A Dieta do Pulgão
Pedro Kupfer - 19 de Setembro de 2007 - 11 Comentários
Cochonilha é o nome de uma cucaracha mexicana conhecida popularmente como "pulgão", um inseto parasita que provavelmente você coloca na boca diariamente ao comer yogurtes, gelecas, biscoitos, leite de soja e outras porcarias industrializadas.
Um dia desses, muito embora tenha o costume de ler as microscópicas etiquetas dos alimentos industrializados que compramos, cometi o deslize de trazer para casa uns potes de yogurte de "morango", tingidos de rosado com os cadáveres secos e pulverizados essa simpática baratinha. E pior, cometi o mais sério deslize de deixar escorregar o rosado líquido pela minha garganta, para somente depois ler a etiqueta. E lá se foram meus 22 anos de vegetarianismo...
Estamos rodeados de ameaças escondidas. Não basta não comer carne. O vegetariano consciente, havendo feito seu voto de não-violência, não evita apenas comer carnes e ovos de todos os tipos e usar roupas e objetos feitos de couro.
O vegetariano consciente não deixa só de comer bolos de aniversários de procedência suspeita, croissants ou pães-de-queijo feitos com banha de porco. O vegetariano consciente também precisa carregar uma lupa em visita ao armazén ou supermercado do bairro para decifrar os rótulos dos alimentos e poder, assim, evitar comer estes simpáticos animalzinhos.
Se você for um vegetariano consciente, e não quiser participar da dieta do pulgão, evite comprar produtos alimentícios que tenham estas informações em suas embalagens: Carmim Cochonilha, Cochonilha, Corante Natural Cochonilha, Corante Natural Carmim, Corante Natural C1.
Olha só o que achei na Wikipedia sobre esse nosso amigo:
Originário do México, mede de 2 a 5 milímetros de comprimento, é geralmente marrom ou amarelo, e se alimenta parasitando a seiva de cactos e plantas e da umidade ali presente. Dentro da classe dos insetos, as cochonilhas são classificadas na ordem Hemiptera, sendo parentes próximas das cigarrinhas, cigarras e dos pulgões. São conhecidas mais de 67.500 espécies de Homoptera, à qual pertencem as cigarras, cigarrinhas, pulgões e cochonilhas.
Para defender-se da predação por outros insetos, produz ácido carmínico, que extraído de seu corpo e ovos é utilizado para fazer o corante alimentício que leva seu nome.
A Wikipédia também informa que o consumo deste pulgão pode produzir choque anafilático.
Correligionários vegetarianos, escolhamos bem o que colocamos no prato! Bom proveito para todos e namastê!
Respostas:
lorena
Postado em: 25 de Março de 2011 às 08h13
oi Fábio amei oconmentário mas gostaria que você falasse sobre e que os pulgões comem!!! beijos
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Celeste
Postado em: 21 de Janeiro de 2009 às 20h17
Muito confusa neste mundo *vegetariano*...tento ser, mas pelo visto, sem saber cometo uma serie de assassinatos, srsrrsrs... como fazer para nao cair neste erro? Shanti a todos!
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Lene
Postado em: 22 de Novembro de 2007 às 19h19
Pedro, meu filho ama joaninhas! O sonho de consumo dele é que uma se torne sua amiga e desista de ir embora voando. Eis que ao pesquisar o que elas comem, descubro no Sr Google e no seu site, que competimos com as Joanas ao comermos os pulgões! Como o mundo cybernético viabiliza voltas sem fim. Vejo sim como uma evolução humana abrir mão de comer seres vivos, mas eu particularmente considero vivo tudo que respira, não que tenha olhos, e isso inclui as plantas. Logo, me restaria bem pouco pra comer. Acho que as frutas não respiram, né? mas alface seguramente respira... então confortavelmente como tudo o que me dá prazer, tendo ou não leite, carne ou pulgões. O que queria te dizer e que não espero ver publicado, é mesmo só pra divertir seu dia, mas que vc tem em suas mãos um maravilhoso veículo de transferencia de informação! Não não falo do site, falo do como escreve! Então não se importe se quem te lê vai aceitar ou seguir qualquer dica, mas vá alem, pq vc consegue! Me perdoe a intimidade em te te falar neste tom, mas não se limite a pensar qe sua missão seja aprimorar o paladar de quem já é vegetariano. Transformar a informação que lê em conhecimento é responsabilidade de cada um, mas imagine quem vai conseguir ler tudo que indicou se esse tema não faz parte de sua rotina! Agora imagine se faz um convite para marmotas devodarodas praticantes como eu, de por algum período experimentar maior qualidade de vida! Experimentar o novo, o diferente. Dizer como começar, ou que emagrece! hehehehTudo que submete ao prazer permanece por mais tempo na mente... ai meu Deus, mas vc faz yoga né! Tem o tal do shamadi né! heheheheheh um grande abraço!!
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Inês Lombardi
Postado em: 30 de Setembro de 2007 às 22h27
ÉÉÉÉÉKA... Muito útil a lista do Fábio, principalmente para quem tem pequeninos em casa. Eu, pessoalmente, fiquei feliz ao me dar conta que desconheço a grande maioria dos produtos que ele citou. Quanto a sermos ou não vegetarianos, a questão "sou melhor ou pior" é conversa pra boi dormir (ou pra vaca, se preferirem). A grande questão, hoje, é cair na real da destruição que a indústria pecuária está causando à nossa amada mãe Terra. E, meu Deus do céu, existe olhar mais doce que o da vaca? Como diz um amigo meu: não como nada que tem olhos. Abração, Pedro.
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Rodrigo
Postado em: 29 de Setembro de 2007 às 13h41
Oi Pedro, Adorei o texto e já passei para os alunos lerem, sejam vegetarianos ou carnívoros. Impressionante, como acertei na mosca quando falei que no meio yogi existia tanta himsa quanto em qualquer lugar ou meio, pois somos humanos, e qualquer coisa que agrida nossos desejos ou convêniencias cria insatisfação. O texto é claro, como você disse, foi escrito para vegetarianos. Mas pode conscientizar qualquer um sobre o lixo que estamos colocando para dentro, na maior parte das vezes sem saber. As soluções são mais simples do que parecem, bom senso e boa vontade para ter um pouco mais de trabalho ao se alimentar. Qualquer um pode fazer um yogurte em casa, plantar uma hortinha no fundo do quintal (se tiver um), fazer um pão integral em casa, substituir os alimentos por integrais, orgânicos, que geralmente são produzidos por gente "pequena", que agride pouco a natureza. Se a pessoa quiser pode continuar comendo bicho morto que está apodrecendo (deha), como eu por exemplo, um vegetariano fajuto que voltou a comer ovo caipira, não galado. Pode ser uma desculpa esfarrapada, mas acredito que assim não fira os animais, se perceber que estou errado, vou parar, mas sustento minha posição, sem criar confusão com os outros. O ovo que como é produzido de forma ecológica e consciente, sem maus tratos pelos animais, mas mesmo assim, isso não muda o fato de que estou ingerindo menstruação sólida de galinha. Se posso continuar me chamando de vegetariano, não sei, não vou me preocupar com "rótulo", mas é fato que durmo melhor sabendo que há quinze anos nenhum animal morreu para que eu existisse. A indignação das pessoas é pelo fato de que não devem se sentir confortáveis consigo mesmas, pelo menos em relação à sua alimentação. Obrigado por esse texto.
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Pedro Kupfer
Postado em: 28 de Setembro de 2007 às 21h44
Em resposta a Fabiola e Leonardo. Caros Fabiola e Leonardo, Obrigado pelos vossos comentários. Certamente, comer porco, galinha, pulgão ou o que for, não torna ninguém melhor nem pior do que outro ser humano. No entanto, os yogis adoptamos a dieta vegetariana por conta de um princípio ético universal chamado ahimsa, não-violência. Certamente vocês já devem ter ouvido falar em não-violência. Quando nós, humanos, nos damos o direito de matar outros seres vivos para nos alimentar, estamos atropelando o direito à vida desses seres, bem como atropelamos a não-violência. Pessoalmente, acredito que não tenho o direito de tirar a vida de nenhum bicho, nem sequer a de um pulgão, para satisfazer minha fome ou meu paladar. Sugiro que vocês assistam o filme Terrâqueos, que ilustra de maneira bem clara essa questão do quanto é errado pensarmos que a Natureza e os bichos estão aí para fazermos o que bem entendemos com eles. Não se trata aqui de condenar, mas de repensar o que estamos fazendo. Como a Fabiola colocou muito bem, matar e comer bichos, além de ser um ato de barbárie, "pode ser uma visão ultrapassada". Acredito que isso seja, sim, uma visão ultrapassada. Na minha modesta opinião, matar um animal para se alimentar dele é uma forma de maltratar esse animal. Não é mesmo? Pelo comentário da Fabiola, percebo que ela acha que matar para comer não é maltratar. Matar é matar. Morte é morte, em qualquer circunsância que ela aconteça. Qualquer ser vivo com sistema nervoso, seja mamífero, ave ou inseto, sofre do mesmo jeito que os humanos quando são mortos. Se as áreas destinadas à criação de gado e outros bichos fossem plantadas com grãos e cereais, aí sim, poderiamos acabar com a fome do mundo muito mais facilmente. E, de quebra, acabariamos com o desmatamento da Amazônia, que acontece apenas para expandir a fronteira pecuária. Leonardo, para seu governo, os veganos não comem laticínios. Eu não sou vegano, senão, não beberia yogurte. O tom sarcástico do seu comentário dizendo que este texto não contribui para "acabar com a miséria do mundo" é, no mínimo, fora de propósito. De fato, este texto não tem a intenção de "acabar com a miséria do mundo", mas convidar vegetarianos a serem vegetarianos de forma mais consciente. Se você não é vegetariano, este texto não é para você. Para quem come porco, comer essa barata do carmim não tem mérito nenhum. Antes de perder seu tempo criticando os "xiitas", sugiro que leia o texto da Tereza Freire neste mesmo website, Do Vegetarianismo. Aí, sim, você poderia colocar sua opinião sobre o quanto a dieta carnívora pode de fato contribuir para acabar com a miséria do mundo, se essa for sua crença. Mas antes, assista também o filme "A Carne é Fraca", que ela menciona no texto. Existem, neste website, vários outros textos sobre vegetarianismo escritos por bons autores. Todos eles estão orientados pela certeza de que a dieta com carnes de quaisquer tipos é diretamente responsável pela fome do mundo, pelos desequilíbrios ambientais, por inúmeras doenças e pela violência social. Usem o mecanismo de busca do lado esquerdo desta página e boas leituras! Namastê!
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Leonardo
Postado em: 27 de Setembro de 2007 às 20h35
Concordo em Gênero, Número e Grau com a leitora Fabiola. Quem dera no mundo, não houvesse fome e nem miséria. Que todas as crianças famintas tivessem o que comer. Se tem uma coisa que não ajuda em nada no combate à miséria no mundo é comentário vegetariano-xiita de quem "arruinou" sua dieta vegan de 22 anos, tomando um yogurte repleto de cochonillas!
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Fabíola
Postado em: 24 de Setembro de 2007 às 21h43
Carnes, ovos, e pulgões, fazem parte de minha dieta,não sei se sou melhor ou pior por este motivo.No lugar de onde vim, não havia mercados e era comum plantar e criar animais para sobreviver. Pode ser uma visão ultrapassada, mas foi assim que aprendi. Ninguém no interior cria animais para maltratá-los, e sim para se alimentar. Acredito, que quem já conheceu a fome, não se importa com pulgões. Se eu pudesse, gostaria que cada criança nesse mundo tivesse um pacote de pulgões para comer, gostaria que todas as pessoas tivessem o que comer, afinal o grande número de mortalidade infantil ,é causado pela fome, não pelos pulgões.
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