Calo no dedo
Ciro Castro - 16 de Junho de 2009 - 9 Comentários
Comecei a tocar violão na mesma época em que meus primeiros fios de barba começaram a aparecer. Lembro um dia, indo para a escola de carona com meus pais pensei comigo: "Ainda vou aprender a tocar algum instrumento". Não demorou muito e já estava numa aulinha lá no centro de Goiânia para aprender os primeiros acordes. Quem toca sabe, no inicio os dedos não funcionam muito bem, e logo vem uma dor nos dedos de tanto ficar apertando aquelas cordas de nylon.
"É que você ainda não criou calos nas pontas dos dedos" - dizia meu professor. Ouvi aquilo e acreditei nele. Para todo lugar que eu ia sempre levava a viola a tiracolo, e com o tempo logo os calos surgiram, e quando exagerava umas bolhas de sangue também. Nada que fosse me matar, era apenas meu corpo se acostumando com o novo esforço, a nova maneira de trabalhá-lo.
Os anos se passaram, continuei tocando, às vezes mais, às vezes menos, mas sempre tocando. Com passar do tempo me aproximei do Yoga e quando dei por mim estava sentado no tapetinho emborrachado de prática, olhando para as partes desgastadas do mesmo e pensando: "Você ainda não consegue fazer esse asana com tranquilidade porque ainda nao criou 'calo no dedo'..." Como na música, a prática trazia os mesmos desafios, ser constante e ter compromisso até o corpo e a mente se acostumarem com a novidade. Até o corpo e a mente se sentirem a vontade para relaxar no que está sendo proposto. Até você conseguir superar tranquilamente e sem pressa as dificuldades que naturalmente surgirem.
Na música, depois que se tem o calo criado, você pode tocar por horas, esmiuçar o instrumento, fazer acordes acrobáticos, que mesmo assim tudo flui na cadencia da canção executada. No Yoga acontece algo semelhante, no asanas, nos pranayamas, em meditação. Quem nunca se deparou com alguma prática meditativa na qual a mente teima em não relaxar, em não se centrar no que é proposto, mas que depois de alguma insistência e um pouco de paciencia tudo parece encontrar seu espaço e seu momento para ser e acontecer.
A prática constante dá resultado, e não precisa ser musico, yogui, ou qualquer sábio para chegar a essa conclusão. Em qualquer situação do dia a dia, em qualquer lugar, nas situações mais adversas, a prática somada a uma boa orientação é o melhor caminho para se dominar o que está sendo estudado.
Ciro é professor de Yoga em Floripa. O email dele é ciroyoga@gmail.com e seu blog, www.keepom.blogspot.com.
Respostas:
Paulo Sérgio
Postado em: 08 de Julho de 2009 às 10h57
Eta diacho! Estava pisando em solo japonês e não sabia. E eis que surge o próprio shogun! Alto lá, mestre. Mim, Paulo, onívoro, cervejeiro moderado, também sem drogas. Brincadeiras à parte, agradeço sua intervenção apaziguadora e peço desculpas à Adriane por ter sido tão severo. Mas acho que ela não imagina o quão frustrante é você querer praticar e não poder. Fiquei aborrecido por ela ter feito juízo de valor sem conhecimento de causa. Mas posso ter me enganado porque não fiz sua linguagem corporal. O debate escrito tem essa desvantagem. Podemos transparecer nossa entonação através da pontuação gráfica. Mas ainda não conseguimos transmitir nossos gestos e movimentos do corpo. Tudo bem então. Só não concordo que você diga que não consome drogas. Hendrix é uma droga. Você ouve Hendrix, logo você consome. Grande abraço.
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Ciro
Postado em: 08 de Julho de 2009 às 09h19
Bom dia amigos! Paulo desejo uma ótima recuperação para você, muito yoga também logo que estiver se sentindo apto, e se possível mais Hendrix em seus ouvidos! Adriana valeu o comentário e o carinho. Fico grato! Sempre que puder passe no meu blog também www.keepom.blogspot.com . É isso ai! Vou pedalar porque hoje não tem onda...
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Paulo Sérgio
Postado em: 06 de Julho de 2009 às 16h19
Adriane Cassis, Para seu governo eu me machuquei praticando sozinho. Não havia ninguém do meu lado para me exibir, como você quis dizer. Estava só, porque meu professor estava e ainda está viajando. Mas não o culpo por isso, pois ele sempre me orientou a ficar atento aos limites do meu corpo, que deve ser bem mais vivido que o seu, a julgar pelo seu comentário depreciativo. Ao contrário de você, sinto-me livre para criticar o artigo do Ciro, sem precisar bajulá-lo. Acho, por exemplo, que ele foi infeliz ao escolher a figura do Jimmy Hendrix para o artigo. Acaso o Jimmy Hendrix é um bom exemplo de bom-senso? A bem da verdade, eu só consigo ouvir "Hey Joe" e um show de performance em Woodstock em que ele imita, na guitarra, o som de aviões despejando bombas no Vietnã. No mais, seus acordes reverberam em meus chakras de modo a girá-los ao contrário. Era um drogado que morreu afogado no próprio vômito. Entendo que o Ciro quis destacar o fato de um ícone da guitarra ter chegado aonde chegou por causa de muita prática e dedicação. Só que muito dessa dedicação foi movida a droga. A minha lesão, cara algoz, poderia ter ocorrido se estivesse praticando qualquer modalidade esportiva. Ela não foi devida a uma suposta prática exibicionista que você faz menção, mas ao desgaste natural da minha estrutura óssea devido ao envelhecimento. É minha cara, você envelhece, sabia? E vai sentir os limites do corpo também quando estiver praticando tapas. Por uma questão de bom senso, estou fazendo hidro, mas não abandonei o yoga. Hoje mesmo, pratiquei ásanas (nem meu cachorro quis ver). Apesar dos espinhos que você me mandou, eu te desejo muitas flores e um dia bem iluminado. ================================= Caro Paulo, Namaste! Quem escolheu a figura do Hendrix para ilustrar o presente artigo não foi o Ciro, mas o Pedro, que toma conta deste website. Gosto dele, não porque o considere um modelo de conduta a ser seguido (sou vegetariano, abstêmio e não uso drogas de nenhum tipo), mas justamente porque consigo, como o próprio Ciro, separar o homem da obra e apreciar esta última. "Calo no dedo" refere-se ao calo que se cria de tanto tocar música num instrumento. Hendrix tinha. A música dele é boa, né? Por favor, não seja tão severo com a Adriane. Ela é uma pessoa muito especial e certamente não teve a intenção de ofender você com suas palavras. Que a compaixão esteja contigo, em todos os momentos. Abraços, Pedro Kupfer.
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Adriane Kassis
Postado em: 02 de Julho de 2009 às 18h28
Oi Ciro, Adorei o seu artigo! Li, também, que uma prática sem bom-senso levou uma pessoa a fazer hidro. Sabemos que isto pode acontecer quando praticamos com o ego, querendo mostrar para o "tapetinho" ao lado o que podemos fazer e ai, podemos mostrar que nos machucamos, também. Tudo é aprendizado. Dizia minha avó que "canja de galinha e bom-senso na fazem mal a ninguém" e eu concordo. Isto vale para a vida! Vamos yogar! Beijos e mais uma vez - adorei o que vc escreveu. Adriane
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Ciro Castro
Postado em: 24 de Junho de 2009 às 13h15
Boa tarde Paulo, Sinceramente não quero causar polêmica. Em momento algum durante o texto mencionei ou sugeri a prática do Ashtanga Vinyasa Yoga. Apenas frisei que em qualquer âmbito da vida uma prática feita com compaixão e com boa orientação dá resultados. Seja ela Ashtanga, Hatha, música, algum esporte... Não me leve a mau, pode ter certeza que o cara da foto praticou muito até revolucionar o universo da guitarra, que um grande jogador treina bastante para evoluir, e que um yogi deve fomentar disciplina e dedicação em suas práticas para se auto conhecer. Concordo com você sobre o poder lesivo de algumas práticas, contudo, nem todo jogo é Ludo! :) Um bom dia e tudo de bom!
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Paulo Sérgio
Postado em: 22 de Junho de 2009 às 14h57
Caro Ciro, É pena que Sri K.Pattabhi Jois não esteja mais vivo para entender o que você quis dizer com ?pratique?, pois sua máxima era: ?Pratique, pratique e tudo virá!?, inclusive as lesões (grifo meu). Apesar disso, agradeço sua compaixão por minhas lesões e digo que estão melhorando com hidroginástica em piscina funda. Grande abraço. Paulo Sérgio.
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Paulo Sérgio
Postado em: 19 de Junho de 2009 às 11h54
Caro Ciro, Após três anos de prática, ao invés de calos nos dedos, tive duas lesões: uma no joelho e outra na coluna. Suspendi a prática intensa de ásanas do ashtanga. O yoga que tenho praticado tem sido menos sobre o tapetinho gastado e mais nos outros angas. Pratique, pratique, pratique? Não, obrigado. ================= Caro Paulo Sérgio, quando dizemos "pratique, pratique, pratique", obviamente, estamos nos referindo à sua prática pessoal, aquela que faz bem para você. Fazer qualquer prática, ou alguma prática que não seja saudável para si mesmo, é pior do que não fazer prática alguma. Lamentamos de coração as suas lesões. Porém, compreenda por favor que o texto nao recomenda explicitamente a prática que você menciona e que cada prática é mais ou menos adequada para cada biotipo, para cada praticante. Namaste!
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Bruno Jones
Postado em: 17 de Junho de 2009 às 10h45
É Cirão, meu grande amigo violeiro! Assim como o Yoga nos mostra que nos ásanas mais simples é que estão as mais profundas experiências. O mantra mostra que nas mais simples melodias estão as mais belas canções! Om namah Shivaya! Menos contorcionismo para o corpo e para os dedos! Mais atitude! Em breve pouso aí pelo sul para fazermos um barulho! Grande abraço!!
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