Yoga para cachorro?
Humberto Meneghin - 17 de Junho de 2009 - 4 Comentários
Quando achávamos que já tínhamos visto tudo que se poderia imaginar em relação ao Yoga, na terra do tio Sam surge mais uma nova e inusitada 'modalidade' de Yoga batizada doga, 'Yoga para cachorro' [dog ('cachorro', em inglês) + yoga = doga]. Foi destaque na coluna Fashion & Style, do The New York Times, http://www.nytimes.com/2009/04/09/fashion/09fitness.html?em, com o título Bonding With Their Downward Facing Humans.
Segundo consta o doga combina massagem e meditação com leves alongamentos para cachorros e seus donos. Mas, até que ponto esse entrosamento entre donos praticantes e seus fofinhos mascotes merece ser chamado Yoga?
Animais de estimação, em especial o dito melhor amigo do homem, são muitos saudáveis aos seres humanos, pois além da companhia que fazem a seus donos, ajudam a diluir a solidão característica de quem mora nas grandes cidades e, quem sabe até amenizam fragilidades emocionais. O afeto desinteressado entre um animal de estimação e seu dono é algo de imenso valor. Porém, não precisamos chegar a ponto de utilizar o nome Yoga para designar uma ferramenta que possa estreitar as relações entre donos e seus cães. Isso já é esticar demais a coleira.
Visualize você, então, uma aula de doga. Vários cães e seus donos, em uma sala, em seus mats, orientados por um professor especializado em doga, todos executando asanas. Como ficam os latidos, inquietações, brigas entre cães e outras inconveniências? Provavelmente, os simpáticos quadrúpedes sequer sabem o que é Yoga, qual a sua finalidade e por que motivo estão lá se exercitando em asanas, sendo acariciados e contemplados por seus donos.
Esta situação pode parecer engraçada ou "fofa", vista desde dentro daquela proverbial banalidade fashion, mas penso que praticantes sinceros, com todo direito, poderiam achar isso uma afronta. Parece mais uma nova forma de vender o Yoga, apelando para o liame emocional entre o dono e seu animal de estimação.
Ainda, conforme se nota em algumas fotos disponíveis na web, podemos verificar que alguns inocentes e graciosos filhotes, em certos momentos, estão servindo de apoio a seus donos enquanto executam asanas. Percebe-se, também, que toda a atenção do praticante, que idealmente deveria estar voltada ao asana, está toda concentrada em seu animal de estimação. Acreditamos que os chakras cardíacos, tanto do dono quanto de seu cão estejam bem ativados naquele momento. Porém, chamar isso de Yoga é forçar muito as coisas.
O Yoga que conhecemos e praticamos não se nutre desse propósito. Se o praticante do yoga, dono de um animal de estimação, seja cachorro, gato, hamster ou qualquer outro, sentir a necessidade de durante a prática de asana inserir a companhia de um deles, esteja consciente e note que o verdadeiro Yoga não está sendo praticando, mas sim uma troca de carícias e afeto.
O doga jamais poderá ser considerado uma nova 'modalidade' de Yoga, pois que, não visa moksha, a libertação, e sequer possibilita o crescimento do animalzinho como yogi consciente. Se o adho mukha svanasana, a postura do cachorro olhando para baixo, e suas variações, tiverem como inspiração um movimento natural de alongamento feito por um cachorro em um determinado momento e um yogi do passado adotou esse movimento como mais um asana, poderemos considerar essa como uma contribuição que o melhor amigo do homem deu ao Yoga. E, por isso, somos gratos. Harih Om!
Respostas:
Beth
Postado em: 22 de Junho de 2009 às 11h29
Humberto, é maneiríssima sua matéria. Como estamos cada vez mais envolvidos emocionalmento c/ nossos pets, queremos que eles participem daquilo que achamos de mais legal - o Yoga. E é claro que eles, amorosamente, atendem nossa solicitação indo às classes e participando o mais "conscientemente" que conseguem. Mas, com certeza, essa prática é mais emocionalmente envolvente para o dono do que para o animal, em sua passividade. E como você disse, ficaremos divididos nessa prática, por estarmos centrados no que eles (os fofinhos) estão fazendo. E sabendo que Yoga é centramento, foco e união, não estaremos na prática adequada, não é? Mas nada impede que possamos, de vez em quando, fazer uma massagem shantala do bichinho, não acha? Continue nas suas análises, que são muito boas. Namastê e beijo.
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Humberto
Postado em: 18 de Junho de 2009 às 09h28
Obrigado, Bruno e Vicce pelos comentários. Abraços a vocês!
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Bruno Jones
Postado em: 17 de Junho de 2009 às 10h51
Pois é Humberto!! O dinheiro fala mais alto! O yoga é esculhambado! E viva o au-autoconhecimento! Seus textos são sensacionais! Grande abraço!
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Vicente
Postado em: 16 de Junho de 2009 às 21h24
E algumas pessoas dizem que não estamos mais na era do Kali Yuga! Valeu Humberto pelo artigo! Deve estar faltando assunto para o The New York Times! Om namah Shivaya!
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