A Propaganda e o Yoga, Parte II

Humberto Meneghin - 28 de Maio de 2009 - 1 Comentário

Não é de se admirar que professores de Yoga que possuam um espaço para práticas e/ou vivam do ensino da filosofia milenar como profissão, queiram divulgar seu trabalho e conquistar mais 'clientes'. A propaganda e o marketing direcionado, geralmente utilizado para vendas e promoção de produtos nas prateleiras de supermercados e na mídia em geral, também está presente no Yoga, nos dias de hoje. Felizmente ou infelizmente? 

Há alguns anos atrás, quando o Yoga não era tão assim popular e não havia 'concorrência' entre os professores do meio, que hoje promovem cursos de formação, retiros, workshops, e aulas em seus espaços, não era problema algum encontrar um bom professor e uma boa escola para se praticar, aprender e estudar a filosofia. Pois, isso se dava de boca-a-boca. 

Os tempos passaram, e naturalmente com o avanço mercadológico e a presença da internet em nossas vidas, somos bombardeados, minuto a minuto com informações, todas elas geradas pela mídia, de cada um querendo vender melhor seu peixe. 

Recebemos, via de regra, mensagens eletrônicas divulgando aulas em espaços de yoga/estúdios com aquele(a) professor(a) que tem uma bagagem yóguica bem extensa; recebemos também 'anúncios' bem feitos, nos convidando a participar de retiros ou workshops, divulgando espaços e outros produtos e ainda para comprarmos o pacote daquela tão sonhada viagem à Índia. 

Não podemos condenar aqueles que estejam divulgando seu trabalho, seus espaços/estúdios, suas jornadas à Índia e outros lugares místicos, o que é natural, hoje em dia; mas, recomendável é saber mais uma vez, separar o joio do trigo, pois muitas dessas atividades ora anunciadas podem não aparentar o que são. 

Entretanto, mesmo que certos anúncios sejam divulgados pela mídia paga, em um meio de comunicação eficaz, com o intuito de angariar mais alunos e reafirmar-se no contexto do Yoga, vale lembrar que não se pode vender a imagem de uma churrascaria em um meio de comunicação onde o público alvo seja vegetariano, pois a intenção por trás da mensagem só vem nos mostrar, uma pretensão camuflada de quererem transformar vegetarianos em carnívoros; o que torna isso demasiado ridículo perante os mais conscientes, trazendo um certo descrédito ao meio que assim divulgou. 

Infelizmente, encontramos por aí, determinados professores e certos espaços que o faturar encontra-se em primeiro lugar na escala de valores. É certo que até possam oferecer uma boa prática de asana e aulas que visam o estudo da teoria, entretanto, não medem esforços para continuar a divulgar de forma bem massiva o produto que vendem e conseqüentemente isso só vem gerar uma perda significativa na essência do ensino do mais puro e tradicional Yoga. 

Por sua vez, o simples professor de Yoga que se inicia na senda do ensino da filosofia milenar, se utiliza do cartão pessoal e  do boca-a-boca para ter mais alunos participando de suas aulas e como resultado receber um justo estipêndio. Atualmente, podemos constatar que alguns desses dedicados professores, eivados da mais pura simplicidade e dos conceitos do Yoga, não estão mergulhados na ambição desmedida de, em primeiro lugar, faturar mais e mais com as aulas que ministram. Pelo contrário, não se importam com isso, mas sim com a qualidade e o conteúdo da filosofia e da prática que transmitem. Ou, seja, na sua escala de valores, o ensino do Yoga vem em primeiro lugar e a justa retribuição gerada por ele vem lá pelo seu décimo lugar.   

Então, se os espaços de Yoga e os professores autônomos pretendem utilizar a propaganda e do marketing direcionado para divulgarem seu trabalho, recomendável é que isso seja feito de uma forma consciente, justa, honesta e saudável, para que não se gere efeito contrário e a Tradição não seja desvirtuada.  

Se o Yoga que conhecemos e hoje praticamos chegou até nós, vindo de um passado tão distante e até agora persiste, é certo que não foi pela influência da propaganda, mas sim pela transmissão da preciosa sabedoria e a dedicação de yogis inesquecíveis. 

Harih Om!

Respostas:

José Fernando S Silvano

Postado em: 28 de Maio de 2009 às 14h07

Muito bom estes argumentos, acredito que há certos casos em que falta mais amor, como mensionado o yoga em certo casos viro um comercio mesmo. E beim estranho se analizarmos toda a filosofia perde a essencia. sou praticante de yoga a algum tempo e tudo esta fluindo na minha frente e estou querendo viver mais isto e me aprofundar mais neste estilo de vida. Namaste!!

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