A imprensa e o Yoga

Humberto Meneghin - 27 de Novembro de 2008 - 16 Comentários

Na semana que passou (a terceira de novembro de 2008), o mundo do Yoga foi surpreendido com uma notícia amplamente divulgada pela a imprensa: algumas pessoas não se sentiram bem em um retiro e foram hospitalizadas. 

O papel do jornalismo impresso, televisivo e até mesmo digital é divulgar fatos e acontecimentos com a finalidade de informar a opinião pública sobre determinado assunto. Mas, qual é a melhor maneira dos meios de comunicação transmitirem a mensagem sem que a imagem do Yoga seja denegrida? Devem os jornalistas dirigirem o foco do leitor e do expectador somente aos pontos negativos que a notícia traz?

Diante do fato ocorrido, a opinião pública de um modo geral anda achando que o Yoga é aquilo que foi exposto nas reportagens tanto escrita quanto televisiva. Muitos leigos e até mesmo familiares de alunos- praticantes questionaram-se sobre o ocorrido: muitos concluíram que praticamos um Yoga que desequilibra, machuca e que faz mal à saúde. Porém, sabemos que isso não é verdade. 

Salvo algumas exceções, não praticamos um Yoga que nos faz mal. Executamos asanas com o devido cuidado e atenção, objetivando moksha, a libertação.  

Na contramão, é natural encontrarmos por esse nosso Brasil e pelo mundo alguns professores/instrutores de Yoga que modificam a finalidade da filosofia, ocasionando transtornos àqueles que têm sob o jugo e a eles mesmos. Você pode estar se perguntando, se no caso em voga, a imprensa nada mais fez do que realmente deveria ter sido feito, não é? Ou seja, informar a opinião pública sobre o ocorrido para acabar de vez com aquela situação desconfortante. 

Analisando pela órbita dos comunicadores, as matérias trouxeram a realidade do fato, mas, como uma faca de dois gumes, a imagem do Yoga ficou maculada. Então, o que devemos fazer para clarear esse cenário para mostrar às pessoas que o Yoga não é vaidade, não é competição, que não fere, que não visa o subjugo alheio e o lucro desmedido? 

Ora,a resposta é simples: aos professores e praticantes que se dedicam com seriedade ao estudo e à prática do Yoga, cabe passar aos leigos o que realmente o Yoga é, qual é sua finalidade, quais os benefícios que o ser humano conquista com o estudo e a prática, não permitindo que o acontecimento que veio a tona desvirtue essa bela filosofia.

O que aconteceu, nada mais foi do que um revés, que pode também ocorrer em outras as áreas. Hoje em dia, a política, o meio artístico e desportivo estão cheios de acontecimentos desconfortantes que na maioria das vezes são um prato cheio para a imprensa, tais quais são divulgados aos estrondos e mais tarde caem no esquecimento, o que não os exime de serem apurados.  

Mesmo que alguns possam achar que tenham se enganado com o Yoga transmitido em um dado momento da vida, 'os Deuses escrevem certo por linhas tortas', e quando o(a) praticante realmente estiver preparado(a) para o estudo e a prática do puro Yoga, encontrará a senda e as pessoas verdadeiramente certas para ajudá-lo no crescimento.

O Yoga está presente em todos os lugares, em todos os cantos do planeta e mesmo assim, a prática continua. 

Harih Om!

Respostas:

Anônimo

Postado em: 08 de Dezembro de 2008 às 13h59

Estimado Paulo: Big K = Big* Karma** * grande em inglês ** inexorável princípio de ação/reação Permaneço anônimo para refrear maiores exaltações do meu próprio ego, não? Ainda assim ele adora brincar de esconde-esconde :) Muita Paz para você!

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Marcelo Moreira de Jesus

Postado em: 07 de Dezembro de 2008 às 19h06

Concordo com as opiniões presentes no texto. O ocidente ainda encara o Yoga de maneira bastante distorcida e a imprensa auxilia nessa distorção, bem como auxilia em outras tantas distorções nos mais variados campos (ciência, política, arte). A cumplicidade "yoga/estudo" nos leva,então, a tomar a decisão proposta por Humberto Meneghin de, como praticantes ou instrutores, transmitir a quem solicite uma idéia verdadeira do que realmente é a prática, como todas sua parte física, filosófica. ॐ nʌmʌsˈte नमस्ते

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Paulo

Postado em: 05 de Dezembro de 2008 às 08h27

Por favor, Sr anônimo. Poderia me explicar o que vem a ser Big K...? e por qual motivo se esconde atrás do anonimato? Será que você é o Falso G..., considerado o Mago N... na Índia? Ou será o próprio Guru d. D.?

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Humberto

Postado em: 03 de Dezembro de 2008 às 19h39

Novamente, obrigado pelos longos "posts" complementares, incluisive do(a) anônimo(a) que eu até posso imaginar quem talvez possa ser. Mesmo que alguns de vcs tenham apreciado apenas alguns pontos do artigo e outros não, o texto foi um bom "starter" para trazer este assunto ao parlatório. Mais uma vez, agradeço seus válidos comentários, pois cada um teve uma visão diferente ao expor seus pontos de vistas, o que trouxe maiores esclarecimentos ao tema.

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Ricardo

Postado em: 03 de Dezembro de 2008 às 14h54

Pedro: Também acho a regulamentação uma chatice sem fim. Por isso disse "infelizmente", porém espero que o incidente sirva como um alerta vermelho para as práticas/instrutores muito "radicais"... Namaste!

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Anônimo

Postado em: 03 de Dezembro de 2008 às 14h42

Om Namo Narayanaya! Querido amigo Pedro: Dentro do meu não-encorajamento a uma posição belicosa em relação ao episódio que ecoou na imprensa recentemente, gostaria de acrescentar (ou reajustar) um quesito. Em Yoga,não é pela via da passividade ignorante (tamas) que chegaremos a verdade, assim nos ensinam a Bhagavad Gita e tantos outros textos. Portanto a ação (quando justa) deve ser direcionada e quem sabe até mesmo silenciosa (sattwa), causando um tipo de benefício que não reclama atenção para si próprio (rajas), o que sabemos ser o mais natural dentro da natureza humana. Utilizando o princípio do sat-sankalpa, podemos neutralizar um pensamento bastante negativo através de outro que irradie positividade. Quem sabe então, ao invés de por exemplo comprar uma briga com a imprensa, buscando explicar aquilo que o Yoga não é de forma agressiva e provocadora, não se poderia enviar informações que cheguem ao público ressoando a essência vital desta tradição? Ao meu ver, esta mensagem positiva já está circulando pela simples postura íntegra de tantos professores (a começar por você) e praticantes, nos quais o fato de serem fiéis ao Dharma (no sentido amplo) possibilita que os ensinamentos realmente transformem a vida de muitos, para melhor. Finalmente, já não se fala mais neste assunto na mídia. Leigos que leram ou assistiram a tal história já esqueceram o que,quem,quando e como. O fuxico ainda circula nas rodas do Yoga, uma boa reflexão mas em nada uma solução ao problema. Infelizmente as vítimas ficarão sequeladas até poderem recomeçar o seu Sadhana de uma forma tranquila ou confiante. Aí sim, elas precisarão de orientadores responsáveis e fidedignos, e não de contestadores inflamados que passam de yogues a "terapeutas" num piscar de olhos, recomeçando todo aquele mesmo processo anterior de "abdução" sob nova batuta... Colhemos as consequências de cada pensamento, palavra ou ato proferidos, melhor respirar profundamente antes mesmo de pensar em disparar as flechas, afinal elas voltam na forma de bumerangues, sempre. Até hoje ninguém foi imune ao Big K... Um grande abraço. -- Om Shanti!

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Paulo

Postado em: 03 de Dezembro de 2008 às 14h10

Caro Pedro, Como sempre sua intervenção foi esclarecedora e apaziguadora. Fizemos, eu e o Ricardo, uma interpretação extensiva do texto, ou seja, lemos mais do que foi escrito. O Humberto, por outro lado, parece ter escrito menos do que deveria, daí sua interpretação restritiva. Você, por outro lado, fez a sua interpretação literal e, não obstante, complementou o texto com fatos novos. A expressão "guru da diarréia" foi extremamente feliz e oportuna. Primeiro porque me fez rir um bocado; segundo porque desmoralizou o falso professor (toda vez que o vir vou lembrar da expressão e começar a rir); terceiro porque satiriza a reportagem; e quarto porque chama a atenção dos praticantes para terem mais cuidado ao escolherem seus professores. Nada como rir da situação. Estou em paz agora e satisfeito com o debate. Agradeço ao Humberto pela iniciativa, ao Ricardo por estender a interpretação e a você por elucidar a questão com o bom humor de sempre. Namastê! "Guru da diarréia" foi ótimo!

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Pedro Kupfer

Postado em: 03 de Dezembro de 2008 às 13h05

Caros Paulo e Ricardo, Me tomo a liberdade de fazer uma colocação sobre o comentário do Ricardo, sobre o qual o Paulo elabora: creio que o propósito do Humberto com este texto foi questionar o papel da mídia no que respeita aos possíveis perigos de expor fatos de maneira parcial. Nada mais. Analisando a maneira em que foi colocado o referido incidente, temos a impressão de que as práticas de "purificação" com chá de sene fariam parte do Yoga. Nem a Veja nem os outros órgaões de imprensa esclareceram ao leitor ou telespectador que o chá de sene não veio da Índia e nunca foi usado com o propósito de purificar nada no contexto do Yoga. Portanto, o foco do texto não está em nenhuma da longa série de perguntas do Ricardo, mas no próprio título que o autor escolheu para o artigo. Pode sim haver faltado um pouco de ênfase na questão de que o Yoga, praticado de maneira responsável, não machuca, não manda ninguém para o hospital, não oferece perigos à população, não tem nada a ver com assédio sexual, nem com manipulação ou tortura psicológica, nem com lavagem cerebral. Porém, já que esta é uma discussão entre praticantes e/ou professores, esses assuntos não deveriam estar mais do que claros para nós? Não seria por acaso chover sobre o molhado, repetir de maneira mais explícita o que o próprio Humberto coloca no texto? Vejam só o que ele disse: "muitos concluíram que praticamos um Yoga que desequilibra, machuca e que faz mal à saúde. Porém, sabemos que isso não é verdade". Agora, sobre a questão da regulamentação no Yoga que o Ricardo propõe como solução para evitar que esse tipo de situação de repita, permito-me discordar. Maus profissionais existem em todas as áreas. As únicas, no entanto, que deveriam ter uma regulamentação interna são o Direito, a Medicina e a Construção Civil. O resto das instituições regulamentadoras é perfeitamente inútil e funciona na prática como uma reserva de mercado. Veja o caso da Ordem dos Músicos do Brasil, do Conselho Federal de Carregadores de Malas Aeroportuários, o Conselho Federal de Astrologia e outras não menos ridículas. Com muito bom-senso, desde a administração FHC, e continuando na atual, a tendência tem sido rejeitar todos os projetos de lei que, sob o disfarce da defesa dos interesses da população ou de alguma categoria profissional, criam apenas monopólios, entraves, impostos e cerceam a liberdade de agir do cidadão. Como perfeitamente sabemos, a existência da OAB não consegue, sozinha, impedir o mal exercício da profissão de advocacia, nem elimina advogados desonestos. O Conselho Federal de Medicina não consegue evitar que charlatães exerçam ilegalmente a profissão ou sequer que médicos deixem de cometer erros. Pela mesma conta, a existência de uma "Polícia do Yoga" não iria eliminar a presença de professores incompetentes ou mal-intencionados. Esse é o motivo pelo qual, pessoalmente, tenho mantido distância da idéia da regulamentação. Ela cria mais problemas dos que resolve. A sociedade civil já tem seus mecanismos de defesa perante estelionatários e outros. Se por exemplo uma praticante tiver sido explorada sexualmente pelo seu professor, a lei brasileira lhe garante a defesa nos tribunais e o devido castigo ao criminoso. Não precisamos de uma polícia interna no Yoga para fazer isso. Pensem com carinho nisso, por favor. O Yoga continua! Pedro.

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