O panteão hindu constitui uma tentativa formidável (e bem-sucedida) de definir os distintos aspectos da energia que anima o mundo. Sendo estas manifestações reflexo do imanifestado (que pode ser chamado Shiva, Om, Purusha ou Brahman), todas as formas de existência são em essência iguais a ele. Unidade na pluralidade, dentro da mitologia hindu incluem-se todas as possibilidades: deuses, semideuses, seres celestiais, anjos, demônios e vampiros cujas sagas e peripécias serviram desde antigamente para alimentar o imaginário e os ideais de elevação e realização do ser humano.

Apesar desta inegável multiplicidade, o hinduísmo não é tão politeísta quanto aparenta; tirar essa conclusão seria tão leviano como concluir, olhando para o santoral cristão, que o cristianismo é politeísta. Desde seus mais diversos pontos de vista, o hinduísmo sempre vê no Cosmos uma unidade essencial, um campo vibratório todo penetrante que ao mesmo tempo permanece imanifesto e inatingível:

Armas não conseguem cortá-lo,
fogo não pode queimá-lo,
água não consegue molhá-lo,
ventos não podem secá-lo...
Ele é eterno e tudo permeia,
sutil, imóvel e sempre o mesmo.
Bhagavad Gítá
, II:23-24

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  1. Raphael Teixeira

    Tem toda razão, quando as pessoas falam em Politeista também não consigo concordar, pois quem estuda a filosofia um pouco mais afundo entende que na verdade é tudo sobre uma "unidade essencial".
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