Hatha Yoga Pradípiká: introdução e capítulo I
Yogi Svatmarama - 25 de Dezembro de 2001 - 1 Comentário
Introdução
Temos o prazer de apresentar à família dos yogis brasileiros a edição em português da Hatha Yoga Pradípiká, o guia clássico para a prática avançada de Hatha Yoga. A importância desta obra radica em que ela é o manual mais detalhado sobre a ciência do Hatha que chegou até nós. Svátmáráma, o autor, parece ter vivido por volta do século XIV da nossa era. Ele integra aqui as disciplinas fisiológicas do Hatha Yoga com as práticas contemplativas do Rája Yoga, deixando claro logo no início do livro que o Hatha Yoga, "como uma escada, conduz ao elevado Rája Yoga."
O Hatha Yoga é um método de Yoga tântrico que finca suas raízes na Índia antiga, mas que surgiu com muita força no período medieval (s. IX-XII). Este sistema almeja o despertar da energia potencial usando o esforço físico extremo. Segundo a Goraksha Paddhati, uma obra contemporânea ao Hatha Yoga Pradípiká, a palavra hatha (que literalmente significa "esforço físico violento") deriva das sílabas ha, sol, e tha, lua, donde percebemos a visão dualista do Tantra. A integração das forças solar e lunar, masculina e feminina, é o objetivo deste Yoga.
O Hatha Yoga dá muita importância à prática de ásana e pránáyáma, assim como também às purificações (shat karma). A aparição deste método se vincula a Gorakshanatha, o mítico asceta fundador da ordem dos Kánphata yogis e autor dos tratados Hatha Yoga (hoje perdido) e Gorakshashataka.
Os principais livros sobre esta disciplina, afora os já citados, são a Hatha Yoga Pradípiká (segundo a tradição, baseado no Hatha Yoga), a Gheranda Samhitá e a Shiva Samhitá, sendo este último o mais extenso e elaborado do ponto de vista filosófico.
A Hatha Yoga Pradípiká consta de quatro capítulos, com um total de 389 versos (shlokas), embora este número possa oscilar dependendo da edição. O yogi Svátmáráma nos proporciona muitas definições fundamentais sobre algumas técnicas absolutamente essenciais nos dias de hoje.
No primeiro capítulo, descrevem-se dezesseis ásanas. Entretanto, para desilusão de alguns entusiastas da prática física, a maioria deles são variações da postura sentada com as pernas cruzadas. Também se dão instruções sobre a dieta correta que o praticante deve seguir. A brevidade da série de ásanas descrita, aliada ao grau de dificuldade de algumas posturas "culturais" propostas pelo autor, como kukkutásana ou mayúrásana, pode resultar duplamente frustrante para aqueles que estão acostumados com a idéia de que Hatha Yoga é sinônimo de prática física suave e relaxante.
Digo duplamente frustrante porque, por um lado, os ásanas do Hatha Yoga não são de fácil execução. Por outro lado, não se dá tanta importância assim à sua prática, já que ela aparece claramente em função do objetivo final deste sistema: a iluminação (samádhi). O resto da obra, com sua carga de práticas energéticas e meditativas, se encarrega de enterrar essas interpretações errôneas do conceito de "Yoga físico".
No segundo capítulo se expõe a ciência do pránáyáma, as técnicas de expansão da força vital (prána). Para aqueles praticantes que apresentem problemas de saúde prescrevem-se as "seis ações" (shatkarma). Estas técnicas purificadoras devem ser praticadas antes do pránáyáma.
O autor distingue oito tipos de expansão e controle da respiração, que denomina retenções (kúmbhaka). Afirma que estas retenções despertam o poder psíquico latente no ser humano, chamado nos textos esotéricos de poder serpentino (kundaliní shaktí).
O processo do despertar dessa energia potencial está exposto no terceiro capítulo, e se complementa com dez "selos" corpóreos, chamados mudrás e ainda com três "contrações" físico-energéticas chamadas bandhas, que se fazem com a garganta, o ventre e o assoalho pélvico. Este capítulo conclui com uma descrição das técnicas tântricas vajrolí e sahajolí (de sublimação dos fluidos sexuais, tanto os densos como os sutis) e outras práticas de manipulação da energia.
O capítulo final discorre sobre as técnicas de percepção do náda, o som supersutil interior que se torna audível quando a rede de canais psico-energéticos (nádís) foi devidamente purificada. Descrevem-se ainda a absorção final (láyá) da atenção na realidade transcendental e as etapas do samádhi, a iluminação.
Acrescentamos alguns comentários ao longo do texto, que aparecem entre colchetes, para facilitar a compreensão de passagens escuras, assim como um glossário técnico onde podem encontrar-se detalhes teórico-práticos sobre os termos sânscritos.
É nosso desejo que o leitor seja estimulado pelas vozes dos yogis da antiguidade que se ouvem claramente neste texto e pelo altíssimo valor instrumental das instruções aqui contidas, para aceitar o convite de aventurar-se no oceano da própria consciência.
Florianópolis, dezembro de 2001.
Pedro Kupfer .
Capítulo I
Invocação inicial e apresentação.
I:1.
Eu saúdo o Primevo Senhor, Shiva, que ensinou o conhecimento do Hatha Yoga, à sua esposa Párvatí. Este conhecimento, como uma escada, conduz ao elevado Rája Yoga.
I:2.
O yogi Svátmáráma, depois de saudar solenemente a deidade e seu guru, estabelece desde o início que o ensinamento do Hatha Yoga é somente um meio para a realização do Rája Yoga.
I:3.
Para aqueles que vagueiam na escuridão das diferentes doutrinas conflitantes, incapazes de seguir o Rája Yoga, o compassivo Svátmáráma oferece a luz do Hathavidyá.
I:4.
Svátmáráma aprendeu o Hathavidyá dos mestres Goraksha e Matsyendra.
I:5:9.
Shiva, Matsyendra, Shábara, Anandabhairava, Chaurangi, Mina, Goraksha, Virupaksa, Bileshaya, Manthána, Bhairava, Siddhi, Buddha, Kanthadi, Korantaka, Suránanda, Siddhipáda, Charpati, Káneri, Pújyapáda, Nityanatha, Nirañjana, Kapáli, Vindunatha, Kakachandísvara, Alláma, Prabhudeva, Ghodácholi, Tintini, Bhánukin, Náradeva, Khanda, Kápálika e muitos outros mahasiddhas, havendo conquistado o tempo por meio do Hatha Yoga, existem ainda no universo.
I:10.
O Hatha Yoga é um refúgio para aqueles que sofrem os três tipos de dor. Para todos aqueles que se dedicam ao Yoga, o Hatha Yoga é a tartaruga que sustenta o mundo (a base que sustenta suas práticas).
[Segundo a visão hindu, esses três tipos de dor ou aflição são ádhyátmika, ádhidaivika e ádhibhautika. O ádhyátmika pode ser de dois tipos: dor física ou dor mental; ádhidaivika são os sofrimentos provocados por influencias planetárias; ádhibhautika são as aflições produzidas pelos fenômenos naturais: chuva, seca, terremotos, etc.]
I:11.
O yogi que almejar o sucesso deve manter o Hatha Yoga em rigoroso secreto, pois somente assim ele será efetivo. Quando divulgado indiscriminadamente, perde todo seu poder.
Lugar para a prática.
I:12.
Deve-se praticar Hatha Yoga em uma pequena e solitária ermida (matha), livre de pedras, água e fogo (excessiva exposição aos elementos naturais), em uma região onde impere a justiça, a paz e a prosperidade.
I:13.
O matha deve ter uma pequena porta e carecer de janelas. O piso deve estar nivelado; nem demasiado alto nem demasiado baixo, e deve conservar-se muito limpo, coberto de esterco de vaca mistruado com água (um germicida natural) e livre de insetos. O exterior deve ser agradável, com uma entrada, uma plataforma elevada e um poço de água. O conjunto deve estar rodeado por um muro. Estas são as características da ermida descritas pelos siddhas que praticaram Hatha Yoga.
I:14.
Em tal lugar o yogi, livre de toda preocupação, se dedicará unicamente à prática do Yoga seguindo as instruções de seu guru.
Requisitos para a prática.I:15.
O yogi fracassa por excesso de comida, esgotamento físico, embuste, ascetismo exagerado, companhia inadequada e inquietude.
I:16.
O sucesso no Yoga depende de esforço, determinação destemida, audácia, conhecimento discriminativo, perseverança, fé (nos ensinamentos do mestre) e afastamento de toda companhia (supérflua).
Atitudes prévias.
Os dez yamas são: ahimsá, satya, asteya, brahmacharya, paciência, temperança, compaixão, honestidade, moderação na dieta e shauchan, purificação. Os dez niyamas são: tapas, santosha, espírito religioso, caridade, Íshvarapranidhána, svádhyáya, simplicidade, inteligência, japa e yatna.
Posturas.
I:17.
Em primeiro lugar, se expõem os ásanas, pois eles constituem o primeiro passo do Hatha Yoga. Os ásanas se praticam para conquistar postura firme, saúde e flexibilidade.
I:18.
A continuação se descrevem alguns dos ásanas adotados por sábios como Vasistha e por yogis como Matsyendra.
Posturas gerais.
Svastikásana, postura auspiciosa.
I:19.
Svastikásana: sentar-se no solo com o corpo erguido e as pernas dobradas colocando a planta de cada pé entre a panturrilha e a coxa (da perna contrária).
Gomukhásana, postura da cabeça de vaca.
I:20.
Gomukhásana: o pé direito se coloca do lado do glúteo esquerdo e o pé esquerdo junto ao direito. Esta postura se parece à face de uma vaca.
[Manuais modernos acrescentam que devem unir-se as mãos atrás das costas, com um braço elevado acima da cabeça e o outro recolhido por baixo.]
Virásana, postura do herói.
I:21.
Vírásana: um pé se coloca por cima da coxa oposta e o outro fica encaixado embaixo da coxa do mesmo lado.
Kúrmásana, postura da tartaruga.
I:22.
Kúrmásana: sentar-se de forma equilibrada com as plantas dos pés cruzadas sob o períneo.
Kukkutásana, postura do galo.
I:23.
Kukkutásana: em padmásana, se introduzem as mãos entre as coxas e as panturrilhas; apóiam-se firmemente não solo e se levanta o corpo.
Uttána kúrmásana, postura da tartaruga elevada.
I:24.
Uttána kúrmásana: adotando kukkutásana (sem fazer a elevação do corpo), segura-se firmemente a nuca com os dedos das mãos entrelaçados e se permanece assim, como uma tartaruga elevada.
Dhanurásana, postura do arco.
I:25.
Dhanurásana: segurando os dedos maiores dos pés com ambas as mãos, manter uma perna esticada enquanto se aproxima a outra da orelha, como se se estivesse tensionando um arco.
Matsyendrásana, postura do yogi Matsyendra.
I:26.
Matsyendrásana: coloca-se o pé direito na parte superior da coxa esquerda e o pé esquerdo junto à parte exterior o joelho direito; segura-se o tornozelo esquerdo com a mão direita e o pé direito com a mão esquerda (passando o braço esquerdo por trás das costas); permanece-se com o corpo torcido ao máximo para a esquerda (depois, repete-se tudo, torcendo para o outro lado).
[Existe outra variação desta postura com o dorso do pé direito apoiado no chão ao invés da virilha, o que torna a execução bem mais fácil.]
I:27.
Esta postura incrementa o apetite estimulando o fogo gástrico (pitta); é um remedio contra as doenças mais mortais. Com a prática regular se desperta kundaliní e se evita a dispersão do néctar que se derrama desde a lua (o soma chakra, no intercílio).
Paschimottanásana, postura de alongamento intenso.
I:28.
Paschimottánásana: permanecer com as pernas estendidas no solo, segurando os dedos dos pés com as mãos e apoiando a cabeça sobre os joelhos.
I:29.
Este excelente ásana faz que a força vital (prána) flua através de sushumná, estimula o fogo gástrico (pitta), flexibiliza as costas e elimina todas as doenças que afetam às pessoas.
Mayúrásana, postura do pavão.
I:30.
Mayúrásana: colocam-se as mãos firmemente no solo e eleva-se o corpo no ar, apoiando o ventre sobre os cotovelos; o corpo fica reto como um bastão.
I:31.
Este ásana cura diversas doenças como o inchaço do abdômen e moléstias digestivas (gulma e udara) e outras enfermidades abdominais; elimina as disfunções provocadas pelo desequilíbrio entre vata, pitta e kapha; facilita as digestões pesadas e ajuda a digerir incluso o mais poderoso dos venenos (kalakuta).
Shavásana, postura do cadáver.
I:32.
Shavásana: permanece-se estendido no solo com o rosto voltado para cima, como um morto (shava); este ásana elimina o cansaço ocasionado por outros ásanas e proporciona descanso à mente.
Posturas de meditação.
I:33.
Shiva ensinou oitenta e quatro ásanas; descrevem-se agora as quatro mais importantes: siddhásana, padmásana, simhásana e bhadrásana.
Siddhásana, postura perfeita.
I:34.
A mais confortável das quatro, siddhásana, deve praticar-se sempre.
I:35.
Siddhásana: aperta-se com firmeza o calcanhar esquerdo contra o períneo e coloca-se o direito por cima do sexo (na altura do púbis); mantém-se o queixo pressionando a base da garganta e permanece-se sentado em posição erguida, com os sentidos controlados e o olhar fixo no ponto entre as sobrancelhas. Siddhásana permite atravessar a porta que conduz à perfeição.
I:36.
Siddhásana faz-se também colocando o calcanhar esquerdo por cima do pênis (medhra) ou da vulva (yoni), e o calcanhar direito por cima deste.
I:37.
Alguns chamam esta variação siddhásana; outros a conhecem como vajrásana, muktásana ou guptásana.
I:38.
Igual que entre os yamas e niyamas, as práticas mais importantes são a moderação na dieta e ahimsá, os siddhas sabem que o mais importante dos ásanas é o siddhásana.
I:39.
Entre os 84 ásanas, se deve praticar sempre siddhásana, pois purifica as 72.000 nádís.
I:40. O yogi que, praticando siddhásana durante doze anos, medita sobre sua autêntica essência (átman) e come com moderação, alcança o sucesso (siddhi) no Yoga.
I:41.
Se se domina o siddhásana e se consegue conter o prána dentro do corpo com a prática de kevala kúmbhaka, não será necessário praticar os demais ásanas.
I:42.
Quando se tiver conquistado a perfeição no siddhásana, pode-se desfrutar o êxtase proporcionado pelo estado meditativo chamado unmani avasthá que surge espontaneamente; os três bandhas aparecem de forma natural, sem esforço algum.
I:43.
Não existe ásana como siddhásana, nem kúmbhaka como kevala, nem mudrá como khecharí, nem absorção (láyá) como a que acontece no som primordial (náda).
Padmásana, postura do lótus.I:44.
Padmásana: coloca-se o pé direito sobre a coxa esquerda e o pé esquerdo sobre a coxa direita; cruzam-se os braços pelas costas e seguram-se os dedos maiores de ambos os pés, o do direito com a mão direita e o do esquerdo com a mão esquerda; pressiona-se o queixo contra o peito e fixa-se o olhar na ponta do nariz. O padmásana cura as doenças do yogi.
I:45:46.
Colocam-se os pés sobre as coxas opostas e as mãos no colo com as palmas para cima, uma por cima da outra; fixa-se o olhar na ponta do nariz e toca-se com a língua a raiz dos incisivos superiores, pressionando o queixo contra a base da garganta para assim elevar apána com suavidade mediante a contração do ânus (múla bandha).
I:47.
Esta é (outra variação de) padmásana, destruidora de todas as doenças (unicamente) em pessoas de grande percepção.
I:48.
Adota-se padmásana, com uma mão sobre a outra (no colo, fazendo bhairava mudrá, com as mãos em forma de concha) e o queixo firmemente pressionado contra o peito, medita-se sobre Brahmá, contraindo retiradamente os músculos do ânus para impulsionar a forca vital apána em direção ao coração. Analogamente, leva-se a força vital prána váyu para baixo (contraindo a garganta pelo jalándhara bandha). Desta forma desperta-se a força kundaliní e se alcança o conhecimento supremo.
I:49.
O yogi, sentado em padmásana, inalando através das entradas das nádís [as narinas] e alimentando-as com prána, alcança a liberação; não há dúvida sobre isto.
Simhásana, postura do leão.
I:50.
Simhásana: colocar os calcanhares (com os pés cruzados) sob o sexo, com o direito tocando o lado esquerdo do períneo e o esquerdo tocando o lado direito.
I:51.
Colocar as palmas das mãos com os dedos entendidos sobre os joelhos; com a boca aberta, concentrar o olhar na ponta do nariz.
I:52.
O simhásana é muito apreciado pelos melhores yogis. Este excelente ásana facilita os três bandhas (múla, jalándhara e uddiyana bandha).
Bhadrásana, postura virtuosa.
I:53.
Bhadrásana: colocar os tornozelos sob o sexo a ambos lados do períneo, o direito à direita e o esquerdo à esquerda (com as plantas dos pés unidas).
I:54.
Manter os pés firmemente unidos com as mãos e permanecer imóvel. Bhadrásana cura todas as doenças.
I:55.
Este ásana é chamado gorakshásana pelos yogis avançados (siddhas). O cansaço desaparece ao assumi-la.
Conclusão.
I:56.
Depois dos ásanas e bandhas, continua a seqüência na prática do Hatha Yoga com as distintas variações de kúmbhaka, os mudrás e a concentração no som interior (náda).
Dieta moderada.
I:57.
Com toda certeza, o brahmachari que observe uma dieta moderada e pratique o Hatha Yoga renunciando aos frutos de suas ações, converter-se-á em um siddha no prazo de um ano.
I:58.
Seguir uma dieta moderada quer dizer alimentar-se com comida agradável e doce deixando sempre livre uma quarta parte do estômago e dedicando o ato de comer a Shiva.
Dieta a evitar.
I:59.
Não se consideram adequados para o yogi os alimentos amargos, agros, picantes, salgados ou muito quentes; os vegetais verdes (diferentes dos recomendados), os legumes fermentados, o azeite de sementes, o gergelim, a mostarda, as bebidas alcoólicas, o peixe, a carne, o requeijão, o soro, a manteiga, os grãos de tipo chhaasa, os feijões em forma de rim, as frituras, a asafétida e o alho.
I:60.
Também devem evitar-se a comida requentada, os alimentos secos, demasiado salgados ou ácidos e os alimentos com muita mistura de vegetais (difíceis de digerir).
Hábitos.
I:61. Ao principio, devem evitar-se o fogo, as relações sexuais e as viagens. Goraksha ensina que "no início, o yogi deve evitar as companhias inadequadas, aquecer-se junto ao fogo, as relações sexuais, as viagens longas, os banhos frios de manhã cedo, o jejum e o esforço físico exagerado".
Dieta recomendada.
I:62.
Os seguintes alimentos são recomendados para o yogi: trigo, arroz, centeio, cevada, produtos feitos de cereais, leite, manteiga clarificada (ghee), açúcar mascavo, mel, gengibre seco, pepinos, patolaka, os cinco legumes (jivanti, vastumulya, aksi, meghanada e punarnava), feijão de tipo mung e água pura.
I:63.
O yogi deve tomar alimentos nutritivos e doces, misturados com leite e ghee, que aumentem os elementos corporais (dhatus: pele, sangue, carne, gordura, osso, medula e sêmen) e que sejam agradáveis.
Conclusões.
I:64.
Qualquer pessoa que pratique ativamente Yoga, seja ela jovem, velha ou mesmo muito velha, enfermiça e débil, pode converter-se em um siddha.
I:65.
Qualquer um que praticar pode conseguir a perfeição (siddhi), a menos que seja preguiçoso. Não se conquista a meta do Yoga apenas lendo livros.
I:66.
Tampouco se conseguem os siddhis vestindo-se de uma forma determinada ou especulando sobre o Yoga: somente se triunfa através da prática constante. Sem dúvida, este é o secreto do sucesso na prática.
I:67.
Enquanto não se tiver sucesso no Rája Yoga devem praticar-se os diferentes ásanas, kúmbhakas e mudrás do Hatha Yoga.
[Aqui conclui o primeiro capítulo do Hatha Yoga Pradípiká, que versa sobre os requisitos e atitudes para a prática, os ásanas e a dieta recomendada pelos sábios.]
Índice temático (com referência ao número do verso) Capítulo I Invocação inicial e apresentação, 1-11 Lugar para a prática, 12-14 Requisitos para a prática, 15-16 Atitudes prévias, 16 Posturas, 17-18 Posturas gerais, 19-32 Posturas de meditação, 33 Siddhásana, 34-43 Padmásana, 44-49 Simhásana, 50-52 Bhadrásana, 53-55 Conclusão, 56 Dieta moderada, 57-58 Dieta a evitar, 59-60 Hábitos, 61 Dieta recomendada, 62-63 Conclusões, 64-67
Respostas:
Daniela
Postado em: 14 de Dezembro de 2010 às 12h34
Olá Pedro,
meu nome é Daniela e estou fazendo o curso de formação com a Maria Laura Garcia Packer. Estamos estudando o Hatha Yoga Pradipika em inglês e a tradução feita por você.
A Laura comentou que a obra inteira, com os comentários, ainda não foi traduzida, mas que talvez você estivesse preparando a tradução da obra completa.
Gostaria de saber, então, se você tem notícia de que já existe a tradução da obra completa em português, ou se o trabalho já foi iniciado.
Sou estudante de letras e ficquei interessada em fazer a tradução, mas antes, preciso saber se o trabalho já existe.
Obrigada e um abraço,
Namastê,
Daniela.
=====
O texto está integralmente disponível, em quatro partes diferentes, mais duas extras que configuram o glossário, neste mesmo website. Por favor, Daniela, use o mecanismo de busca para encontrá-lo, usando as palavras HATHA YOGA PRADÍPIKÁ.
Obrigado.
Namaste!
Pedro.
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