Ekagrátá, a fixação da atenção em um ponto determinado, é o passo prévio à prática do samyama. Esse ponto pode ser uma região do corpo (um chakra, o intercílio, a ponta do nariz), uma imagem (a chama de uma vela, uma estrela, um yantra) ou uma idéia abstrata (um mantra, um sútra). Por meio dessa concentração, o yogin abstrai a sua psique das dispersões inerentes à condição terrena, conseguindo assim lograr um estado de unificação do fluxo consciente.

O alvo primordial do ekagrátá é controlar as faculdades dos sentidos e queimar a atividade subconsciente, o samskára e as vásanás, que dão corpo à vida psico-mental. O samskára é o conjunto das raízes profundas dos condicionamentos do ser, de caráter kármico e inato, que se estruturam em malhas subconscientes. Se perpetua através das gerações por herança histórica, cultural ou étnica, afetando a todos os indivíduos.

Estamos condicionados a agir sempre em consonância com o samskára, que funciona como um modelo padrão de comportamento. J. Woodroffe dá o exemplo de uma tira de borracha que, embora possa assumir as mais diversas formas, sempre tenderá a retomar a original.

Vásanás (lit. perfume) são os sulcos subconscientes. O cheiro que uma flor deixa em um pano é a vásaná essa flor: mesmo depois de retirá-la, o perfume permanece. As vásanás constituem um colossal obstáculo para o meditante, pois a vida subconsciente é um fluxo constante de impressões latentes que dão corpo aos vrittis. Para poder atingir o estado de cessação das instabilidades da consciência (chittavritti nirodhah), objetivo do Yoga, é necessário aniquilar essas tendências através da contemplação.

O corpo funciona como um receptor de prána cósmico, captando energia do ambiente através dos chakras, que vibram em consonância com o samskára de cada um. Os vrittis acionam o sistema glandular, que fabrica os hormônios. Através das práticas, agindo sobre os centros de força, podemos controlar as propensões da mente e sublimar o samskára. Fazendo ásana e bandha, por exemplo, pressionamos e massageamos as glândulas do sistema endócrino, que estão relacionadas à atividade dos vrittis. As mudanças biológicas causam reações nas outras áreas do ser humano: consciência, mente, emoções e atividade subconsciente.

O corpo energético está relacionado às emoções: da mesma forma, também os endocrinologistas sabem que certos desequilíbrios emocionais estão ligados a disfunções glandulares. As glândulas do sistema endócrino estão em consonância com os seis principais chakras. Cada glândula desempenha um papel no funcionamento do corpo, segregando hormônios e substâncias químicas sob influência do tattwa (princípio de realidade) dominante em cada chakra.

A redução do campo de atuação de chitta pelo pratyáhára e sua posterior limitação a um ponto definido preparam o caminho para atingir o estado de não condicionamento. Quando a atenção está perfeitamente centrada e dirigida, se alcança o dháraná, a concentração, primeiro degrau do samyama.

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