Você pratica Yoga?
Ciro Castro - 09 de Julho de 2009 - 1 Comentário
Observando o universo do Yoga atual com olhos de pesquisador científico conseguimos separar algumas características que saltam aos olhos de imediato. Não vamos aqui entediar o leitor com uma descrição detalhada das várias facetas deste mundo e dos indivíduos que o compõem.
Porém, algo realmente chama a atenção quando nos jogamos nesta empreitada. É sabido que o ser humano tem o hábito de se unir a seus semelhantes, de procurar aqueles que possuem maneirismos, gestos, vestuários que de alguma forma se encaixam com espectativas conscientes, ou talvez não, que nutrimos socialmente. Isso acontece no Yoga também, oras! Nada mais natural, ou neste universo não temos pessoas se sociabilizando?
Pare a fita! Neste instante é que a vaca começa a ir para o brejo. Eu também gostaria de ter aquele tapetinho antiderrapante bacana, ou quem sabe a nova bermuda que ajuda na elasticidade e liberdade dos movimentos devido ao material sintético de última geração da qual é feita. Utensílios, apetrechos, coisinhas para optimizar a prática. É sempre bom estar munido de auxiliares para dar mais conforto, resultados ou o que seja de bom para a prática. Da mesmo maneira que um ciclista ou um surfista procura estar sempre com o que há de mais moderno para seu esporte.
O problema básico é que deveríamos ir ao centro de Yoga ou mesmo aos cursos intensivos para vivenciar o Yoga e seus ensinamentos. O que o crescimento da divulgação da prática traz é salutar por um lado, porém nocivo por outro. Mais pessoas praticando, centros de Yoga com bastante movimento, publicações mensais sobre o tema, cursos e mais cursos acontecendo Brasil afora.
Como é bom ver mais e mais pessoas se interessando pelo tema! Contudo, toda festa sempre têm o convidado trapalhão, e o da vez, no caso do Yoga, é o gradativo desinteresse pelo o conteúdo, pelo verdadeiro ensinamento. Pelo Yoga em si!
Sim, é muito bom passar um mês com novos amigos num curso intensivo, rever pessoas queridas, respirar aliviado longe da rotina estressante do dia-a-dia. Mas isso não é e nem deveria ser o foco principal. Nem na formação e muito menos nas aulas cotidianas que freqüentamos semanalmente pertinho de nossas casas. O Yoga, como sabemos, é uma ferramenta para o auto-conhecimento, para a auto transformação.
Conhecer-se, transformar-se consiste em observar nossos padrões e coloca-los a prova, constantemente. Conhecer-se pode ser bastante dolorido e desafiador. Ouvir e aprender sobre conceitos nobres como amanitvam , a ausência de vaidade citada na Bhagavad Gita, e prontamente enunciar comentários como 'isso não é para mim' ou 'isso só nascendo de novo', nunca fará o praticante vivenciar o desejado auto conhecimento citado.
É preciso que além do tapete bacana, do ásana complexo, do pranayama exigente, exista uma atitude interna de observação e além disso, a capacidade de admitir nossas características individuais e ser sincero na hora de encarar os fatos, o que precisa ser pontuado com mais precisão, o que temos que começar mudar, aquilo que precisamos adaptar, fotalecer ou suavizar. Aprender novos conceitos e coloca-los em prática! Em casa, na rua, com amigos e familiares, com amores, com pessoas que convivemos banalmente.
Continuemos a desenvolver o lado prático, o bussiness relacionado ao yoga, mas se vamos vender algo, se vamos levar algo as pessoas, que seja o Yoga. Sempre! A cada concessão feita por motivos pouco elevados perde-se também a essência da prática. Sem radicalismos, mas com os pés firmemente fincados no chão. Se for para colocar a prática como mero esporte, ou como uma caminho para o bem-estar, teremos benefícios, mas nunca o auto-conhecimento.
Ciro é professor de Yoga em Floripa. O email dele é ciroyoga@gmail.com e seu blog, www.keepom.blogspot.com.
Respostas:
Danielle Gerber
Postado em: 09 de Julho de 2009 às 21h11
É: as vezes precisamos de textos assim para podermos lembrar o porque do Yoga... Eu simplesmente mal sabia o que era, mas estou achando interessante tudo isso.
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