Parte Cinco, Capítulo XI — Sobre o Ser Universal.

Prachinasala, filho de Upamanyu, Satyayajña, filho de Puluśa, Indradyumna, neto de Bhallavi, Jana filho de Sarkarakṣa e Budila, filho de Aśvataraśva — grandes homens de família e afamados eruditos — se reuniram e discutiram sobre a questão: “O que é o nosso ser, e o que é Brahman?” || 1 ||

Resolveram o tema com as seguintes palavras: “Veneráveis senhores, Uddālaka, filho de Aruṇa, conhece Vaiśvānara. Vamos até ele”. E foram até ele. || 2 ||

Ele (Uddālaka) concluiu: “Estes grandes homens de família e eruditos irão me inquirir. Talvez eu não deveria revelar tudo aquilo que sei a eles, mas encaminhá-los a outro professor”. || 3 ||

E lhes disse: “Veneráveis senhores, o rei Aśvapati, filho de Kekaya, conhece Vaiśvānara, de fato. Vamos todos juntos até ele”. E foram até ele. || 4 ||

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Quando chegaram, o rei ordenou que fossem apresentados os devidos respeitos a cada um deles. Na manhã seguinte, após acordar, disse a eles: “No meu reino não há ladrões, nem miseráveis, nem bebedores, nem pessoas que não mantenham um fogo sagrado, nem ignorantes, nem adúlteros, e muito menos adúlteras. Veneráveis senhores, vou realizar um yājña (ritual do fogo). Lhes darei tantas riquezas como irei distribuir entre os sacerdotes oficiantes. Por favor, veneráveis senhores, fiquem aqui”. || 5 ||

Eles disseram: “Se uma pessoa vai até outra com um propósito, deve se ater a conversar com ela apenas sobre isso. De fato, você conhece Vaiśvānara. Por favor, instrua-nos sobre Ele”. || 6 ||

Ele respondeu a eles: “Irei lhes responder amanhã pela manhã”. Na manhã seguinte eles se aproximaram dele com os gravetos sacrificais nas mãos. Sem fazer quaisquer ritos iniciáticos, o rei disse a eles: || 7 ||

Capítulo XII — A Cabeça de Vaiśvānara.

“Ó filho de Upamanyu, sobre que Ser você medita?” Ele respondeu: “Apenas sobre o Céu, venerável rei”. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, a soma de todos os seres do universo, chamado Sutejas (Boa Luz). || 1 ||

“Vejo que em sua linhagem familiar o soma é extraído pela libação suta, bem como pela prasuta, abundantemente, e pela asuta, de maneira continuada (suta, prasuta e asuta são formas de extrair soma). Você se alimenta (com o soma, i.e., com o conhecimento) e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto se alimenta e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é somente a cabeça do Ser. Certamente, a sua própria cabeça teria caído se você não tivesse vindo até mim”. || 2 ||

Capítulo XIII — O Olhar de Vaiśvānara.

Depois, ele se dirigiu a Satyayājña, filho de Puluśa: “Ó Prachinayogya, sobre que Ser você medita?” Ele respondeu: “Apenas sobre o Sol, venerável rei”. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, chamado Viśvarūpa (Forma Universal). Na sua linhagem familiar há muitos objetos de tipos diferentes (objetivos que foram alcançados através das ações). || 1 ||

Para você, está pronta uma carruagem puxada por mulas, com donzelas, bem como um colar. Você se alimenta (com o soma, i.e., com o conhecimento) e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto ingere alimento, e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é apenas o olhar do Ser. Certamente, você teria ficado cego se não tivesse vindo até mim”. || 2 ||

Capítulo XIV — O Prāṇa de Vaiśvānara.

Depois, dirigiu-se a Indradyumna, o neto de Bhallavi: “Ó Bhallavi, ó Vaiyāghrapadya, sobre que Ser você medita?” E ele respondeu: “ Apenas sobre o ar, venerável rei”. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, chamado Pṛthagvartmā (de variados caminhos). || 1 ||

“Assim, presentes vem para você de variadas direções. Carruagens vem até você por diferentes caminhos. Você ingere o alimento e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto come e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é apenas o prāṇa do Ser. Certamente, seu próprio prāṇa teria lhe abandonado se você não tivesse vindo até mim”, o rei disse. || 2 ||

Capítulo XV — O Tronco de Vaiśvānara.

Depois ele perguntou a Jana, filho de Sarkarakṣa: “Sobre que Ser você medita?” “Apenas sobre o espaço, venerável rei”, ele respondeu. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, chamado Bahula (Vasto). Assim, você é magnânimo, possui progênie e abundância”. || 1 ||

“Você ingere o alimento e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto ingere seu alimento, e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é apenas o tronco do Ser. Certamente, seu tronco teria sido destruído se você não tivesse vindo até mim”, disse o rei. || 2 ||

Capítulo XVI — A Bexiga de Vaiśvānara.

Depois, ele disse a Budila, filho de Aśvatarāśva: “Ó Vaiyaghrapādya, “Sobre que Ser você medita?” Ele respondeu: “Apenas sobre as águas, venerável rei”. “O Ser sobre quem você medita”, disse o rei, “é Vaiśvānara, chamado Rayi (Abundância) e identificado com a prosperidade. Assim, você é próspero e sua riqueza medra”. || 1 ||

“Você ingere o alimento e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto se alimenta e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é apenas a bexiga do Ser. Certamente, a sua própria bexiga teria explodido se você não tivesse vindo até mim”, disse o rei. || 2 ||

Capítulo XVII — As Pernas de Vaiśvānara.

Depois ele disse a Uddālaka, filho de Aruṇa: “Ó Gautama, sobre que Ser você medita?” E ele respondeu: “Apenas sobre a terra, venerável rei”. E o rei lhe disse: “O Ser sobre quem você medita é Vaiśvānara, chamado Pratiṣṭha (Suporte). Assim, você está bem estabelecido, com progênie e gado”. || 1 ||

“Você ingere o alimento e percebe o que é agradável. Aquele que meditar desta maneira sobre Vaiśvānara enquanto come e perceber assim o que é agradável, terá em sua família a glória de Brahman. Isso, no entanto, é somente o órgão de locomoção do Ser. Certamente, suas próprias pernas teriam colapsado se você não tivesse vindo até mim”, disse o rei. || 2 ||

Capítulo XVIII —Vaiśvānara como o Todo.

Depois o rei disse a todos eles: “Estando vocês dotados de conhecimento limitado, comam seu alimento, conhecendo Vaiśvānara como muitas (manifestações). Porém, aquele que adorar Vaiśvānara como a medida do espaço entre a terra e o céu, e como sendo idêntico ao ser individual, Ātma, esse irá tomar seu alimento através de todas as criaturas, em todos os lugares e por de todos os elementos. || 1 ||

“Deste Vaiśvānara, a cabeça é Sutejas, a Boa Luz, o olhar é Viśvarūpa, a Forma Universal, o prāṇa Prithagvartma, de Variados Caminhos, o tronco Bahula, a Prosperidade, a bexiga Rayi, a Riqueza, os pés Pṛthivī, a Terra, o tronco o Vedi (Altar), o cabelo a erva kuśa sobre o altar, o coração o fogo garhapatya, a mente o fogo anvaharya e a boca o fogo ahavaṇīya”. || 2 ||

 

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