. Essa forma de abordar o método é muito incomum. Infelizmente não somos um ?grupo tão heterogêneo?, acho que a própria classe se rotulou e se enquadrou num esterótipo. Concordo com você ?que precisamos sempre ser alertados por outrem quanto a nossa necessidade de uma atitude humilde para, enfim, aprendermos um pouco mais.? Útil conselho, pelo qual muito agradeço. Espero que o artigo também sirva a você e a nossos colegas como um convite à humildade para refletir e buscar formas de aprender mais. Os shastras e os verdadeiros mestres existem para isso. Foi para propor isso também que começamos este debate. Exatamente porque preciso ?conhecer mais do universo do Yoga? (muito mais), que me esforço para estuda-lo e conhece-lo um pouco melhor, pois acho infrutífero praticar apenas asanas. Como acho egoísta guardar para mim esta visão, sugeri a todos também estudo e reflexão e mais coerência com o universo do Yoga nas práticas do Ashtanga Vinyasa. Tenho que concordar novamente com você, relatei de forma introdutória, ?superficial? alguns problemas do Ashtanga Vinyasa. Se nos ?prendermos? ortodoxamente as instruções dos sutras, poderemos constatar que as diferenças entre o método e o Ashtanga Yoga de Patanjali são muito maiores que coloquei. Optei por ser ?superficial? já prevendo tanto ?barulho?. Além de querer mais do que apenas questionar e criticar. A segunda parte do artigo objetiva propor idéias, tem um posicionamento construtivo. Nós poderíamos começar a partir de agora a buscar nos sutras e outros shastras formas de sanar outras ?fragilidades? teóricas e incongruências do método. Por isso precisamos de apoio e diálogo com professores sérios e abalizados, para sair da superficialidade. Agradeço muito sua consideração por não se ausentar deste debate , refugiando-se na mesma atitude nobre de nossos colegas que preferem ignorar a utilidade de uma discussão como essa, que tem por objetivo melhorar o ensino do método. Talvez a humildade não seja para os nobres, é provável que não precisem refletir nem melhorar, estão acima do bem e do mal, superiores a essa ?barulhenta discussão?, são nobres demais para se envolver. Talvez se essas pessoas se dignassem a dar importância a esse ?reles? debate, poderíamos todos estar trocando amigavelmente opiniões de como mudar e melhorar, como tornar mais fáceis para todos as possíveis adaptações e melhorias no método. Tornaria nosso esforço e tempo muito mais compensador. Gostaria de saber João, o que para você quer dizer exatamente ?retornar ao centro, ao essencial?. Talvez esse essencial seja retornar aquela paz ?cômoda? que existia antes desse artigo e debate. Onde a comodidade, a suscetibilidade e a conveniência de alguns não era incomodada com idéias de renovação. ?Quais são os reais motivos que o movem?? Por favor responda-nos essas perguntas antes de retornar ao ?nobre silêncio, onde muitos estão ? Fique em paz João, mas em paz de verdade.

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Karla

Postado em: 06 de Agosto de 2007 às 23h06

Caro Rodrigo, Se fosse possivel, gostaria que você exemplificasse (com detalhes) uma aula onde todos os angas estão incorporados, ou seja, a aula de Ashtanga que você defende aqui, com tanta convicção. Entendo que Patanjali disse que os oito estagios devem ser praticados para a purificação do corpo, da mente e da alma. Mas sempre imaginei que isso e um processo de muita disciplina, estudo e meditação e que deve ser desenvolvido gradualmente. Como o Yoga Sutra praticamente não se refere aos asanas como conhecemos hoje - esses vieram a aparecer muitos anos depois com Hatha Yoga - isso quer dizer que uma aula de Ashtanga classica praticamente não teria asanas (question). Ou , de acordo com o teu ponto de vista, o ideal e o estudo dos angas, mas com sequências do Hatha Yoga, ja que você abomina o estilo de Pattabhi Jois (pergunta) Quanto ao estilo americano, fico feliz de saber que você concorda que possa existir vida pensante em um pais com diversificadas tribos. E deixa eu te contar mais, aqui em Denver, onde moro, um dos poucos estudios, que ensinava Ashtanga Yoga, fechou por falta de estudantes. Os professores de Ashtanga, normalmente não têm aulas lotadas, porque a maioria dos alunos prefere as aulas denominadas Vinyasa Yoga, que para mim, são uma mistura de varios estilos. Por aqui, o "negocio" não parece ser tão bem sucedido, como você citou. Um dos meus professores e o Michael Rawlinson, que, inclusive, escreveu um artigo sobre o "O ensino do Yoga" para o Cadernos de Yoga, em outubro de 2006. Apesar da tradução, você pode ter uma ideia da linha de pensamento dele sobre ser professor de Yoga. Ele estudou com o Richard Freeman, que vive há um hora daqui, em Boulder. Olha, o Michael não tem absolutamente nada a ver com esse "estereótipo" de professor de Ashtanga Vinyasa americano que você cita (eu nunca vi). Talvez tenha que ir para California ou Nova York. Ele e aquele tipo de pessoa que pode chegar para dar aula com a camiseta ao contrario e nem perceber. Dedica algumas horas diarias a pratica e ao estudo do Yoga e ensina apenas duas aulas por semana. Não depende do Yoga para o "pão nosso de cada dia" , por isso não faz nenhum tipo de divulgação. Ele não incorpora os angas em todas as aulas, embora ressalte a importância. Mas, assim que tiver oportunidade, vou questiona-lo. Para finalizar, quando eu escrevi sobre não acreditar que você tivesse uma pratica mais adequada do que os Yogis que citei, pensei que pudesse estar sendo injusta. Você realmente não citou isso, diretamente, em nenhum momento. Porem, nos teus depoimentos, em alguns momentos de critica vêemente aos professores de Ashtanga Vinyasa, e essa impressão que você passou. Sinceramente, eu acho que no texto inicial você foi muito bem-sucedido, mas devido as criticas que recebeu, acabou se posicionado de uma maneira muito fundamentalista. Percebi que você gosta do Nietzche. Para pensar: "As convicções são cárceres". "As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras". Namastê, Karla.

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Rosa

Postado em: 06 de Agosto de 2007 às 21h51

Nossa Senhora! Tenho que confessar que como uma praticante novata fiquei assustada com tanta animosidade!!! Caramba, e essas pessoas todas praticam mesmo Yoga?!? Puxa vida!!! Acredito que falta auto-referência, falta crer de verdade naquilo que se defende tão ferozmente, falta sair de si, de crenças e método esse ou aquele, falta estudo honesto, falta coragem de ficar nu e se olhar no espelho. E quando falta tudo isso o único caminho é atacar o outro, é apontá-lo como o único causador de todo o meu sofrimento e desconforto... Em nenhum momento o artigo escrito pelo Rodrigo atacou um método ou "guru", o artigo apenas expôs o ponto de vista do autor e convidou à reflexão, que até aconteceu, mas meio "meia boca", cheia de pré-conceitos, meio sem querer ler e entender o que realmente estava escrito, interpretando a frase antes mesmo de lê-la até o fim. Se alguns de vocês tivessem prestado atenção em algumas das citações do artigo, talvez as agressões que li não tivessem sido escritas. E olhe que nem eram as citações dos livros sagrados do hinduísmo. Um exemplo: ?Quando as portas da percepção estiverem abertas, tudo parecerá ao homem tal qual é, infinito. Pois o homem se enfermou a tal ponto que não consegue enxergar senão através das fendas estreitas de sua caverna?, William Blake, poeta e pintor inglês que nasceu em 1757. Outro exemplo: ?Examinar tudo e reter o que for bom?, Paulo de Tarso ou São Paulo, como vc preferir. É isso, tão simples!!! Por que a guerra? Por que agressão? Discordar das idéias do autor é sim um direito seu. Tomá-las como ataque pessoal à você e/ou à sua prática também é um direito seu. Agora, agredir o autor como pessoa não é direito seu nem de ninguém... Vamos lembrar de Gandhi, meu povo, vamos viver Gandhi... só assim nos libertaremos da "Inglaterra" que domina nosso ser...

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Sandra

Postado em: 06 de Agosto de 2007 às 21h42

Namastê Rodrigo, Sou eu que você mencionou no comentário para Karla. Fui eu que morei alguns anos nos Estados Unidos. Achei muito interessante que meu depoimento não está muito longe do comentário do Flávio, onde ele critica o "american-way-of-life". Mas Karla não comentou nada sobre o que escrevi relatando minhas experiências com os professores famosos americanos. Talvez meu depoimento não seja agradável para ela. Tenho aprendido muito com essa discussão. Achava que era uma veterana, mas um novo mundo se descortina sobre o Ashtanga. Pena que eu não tenho mais idade para recomeçar do zero, já quase não pratico mais. Meus depoimentos sobre os professores de USA estão lá, em nome de Sandra Haroldo. Acho que eles trarão uma idéia clara sobre o assunto, apesar de serem só depoimentos . Gostaria de falar também sobre a menção ao Jihad(guerra santa), sim, ela está acontecendo mesmo, começou e continua acontecendo nas mãos dos professores de Ashtanga, uma coisa vergonhosa, parece um ciúme, uma inveja e ao mesmo tempo despeito. Pedro e Rodrigo são muito delicados e atenciosos nas respostas mas obviamente não vão afagar o ego de quem os ataca de forma tão vil. É vergonhoso que os professores de Ashtanga só pensem em si mesmos em vez de se unir aos dois. Ainda ficam acusando coisas que não acontecem. A única disputa acontecendo, é a disputa dos egos feridos, que não querem aceitar sua situação. Diante da fragilidade, só resta atacar como bichos acuados. Espero que a paz se reinstale para todos poderem aproveitar essas importantes observações. Vocês não devem ligar para o que dizem. Esse é um trabalho maravilhoso que estão realizando, sempre haverão aqueles que querem estragar. Namastê!

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Mário Ribeiro

Postado em: 06 de Agosto de 2007 às 13h36

Eles voltaram!! Parece um enredo de filme de terror barato, mas é real. Passei o fim de semana em Campos do Jordão relaxando, de papo pro ar, e quando voltei fiquei empolgado com tantos comentários calorosos. Parece que os ashtangis despertaram de seu sono sepulcral e como múmias egípcias redivivas resolveram desferir suas maldições. E eu perdendo a festa tomando chocolate quente. É verdade, os ashtangis são corajosos, mas tem reações e raciocínios meio lentos. Já tem quase um mês esse debate e só agora trouxeram as palavras de seu Guruji para nosso entretenimento. É verdade, foi criada no Brasil uma guerra santa... santa pela oportunidade que todos estamos tendo de acordar. Abençoada porque com ela muitos praticantes se livrarão de falsos gurus e também de seus discípulos. Tanto os desinformados que não sabem quem ele é e nem que o yoga que fazem é meio estranho, quanto os empresários S.A, que ganham aquele lakshmi fácil sem ter que gastar muito latim nas aulas. Basta não ter nojo de suor e ter disposição de personal trainer. Essa é uma guerra santa e abençoada porque finalmente os ashtangis estão malhando o raciocínio também além dos músculos, na vã tentativa de ?terem? também a razão. Na impossibilidade de conseguirem isso, tentam de todo jeito desmoralizar os cabeças. Estão inclusive estudando e divulgando os ensinamentos de seu próprio guru para tentar combater (sem sucesso algum) as idéias do artigo e debatentes. Acho que todo mundo vai ganhar com isso e não estou sendo debochado. Os professores furiosos terão que engolir o próprio orgulho e lentamente ir mudando seu jeito de ensinar. Porque a partir de agora, depois desse furacão, será quase impossívelcontinuar do mesmo jeito. As guerras mudam todos os envolvidos, sem exceção. Por terem que mudar, surge tanta reclamação. Nonguém quer mudar ?em time que está ganhando não se mexe?. Mas agora os professores de AVY vão ter que fazer mais, se esforçar mais (não é nos ajustes, nem nos asanas), vão ter que estudar, nem que seja pelo temor de serem pegos de surpresa, ?no contra-pé? com alguma pergunta embaraçosa dos alunos ou da imprensa, alguma insinuação bem óbvia, por exemplo: ?Ué, mas não são oito angas, cadê todos eles?? ou solicitações como as já feitas por vários de nós mas agora vindas de algum repórter : ?por favor descreva a meditação em movimento no AVY? . Situações onde não terão um computador para se esconderem nem tempo para bolar alguma explicação mirabolante. Eu sei que sou repetitivo, mas a farra acabou mesmo. Todo muindo vai ficar ?pianinho? agora. Os olhos do Brasil estão voltados para os profissionais do AVY. Na hora de ajustar como irão advinhar se o aluno sabe ou não das denúncias? Na dúvida é melhor mudar o jeito. Não dá para saber quem leu ou não, de onde pode vir um encostão na parede, então terão que estar prontos, ter cuidados ao ajustar, estudar mais. Isso tudo é maravilhoso!!! Rodrigo e Pedro + esse artigo deram a oportunidade de até pessoas comuns como eu que gosto de debates e agitações produtivas , de colcar os professores de AVY para correr atrás do prejuízo. Quem sabe quando os ventos da mudança estiverem soprando, sem odores de discórdia e blasfêmias, quando o Avy renascer das cinzas da ignorância como uma fênix, eu volte a praticar AVY. Com professores já qualificados no ato de ajustar, sem machucar, que saibam como preservar meu corpo alquebrado e me instruir quando eu precisar de informações sobre Yoga. Pode parecer gozação minha, mas acreditem ?AVY people? , vocês ganharam um presente dos deuses, comecem a agradecer desde já e aceitem com mais tranqüilidade as dores do crescimento, reclamando menos. Lembrem-se que até professores de AVY anônimos já pediram para vocês fazerem isso. Lembrem-se que tudo que falam, mesmo anonimamente (vou dizer de novo, o Rafel fala bobagem mas é muito macho de assinar) vai ficar registrado, para todos lerem, como um documento, um registro histórico. A guerra do bom senso e da razão contra a insanidade e passamentos emocionais. A guerra da coerência dos bons modos contra destemperos e desorientação. Podem até chamar de guerra dos egos (como diz a canção, vaia de bêbado não vale), mas se vcs estão respondendo e comentando, estão dentro dela até o pescoço e lembrem-se, esse massacre está sendo documentado. Todo mundo poderá ver no futuro a luta da moral e da razão (nos dois sentidos) contra a turma do Yoga oba-oba. Rodrigo, Nietzche é do bem, mas Sai Baba? Bom vencendo preconceitos vou dizer as últimas coisas baseado então no sai baba (oh Deus!?!) Os nazistas acreditavam estar certos quando massacraram os judeus, tinham até argumentos elaborados (calma, não estou gozando por os Ashtangis não terem), mas no fundo, todos sabemos a verdade. No fundo sempre existe uma verdade, não importam opiniões. Fica difícil então crer em coisas como?O AVY não está certo mas também não está errado?, parece um Koan do zen, um enigma. Os psicopatas crêem estar fazendo o certo também. Se investigarmos podemos chegar a verdade por trás das opiniões. Os comentários estão todos gravados, os claros e lógicos e os insanos e raivosos. O final vocês decidem. (que brega)

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