Gheranda Samhita, capítulo VI

Yogi Gheranda - 21 de Janeiro de 2010 - 2 Comentários

6:1. Gheranda disse: "dhyāna é de três classes: sthūla, sūkma e jyotir". Quando se contempla uma forma concreta, como o guru ou iṣṭadevatā, chama-se sthūla. Quando se contempla Brahma ou prakriti, como uma massa luminosa, denomina-se jyotis. Quando se contempla Brahma como bindu ou kuṇḍalinī, denomina-se sūkma.

 

STHŪLA DHYĀNA

6:2-8. Com os olhos fechados, imaginar que há um mar de néctar dentro do coração e no meio deste mar há uma ilha de pedras preciosas, cujas areias são formadas por diamantes e rubis pulverizados. Por toda a parte, observam-se árvores kadamba, cheias de flores perfumadas; perto dessas árvores, como numa planície, observa-se uma fila de árvores em flor, tais como mālati, mallikā, jātī, kesara, champaka, pārijāta e padmas, espalhando a sua fragrância por todo lado. O yogui deve imaginar que no meio deste jardim ergue-se uma bela árvore kalpa, com quatro ramas que representam os quatro Vedas, cheio de flores e de frutos. Ali esvoaçam os insectos e cantam os pássaros. Por debaixo da árvore, o yogui deve imaginar uma rica plataforma de pedras preciosas e sobre ela um magnífico trono com jóias incrustadas, e que sobre esse trono se senta sua iṣṭadevatā, tal como lhe ensinou o seu guru. Deve-se contemplar exactamente essa forma com os adornos e o veículo da divindade. A contemplação continuada desta maneira é sthūla dhyāna.

 

6:9-11. Outra técnica é a seguinte: o yogui deve imaginar que no exterior do grande lótus de mil pétalas (sahasrāra cakra) há um lótus mais pequeno, de doce pétalas, de cor branca e muito luminoso, com doce letras bīja, denominadas ha, sa, ka, ma, la, va, ra, yum, ha, sa, kha, phrem. No exterior deste lótus menor há três linhas que formam um triângulo (a, ka, tha), com três ângulos denominados ha, la, ka. No centro deste triângulo está o praava (OM).

 

6:12. Em seguida, contemplar dentro deste o lugar onde residem nāda e bindu. Neste sítio há dois cisnes e um par de sandálias de madeira.

 

6:13-14. Depois deve contemplar-se guru deva, com dois braços e três olhos, vestido com roupas brancas e puras, ungido com pasta branca de sândalo e coberto de grinaldas de flores brancas. À esquerda da divindade está Śakti, de cor vermelha sangue. Contemplando deste modo o guru, alcança-se sthūla dhyāna.

 

JYOTIR DHYĀNA

6:15. Gheranda disse: "mostrei-te sthūla dhyāna. Escuta agora a contemplação da luz pela qual o yogui alcança o êxito e conhece a sua autêntica natureza".

 

6:16. Em mūlādhāra está kuṇḍalinī, sob a forma de uma serpente. O jivātmā reside ali como a chama de uma lamparina. Deves contemplar esta chama como Brahma luminoso. Isto denomina-se tejo dhyāna ou jyotir dhyāna.

 

6:17. Outra técnica é a seguinte: o yogui deve contemplar a luz de OM, como uma chama no centro das sobrancelhas, acima de manas. Este é um outro método para contemplar a luz.

 

SŪKṢMA DHYĀNA

6:18-19. Oh, Caṇḍa! Ouviste já a técnica de tejo dhyāna. Escuta agora sūkma dhyāna. Quando, por uma grande sorte se desperta kuṇḍalinī, esta reúne-se com ātmā e abandona o corpo físico através das portas dos olhos, regozija-se marchando pelo caminho real (corpo subtil ou sūkma-śarīra). Mas não pode ver-se devido à sua subtileza e a sua enorme mutabilidade.

 

6:20. No entanto, o yogui consegue o seu objectivo realizando śāmbhavi mudrā, isto é, olhando fixamente o espaço sem pestanejar (então, poderá ver sūkma-śarīra). Isto denomina-se sūkma dhyāna, difícil de atingir mesmo para os deva, pois constitui um grande mistério.

 

6:21. Jyotir dhyāna é cem vezes superior a sthūla dhyāna; mas sūkma dhyāna é cem mil vezes superior a jyotir dhyāna.

 

6:22. Oh Caṇḍa! Desta forma, revelei-te dhyāna yoga, um conhecimento muito valioso pois, por meio dele, é possível conhecer a autêntica natureza do Ser. É, precisamente, por isto que se exalta dhyāna.

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Traduzido pelo yogi Gustavo Cunha, de Portugal: www.yogavaidika.com.

 

Respostas:

Marianne DElia

Postado em: 25 de Janeiro de 2010 às 14h53

Oi Gustavo,

Adorei o artigo. Estou precisando fazer um retorno de voluntariado aqui em NY. Voce me deu muito esclarecimento. Porque em Ingles fica mais dificil. Mas eu estou indo step by step no meu ingles e na minha yoga.

Namaste.

Marianne D\\\'Elia.

Responder esse comentário

Gustavo Cunha

Postado em: 24 de Novembro de 2010 às 15h38

Namaste,

Que bom que esse texto foi útil para ti Marianne.

Assim espero que seja para todos os que o encontram.

Tudo de bom, felicidades,

Gustavo

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