Laghimam
"levitação". Um dos oito poderes parapsíquicos (siddhis), que é desenvolver a capacidade de flutuar ou voar.

Láyá
"absorção". No contexto do Hatha Yoga, esta palavra define a absorção da atenção na realidade através da prática de samádhi. É por esse motivo que, às vezes, aparece como sinônimo de samádhi. No Hatha Yoga Pradípiká, Adinatha, o primeiro mestre, prescreve inúmeras maneiras de alcançar o estado de láyá, sendo a melhor delas a concentração no som supersutil (náda). Láyá designa um dos ramos do Yoga, baseado no despertar da energia latente, kundaliní. Láyá Yoga é sinônimo de Kundaliní Yoga.

Lingam
"signo". Símbolo de Shiva e do poder gerador masculino. O lingam não se relaciona apenas com a sexualidade, mas também com a força vital que se manifesta nas práticas. "O lingam é o signo distintivo que permite conhecer a natureza última das coisas." Shiva Purána, I:16, 106. A palavra deriva das raízes: lin, absorver, dissolver; e gam, produzir, penetrar profundamente, compreender. Inclui não apenas o falo, mas também a sua união com a vulva (yoni), que o rodeia na base. O lingam de fogo que Shiva cria para mostrar o seu poderio, cuja base busca infrutuosamente o javali de Vishnu nas profundezas de terra e seu cume no alto dos céus o cisne de Brahmá, é o próprio axis mundi, o eixo do mundo. Por isso, Vishnu aparece como o guardião da terra e Brahmá como o senhor do céu. O lingam não é símbolo de Shiva: ele é o próprio Shiva, criador e eixo da criação ao mesmo tempo.

Madhyamárga
"caminho do meio". Um sinônimo de sushumná nádí, o canal psíquico central, que corre ao longo da espinha dorsal.

Maha
"grande". Sufixo que precede algumas palavras, denotando importância.

Mahabandha
"grande contração". Um exercício de manipulação da força vital que consiste em associar uma posição sentada (descrita como o "meio lótus". Ver padmásana) à retenção respiratória (antar kúmbhaka), a contração dos esfíncteres (múla bandha) e a contração da língua (jihva bandha), fixando a atenção no canal sutil central (sushumná). Este exercício faz parar o fluxo prânico pelos canais sutis ao abrir o canal central, favorecendo a concentração e o surgimento dos poderes paranormais (siddhis).

Mahamudrá
"grande selo". Faz-se pressionando o calcanhar esquerdo no períneo, mantendo a perna direita estendida e segurando com as mãos o pé direito. Associa-se a esta posição do corpo a contração da garganta (jalándhara bandha), fazendo retenção da respiração e, posteriormente, exalação lenta. Este mudrá proporciona longevidade, cura diversas doenças dos aparelhos digestivo e excretor e outorga poderes paranormais (siddhis) a quem o pratica.

Mahapatha
"grande senda". Um sinônimo de sushumná nádí, o canal axial do corpo sutil, que corre ao longo da coluna vertebral.

Mahashúnya
"grande vazio". Outro sinônimo de sushumná nádí.

Mahasiddha
"grandes seres perfeitos". Os oitenta e quatro mestres iluminados da tradição tântrica do norte da Índia, detentores dos siddhis.

Mahavedha
"a grande passagem". Na mesma posição do mahabandha, durante a retencao com os pulmões cheios (kúmbhaka), apoiam-se as palmas das mãos no chão para elevar o corpo sobre elas e em seguida deixa-lo cair sobre os ísquios. Repete-se este procedimento varias vezes, provocando uma série sucessiva de pequenos choques no prána do corpo. O mahavedha, junto com o mahamudrá e o mahabandha, formam uma tríade que deve ser repetida oito vezes por dia, a cada três horas.

Mahimam
"magnificação". Poder paranormal que possibilita a expansão infinita.

Maithuna
"cópula", "matrimônio". Coito ritual em que os parceiros imitam a união cósmica entre Shiva e Shaktí. A prática, que deve concluir sem que os parceiros alcancem o orgasmo, nada tem de profano: emula-se a união sagrada dos princípios masculino e feminino, Shiva e Shaktí. A incompreensão do Tantra e o simbolismo que o transmite colaborou para considerá-lo repulsivo, vergonhoso e digno de escárnio. Porém, o maithuna não tem nada a ver com licenciosidade: muito pelo contrário, é um instrumento que revela a dimensão divinal da natureza humana. Entretanto, nos últimos tempos têm surgido mestres inescrupulosos que vendem sexo como se fosse superconsciência, o que acaba por divulgar e tornar conhecidas no Ocidente unicamente as formas mais vulgares e degradadas do Tantra. "Pelo próprio fato de não se tratar de um ato profano, mas de um rito, no qual os participantes não são mais seres humanos senão que estão \\\'desprendidos\\\', como deuses, a união sexual não participa mais do nível kármico. Os textos tântricos repetem com freqüência o adágio: \\\'pelos mesmos atos que fazem com que muitos homens se queimem no inferno durante milhões de anos, o yogin obtém a salvação eterna.\\\'(Indrabhúti, Jñánasiddhi, 15.) (...) O jogo erótico se realiza num plano transfisiológico, porque nunca tem fim. Durante o maithuna o yogin e sua náyiká (parceira) incorporam uma \\\'condição divina\\\', no sentido de que não somente experimentam a beatitude, senão que podem contemplar diretamente a realidade última." Mircéa Éliade, El Yoga. Inmortalidad y Libertad, pp. 194, 197.

Mardala
um tipo de tambor.

Manipura
"cidade da jóia". Centro de força situado na região lombar, na altura do umbigo. O bíja mantra deste chakra é Ram. Ele se relaciona com o elemento fogo (agni), com o sol e com o ar vital samána, o prána ígneo. Este lótus tem dez pétalas azuis, dentro das quais aparece um triângulo vermelho-alaranjado, representando a yoni. O manipura chakra determina indivíduos enérgicos, coléricos ou com disposição para a liderança. As latências subconscientes que correspondem ao centro do umbigo são: raiva, irritabilidade, fascinação, ódio, medo, timidez, crueldade, inveja, ciúme, apego cego, melancolia, letargia e ânsia de poder.

Manomani avasthá
estado de estabilidade da mente que sobrevém quando o prána se movimenta livremente por sushumná nádí. Para alcançar esse estado, vários exercícios de pránáyáma são indicados nesta obra.

Mantra
"instrumento do pensamento". No contexto aqui aludido (IV:113), o autor não está referindo-se a um mantra de poder ou de louvor, mas a uma fórmula de magia negra. Em outros contextos, um mantra é uma fôrmula sonora que produz vibrações sutis na consciência e possibilita a entrada em estados de meditação profunda. Os mantras são o melhor instrumento para limpar a mente e desintegrar os condicionamentos. No entanto, a repetição de um som não é um fim em si mesmo. Ela se faz em função do resultado: estabilidade do pensamento e expansão da consciência. Enquanto os sons comuns são manifestações da Shaktí, o poder da natureza, os mantras são expressões concentradas desse mesmo poder, forças criativas que agem diretamente sobre a consciência.

Matha
"cabana", "mosteiro". Uma ermida ou outro lugar onde o yogi se recolhe para fazer suas práticas. O fato desta obra mencionar explicitamente que o local de prática não deve ter janelas evidencia o caráter secreto que possuíam as práticas de Yoga na época.

Matsyendra
"Senhor dos peixes". Um dos oitenta e quatro mahasiddhas da tradição tântrica, parece ter vivido por volta do século X da nossa era (embora alguns autores o situem no século V). É considerado o primeiro mestre de Hatha Yoga e fundador da confraria dos Nathas. Mestre do lendário yogi Gorakshanatha, é venerado como um deus até hoje no norte da Índia, no Nepal e no Tibet.

Matsyendrásana
"postura de Matsyendra". Consiste em colocar o dorso do pé direito na virilha esquerda e o pé esquerdo no chão, do lado de fora do joelho esquerdo. Segura-se o pé esquerdo com a mão direita, o tornozelo direito com a mão esquerda e torce-se o tronco olhando para trás, por cima do ombro esquerdo, mantendo as costas eretas. Este ásana é de muito difícil execução, mas existe uma outra variação muito usada que consiste em manter o dorso do pé direito apoiado no chão. Esse detalhe facilita enormemente a execução desta torção. Este ásana estimula apetite, cura diversas doenças e desperta o poder serpentino (kundaliní).

Máyá
"aquilo que se move". A palavra máyá se traduz freqüentemente como ilusão. Porém, na filosofia Vedánta, o conceito de máyá é muito mais do que isso. Máyá deriva da raiz ma, que é medir. Máyá é o próprio movimento do Universo, a manifestação do Brahman. Apalavra máyá aparece por primeira vez no Rig Veda, VI:47,18, com o entido de poder sobrenatural ou artifício. Posteriormente, a Shvetáshvatara Upanishad, IV:10, desenvolve a teoria da máyá sobre esta idéia, cujos postulados propõe no seguinte trecho: "Deve saber-se que a Natureza é ilusão (máyá), que o Senhor Supremo (Maheshwara) é o Mágico (máyin) e que todo este universo está cheio de criaturas que são fragmentos dEle mesmo". Esse foi o início da doutrina da máyá, a impossiblidade de ver as coisas como elas realmente são, por conta da ignorância metafísica. A mesma idéia foi adotada milênios depois por Ádi Shankaracharya como um dos pontos de partida do pensamento vedântico. A palavra máyá também aparece como um dos nomes ou atributos da força da Natureza (Prakriti).

Mayúrásana
"postura do pavão". Exercício avançado de força e estabilidade que consiste em equilibrar-se sobre as palmas das mãos, sustentando o corpo com os cotovelos pressionando o abdômen e as pernas unidas e estendidas para trás. O corpo estendido e elevado desta maneira lembra a forma de um pavão com sua cauda. Donde, o nome da postura. Este ásana tonifica e estimula o aparelho digestivo e cura disfunções dos órgãos abdominais.

Medhra
"falo". Deriva da raiz mih, "fazer água" e do sufixo tra, "instrumento". Sinônimo de lingam.

Meru
o axis mundi dos mitos genésicos hindus. O monte Meru é uma montanha fabulosa, considerada o centro do universo. Corresponde ao Olimpo da mitologia grega. Todos os planetas giram em torno dele, que é comparado à corola de uma flor de lótus gigante. O rio Ganges desce desde o céu até seu cume, a partir do qual se distribui nas quatro direções cardeais. Os regentes das quatro direções do quadrante ocupam as quatro faces da montanha, que é feita de ouro e gemas preciosas. O seu cume é a residência de Brahmá, e lugar de encontro de deuses, sábios (rishis) e espíritos aéreos (gandharvas). Em alguns textos de Yoga, a palavra meru ou merudanda é usada para designar a coluna vertebral.

Moksha
"libertação". Estado de descondicionamento em que a consciência transcende toda dualidade. Segundo Georg Feuerstein, "o evento da libertação, paradoxalmente, coincide com a constatação que libertação e condicionamento são meras construções conceituais e, portanto, não possuem uma significação definitiva". The Shambala Enciclopedia do Yoga, p. 187. Ver samádhi.

Mudrá
"selo", "gesto". Esta palavra tem dois significados diferentes dentro do Yoga. Por um lado, designa as posturas manuais, fonte de uma linguagem gestual e corporal que se origina na tradição tântrica e se utilizam também nas danças sagradas e no ritual hindu. Por outro lado, designa um grupo de técnicas similares aos ásanas. Neste sentido, um mudrá é uma atitude física, mental e psíquica que expressa e canaliza a energia do ambiente para o corpo e a mente.

Muktásana
"postura da libertação". Outro nome do siddhásana.

Mukti
"liberado". Sinônimo de moksha.

Múla
"raiz".

Múlabandha
"contração da raiz". Um dos três fechos energéticos usados no Hatha Yoga. Consiste em fazer a contração dos esfíncteres do ânus e da uretra e a elevação do assoalho pélvico. Esta contração é acompanhada por um recolhimento sutil dos músculos do baixo-ventre e das nádegas. Revigora o sistema nervoso central, estimula a união do ar vital descendente (apána) com o ascendente (prána) e desperta o chakra básico (múládhára).

Múládhára
"suporte da raiz". Centro de força localizado na base da coluna vertebral, na base da espinha, região sacra. É nele que jaz adormecida a força psíquica potencial (kundaliní). Iconograficamente, se representa como um lótus vermelho de quatro pétalas. No centro dele, um quadrado cor de açafrão representa a prithiví, o elemento terra. Inscrito dentro do quadrado, um triângulo invertido avermelhado, o tripura, representa a yoni, o órgão sexual feminino, imagem da fecundidade. Em seu interior está o lingam, o falo, princípio criador masculino, que brilha como um diamante. Enroscada três vezes e meia em torno dele, jaz adormecida kundaliní, a energia latente, em forma de serpente. Este chakra relaciona-se com o ar vital descendente (apána). O som semente (bíja mantra) que ativa este chakra é Lam.

Mung
um tipo de lentilha.

Muni
"silencioso". Um asceta, representacao da mais elevada espiritualidade.

Múrcchá
"desvanecimento", "vertigem", nome de um exercício respiratório. Inspire devagar e profundamente. Quando os pulmões estiverem totalmente cheios, pressione o queixo na base da garganta em jalándhara bandha, degluta saliva e contraia os esfíncteres em múla bandha. Retenha o máximo de tempo que você conseguir, esforçando-se para manter o kúmbhaka um pouco além do limite natural do seu conforto. Observe a sensação de vazio. Exale com controle e suavidade. Concentre-se em conseguir a mínima projeção de ar. Se for necessário, respire de forma espontânea durante alguns ciclos antes de reiniciar o exercício. Deve-se controlar a sensação de desvanecimento que acontece por causa da diminuição da taxa de oxigênio no sangue que irriga o cérebro e pela diminuição da pressão sangüínea provocada pelo jalándhara bandha. Múrcchá é indicado apenas àqueles praticantes que já tiverem um excelente grau de purificação e uma boa capacidade pulmonar. Para esses, recomendamos a execução de cinco a dez ciclos. Como cada ciclo pode ultrapassar os três minutos de retenção, esse número é suficiente para fazer uma boa prática. Efeitos: este pránáyáma limpa a consciência de pensamentos desnecessários e possui um efeito introversor, reduzindo as influências do mundo exterior que nos invadem através dos sentidos. Favorece a concentração mental. Pessoas com problemas cardíacos ou de pressão alta devem abster-se de fazê-lo.

Náda
"som". Sonoridade, vibração sutil que se percebe quando as redes prânicas foram devidamente purificadas. Termo técnico do mantrashástra, a ciência do mantra. O náda não designa um som audível, mas se refere à qualidade de perceber a vibração supersutil, que é uma manifestação do Absoluto em forma de som (Shabdabrahman). É o som que o praticante percebe ao fazer a concentração chamada nádánusandhána, que consiste em \\\'fechar\\\' as portas da percepção dos sentidos.

Nádí
"rio". As nádís são os canais do corpo sutil por onde flui a força vital (prána). Formam uma imensa e intrincada malha de correntes prânicas que vivificam o corpo físico. Contam-se ao todo setenta e duas mil, segundo textos clássicos. Destas, setenta e duas são importantes, e, dessas setenta e duas, destacam-se dez no transporte da força vital, sendo as três primeiras de relevância capital para o Yoga: ídá, pingalá e sushumná, situadas ao longo da coluna vertebral. As outras sete nádís são: gándhárí, que vai do centro do corpo sutil, chamado kanda, até o olho esquerdo; hastijihvá, que percorre um caminho similar, indo até o olho direito; púsha, que vai até o ouvido direito; yasháswiní, que finaliza no esquerdo; alambushá, terminando na boca; kuhú, nos órgãos sexuais; e shankiní, na região anal. Todas elas iniciam seu percurso no kanda e formam uma rede que distribui os "ares vitais" ou (váyus) pelo organismo.

Nádí shodhana
"purificação dos canais sutis". Pránáyáma de respiração alternada que visa a equalizar as polaridades da energia do corpo sutil, promovendo a purificação dos canais e os centros de força. Faz-se inspirando por uma narina e exalando pela outra, trocando de narina com os pulmões cheios. Este respiratório é importantíssimo no Yoga, pois promove o bhúta shuddhi, a limpeza do corpo sutil, requisito preliminar e indispensável para as práticas mais avançadas. Sentado em uma posição firme e agradável, com as costas eretas e as mãos em jñána ou vishnu mudrá, esvazie por completo os pulmões. Obstrua a narina direita e inale pela esquerda. Retenha o ar nos pulmões. Feche a narina esquerda e exale pela direita. Aqui você completou um ciclo. Inspire por essa mesma narina e retenha o ar. Com eles cheios, troque de narina, expirando pela esquerda. Faça 20 ciclos, lembrando sempre que só deve trocar a narina em atividade com os pulmões cheios. Quando estiver desenvolvendo facilmente a mecânica do nádí shodhana acrescente o ritmo, começando com a proporção 1:1:1:0 (um tempo para inspirar, o mesmo tempo para reter o ar e o mesmo tempo para expirar). Depois, se estiver se sentindo bem dentro dele, poderá passar para os ritmos 1:2:2:0 (um tempo para inspirar, o dobro desse tempo para reter o ar e o dobro dele para expirar, sem reter a respiração com os pulmões vazios) e 1:2:2:* (um tempo para inspirar, o dobro desse tempo para reter o ar e o dobro dele para expirar, fazendo uma retenção livre com os pulmões vazios) e posteriormente, os de proporção 1:4:2:0 (um tempo para inspirar, o quádruplo desse tempo para reter o ar e o dobro dele para expirar, sem reter a respiração com os pulmões vazios) e 1:4:2:* (um tempo para inspirar, o quádruplo desse tempo para reter o ar e o dobro dele para expirar, fazendo uma retenção livre com os pulmões vazios), que são os mais potentes. O nádí shodhana kúmbhaka deve ser silencioso e agradável. Se em algum momento você sentir que está perdendo o fôlego ou que está ficando ofegante, deverá reduzir proporcionalmente a duração de cada fase até achar o tempo ideal para a sua capacidade pulmonar individual. Efeitos: este pránáyáma é ótimo para revigorar o sistema nervoso, melhorando o rendimento da pessoa no plano intelectual, mantendo a saúde do corpo de modo geral e preparando-o para o processo de despertar da kundaliní através do seu efeito sobre as nádís. Os sinais visíveis desta purificação do corpo sutil são perfeito estado físico, pele suave e brilhante e muita energia.

Nauli
ou laulikí "rolamento". Uma das seis purificações (shatkarmas), que consiste em fazer uma auto-massagem abdominal, isolando o músculo reto, pressionando os órgãos internos contra a espinha dorsal e elevando ao máximo o diafragma, ao mesmo tempo em que se imprime um movimento ondulante à musculatura do ventre. Deve fazer-se com os pulmões vazios. Durante o nauli, o abdômen apresenta uma aparência côncava, ficando totalmente recolhido contra a coluna e para cima, enquanto que o músculo reto abdominal permanece projetado para frente, deslocando-se sinuosamente para a esquerda e para a direita.

Neti
uma das seis purificações (shatkarmas). Neti é a lavagem das fossas nasais. Segundo o Hatha Yoga Pradípiká, o neti se faz usando um cordão de aproximadamente 30 centímetros de comprimento. No Gheranda Samhitá, outro texto de Hatha Yoga, essa purificação recebe o nome de sútra neti (sútra significa cordão). Existe outra técnica similar, o jala neti, que consiste em fazer circular água entre as narinas ou delas para a boca, usando um pequeno bule chamado lota. O Gheranda Samhitá descreve também mais duas purificações das vias nasais: o dugdha neti, em que a lavagem se faz usando leite e o ghrita neti, no qual se aplica manteiga clarificada (ghee) com o dedo mínimo no interior das narinas. Os diferentes tipos de neti são ótimos contra males dos seios frontais e nasais, como sinusite, enxaquecas, rinites, corizas ou resfriados e ainda favorece a saúde das regiões cerebral, cervical e escapular.

Niralamba
"sem apoio". Um grau de samádhi, chamado no Yoga Sútra asamprájñata samádhi ou iluminação supracongitiva. De acordo com Pátañjali, autor dos Sútras, o samádhi sem apoio é o último grau de iluminação. É o mais elevado estado de hiperconsciência, no qual o yogi atinge a condição de jívanmukta, liberado vivo, e penetra na essência do próprio Ser.

Nishpatti avasthá
"estado de maturidade". Segundo o Hatha Yoga Pradípiká, este é quarto e último grau na senda do Yoga. Nele, a consciência e a força vital uma vez tendo atravessado o rudragranthi, no ájña chakra, alcamcam a moradia de Íshvara, no alto da cabeça (sahásrara chakra). Nesse estado, desperta-se a experiência do som sutil (náda).

Niyama
"observância". As cinco prescrições de conduta do Yoga: purificação (shauchan), contentamento (santosha), esforço concentrado da vontade (tapas), estudo de si mesmo e das escrituras (swádhyáya) e consagração a Íshvara (Íshvara pranidhána). Estas atitudes cumprem a função de domínio sobre os cinco órgãos da percepção (jñánendriyas): olhos, ouvidos, nariz, língua e pele. O controle dos sentidos aponta à organização da vida pessoal do praticante.

Om
símbolo do hinduísmo e do Yoga, é o mais poderoso dos mantras, a representação sonora que simboliza a vibração primordial do Universo. É o som semente (bíja mantra) que ativa o ájña chakra. O Om é o mais importante de todos os mantras. Se diz que ele contém o conhecimento dos Vedas e se considera o corpo sonoro do Absoluto (Shabdabrahman). O Om é o som do infinito e a semente que fecunda os outros mantras. A Mandúkya Upanishad começa dizendo que "o Om é o mundo inteiro. O passado, o presente, o futuro: tudo é o mantra Om". As escrituras contam que o mantra Om, amplificado na caixa de ressonância do vazio primordial, se propagou até criar o espaço e as galáxias. Segundo o Taittiriya Brahmana foi a vibração, o movimento, o que engendrou os primeiros ritmos no cosmos. O Om é formado pelo ditongo das vogais a e u, e a nasalização, representada pela letra m. Por isso é que, às vezes, aparece grafado Aum. Essas três letras correspondem, segundo a Maitrí Upanishad, aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho: "este Átman é o mantra eterno Om, os seus três sons, a, u e m, são os três primeiros estados de consciência, e estes três estados são os três sons." (VIII).

Padmásana
"postura do lótus". Coloca-se o peito do pé direito sobre a virilha da perna esquerda e depois o pé desta encaixado no alto da outra coxa. A coluna permanece perfeitamente ereta, mas sem forçamento. Quem não conseguir dominar a posição poderá optar pela variação mais simples, chamada ardha padmásana, que consiste em colocar apenas uma das pernas encaixada na virilha da outra e esta por baixo, ao invés de por cima, como no caso do padmásana.

Pápa
"mal", "ação errônea". O conceito de pápa se opõe ao conceito de púnya, "ação meritória", ocupando ambos uma posição central na ética hindu. Já no Rig Veda, obra de 3000 a.C., existem muitos hinos para pedir perdão por ações erradas. A importância da ética no caminho espiritual não diminuiu com o passar do tempo, e na Bhagavad Gítá, obra bem posterior aos Vedas, vemos a importância de uma vida de virtude para ter resultados positivos na senda do Yoga: "Quem age sem o menor apego, depositando suas ações em Brahman, não se macula com o mal, da mesma forma que a água não adere à folha do lótus". (V:10). E ainda: "Assim, consagrando-se sem cessar à meditação e permanecendo livre do mal, o yogi obtém sem dificuldade o infinito deleite da comunhão com Brahman" (VI:28).

Paramapáda
"caminho supremo". Uma forma de referir-se ao samádhi.

Páramátman
"Ser supremo". Eu Supremo ou Ser universal, oposto à alma (jívátman) ou ao psiquismo individual (jíva)

Parameshvara
"senhor supremo". Outro epíteto de Shiva.

Parashaktí
"energia suprema". Pode fazer referência tanto à manifestação do poder criativo da existência, personificada na Deusa Mãe, quanto à força psíquica potencial (kundaliní). Ver shaktí.

Parichayávasthá
"estado de acumulação". O terceiro dos quatro estágios na prática do Yoga. Nele, ouve-se durante a concentração um som como o do tambor. Ao ascender, a força vital (prána) alcança o ájña chakra e se vivencia a bem-aventurança espontânea (sahajánanda), que liberta o praticante da dor, do envelhecimento, das doenças, da fome e do sono. Segundo o Gheranda Samhitá, (III:60), este estado se caracteriza pela entrada do prána no canal central (sushumná) e se acompanha pelo despertar do poder serpentino (kundaliní shaktí).

Paridhána
"movimento ondulante". Um sinônimo de nauli, a técnica de auto-massagem do abdômen através do isolamento do músculo reto abdominal.

Párvatí
"montanhesa". Um dos nomes ou manifestações da Deusa-mãe, esposa de Shiva.

Paschimottánásana
"postura de alongamento intenso das costas". Mais conhecido como "postura da pinça", o nome deste ásana deriva das palavras paschima, que significa ocidental (oeste, nesse caso, são as costas, pois se pratica ásana de frente para o leste, onde nasce o sol) e uttána, alongamento intenso. Um dos mais conhecidos exercícios de flexão no Yoga, consiste em segurar os pés ou os dedos maiores deles com as mãos, mantendo as pernas estendidas e aproximando a cabeça dos joelhos. O Shiva Samhitá (III:92) chama este exercício de ugrásana.

Pátañjali
codificador do Yoga Clássico (Ashtánga Yoga) e autor do Yoga Sútra. Todas as formas de Yoga que se praticam hoje em dia têm neste autor e sua obra uma referência obrigatória. De data incerta, especula-se que o livro tenha sido escrito entre os séculos IV a.C. e IV d.C., embora a data mais provável esteja situada entre IV e II d.C. O Yoga Sútra consta de apenas 196 aforismos que constituem um verdadeiro mapa - talvez o mais antigo - do psiquismo humano, que contém as instruções para chegar na essência e desenvolver o potencial oculto no homem. Os sútras estão divididos em quatro capítulos ou pádas: 1) caminho do samádhi (samádhi páda), 2) caminho da prática (sádhana páda), 3) caminho dos poderes psíquicos (vibhuti páda) e 4) caminho da libertação (kaivalya páda).

Pingalá
"fogo", "vermelho". Canal de circulação da energia no corpo sutil, de polaridade positiva ou solar, e de cor vermelha. Simboliza a energia do sol, o fogo. É de natureza ativa, forte e ascendente. Transporta o ar vital de polaridade positiva, o prána. Nasce no kanda, centro do corpo sutil na região do baixo ventre, logo acima do múládhára chakra, e vai até a narina direita. Pingalá nádí se associa à extroversão, ação, energia, calor, atividade, masculinidade, objetividade, lógica analítica.

Pitta
"bílis". Um dos três constituintes básicos dos biótipos da medicina ayurvêdica, formado pela combinação dos elementos água e fogo. Está associado com as seguintes qualidades: calor, pungente, líquido, fogo. Alguns trabalhos de medicina ayurvêdica recomendam a execução de bhastriká pránáyáma para equilibrar o excesso de bílis no organismo.

Pláviní
"flutuante". Fazendo pláviní, a pessoa pode flutuar na água. Esta é uma forma inusual de pránáyáma, que raramente é ensinada e sobre a qual muito pouco foi escrito. Em posição de meditação, inspire pelas narinas e puxe o ar como se estivesse bebendo-o (no mergulho livre se faz um exercício muito similar, chamado "respiração da carpa", que possibilita longas apnéias). Retenha o alento pelo máximo de tempo que puder. Efeitos: pláviní é útil para eliminar a sensação de fome durante o jejum e em casos de acidez estomacal ou gastrites.

Prákámyam
"preenchimento dos desejos". Poder parapsíquico que consiste na capacidade de mergulhar na matéria sólida como se fosse líquida.

Prána
"força vital", "energia". Este termo provém das raízes pra, intenso, que denota constância, intensidade; e na, movimento. De onde se conclui que prána é uma força em constante movimento ou vibração. A expansão da força vital ocupa um lugar central nas práticas do Hatha Yoga. Em todos os textos de Yoga o prána aparece sempre associado à força vital, energia e poder, porém, é preciso destacar que este termo possui dois aspectos: o cósmico e o individual. O prána cósmico abrange todas as formas de energia existentes: a matéria (dinâmica na vibração das suas partículas atômicas) e as forças elementais da Natureza (luz, calor, magnetismo, eletricidade, gravidade) são suas expressões tangíveis. No plano sutil também designa os cinco elementos que constituem a matéria (pañchatattwa). No plano humano, prána é o substrato energético que forma o nosso corpo tangível, regulador de todas as funções orgânicas e físicas. O volume de prána que circula dentro do corpo determina o grau de vitalidade de cada indivíduo. Extraímos essa bioenergia de diversas fontes: da luz e do calor do sol, dos alimentos que ingerimos, da água que bebemos, e, principalmente, do ar que respiramos. Ela circula no corpo pelas nádís, canais da fisiologia sutil. Ver váyu.

Pránáyáma
"expansão da força vital", exercícios respiratórios. O domínio e a expansão do prána começam pela execução de certos procedimentos que consistem em dar à respiração um ritmo diferente daquele que caracteriza o estado de vigília, visando a fazer com que ela flua de forma cada vez mais lenta e profunda. A razão disto é que existe uma relação muito estreita entre os ritmos respiratórios e os estados de consciência. Esta afirmação vai muito além da simples comprovação de que, por exemplo, a respiração de uma pessoa que está fazendo um esforço para concentrar-se diminui o seu ritmo naturalmente, enquanto alguém submetido a uma situação limite respirará de forma superficial e agitada. A palavra pránáyáma deriva de dois termos sânscritos: prána, que significa alento, força vital, respiração, energia, vitalidade e ayáma, expressão que, segundo o dicionário Amarakosha, significa extensão, intensidade, propagação, dimensão. Pránáyáma, então, é o processo através do qual se expande e intensifica o fluxo da energia no interior do corpo.

Prápti
"atingir", a habilidade de expandir o corpo conforme a própria vontade.

Pratyáhára
"controle do alimento". Pratyáhára se traduz como abstração ou retração dos sentidos, e é a faculdade de liberar a atividade sensorial do domínio dos objetos exteriores: "Quando os sentidos já não estão em contato com seus próprios objetos e assumem a natureza da consciência, isto é prathyáhára. Assim obtém-se a total subjugação dos sentidos." Yoga Sútra, II:54-55. Constitui a quinta etapa do Ashtánga Yoga ou Yoga de Pátañjali. O termo pratyáhára está formado por duas palavras sânscritas: prati e ahára. Ahára significa comida ou algo que você coloca para dentro. Prati é uma preposição que significa contra ou fora. Pratyáhára então significa "controle do ahára", ou "ter controle sobre as influências externas". No Mahabhárata se compara o praticante de pratyáhára a uma tartaruga: "assim como a tartaruga recolhe seus membros sob a carapaça, da mesma forma o yogi retrai seus sentidos da influência dos objetos externos."

Prithiví
"aquela que se esparge". Um dos nomes de Kálí-Durgá, a Deusa-Mãe. Designa também o elemento terra.

Púnya
"ação meritória". Virtude, bondade, bem. O fruto das ações ou volições (sankalpa) eticamente boas, que estão em consonância com o a lei universal (dharma). Nesse sentido, púnya opõe-se a pápa.

Púraka
"encher", "multiplicar". É a fase da inspiração. Sempre deve começar após uma exalação completa, expandindo o baixo ventre e a região abdominal para frente e para baixo, depois a região intercostal ou média e, finalmente, a parte alta do tórax, que deve elevar-se devido à ação dos músculos intercostais. A inalação no pránáyáma deve ser uniforme e contínua e, salvo exceções, será nasal, lenta, profunda, consciente, suave, completa e silenciosa.

Rája
"rei", "real".

Rája Yoga
"Yoga real". Nome do Yoga Clássico, codificado pelo sábio Pátañjali, também chamado Ashtanga Yoga, Pátañjala Rája Yoga ou ainda Seshwara Sámkhya. O Rája Yoga possui oito etapas: 1) yama, oito proscrições, que são: não violência (ahimsá), veracidade (satya), não roubar (asteya), não desvirtuar a sexualidade (brahmacharya), e não possessividade (aparigraha); 2) niyama, as cinco prescrições éticas: purificação (shauchan), contentamento (santosha), austeridade (tapas), estudo do Yoga e de si mesmo (swádhyáya); e consagração a Deus (Íshvara pranidhána); 3) ásana, posições psicofísicas; 4) pránáyáma, expansão da força vital através de técnicas respiratórias; 5) pratyáhára, faculdade de liberar a consciência da influência dos objetos exteriores; 6) dháráná, concentração em um só ponto com o objetivo de limitar a atividade mental ; 7) dhyána, meditação contemplativa, que consiste em deter as flutuações da consciência através da sua saturação na contemplação de um objeto; 8) samádhi, iluminação.

Rajas
"atividade", "paixão". Um dos três gunas, princípios que definem por interação todo o existente. Também designa o sêmen viril, a descarga menstrual ou o fluido vital feminino ou fluxo menstrual.

Ráma
"aquele que traz luz, alegria e paz". Rei de Ayodhya, Ráma aparece como uma personagem histórica da dinastia Kosala, estando listado na cronologia dos Puránas. É considerado a sétima encarnação de Vishnu. Foi um rei tão justo que sua vida se transformou em mito. Conhecido pela coragem, compaixão e sabedoria, ele encarna o paradigma da fidelidade. O épico Rámáyána narra suas aventuras para resgatar sua esposa Sítá das mãos do demônio Rávana.

Rechaka
"exalação". A exalação é uma das fases da respiração yogi. contraindo vagarosa e controladamente a musculatura abdominal. Ao mesmo tempo, a musculatura intercostal se recolhe para dentro e para cima. Não se deve forçar excessivamente a expiração, a não ser em determinados exercícios específicos. O rechaka é sempre nasal, completo, uniforme e silencioso, quase sem deixar resíduos de ar dentro dos pulmões. Relaciona-se com a expansão do ser e com as formas que essa expansão adota.

Rudragranthi
"nó de Rudra". Terceiro obstáculo (granthi) à ascensão do poder serpentino (kundaliní), localizado no ájña chakra, no intercílio. Este, assim como os outros granthis, é uma espécie de válvula de segurança para prevenir o despertar indesejado da energia kundaliní.

Sádhana
"meio de realização". Caminho espiritual que conduz à perfeição (siddhi); prática cotidiana de Yoga.

Sahaja
"espontâneo", "inato". A espontaneidade é uma expressão da realidade, e a iluminação, uma ferramenta que está sempre mais próxima do que se imagina. Sahaja é a capacidade de tornar realidade essa constatação, abrindo espaço dentro do ser para que a luz se manifeste.

Sahajánanda
"bem-aventurança inata". Estado que se conquista ao praticar o terceiro dos quatro estágios do Yoga (parichayávasthá).

Sahajavastha
"estágio de espontaneidade". Um sinônimo de samádhi.

Sahajolí mudrá
"gesto sahajolí". No Hatha Yoga Pradípiká, esta técnica consiste em esfregar a pele do corpo com uma mistura de cinzas de esterco de vaca com água após o intercurso sexual (maithuna). Outros textos especificam que sahajolí consiste em fechar a yoni até que esta aperte o lingam como uma mão, abrindo-o e fechando-o a gosto, como a mão da vaqueira - gopi - que ordenha uma vaca.

Sahásrara chakra
"roda das mil petalas". Centro de armazenamento e distribuição da energia vital do alto da cabeça: "por cima de todos os outros (...) está o \\\'lótus das mil pétalas\\\'. Este lótus, brilhante e mais branco que a lua cheia, tem a sua cabeça apontada para baixo. Ele encanta. Seus filamentos estão coloridos pelas nuances do sol jovem. Seu corpo é luminoso." Satchakra Nirúpana, 40. É chamado \\\'lótus das mil pétalas\\\' a causa das 972 nádís que emanam dele. É nele que se experimenta a união final de Shiva e Shaktí, objetivo do Yoga e do Tantra; é aqui onde chega a kundaliní, após ter atravessado e ativado os outros seis chakras. Alguns textos não o consideram um chakra propriamente dito, pois ele manifesta-se somente após o despertar da kundaliní.

Sahita
"associado a", ou "acompanhado de". Sahita kúmbhaka é a retenção com pulmões cheios durante o pránáyáma que está relacionada com as fases da respiração, púraka e rechaka. É o tipo de retenção feita de forma consciente, com participação do esforço da vontade. O sahita pránáyáma divide-se em sagarbha e agarbha, conforme o exercício inclua repetição mental de mantra ou não. O segundo grupo inclui todos os exercícios feitos sem a repetição de mantra (manasa japa). Mas, quando o praticante atinge um certo domínio sobre os seus pensamentos, passa a desenvolver o sagarbha pránáyáma, que consiste em associar a prática do japa com a execução dos respiratórios. O japa poderá ajudá-lo na contagem de um ritmo (mátra), ou será feito acompassado com as suas próprias pulsações internas.

Samádhi
"iluminação". Objetivo final do Yoga. Mais do que um estado, o samádhi e uma "área de conhecimento" que abrange diversos graus de hiperconsciência. É a oitava e última parte do Ashtanga Yoga. Existem dois tipos diferentes de samádhi: com apoio e sem apoio (sabíja e nírbíja). Quando se alcança este estado fixando a consciência em um ponto, a experiência recebe o nome de sabíja ou samprájñáta samádhi, "com semente" ou com apoio. O samádhi "sem semente" (nírbíja) ou asamprájñáta samádhi é o estado de conhecer, situado além do estado de ser, e se atinge quando não há mais referências externas para a meditação. Por isso o nome, "sem semente" ou "sem apoio". Quando desaparece a diferença entre contemplador e contemplado, o yogi alcança esse samádhi, em que se queimam todos os condicionamentos. Havendo o yogi conquistado a liberdade absoluta, havendo-se emancipado dos condicionamentos, havendo se absorvido no Ser e no Conhecer, ele é o que se chama jívanmukta, o liberado em vida. Como jívanmukta, ele não vive mais no tempo linear, mas no eterno presente.

Samprajñata samádhi
"iluminação com cognição". Uma das variedades do estado de iluminação, também chamada sabíja samádhi, que se exerce contemplando um objeto.

Samskára
as raízes profundas dos condicionamentos humanos, de caráter kármico e inato. São as tendências subconscientes, de caráter inato e hereditário. O samskára perpetua-se através das gerações por herança histórica, cultural, ou étnica, afetando todos os indivíduos.

Sankalpa
"construção mental". Resolução interior, técnica de mentalização utilizada para desenvolver, unificar e direcionar a força do pensamento. Nada tem a ver com auto-sugestão ou hipnose: consiste em concentrar a energia mental criado no plano dos pensamentos o objetivo que se deseje ver realizado em algum outro plano. A atividade rotineira dispersiva reduz consideravelmente a capacidade de realização do indivíduo. Com a mentalização se unifica essa energia, criando um substrato psicológico favorável para que o objetivo aconteça. O sankalpa é uma frase curta, mas carregada de significação. Deve manter-se por dez a quinze sessões sucessivas de meditação ou de yoganidrá, e repetir-se pelo menos três vezes ao iniciar e três ao finalizar a prática. Devem ser poucas palavras, e sempre as mesmas, para fixá-las no pensamento: uma frase curta, do gênero "desperto a minha kundaliní", ou "lembro sempre que precisar". Deve ser positivo - por exemplo, "estou saudável" ao invés de "não estou doente". Deve conjugar-se sempre no presente. Se você pensar no futuro, nunca vai conseguir o seu sankalpa, porque a mente subconsciente só entende o presente. Como você deve estabelecer o seu sankalpa em função da sua necessidade, é preciso em primeiro lugar ver qual é essa necessidade. Para ter isso claro, nada melhor do que uma boa auto-análise, profunda e sincera, que sirva para identificar os rasgos mais da própria personalidade e detectar os erros mais graves cometidos nos últimos tempos. Feito isso, o sankalpa se estabelece com base nas atitudes opostas àquelas que se precisa eliminar. O sankalpa pode trabalhar nos níveis físico, vital, emocional ou mental, dependendo da sua necessidade. Exemplos de sankalpa: "confio em mim"; "tenho harmonia física e mental"; "o sucesso acompanha todos meus empreendimentos"; "desenvolvo o meu potencial".

Satchitánanda
"ser-consciência-beatitude". As três qualidades da alma. Ver átman.

Sattva
"equilíbrio", "leveza", "bondade". Um dos três gunas, princípios que interagem na manifestação da Natureza, formado pelo equilíbrio entre os outros dois, imobilidade e movimento (tamas e rajas).

Satya
"verdade". Um dos cinco yamas, proscrições éticas do Yoga de Pátañjali. Satya, a verdade, consiste em fazer coincidir pensamentos, palavras e atos, o que deve entender-se como evitar a falsidade em todas suas formas, tanto nas relações do yogi com as pessoas, quanto dele consigo próprio. Satya é procurar sempre a verdade, independentemente de aonde essa busca possa nos levar.

Shaktí
"esposa", "energia", "poder". Nome da Deusa-mãe, consorte de Shiva. Na cosmogonia tântrica equivale à Prakriti, o princípio feminino, dinâmico e gerador.

Shaktíchalana
"sacudida da energia". Para que kundaliní abandone sua forma potencial, é preciso "chacoalha-la" e fazer bhastriká pránáyáma logo após. Esta técnica utiliza a força vital descendente, chamada apána, para provocar a ascensão de kundaliní. Sentado na posição do diamante (vajrásana, nesta obra, sinônimo de siddhásana), pressionam-se os tornozelos contra o "bulbo" (kanda), centro do corpo sutil, atrás do umbigo. Faz-se bhastriká kúmbhaka e contrai-se o "sol" (a região abdominal), estimulando desta forma a kundaliní durante uma hora e meia, até que ela entra no canal central (sushumná).

Shambhaví
mudrá "selo de Shambhaví (esposa de Shiva)". Dirige-se a atenção para o interior, mantendo-a num centro de força escolhido pelo praticante. O olhar está fixo num ponto exterior, sem movimento das pálpebras.

Shambu
"nascido da paz". Outro nome do deus Shiva.

Shantosha
"contentamento". Um dos cinco niyamas, observâncias de conduta do Ashtanga Yoga. Santosha, o contentamento; consiste em cultivar um estado interior de permanente alegria, independentemente das circunstâncias externas.

Shástra
"repetição", "ciência". Escrituras sagradas dos hindus. Tratado ou conjunto de textos, revelados ou de autoridades das diferentes escolas filosóficas ou científicas.

Shatkarma
"seis ações". Designa os processos de purificação interna do organismo. O corpo precisa limpar-se através de exercícios que transcendem a noção de higiene fisiológica pura e simples. As técnicas de purificação mais importantes são o shatkarma e o shanka prakshálana. O shatkarma é um conjunto de seis técnicas de purificação descritas no Hatha Yoga Pradípiká: sopro do crânio brilhante (kapálabháti), fixação ocular (trátaka), isolamento do músculo reto abdominal (nauli), purificação das narinas (neti), lavagem estomacal (dhauti) e lavagem intestinal (vasti). Os três primeiros ajudam a purificar o organismo, mas trabalham também a energia e o pensamento. Os três últimos fazem a purificação interna de três partes do corpo. O objetivo destas purificações é equilibrar os três humores do corpo (doshas), que surgem da interação entre os cinco elementos: ar e espaço (vata), fogo (pitta) e água e terra (kapha). Cada técnica trabalha sobre uma área definida do corpo, não apenas purificando-o por fora, mas também - e principalmente - por dentro, promovendo a limpeza total do organismo, o bhúta shuddhi, indispensável para o progresso na prática. Esse estado de purificação permitirá que a respiração e os fluxos prânicos circulem livremente.

Shavásana
"postura do cadáver". Posição de relaxamento faz-se deitando decúbito dorsal, com as palmas voltadas para cima (o que proporcionará uma melhor descontração dos ombros e braços), a cabeça, região cervical, costas e ombros bem apoiados no chão, e as pernas separadas uns três palmos, com as pontas dos pés voltadas para fora. Os maxilares se soltam, os lábios ficam unidos e os dentes separados.

Shítalí
"frescor". Neste pránáyáma a inspiração e feita pela boca e a expiração pelas narinas. Coloque a língua em forma de calha, deixando-a ligeiramente para fora da boca e pressionando-a com os lábios. Inale, fazendo o ar passar pela língua e sentindo o contato dele com a garganta, laringe e traquéia. Retenha durante um bom tempo, fazendo khecharí mudrá, a contração da língua, pressionando-a no céu da boca. Solte o ar vagarosamente pelas narinas e volte a inspirar pela boca, com a língua formando um canudo. Execute diversos ciclos. Efeitos: elimina o calor, a sede, a fome e as toxinas acumuladas no organismo. Melhora a digestão e acaba com a acidez estomacal. É indicado para ser feito durante o jejum, pois elimina as sensações de fome e de sede e refresca o hálito.

Sítkárí
"sibilante". Variação do shítalí pránáyáma, que possui efeitos semelhantes. É útil para aqueles que não conseguem colocar a língua em forma de calha. Deixe a boca entreaberta, os dentes semicerrados e a ponta da língua tocando o palato na junção deste com os dentes incisivos. Inale pela boca, sentindo o ar entrando e refrescando o interior do corpo. Mantenha os pulmões cheios pelo tempo que lhe for possível, sentindo conforto e evitando exageros. Exale devagar, não retenha a respiração com os pulmões vazios e inicie em seguida uma nova inspiração. Não esqueça: apenas a inalação é feita pela boca, a exalação deverá ser sempre feita pelas narinas. Efeitos: os mesmos que no shítalí pránáyáma: elimina a fome, a sede, o cansaço, o sono e a indolência. Outorga beleza e vigor ao praticante.

Shiva
"benfeitor". Criador mítico do Yoga e arquétipo do praticante. É o patrono das artes, da filosofia e dos empreendimentos intelectuais. Na cosmogonia do tantrismo corresponde ao Purusha do Sámkhya, o Si, o princípio da consciência criadora. Nele se encontram todos os aspectos contraditórios da natureza humana (talvez pudéssemos afirmar o contrário; as contradições dos humanos são espelho das de Shiva). É Pashupati, senhor das feras, Natarája, senhor da dança, Bhairava, destruidor de demônios, Dakshinamurti, o Mestre perfeito, Mahadeva, o yogi nu, Ardhanaríshvara, o hermafrodita. Na mitologia purânica aparece como o dançarino cósmico, marcando com seus movimentos o ritmo do Universo manifestado.

Shloka
"hino", "verso". O estilo literário em que está redigido o Hatha Yoga Pradípiká.

Shmashana
"campo crematório". No contexto desta obra, shmashana é uma forma de designar o canal central da energia sutil que sobe ao longo da espinha (sushumná nádí).

Shodhana
"purificação". Ver nádí shodhana.

Shúnya
ou shúnyata "vazio". No Hatha Yoga Pradípiká, o mais alto estado de samádhi é descrito como sendo vazio e pleno ao mesmo tempo (shúnyapúrna), o estado em que desaparecem as noções de tempo e espaço. O termo shúnyata também define a parada do alento com os pulmões vazios.

Shúnyapadavi
"caminho do vazio". Uma forma de referir-se ao canal central (sushumná).

Shúnyashúnya
"vazio no vazio". Um sinônimo de samádhi.

Siddha
"ser perfeito". Yogi realizado, mestre iluminado, detentor de poderes paranormais (siddhis) pertencente à linhagem dos mahasiddhas. Ver mahasiddha.

Siddhásana
"postura perfeita". É a posição clássica de meditação. Pressiona-se o calcanhar direito contra a base do períneo, entre o sexo e o ânus. A outra perna fica pela frente, os joelhos bem separados e baixos, e as costas eretas. É a posição mais adequada para fazer práticas visando ao despertar de kundaliní e dos poderes paranormais (siddhis).

Siddhi
"perfeição". Os siddhis são poderes paranormais que advêm como resultado do samádhi. O praticante adquire então a qualidade de penetrar em áreas da consciência e da realidade que são habitualmente inacessíveis. Ao fazer meditação sobre um objeto, o yogi assimila o siddhi, o poder inerente a ele. Esses poderes são formas diferentes de se relacionar com as leis naturais, que visam a estimular o praticante, desenvolvendo confiança no método, para assim atingir a liberação final. Ao todo, o sábio Pátañjali menciona oitenta e quatro poderes parapsíquicos que surgem ao longo do caminho para a iluminação, e que o yogi adquire ao progredir na prática.

Simhásana
"postura do leão". Para fazer simhásana, sente sobre os calcanhares, inspire profundamente e exale pela boca, abrindo-a bem e arregalando os olhos, deixando que o ar saia desde o baixo ventre. Ao mesmo tempo projete os braços para frente, com as mãos crispadas em forma de garra e o tronco inclinado levemente adiante. Faça isto várias vezes. Este exercício é muito útil para desfazer o gesto estereotipado, a máscara de tensão facial que geralmente mostramos de forma inconsciente ao relacionar-nos com o mundo. Aliás, a palavra personalidade deriva do grego, personna, que significa justamente máscara.

Soma
chakra centro de força situado na testa, acima do ájña. Corresponde ao terceiro olho. Este chakra tem a forma de uma lua crescente branca e brilhante, dentro de um lótus de doze pétalas luminosas. Sobre a lua está Kámadhenu, a vaca sagrada, que é a fonte do néctar (somarása) e o veículo do chakra. É de cor branca, com cabeça de corvo, pescoço de cavalo, rabo de pavão e asas de cisne. Acima de Kamadhenu estão Shiva e Shaktí, em união sagrada (maithuna), sobre um triângulo invertido, dentro de um lótus vermelho de oito pétalas. Shiva aparece como o yogi que sublima e domina a energia sexual (úrdhvaretas). Shaktí não está mais na forma de serpente, como no múládhára chakra, mas, havendo ascendido através de sushumná nádí, aparece como yoginí. A união de ambos produz o samádhi.

Somarása
"extrato". Somarása ou soma é o néctar lunar, também chamado amrita, que significa imortal. É um fluido interno sutil segregado pelo corpo como resultado das práticas espirituais, considerado a seiva da imortalidade. Esta obra indica a técnica chamada khecharí mudrá para experimentar o sabor do néctar lunar.

Sri Gurunatha
"senhor mestre". Ver guru.

Sthiti
"estabilidade". Estado de firmeza mental que se conquista com o aperfeiçoamento da concentração.

Súrya
"sol". Súrya é o deus vêdico solar, também chamado Savitar, criador do Universo. Em tempos mais recentes, seu culto foi sendo gradativamente substituído pelo de Vishnu. Súrya atravessa os céus numa carruagem puxada por um cavalo de sete cabeças, ou por sete cavalos, guiados por Aruna, deus da aurora. Com suas quatro mãos leva uma flor de lótus, o disco ígneo (chakra), a trompa de caracol (shankha) e faz o abhaya mudrá, gesto de afastar o medo.

Súryabheda
"atravessar o sol". Neste exercício, o prána entra por pingalá nádí, a nádí solar. Sente em uma posição de meditação: padmásana, siddhásana ou outra, preparando-se para o exercício. Com a mão direita em jñána mudrá (polegar e indicador unidos), obstrua a narina esquerda. Inale lenta e profundamente pela narina direita. Quando os pulmões estiverem cheios, pressione o queixo contra a base da garganta, fazendo jalándhara bandha. Simultaneamente, execute o múla bandha, elevação do assoalho pélvico. Após a retenção, encerre as contrações, coloque a cabeça na posição vertical e exale de forma controlada pela narina lunar (esquerda). Inicie um novo ciclo, inspirando sempre pela narina solar, exalando pela lunar. Continue respirando desta forma durante quinze a vinte ciclos. Efeitos: estimula o sistema nervoso simpático, aumenta a temperatura interna do corpo, melhora a digestão e limpa os seios nasais.

Sushumná
nádí central, o mais importante canal do corpo sutil, no interior da espinha vertebral. Ela é, segundo as escrituras, "a bem amada dos yogis", a suprema. Possui a natureza do fogo e está inativa, entrando em funcionamento apenas no momento do despertar da kundaliní. Origina-se no múládhára chakra, indo até o sahásrara , no alto da cabeça. Está formada por três camadas concêntricas: sushumná é a camada exterior, vajra ou vajriní a camada intermediária, e chitriní a interior.

Sushupti
"sono". Um dos quatro estados de consciência. Sushupti corresponde ao sono profundo. Ver avasthá.

Svádhyáya
estudo de si próprio e das escrituras. Um dos cinco niyamas, prescrições éticas do Yoga de Pátañjali. Abrange não apenas o autoconhecimento através da reflexão sobre a sabedoria das escrituras (shástras), mas também a aplicação prática desse conhecimento. O swádhyáya alarga os horizontes do intelecto, enriquece e estimula a prática. Diz o Vishnu Purána (VI:6.2): "do estudo deve-se passar ao Yoga. Do Yoga deve-se passar ao estudo. Pela perfeição no estudo e no Yoga, a Consciência Suprema se manifesta. O estudo é um olho com o qual o Ser se percebe. O Yoga é o outro."

Svapna
"sonho". Um dos quatro estados de consciência. Ver avasthá.

Svastikásana
"postura auspiciosa". Swástikásana se faz colocando o pé direito por baixo do outro, mas sem pressionar o períneo como quando se faz siddhásana. O peito do pé esquerdo fica sobre a panturrilha direita. Os pés ficam por dentro das articulações dos joelhos e a espinha permanece bem ereta, evitando assim a pressão sobre os órgãos internos. Esta posição é uma das mais confortáveis para os iniciantes.

Svátmáráma
mestre de Yoga do século XIV d.C. e autor do Hatha Yoga Pradípiká. Embora suas referências sejam Matsyendra e Goraksha, da linhagem dos mahasiddhas do norte da Índia, não estudou pessoalmente com eles pois pertence a uma geração posterior à desses nathasiddhas.

Takshaka
"cortante". Uma serpente venenosa.

Tamas
"imobilidade". Inércia, Um dos três gunas, os atributos da Natureza definem através da sua inter-relação o mundo manifestado. Ver guna.

Tantra
"tecido". A palvra Tantra pode ser traduzida como \\\'espargir o conhecimento\\\'" ou "a maneira certa de se fazer qualquer coisa". É o nome de um movimento filosófico, matriarcal e sensorial que empresta suas principais premissas ao Yoga e ao Sámkhya, herança e patrimônio da cultura do rio Indo. O culto da Grande Mãe está presente na Índia desde o neolítico (8000 a.C.), mas os mesmos símbolos que o tantrismo utiliza hoje remontam ao paleolítico (20000 a.C.) e estiveram sempre presentes ao longo do continente eurasiano. O Tantra assimilou e organizou os rituais da Magna Mater, transformando-os num método de emancipação que busca na psique humana a manifestação da força divina da Shaktí. Este movimento teve uma forte influência sobre a religião, a ética, a arte e a literatura indianas, havendo ressurgido com inusitada força entre 400 e 600 d.C., quando chegou a transformar-se numa moda que acabou por influenciar nos modos de pensar e agir da sociedade indiana medieval. Aqui ela se afirma, populariza e estende ainda mais, dando origem a um grande número de correntes e manifestações filosóficas, religiosas, mágicas e artísticas, algumas antagônicas. "Não se trata de uma religião nova, senão de uma nova caracterização de fatos que pertencem ao hinduísmo comum, mas que, às vezes, só se apresentam precisamente em suas formas tântricas. Percebe-se o selo do tantrismo na mitologia e na cosmogonia, mas, principalmente, no ritual. O gérmen se remonta com freqüência aos Vedas, especialmente ao Atharva Veda, que pode considerar-se um hinário pré-tântrico." Jean Renou, El Hinduismo, p. 89.

Tapas
"calor". Auto-superação, mérito, dever. Um dos cinco niyamas do Yoga Clássico. Tapas (da raiz tap, produzir intenso calor, tornar-se ardente) é ascese, disciplina, ou esforço concentrado da vontade. Consiste em transcender pela força de vontade as limitações naturais fazendo jejum, mauna ou enfrentando certas provações que o próprio praticante se impõe, mas que não são necessariamente fisiológicas. Segundo Pátañjali, tapas "produz a destruição das impurezas, o que conduz ao aperfeiçoamento da sensibilidade corporal". Yoga Sútra, II:43. É uma das práticas mais arcaicas do Yoga, documentada no Rig Veda (X:136), o texto mais antigo do hinduísmo onde, há mais de 7000 anos atrás, um hino nos dá a primeira descrição de ascetas yogis. O objetivo desse esforço sobre si próprio é atingir um estado de purificação que permita ao indivíduo tomar posse do seu corpo, indo além dos limites impostos pela percepção limitada da realidade. "Uma linguagem que não fira, verídica, amigável e benéfica, o estudo regular das escrituras, tal é o tapas da palavra. A serenidade e clareza de espírito, a doçura, o silêncio, o autodomínio, a total purificação do caráter, tal é o tapas consciente." Bhagavad Gítá, XVII:15-16.

Tattva
"princípio". Na cosmogonia Sámkhya os tattvas, que são vinte e quatro, determinam os diferentes níveis em que se articula a manifestação de Prakriti, a Natureza: "Os tattvas impregnam todo o universo e o nosso corpo-mente. São emanações de luz e som criadas pelas diferentes freqüências de vibração da energia e suas propriedades são inerentes aos átomos e células do corpo físico." Danilo Hernández, Claves del Yoga, p. 74.

Trátaka
"fixação". Uma das seis ações (shatkarma). O tratáka é o grupo de exercícios de fixação ocular, que servem para limpar e tonificar os músculos e nervos ópticos, assim como para descansar a vista. O trátaka desenvolve força de vontade e intuição e favorece a meditação. Consiste em fixar firmemente o olhar em um ponto ou em fazer certos movimentos de rotação, alongando músculos e nervos ópticos. Neste sentido, podemos dizer que os trátakas são ásanas feitos com os olhos.

Turíya
ou turíyávasthá "quarto estado". O Yoga conhece quatro estados bem diferenciados de consciência, além do samádhi: a consciência habitual, o sono, o sonho e o turíya, anterior à iluminação. Sobre esse quarto estado nos dizem as escrituras: "há algo para além da nossa consciência e que habita em silêncio nela. É o supremo mistério que ultrapassa o pensamento. Apoiai a vossa consciência e o vosso corpo sutil nesse algo e não o apoieis em nenhuma outra coisa". Maitrí Upanishad, VI:19. O estado de turíya não é difícil de ser alcançado: desde as primeiras experiências profundas de pránáyáma ou meditação é possível vivenciá-lo. Ver avasthá.

Udara
"barriga". Inchaço da região abdominal.

Uddiyana
"vôo para cima". técnica de massagem dos órgãos internos, pressionando a parede abdominal contra a espinha e elevando ao máximo o diafragma. O uddiyana bandha possui duas variações: rajas e tamas, conforme se faça imprimindo um movimento ondulante à parede abdominal ou mantendo a contração estática. O movimento não é apenas para dentro, mas também, e principalmente, para cima. A variação usada durante os respiratórios é a estática, tamas uddiyana bandha, com as costas eretas e as mãos em jñána mudrá. O uddiyana bandha estimula os músculos cardíacos, tonifica os órgãos abdominais, favorece o peristaltismo, normaliza a secreção do suco gástrico e elimina toxinas e disfunções dos aparelhos digestivo e excretor: gastrite, dispepsia, constipação intestinal e distúrbios biliares. No plano sutil, este exercício ativa a circulação e favorece a união dos ares vitais prána e apána. Eis aqui uma metáfora: os "grandes pássaros", os alentos vitais, "voam" através de sushumná nádí, na direção do sahásrara chakra, por isto, chama-se a este exercício "vôo ascendente".

Ujjáyí
"respiracao vitoriosa". Embora seja descrita nesta obra como uma técnica específica de pránáyáma, esta respiração acontece espontaneamente em estados de concentração e meditação profunda. A técnica é muito simples. Sente-se em qualquer posição de meditação, com as costas eretas. Coloque as mãos em jñána mudrá e, com os olhos fechados, comece a fazer a respiração completa, contraindo levemente a glote e fazendo com que o ar flua com uma certa pressão. Essa contração deve produzir um som suave e contínuo, baixo e uniforme como um sussurro. Sinta o ar como se estivesse entrando diretamente pela garganta. Acrescente o ritmo da sua preferência e faça vários ciclos, evitando sempre produzir uma fricção excessiva nas vias respiratórias. Se você tiver dificuldade para sentir este som, faça-o algumas vezes com a boca aberta, exalando devagar. Efeitos: aumenta a temperatura e o calor corporal, normaliza o funcionamento da glândula tireóide e do sistema endócrino, protege contra doenças e estimula as funções intelectuais.

Unmani avasthá
"estado de exaltação". Também chamado no Hatha Yoga Pradípiká manomani, "exaltação da mente". Última etapa do caminho do Yoga. É o mesmo que o estado de iluminação que Pátañjali chama nirvikalpa samádhi.

Uttánakúrmásana
"postura da tartaruga elevada". Partindo da postura kukkutásana, com as pernas cruzadas em lótus e os braços encaixados nos interstícios dos joelhos, colocam-se as mãos nos lados da cabeça e deixa-se que o corpo role para trás, ficando como uma tartaruga virada de costas. No segundo estágio da postura, permanece-se em equilibro sentado sobre os ossos ísquios, com as mãos segurando ainda a cabeça, as orelhas ou os ombros. Esta posição também recebe o nome de garbhapindásana, "postura do embrião".

Vairágya
"desapego". Vairágya é o desapego do fruto das ações: "quando a mente perde todo desejo pelos objetos vistos ou imaginados, adquirindo um estado de domínio e desprendimento." Yoga Sútra, I:15.

Vajrásana
"postura do diamante". No Hatha Yoga Pradípiká e no Gheranda Samhitá, vajrásana é outro nome do siddhásana. Hoje em dia, esse nome utiliza-se em algumas escolas para designar a postura de meditação que se faz sentando sobre os calcanhares, com as mãos no colo ou nos joelhos.

Vajrolí mudrá
"gesto adamantino". No Hatha Yoga Pradípiká, vajrolí define a técnica de reabsorção seminal no final do intercurso sexual e, junto com este, os fluidos vitais femininos. Prescreve-se igualmente uma variante especial para mulheres desta reabsorção dos fluxos vitais.

Vásaná
"perfume", "desejo". Impressões ou "sulcos" subconscientes, tendências que condicionam o homem. O cheiro que uma flor deixa em um pano é a vásaná dessa flor. Mesmo depois de retirá-la, o cheiro ainda está lá. As vásanás constituem um colossal obstáculo para o meditante, pois a vida subconsciente é um fluxo constante de impressões latentes que dão corpo às propensões mentais. Para poder atingir o estado de cessação vrittis (chittavritti nirodhah), objetivo do Yoga, é necessário aniquilar essas tendências através da concentração, da meditação e da auto-análise.

Váshitvam
"mestria", controle sobre os cinco elementos materiais (pañchatattwa ou mahabhúta): terra, água, fogo, ar e espaço.

Vasistha
lendário sábio (rishi) e mestre espiritual do rei de Ayodhya, Ráma, a quem instrui sobre Yoga e dharma na obra Yoga Vasishtha, escrita na forma de um diálogo filosófico entre ambos.

Vasti
lavagem que inclui dois métodos para a purificação dos intestinos: um feito com água, jala vasti e outro com ar, sthala vasti. Jala é água. Jala vasti é a lavagem dos intestinos usando um clister com capacidade para dois litros de água. Esta deve ser mineral, morna e salgada, em proporção igual à utilizada no jala neti. Assimilam-se dois litros de água pelo reto. Executa-se uma posição de inversão até sentir forte vontade de evacuar. Este processo deve ser repetido até que a água saia bem clara. A prática de jala vasti aumenta a saúde de um modo geral, o vigor físico e a imunidade. Sthala vasti se faz ficando em viparíta karanyásana, a variação mais simples da invertida sobre os ombros, com as costas em um ângulo de 60 graus em relação ao chão, se trazem os joelhos até o peito. Nesta posição, puxa-se ar pelo reto, provocando o vazio no abdômen através do nauli ou do uddiyana bandha. Após alguns minutos, expele-se fazendo diversas contrações abdominais.

Váta
"ar", "vento". Um dos cinco elementos materiais (pañchatattva). Às vezes, esta palavra aparece como sinônimo de prána. Também designa um dos três humores corpóreos (doshas) do sistema ayurvêdico, que possui qualidades como secura, frescor e mobilidade.

Vayu
“vento” “ar”. Deus do vento no Rig Veda. Shri Aurobindo escreveu que “Vayu é o senhor da vida. Os místicos antigos consideravam a vida como uma força que abrangia toda a existência material e era ao mesmo tempo a condição de todas as suas atividades. Esta idéia foi posteriormente formulada no conceito do praNa, o sopro vital do universo” (On the Veda, p. 323). Por outro lado, os vayus ou praNas, chamados “ares vitais”, são os diferentes comprimentos de onda que a força vital assume, de acordo com a direção predominante de sua circulação. Conforme vai se distribuindo pelo corpo, essa energia se modifica, adaptando-se às funções de cada órgão vital ou região particular. A fisiologia do corpo sutil menciona dez “ares vitais”. Os cinco mais importantes são prana, apana, samana, udana e vyana. Regulam a distribuição da vitalidade dentro do organismo e são responsáveis pelas funções fisiológicas. Essas funções são respectivamente a inspiração (prana), a expiração e os processos de excreção (apana), a vitalização dos órgãos internos (saˆana), a deglutição e a força muscular (udana) e a tonificação do sistema nervoso (vyana). Os outros cinco pranas estão vinculados ao corpo físico denso e são: naga, kurma, krikara, devadatta e dharañjaya. Cada um regula uma das funções orgânicas externas: eructar, pestanejar, espirrar, bocejar e fazer sons. O nada vayu dá lugar ao estado de vigília, o kurma provoca a visão, o krikara aciona os mecanismos da fome e da sede, o devadatta, o bocejo e o dharañjaya abrange o corpo inteiro e não o abandona nem mesmo após a morte.

Veda
“aquilo que foi visto”. Textos sânscritos revelados que constituem o embasamento da tradição hindu. São a forma de literatura mais antiga da Índia e da Humanidade. Os Vedas configuram quatro coleções de hinos: Rig, Yajur, Sama e Atharva. Foram compostos mais de 5000 anos antes da nossa era. Estes hinos litúrgicos aparecem escritos na forma da mais fina poesia e mostram, entre outras coisas, as crenças, costumes e formas de vida deste povo, incluindo fórmulas mágicas, encantamentos e orações dirigidas às forças da Natureza, encarnadas nos deuses védicos. Constituem uma excepcional obra literária de inusitada profundidade, a qual contém em forma embrionária todas as formas de pensamento que marcaram a Índia ao longo da História, dando origem ao bramanismo e, posteriormente, ao hinduísmo, do qual o Yoga faz parte.

Vina
Instrumento musical de corda, similar ao sitar, porém mais antigo do que ele, utilizado até o presente na Índia para fazer acompanhamento da recitação dos hinos sagrados (mantras).
Vindunatha, um dos mestres iluminados (nathasiddhas) da tradição tântrica.

Viparita karani mudra
“selo da atitude invertida”. Posição de inversão sobre os ombros. Apesar de que, pelas parcas instruções técnicas sobre este exercício dadas na Hatha Yoga Pradipika e na Gheranda Samhita, possa inferir-se que esta seja a postura sobre a cabeça (shirshasana), há consenso entre os comentaristas e tradutores destas duas obras no sentido de associar este nome com a variação fácil da inversão sobre os ombros (sarvangasana). Esta variação consiste em apoiar-se o peso do corpo mais nos ombros e braços do que no pescoço e na parte posterior da cabeça, facilitando assim a permanência e a respiração no exercício. Deitado de costas, com os braços ao longo do corpo, inspire e eleve as pernas unidas e estendidas até a verticalidade. Continue inspirando e eleve agora o tronco, vértebra por vértebra, até formar, entre as pernas e o tronco, um ângulo de 90 graus. O tronco, por sua vez, permanece em um ângulo de aproximadamente 45 graus em relação ao solo. Permaneça pelo menos por 30 respirações lentas e pausadas nesta postura e compense-a, em seguida, fazendo matsyasana, a postura do peixe: deitado no chão, eleve o tórax e mantenha apoiados o cóccix, a parte alta da cabeça e os cotovelos no solo. Respire assim durante, pelo menos, a metade do número de ciclos respiratórios que você contou para permanecer na posição anterior. O viparita karani mudra é apresentado, na presente obra, como um exercício capaz de curar todas as doenças.

Virasana
“postura do herói”. Posição de meditação que tem uma descrição pouco clara tanto na Hatha Yoga Pradipika quanto na Gheranda Samhita. Alguns comentaristas afirmam que virasana é outro nome da postura do lótus (padmasana). Outros, fazendo diferentes interpretações da descrição dada pelo autor, chegam a três posturas totalmente diferentes do lótus. Descrevemos aqui essas três variações. A primeira e a segunda aparecem na edição traduzida por Svami Satyananda. A terceira é a variação conhecida como virasana no Iyengar Yoga que, por sua vez, chama-se vajrasana ou “postura adamantina” nas outras escolas de Hatha Yoga dos dias de hoje. 1) Esta variação consiste em sentar-se no solo pelo lado de dentro do calcanhar esquerdo, flexionando-se o joelho direito e colocando-se a planta do pé direito no chão, ao lado do joelho esquerdo. O cotovelo direito fica apoiado sobre o joelho do mesmo lado e a mão esquerda descansa sobre o joelho esquerdo. 2) Na segunda forma de fazer virasana, coloca-se o dorso do pé esquerdo sobre a virilha da perna direita, ficando esta perna flexionada, com o dorso do pé voltado para baixo e o calcanhar próximo do glúteo do mesmo lado. Os joelhos ficam separados, as costas eretas e as mãos sobre os joelhos em jñana mudra ou chin mudra, mantendo-se os dedos indicadores e polegares unidos formando círculos. 3) O praticante senta-se sobre os calcanhares, com os joelhos unidos e as mãos no colo ou nos joelhos, mantendo-se a coluna vertebral ereta.

Vishnu
“aquele que está em todas partes”. Deus conservador e sustentador da criação na mitologia purânica. Vishnu é um deus benigno, embora não lhe faltem os aspectos terríveis. Ostenta quatro atributos: o disco ígneo (chakra), arma de guerra e símbolo de poder, a flor de lótus (padma), a trompa de concha (shankha) e o bordão (gada). Vishnu, que durante o período védico foi uma deidade secundária, adquire maior prestígio durante o classicismo hindu. Seu ciclo é um dos mais complexos do hinduísmo, o que mostra sua popularidade. Os avataras ou encarnações de Vishnu são dez: Matsya, o deus-peixe que resgata o legislador Manu do dilúvio; Kurma, o deus-tartaruga, que serve de pivô no episódio da batida do mar de leite, do qual surgirão o elixir da imortalidade (amrita) e outros tesouros; Varaha, o deus-javali que resgata a terra do fundo do oceano primordial; Narasimha, o deus-homem-leão, matador do demônio Hiranyakashipu; Vamana, o deus-anão que resgata o universo das mãos do demônio Bali; Parashurama, o restaurador das castas na guerra entre sacerdotes e guerreiros; Rama, rei de Ayodhya, modelo exemplar de legislador; KrishNa, que aparece como cocheiro de Arjuna, na batalha de Kurukshetra, narrada no Mahabharata; Buddha, restaurador do dharma, e Kalki, o deus-homem-cavalo que construirá uma nova era de ouro sobre as cinzas da atual era de ferro.

Vishnugranthi
“nó de Vishnu”. Nó energético (granthi) situado no chakra do coração (anahata). Ver granthi.

Vishuddha chakra
“grande purificador”. Centro de força vital localizado no plexo laríngeo, na região da garganta. É de cor púrpura e possui dezesseis pétalas de cor carmim. Em seu pericarpo há um círculo branco, resplandecente como a lua cheia que representa o elemento éter (akasha), inscrito em um triângulo branco com o vértice voltado para baixo. Em seu centro vibra o bija mantra Ham. “O yogi, com a mente fixa constantemente neste lótus, com a respiração controlada mediante o kumbhaka, em sua ira, é capaz de mover a totalidade dos três mundos” (Shatchakra Nirupana, 31A). Ver chakra.

Vyoma chakra
“chakra etérico”. Nono centro psicoenergético, situado na confluência de ida e pingala nadi, na região da garganta, segundo a obra Siddha Siddhanta Paddathi, atribuída a Gorakshanatha. A técnica mais adequada para despertar este centro de força é khechari mudra. Este ponto do corpo sutil é chamado em outras obras que descrevem a fisiologia sutil pelos seguintes nomes: sangaˆ (“confluência”), akasha chakra (“centro do espaço”) e triveni (“trança”) – embora este último termo designe em algumas obras o ponto entre as sobrancelhas, chamado igualmente trikuti (“tríplice pico”).
Yama, “restrição”. Os yamas são as cinco proscrições: não usar nenhum tipo de violência (ahiˆsa), falar a verdade (satya), não roubar (asteya), não desvirtuar a sexualidade (brahmacharya) e não se apegar (aparigraha). Esses “refreamentos” pretendem purificar o yogi, aniquilar a subjetividade advinda do egocentrismo e prepará-lo para os estágios seguintes. Desempenham o controle dos impulsos naturais que se manifestam através dos cinco órgãos de ação (karmendriyas): braços, pernas, boca, órgãos sexuais e excretores.

Yamin
“aquele que coloca os yamas em prática”. Ver yama.

Yamuna
Rio sagrado do norte da Índia, afluente do Ganges. Este rio é considerado uma deidade feminina, filha do Sol (Surya) e irmã do deus da morte (Yama). Na correlação que existe entre micro e macrocosmos, esse rio está associado ao canal sutil solar e à narina direita (pingala nadi).

Yantra
“instrumento que serve para reter”. Símbolo ou diagrama utilizado na prática de meditação. Etimologicamente deriva das raízes yan, reter, restringir, controlar, e tra, instrumento, artefato. É o equivalente gráfico do mantra. Diz-se que o mantra é a alma do yantra. Os yantras são símbolos ou diagramas que encerram, em suas linhas, os princípios do tantrismo e do Yoga e que falam diretamente ao Eu profundo. São como imagens do macrocosmos que se refletem no microcosmos. Constituem excelentes objetos de meditação, embora sejam também utilizados na magia popular hindu para fazerem-se invocações. A rigor, yantra é qualquer diagrama geométrico traçado com a finalidade específica de servir como suporte para meditar ou realizar rituais propiciatórios. Podem ser utilizados para a prática desde figuras simples, como o triângulo, o quadrado ou o círculo, símbolos como a imagem da lua, o sol ou uma chama, até outras infinitamente mais intrincadas e labirínticas, como os yantras do culto Shrividya.

Yatna
“esforço”. Essência da prática, sinônimo de abhyasa, “prática diligente”. O yatna é uma das qualidades mais importantes do praticante, pois não pode haver progresso sem esforço concentrado e disciplina.

Yoga
“união”. Escola de filosofia com aplicações práticas que nasceu na Índia há milênios atrás. A palavra deriva da raiz sânscrita yuj, que significa, literalmente, “unir”, “integrar”. O objetivo do Yoga é transformar o homem, conseguir a experiência definitiva da liberdade humana: a fusão entre o Ser e o Conhecer. Dizem as escrituras que o caminho do Yoga começa “quando o homem consegue quebrar a prisão das suas misérias”. O Yoga parte da condição humana desamparada, nua e crua e tem o mérito sem par de revelar a verdadeira potencialidade do homem: a de sua espiritualidade. Seus ensinamentos são somente acessíveis através da prática. O yogi deve “pôr sob o jugo” seu corpo, sua psique e sua consciência para poder libertar o Espírito.

Yoganidra
“sono do yogi”. Estado de consciência que se situa entre o sono profundo e a meditação; técnica de descontração profunda e consciente. A mitologia purânica faz alusão ao sono de Vishnu, o sustentador da criação. Como Narayana, Vishnu é o deus que dorme, “aquele que descansa nas águas causais”, deitado sobre a serpente Ananta, “a infinita”, que tem mil cabeças com as quais o cobre e protege, à maneira de um dossel. Ele dorme, medita e sonha ao mesmo tempo. Durante seu sonho, surge-lhe do umbigo uma flor de lótus da qual emerge Brahma para criar o mundo, dando início a um novo ciclo cósmico de quatro eras (mahayuga): era de ouro, de prata, de bronze e de ferro.

Yogi
“aquele que pratica Yoga”. Praticante do sexo masculino.

Yogini
“aquela que pratica Yoga”. Praticante do sexo feminino.

Yoni
“matriz”, “vulva”. Por extensão, designa o princípio feminino, a força geratriz do mundo, ®akti. No tantrismo, a yoni não é somente o símbolo da energia criadora feminina, mas significa também “fonte”, “semente”, “grão”, “água”. Compara-se ao botão da flor de lótus. Assim como o lótus não é manchado pela lama onde cresce, da mesma forma a yoni permanece perpetuamente pura e intocada. “A Natureza manifesta, a energia cósmica universal, está simbolizada pela yoni, o órgão feminino, que rodeia o lingaˆ. A yoni representa a energia que engendra o mundo, matriz de tudo o que existe” (Karapatri, Lingopapasana Rahasya, Siddhanta, II).

Yonimudra
prática de retração dos sentidos, concentração e meditação que consiste em fechar as “sete portas” (os sete orifícios) da cabeça: os ouvidos fecham-se utilizando os polegares, os olhos, com os indicadores, as narinas com os dedos maiores e a boca com os anulares e mínimos. Esta técnica é mencionada duas vezes na Hatha Yoga Pradipika: na primeira (III:43) não é dada nenhuma instrução a respeito dela e, na segunda (IV:68), é descrita mas não é nomeada.

    COMENTÁRIOS

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  1. NATHÁLIA REIS

    Por favor, vocês podem colocar os glossários em PDF? Ou algum link pra baixar. Por favor. É muito importante pra mim.


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  2. Asa

    Segue dicionário.

    Claudia Baronto

    Gratidão!!! Gostaria de receber o dicionário glossário de sânscrito. Só consegui do L - Y gratidão!!

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