Na Índia de Patañjali, Yoga e meditação são sinônimos, ou quase. Na prática que alguns professores ensinam aqui em Ocidente, a meditação ocupa um lugar muito pequeno. Há outros que simplesmente nem sequer falam no assunto. Alguns falam sobre meditação em movimento, durante os ásanas, mas a verdade é que o Yoga está pagando um preço muito alto pela sua popularização. Esse preço é o da distorção, da banalização, da perda do conteúdo mais essencial desta escola de filosofia.

Portanto, não devemos nos admirar de que alguns, olhando desde fora, vejam o Yoga como uma espécie de ginástica acrobática. De quem é a culpa? Quem deve ser responsabilizado por isto? Acredito que a responsabilidade seja de nós mesmos, os professores. Alguns de nós deixam de incluir em suas aulas os aspectos mais importantes é profundos destes ensinamentos. E isso acontece porque não há uma prática pessoal consistente de concentração e meditação. Essa prática diligente é chamada abhyasa por Patañjali.

Sem prática pessoal, não há experiência. Sem experiência, a meditação fica num plano quase mítico e o professor não consegue ensinar ou transmitir as experiências transmentiais, pois ignora tudo sobre elas. Desta forma, o praticante iniciante pode concluir que meditar nem sequer faz parte do Yoga. Assim, tenho visto que alguns yogis consideram o Yoga como um exercício para o corpo e vão procurar a experiência da meditação em outros lugares, como escolas de budismo, zen ou outras, sem sequer suspeitar que essas práticas contemplativas nasceram junto e fazem parte da tradição do Yoga.

Embora você precise de muita concentração para fazer certas posturas, é preciso deixar claro que esse grau de concentração atingido durante os ásanas (assim como o grau de concentração que se consegue num bom jogo de xadrez ou tênis), está muito aquém daquele que se conquista numa prática séria de meditação sentado, focalizando a mente num ponto só, sem movimento algum do corpo, cortando todos os vínculos sensoriais e observando-se no momento presente.

A diferença que existe entre fazer ásana concentradamente e meditar é como a diferença que existe entre aprender a se concentrar e conseguir expandir a consciência. Aumentar o grau de concentração através da prática de ásana pode refletir-se numa sensação de estabilidade, unidirecionalidade da mente, calma e equanimidade. Para fazer certas posturas, é preciso atingir um razoável grau de focalização da mente, do corpo e da respiração, para poder relaxar durante a permanência.

Expandir a consciência, por outro lado, pode ser doloroso. Flagrar-se da impermanência das coisas, dos conteúdos do ego ou do tamanho dos próprios condicionamentos, são coisas que fazem parte da expansão da consciência, e que podem assumir formas ameaçadoras para o praticante, como todos podemos perceber e sentir nas práticas profundas, como o antar mouna.

Concluíndo, lembre que, quanto mais fundo você for na prática de ásana, mais fundo acabará mergulhando na experiência da meditação, e vice-versa. Cria-se um sistema em que a prática física alimenta o exercício espiritual e este, por sua vez, motiva àquela.

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  1. Mrinalinii

    Massa esse artigo Pedro. Também acredito que a prática pessoal é findamental, é onde realmente nos conhecemos, é quando mergulhamos profundamente em nós e deixamos a superfície. Namaskar! Mrinalinii
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  2. l lopes

    Leio com muita atenção as vossas noticias, pois acho-as muito interessantes. Só queria deixar o meu testemunho de como o Yoga foi benéfico para a minha vida. Comecei tarde, e numa altura em que estive muito doente. A minha qualidade de vida era deplorável. No princípio era doloroso, mas sentia que após cada prática sentia uma pequena, quase imperceptível, melhora no combate à dor, depressão e mau estar geral, e por muito pouco que fizessem na prática - e devo dizer que dormia duas horas na cama, caminhava meia hora, mais duas horas a dormir no sofá e passava o dia a chorar por não conseguir fazer nada - hoje durmo como um bebê por 8 horas, sinto-me forte, decidida, resoluta, auto-suficiente e muito feliz. Paz para todos. Um abraço!
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