Para que a prática de meditação seja bem direcionada, e dê resultados visíveis a curto prazo, recomendamos ao praticante que leve em consideração esses conselhos, pois eles irão facilitar a concentração. Reserve um lugar especial para meditar. De preferência, que seja bem arejado, amplo, iluminado, fresco tranqüilo e silencioso, onde reine uma atmosfera de paz. Meditar sempre no mesmo local favorece o controle dos pensamentos. Com o tempo, a mente irá aquietando-se cada vez mais rapidamente.

Escolha um momento adequado do seu dia: tradicionalmente, as horas de maior concentração de prána no ar são o alvorecer e o crepúsculo, o horário sandhi, aquele em que aumenta o poder magnético e prepondera o guna sattwa no homem. O melhor horário é aquele chamado brahmámuhurta, a partir das quatro da manhã, quando a consciência está mais predisposta e firme para meditar. Praticar sempre à mesma hora ajuda a disciplinar a atividade psico-mental e, desta forma, se alcança o estado de meditação com maior facilidade.

É importante a perseverança, principalmente ao começar. No início, vinte minutos é um tempo razoavelmente bom para dedicar-se ao samyama. Gradativamente, na medida em que os primeiros resultados forem se manifestando, você irá aumentar de forma natural e progressiva esse tempo até uma hora por sessão.

Convém regularizar a respiração ao iniciar, fazendo durante alguns minutos a respiração completa, ou o pránáyáma quadrado. Depois, mantenha a respiração espontaneamente ritmada, lenta e abdominal. Você observará que ao atingir estados de meditação profunda a sua respiração se altera, passando a exalação a ser mais curta e rápida que a inalação, da mesma forma que quando dormimos.

Use sempre o bhairava ou o jñána mudrá, pois por meio deles você conseguirá uma sintonia perfeita. O bhairava mudrá facilita enormemente a concentração: a mão direita fica por cima da outra, e ambas em forma de concha, descansando sobre as pernas, ou os pés, conforme o ásana.

O jñána mudrá se faz unindo as pontas dos polegares e indicadores, mantendo as mãos relaxadamente apoiadas sobre os joelhos, com as palmas para cima ou para baixo, como for mais confortável. Ao começar, não se esforce para eliminar os pensamentos que forem alheios à contemplação. Eles acabarão desaparecendo, como nuvens passageiras no céu.

Não utilize mais do que uma técnica por sessão. Com o tempo você descobrirá qual é a técnica que favorece mais o seu samyama, e passará a trabalhar exclusivamente com ela. Mantenha os olhos suavemente fechados e a musculatura do rosto bem descontraída.

Alguns pensam que o progresso no Yoga depende de fazer práticas de austeridade ou mortificação, de ficar sofrendo ou atormentando-se com exercícios extenuantes; porém, há formas e formas de se fazer tapas. A prática de tapas, o esforço sobre si próprio, deve estar em função do temperamento e do caráter da pessoa. A austeridade que vale para um camelo, que fica dias a fio sem beber água, pode não ser boa para o homem. O segredo é fazer tapas com inteligência.

Como dizia Vivekánanda, 'cara feia não é sinal de espiritualidade, e sim de dispepsia'. A auto-superação deve entender-se como disciplina na prática, cultivo das virtudes mais elevadas e muita consciência em todas as atitudes e decisões do dia a dia. É importante evitar os exageros e adquirir alguns costumes que possam elevar e manter a nossa qualidade de vida: pensamento positivo, alimentação correta, exercícios para manter o corpo em forma, dedicar alguns momentos à natureza e a atividades que nos outorguem satisfação e nos realizem como seres humanos.

Ao mesmo tempo, convém eliminar hábitos notadamente perniciosos, como o uso de álcool, drogas ou tabaco, mesmo socialmente. A adoção do vegetarianismo puro e honesto é condição imprescindível se queremos levar o Yoga a sério. A razão desta opção por uma alimentação sáttwica, equilibrada e frugal, evitando os excessos, é que assim, se consegue fazer muito mais facilmente todos os exercícios, desde os ásanas à meditação, e a evolução no sádhana é mais rápida. Swami Shivananda disse que a pureza da alimentação engendra a purificação da natureza interior.


Posições de meditação

Ásanas são os exercícios psicofísicos do Yoga. A definição de Pátañjali, é que ásana é toda posição firme e agradável (sthirasukham ásanam). Aqui nos ocuparemos unicamente de alguns dhyánásanas, posições sentadas utilizadas para fazer meditação.

Para encaixar-se no conceito de Pátañjali, estas posições precisam ser perfeitamente confortáveis. As pernas cruzadas, assim como os mudrás, que são gestos feitos com as mãos, têm por objetivo isolar o corpo das influências telúricas e favorecer a circulação prânica, minimizando a dispersão.

Na Índia utiliza-se com esta mesma finalidade uma pele de antílope ou tigre, ou uma esteira de erva kusha. Os ásanas de meditação mais importantes são quatro: padmásana, siddhásana, swástikásana e samánásana. Existem ainda muitos outros, como idásana, pingalásana, sushumnásana, ou vajrásana, virásana, puránásana et coetera, que poderão usar-se segundo o critério do praticante.

Em todas estas posições as costas devem ficar perfeitamente eretas, mantendo o pescoço e a cabeça no prolongamento do eixo vertebral. O corpo precisa estar perfeitamente descontraído e confortável, os ombros, braços, tronco e quadris alinhados horizontalmente.

Esse perfeito encaixe permitirá que o sangue oxigene melhor todos os tecidos do organismo. É preciso estar sempre consciente da postura, corrigindo-a sempre que for necessário. Ao sentar, devemos verificar se a coluna está corretamente encaixada, o que vai facilitar a irrigação sangüínea. Encaixe correto significa que a região lombar fica um pouco arqueada para trás. Essa leve curvatura é a única coisa que permite que ela se sustente sem esforço. Se você não conseguir fazer isto naturalmente (e quase ninguém consegue), use uma pequena almofada para elevar os quadris. Todo mundo usa na Índia, especialmente os saddhus.

Outra dica importante: providencie um losango de borracha ou espuma de alta densidade, tipo o das sandálias de praia, de quinze centímetros de lado por quatro de altura. Encaixe o ângulo mais aberto dessa peça diretamente embaixo do cóccix, mantendo os glúteos e ossos ísquios apoiados no chão.

Isto não funciona para todos os tipos de cóccix, mas se você se ajeitar, esta pode ser a solução definitiva para seu ásana sentado. Você sentirá que, uma vez encaixado, não consegue mais sair da posição, e que fica impossível arquear a coluna ou curvar-se para frente.

Se um ou os ambos os joelhos estiverem no ar, utilize apoios. Não precisam ser apoios demasiado altos. Use um cobertor dobrado ou algo assim, que permita que o joelho se apoie. Na linguagem inconsciente, um joelho que não toca o chão significa instabilidade. E a última coisa que você quer quando está sentado para meditar, é instabilidade.

É preciso estar sempre consciente, corrigindo a posição sempre que for necessário. Se, durante a prática você verifica que perdeu verticalidade, volte a encaixar-se bem devagar. Interrompa o exercício durante algumas respirações profundas, até recuperar a posição correta. As pernas cruzadas, assim como os mudrás (gestos feitos com as mãos), têm por objetivo isolar o corpo das influências telúricas e favorecer a circulação da energia, evitando a dispersão.

Na Índia, se usa com esta finalidade uma pele de antílope ou tigre, ou uma esteira de erva kusha. Os ásanas de meditação mais importantes são quatro: siddhásana, swástikásana, samánásana e padmásana.

Siddhásana é a posição clássica de meditação. Pressiona-se o calcanhar direito contra a base do períneo, entre o sexo e o ânus. A outra perna fica pela frente, os joelhos bem separados e as costas eretas. Siddha significa perfeição. É a posição mais adequada para fazer práticas visando ao despertamento de kundaliní e dos siddhis, poderes paranormais.

'Não existe ásana como o siddhásana, não existe força como a do kúmbhaka, não existe mudrá como khecharí mudrá e não existe láyá (a dissolução que precede o despertamento da energia ígnea) como o náda (som primordial).' Shiva Samhitá.

Swástikásana se faz colocando o pé direito por baixo do outro, porém, sem pressionar o períneo como fazemos em siddhásana. O peito do pé esquerdo fica sobre a panturrilha direita. Os pés ficam por dentro das articulações dos joelhos e a espinha permanece bem ereta, evitando assim a pressão sobre os órgãos internos.

Swástika significa auspicioso, benéfico. Esta posição e a seguinte são as mais adequadas para iniciantes. Para fazer samánásana (samána = simétrico), sente no chão e coloque o calcanhar de direito próximo à base da coluna, deixando o outro pé sobre ele, com os joelhos tocando o chão ou mantendo-os o mais baixo possível.

A diferença entre esta posição e a precedente está na colocação dos calcanhares, que aqui devem estar alinhados, um encima ou à frente do outro. Os genitais devem ficar embaixo dos calcanhares. O pé de baixo fica encaixado na parte posterior do joelho oposto. Deixe a coluna perfeitamente vertical e a musculatura do tronco descontraída. Esta posição também recebe o nome de guptásana (gupta = bem protegido), a causa de que os genitais ficam escondidos atrás dos pés.

Padmásana é a melhor posição que existe para fazer pránáyáma, por ser a que dá mais estabilidade: 'o yogin, sentado em padmásana, inalando através das entradas das nádís (as fossas nasais) e alimentando-se com prána, alcança a liberação; não há dúvida sobre isto.' Hatha Yoga Pradípika, I:49.

Entretanto, sendo a melhor para pránáyáma, não é necessariamente numa boa posição para meditar. Para a maioria das pessoas, o esta posição cansa os tornozelos, adormece as pernas e produz dor em menos de meia hora.

Para fazer rája padmásana coloca-se o peito do pé direito sobre a virilha da perna esquerda e depois o pé desta encaixado no alto da outra coxa. A coluna permanece perfeitamente ereta, mas sem forçamento. Quem não conseguir dominar a posição poderá optar pela variação mais simples, chamada ardha padmásana, que consiste em colocar apenas uma das pernas encaixada na virilha da outra e esta por baixo, ao invés de por cima, como no caso do rája padmásana.

Vajrásana, sentado sobre os calcanhares com o joelhos unidos ou um pouco separados, é também indicado, embora não possua efeitos magnéticos sobre o corpo energético como os ásanas anteriores.

Um truque que você pode usar é apoiar os glúteos sobre uma pequena almofada, colocada estrategicamente entre os pés. Existem algumas variações muito interessantes do vajrásana, que se fazem sentando sobre um calcanhar e deixando a outra perna flexionada à frente como em samánásana, padmásana ou swástikásana.

Sukhásana, a posição com as pernas cruzadas da forma mais simples, deve evitar-se sempre que for possível, pois ao colocar os pés por baixo das pernas impede-se que os joelhos desçam até o solo, o que pode comprometer a evolução do praticante, impedindo-o de fazer padmásana, siddhásana e todas as suas variações.

Todas as posições de meditação disciplinam a atividade psíquica, tonificam os órgãos da região pélvica e ativam a circulação sangüínea nesta área. Agora, o fato de você não conseguir permanecer nestes ásanas confortavelmente não significa que a meditação não seja para você.

Se for muito difícil ficar sentado no solo, é preferível que você pratique no início sentado numa cadeira ou poltrona de encosto reto. O que importa é a disposição interior e o entusiasmo.

    COMENTÁRIOS

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  1. Matheus Costa

    pedro, alguns dos ásanas acima citados não têm polaridade? no caso, a execução seria diferente para homens e mulheres. sendo que a perna esquerda de polaridade negativa, para homens, ficaria mais perto do corpo. para as mulheres, o contrario. a perna direita mais proxima ao corpo.
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  2. Adrian

    Harih Om! Tentei confeccionar um losango de borracha E.V.A. para melhorar o conforto e permanência nos dhyanasanas, seguindo a sugestão desse texto, mas as medidas dadas (losango de quinze centímetros de lado por quatro de altura) me pareceram incompletas... estou aqui quebrando a cabeça, para definir o meu losango... rsrsrs Partindo do princípio de que um losango tem duas diagonais que se cruzam, fica mais fácil definir a dimensão do losango dando as medidas destas diagonais. a) Diagonal maior = x cm b) Diagonal menor = y cm c) Espessura da borracha = z cm Alguém aí pode me dar essas medidas(x,y,z)??? Agradeço desde já essa luz! Namaste!
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