Sente numa posição de meditação com as costas eretas e as mãos em jñána mudrá. Mantenha os olhos fechados. Inspire profundamente e vocalize o mantra Om durante três vezes: Om, Om, Om. Permaneça consciente do seu corpo. Construa uma imagem mental do corpo. Ou sinta seu corpo. Ou as duas. Como você quiser.

Permaneça consciente do corpo inteiro. Tome consciência da sua espinha dorsal, que está perfeitamente ereta, sustentando o pescoço e a cabeça. Tome consciência da posição equilibrada dos braços e pernas. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, dos pés à cabeça. Imagine-se como se estivesse crescendo a partir do chão, como se fosse uma árvore. Suas pernas são as raízes da árvore. O resto do corpo é o tronco. Vivencie isto com intensidade. Você está crescendo a partir do chão, fixando-se no chão. Absolutamente estável. Absolutamente imóvel. Como se fosse uma árvore enorme e forte. Perceba-se, vivencie-se crescendo a partir do chão. Fixando-se no chão. Unindo-se com o chão. Não há diferença entre o corpo e o chão. Você está absolutamente estável. Absolutamente imóvel. Consciência intensa (1/2 minuto em silêncio).

Concientize-se das partes do corpo, começando pela cabeça. Visualize a sua cabeça e mantenha consciência total nela. Faça o mesmo com o pescoço. Visualize o seu pescoço e mantenha consciência total nele. Faça o mesmo com o ombro direito. O ombro esquerdo. O braço direito. O braço esquerdo. A mão direita. A mão esquerda. Permaneça consciente. As costas inteiras. O peito. O abdômen. O glúteo direito. O glúteo esquerdo. A perna direita. A perna esquerda. O pé direito. O pé esquerdo. O corpo inteiro de uma só vez. Consciência total no seu corpo inteiro. O corpo inteiro, como uma unidade (1/2 minuto em silêncio).

Agora visualize o exterior do corpo. Como se você estivesse se vendo num espelho. Veja seu corpo na posição de meditação. Pela frente. Pelo lado direito. Pelo lado esquerdo. Por trás. Por cima. E depois, de todos os lados ao mesmo tempo. Consciência total no seu corpo inteiro. Seu corpo inteiro, como uma unidade.

Tome consciência das sensações físicas que o seu corpo experimenta. Consciência total em todas as sensações físicas. Permita que estas sensações se transformem num foco para o seu pensamento. Consciência total.

Faça um sankalpa: tome a resolução de permanecer absolutamente estável e imóvel durante toda a prática. Repita mentalmente: \\\'durante toda a prática fico absolutamente estável, absolutamente imóvel. Absolutamente estável e imóvel\\\'. Fique atento aos sinais de desconforto do corpo. Consciência total em todos os sinais de desconforto: dor, coceira, formigamento, necessidade de deglutir saliva, o que for. E permaneça absolutamente firme e imóvel.

Quando você se prepara para permanecer atento e evitar todo e qualquer movimento, o corpo permanece imóvel e rígido como uma estátua. E você percebe uma sensação de levitação astral. Se houver algum movimento inconsciente, tome consciência desse movimento. Torne-o consciente. Consciência total no corpo e na estabilidade. Consciência total no corpo e na imobilidade. Seu corpo está totalmente estável e imóvel. Absolutamente firme e descontraído. Esta é a forma da sua consciência agora (1/2 minuto em silêncio).

Você está preparado para manter esse estado. Sinta seu corpo ficando mais e mais rígido. Mais e mais firme. Tão rígido e firme que, depois de algum tempo, você não consegue mais se mexer. Consciência total no corpo e na rigidez. Consciência total no corpo e na firmeza. Seu corpo está absolutamente rígido e firme. Rígido e firme, porém, perfeitamente descontraído e relaxado. Absolutamente imóvel. Consciência intensa (1/2 minuto em silêncio).

Ao manter a consciência centrada, você sente o seu corpo ficar cada vez mais leve, cada vez mais sutil. Tão leve e sutil, que a consciência do corpo se esvai. A consciência do corpo se esvai (1/2 minuto em silêncio). Este é o momento para transferir a atenção para o ritmo natural da sua respiração. Consciência total no ritmo natural da respiração. Observe a respiração na entrada das narinas, mantendo nasikagra drishti, a fixação do olhar na ponta do nariz com os olhos abertos e totalmente relaxados. Consciência total no ritmo natural da sua respiração, mantendo-a tão silenciosa quanto for possível. Agora coloque a consciência no limite exterior das narinas, no ponto que define se o ar está dentro ou fora delas. Dentro ou fora do seu organismo. Consciência total. Leve a consciência para além do limite das narinas. Observe o movimento de entrada e saída do ar. Ao exalar, o ar de fora é deslocado pelo ar que sai das narinas. Ao inalar, o ar nos pulmões é comprimido pelo ar novo que entra. Consciência total no processo respiratório, mantendo a respiração tão silenciosa quanto for possível. Torne a respiração mais sutil. Prolongue aos poucos a duração da inspiração e da expiração. Não force nada. Respiração leve e sutil (1/2 minuto em silêncio).

A sua respiração fica tão sutil que ao inspirar, não há compressão do ar dentro dos pulmões, e ao exalar, não há deslocamento do ar de fora. A sua respiração está absolutamente silenciosa. Aqui você experiencia o ákásh, princípio do espaço.

Coloque a atenção no múládhára chakra, na extremidade da espinha dorsal. Consciência total no múládhára. Ao mesmo tempo, faça mentalmente o bíja mantra Lam. Repita este mantra de maneira contínua e rítmica, associando o ritmo com a respiração: Lam, Lam, Lam, Lam, Lam. Faça japa mentalmente, criando uma textura sonora constante e uniforme. Sinta a vibração do mantra ressoando no chakra. Para revelar seu poder, o bíja mantra precisa fazer-se junto com visualizações. Se não for assim, a repetição será inútil.

Associe o bíja mantra com o múla bandha, a contração do períneo e os esfíncteres. Ao inspirar, contraia aos poucos esta área. O ponto culminante da inspiração é também o ponto de tensão máxima do múla bandha. Cesse lentamente a contração ao exalar. O ponto culminante da exalação é também o ponto de relaxação máxima do múla bandha. O ponto culminante da inspiração é o ponto de tensão máxima da contração. O ponto culminante da exalação é o ponto de relaxamento máximo da contração. O ponto culminante da inspiração é o ponto de tensão máxima da contração. O ponto culminante da exalação é o ponto de relaxamento máximo da contração. Inspire e contraia progressivamente. Expire e relaxe progressivamente. Consciência contínua e intensa no múládhára chakra.

Associe agora ao bíja mantra e ao múla bandha a imagem de um quadrado amarelo açafrão nesta área, inscrito dentro de um lótus de quatro pétalas vermelhas. O quadrado é símbolo de prithiví, o elemento terra. Sinta que esse yantra acorda em você o sentido do olfato. Mergulhe dentro do quadrado amarelo e perceba o suave perfume do sândalo do corpo sutil. Sinta este perfume. Visualize o bíja mantra Lam na cor dourada, pulsando sobre o quadrado.

Sobre o bíja, construa um triângulo vermelho invertido, yantra de kundaliní shaktí. Dentro do triângulo aparece o swayambhu lingam, fundamento criador, que brilha como o diamante. Enroscada três vezes e meia em torno do lingam, jaz adormecida uma serpente, símbolo de kundaliní, a energia latente. A cabeça da serpente aponta para cima, em direção ao sahásrara. Da sua boca, aberta, nascem as três principais nádís: idá, pingalá e sushumná.

[Atenção: nas primeiras práticas, se você for iniciante ou tiver dificuldades para visualizar claramente, omita esta parte da meditação e passe diretamente à visualização do redemoinho de luz.]

Abaixo do triângulo está o elefante Airavata. A pele do elefante é cinza clara, como as nuvens. Ele tem sete trombas, das cores do arco-íris. Sobre o múládhára, do lado esquerdo, está Balabrahma, o Brahma criança. É uma criança radiante, com quatro cabeças e quatro braços. Sua pele é da cor do trigo. Ele veste um dhoti amarelo. Um pano verde cobre seus ombros. Ele olha em todas as direções ao mesmo tempo. Com a mão superior esquerda ele sustenta uma flor de lótus. Com o outro braço esquerdo, os Vedas. No braço inferior direito ele tem o amrit kúmbhaka, o pote do licor da imortalidade. Com a outra mão ele faz abhaya, o gesto de dissipar o medo.

Ao seu lado está Dakiní, a shaktí do chakra. Ela tem uma cabeça e quatro braços. Sua pele é cor de rosa. Veste um sari vermelho. Seus olhos são vermelhos. Com a mão superior esquerda segura um tridente. Na outra mão esquerda tem uma caveira. Na mão inferior direita, um escudo. Na outra, uma espada.

O regente do chakra é Ganesh. A sua pele é alaranjada. Veste um dhoti amarelo. Um pano de seda verde cobre seus ombros. Ele tem quatro braços. Com a mão superior esquerda sustenta uma flor de lótus. Na outra mão esquerda tem uma bandeja de doces. A mão inferior direita se eleva em abhaya mudrá, o gesto de dissipar o medo. Com a outra segura um machado. Consciência total na representação do múládhára chakra (5 minutos em silêncio).

Se em algum momento você perder a imagem, construa tudo de novo: respiração lenta e consciente associada ao múla bandha, a repetição mental do bíja mantra Lam, o quadrado açafrão, yantra do elemento terra, o despertar do sentido do olfato, as quatro pétalas vermelhas, o bíja mantra pulsando sobre o quadrado, o triângulo vermelho invertido, o lingam, a serpente enroscada, as nádís surgindo da sua boca, o elefante Airavata, de sete trombas, Balabrahma, o Brahma criança, Dakiní Shaktí, Ganesha (5 minutos em silêncio).

Agora visualize que o múládhára se transforma num lótus vermelho incandescente. Aos poucos, o lótus começa a girar. Um vórtice de energia girando vertiginosamente. Mergulhe nesse redemoinho. Observe o sentido do giro. Sinta a vibração da energia primal pulsando através de você. Consciência intensa e contínua (5 minutos em silêncio).

Nesse momento, a imagem do lótus se esvai. Conclua a meditação. Mantenha os olhos fechados (1 minuto em silêncio). Fique atento ao momento presente, aos seus sentimentos, ao efeito da prática, ao lugar onde você está. Então, movimente-se devagar. Abra os olhos. A prática de meditação está completa.

Om Shánti, Shánti, Shánti.

    COMENTÁRIOS

    Comentar artigo