Às vezes, ouvimos dizer que mūlabandha é a contração dos esfíncteres do ânus e da uretra. Porém, a bem da verdade, este bandha vai além de contrair esses músculos. O nome significa 'fecho da raiz'.

Mūlabandha é a técnica de elevação e ativação do assoalho pélvico. Contrai-se primeiramente a musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra. Depois, eleva-se verticalmente o assoalho pélvico, em direção ao plexo solar. Esta contração pode ser acompanhada pelo recolhimento dos músculos do baixo-ventre, uḍḍiyanabandha. Estimula-se assim o sistema nervoso central e o mūladhāracakra, cakra básico.

Esta técnica é sumamente importante para manter-se a concentração e o foco na prática. Ensina a Haṭhayoga Pradīpikā no seu terceiro capítulo: "Para fazer-se mūlabandha deve-se pressionar o períneo com o calcanhar e contrair os [esfíncteres do] ânus [e da uretra, além do assoalho pélvico], para fazer subir a força vital apāna. Por meio da ativação do cakra básico (mūlādhāra), a corrente vital (apāna) que normalmente flui para baixo, é forçada a subir [por suṣumṇā]; os yogis chamam este exercício de mūlabandha. Pressionando-se o calcanhar contra o períneo, faz-se força sobre o apāna até iniciar o movimento ascendente. Praticando-se mūlabandha, atinge-se a perfeição total. Sem dúvida."

Mūlabandha significa “ativação da raiz”. O mūlabandha é um dos três fechos energéticos usados no Haṭhayoga. Esta contração do assoalho pélvico é acompanhada por um recolhimento sutil dos músculos do baixo-ventre e dos glúteos. Revigora o sistema nervoso central, estimula a união do ar vital descendente (apāna) com o ascendente (prāṇa) e desperta o cakra básico (mūlādhāra).  

 

Toda a área do períneo é ativada e
ligeiramente elevada com o mūlabandha

 

Aśinīmudrā

Existe uma variação desta técnica, chamada aśvinīmudrā, que consiste em fazer sucessivas contrações da musculatura anal e uretral. Este exercício de contração rítmica fortalece a musculatura da base do tronco e é mais fácil que o mūlabandha, pelo que recomendamos o seu uso para aqueles que não tiverem ainda dominado esse exercício. Avśinī significa "égua" em sânscrito. Como bons observadores da natureza, os yogis viram que o movimento deste bandha reproduzia aquele que as éguas fazem ao acabar de urinar. O nome provém dessa constatação.

Efeitos do mūlabandha

O mūlabandha aumenta a potência sexual e a irrigação sanguínea na região pélvica, ajuda efetivamente no controle do orgasmo, evita a dispersão da energia sexual, mantém o equilíbrio hormonal e estimula o metabolismo dos órgãos internos. O curso natural descendente do apānavāyu é invertido, forçando-o a elevar-se em direção ao prāṇavāyu, na região do tórax.

 

 

 


    COMENTÁRIOS

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  1. Lina Afonso

    Olá Pedro, o Mula Bandha também ajuda a fortalecer os músculos da bexiga? E a combater/diminuir as perdas involuntárias de urina?
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  2. JUNIOR

    perfeito o texto !
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  3. Marli Dias

    Obrigada professor pela excelente explicação, não só neste texto, mas em muitos outros. Geralmente, quando devo me aprofundar em alguma técnica por ter algumas dúvidas, recorro às suas explicações. Grata Namaste
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  4. Sãmayha

    E Hari.Om. Como é bom saber que existe pessoas com dharma tão belo de compartilhar esses Conhecimentos e informações para os yoguinis.!.Obrigada yoga é infinito! Dou aulas também e me sinto criança nessa expansão! Gratidão e muita luz ! Namas ~
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  5. Alexandre

    Muito legal! Pratico esta BANDHA e as outras duas. No caso da MULA BANDHA os benefícios foram palpáveis no que se refere a potência sexual.


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  6. vanessa

    achei muito interresante
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  7. Ivana

    Olá, gostaria de saber como faço para aprender a técnica. Existe alguma coisa na Internet q ensine os exercícios? Muito obrigado, aguardo retorno


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  8. Glauce Pereira Soares

    Achei super pertinente os artigos sobre lesões em aulas de yoga, principalmente porque fui eu mesma vitima de uma devida à minha precipitação, falta de conhecimento interior e de humildade. Reconheço que há um longo caminho para mim, e olhe que isso aconteceu depois de quase três anos de prática, mas não penso em desistir, gostaria de mais artigos sobre sugestões de práticas posturais com mais equilibrio e discernimento, principalmente agora que muitos praticantes estão vindo para o yoga devida à alta exposição na mídia, sem atentar para a grandeza que é a prática, é muito importante conscientizar pessoas como eu.
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  9. Mariana

    Jaya! Jaya! Pedro, esse site é realmente uma fonte de água cristalina. Om namah Shivaya! Estava explicando na aula de hoje para uma aluna a "consciência do mula bandha" e ela percebeu nitidamente a diferença da prática de Ashtanga Vinyasa Yoga com ele ativo. Vou encaminhar aos meus alunos o link desse artigo. Namaste, Mariana.
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  10. Thaís

    Penso que é bem interessante esse artigo a respeito do mula bandha, uma vez que devemos conectar os bandhas durante toda a prática de Ashtanga Vinyasa Yoga... Após ler esse artigo comecei a me dedicar mais a conectar os bandhas, mas na explicação teórica de contrair os esfíncteres do ânus e da uretra não entendi a descrição que diz : ?eleva-se verticalmente o assoalho pélvico, em direção ao plexo solar?. Quero entender melhor essa explanação, pois vejo que estou tendo resultados positivos, maior equilíbrio e foco na força quando estou conectada. Hari Om.
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  11. Andressa Romais

    Namaste! Quero apenas agradecer por este site magnífico, educativo, instrutivo, claro e direto. Com tanta "coisa" que já vi por aí, fico muito grata e feliz por poder ter uma boa fonte de pesquisa à mão. Agradeço em especial por esse artigo, pois eu tinha muitas dúvidas, já que cada professor me dizia uma coisa. Estou muito feliz também porque Pedro estará em minha cidade agora em julho. Pratico Hatha Yoga há 3 anos e me formo professora em agosto de 2006, com um longo caminho a seguir, assim espero. Abraços a todos, parabéns pelo site e até mais. Namaste!
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