A cronologia histórica da Índia proposta pela nova geração de estudiosos, baseada em estudos arqueológicos e análise de referências vêdicas e purânicas, poderia ser assim estimada:

 

Ø   Idade Vêdica: 7000-4000 a.C.

Ø   Surgimento do Yoga pré-histórico: 7000 a.C.

Ø   Fim do Período do Ramayana/Mahabhárata: 3000 a.C.

Ø   Apogeu da civilização do Indus-Sarasvati: 3000-2000 a.C.

Ø   Declínio da civilização do Indus-Sarasvati: 2200-1900 a.C.

Ø   Sistematização do Yoga (Smriti: primeiras Upanishads, Araynakas e Brahmanas): 1900-1500 a.C.

Ø   Período de caos e migração: 1900-1500 a.C.

Ø   Síntese do hinduísmo clássico (Shruti: Sutras, Tantras e Épicos): 1400-250 a.C.

 

Como isto afeta o ponto de vista do Yoga? Feuerstein, Kak e Frawley respondem: 'Estritamente falando, o modelo da invasão ariana implica que a tradição do Yoga tem uma história fraudulenta: o Yoga teria sido criado pelas culturas nativas e subseqüentemente emprestado ou roubado pelos arianos nômades, que, supostamente tomaram o norte da Índia pela força. Depois, eles teriam apagado todos os traços deste empréstimo, como se eles próprios tivessem sido os criadores originais do Yoga. Esta noção não faz sentido, considerando o que sabemos sobre adoções e adaptações culturais. Faz menos sentido ainda, levando em consideração as evidências arqueológicas e literárias citadas no presente livro.' In Search of the Cradle of Civilization, p. 172.

Desses indícios podemos concluir que talvez esta civilização tenha sido a primeira e mais avançada do mundo antigo, e que o movimento civilizatório deu-se a partir do sub-continente indiano. Concomitantemente, o Yoga seria muito mais antigo do que se pensava até agora: poderíamos situar a sua idade, segundo a estimativa mais prudente, em mais de 7000 anos, o que o torna parte do mais antigo patrimônio da Humanidade.

A civilização que deu origem ao Yoga, ensinou-nos igualmente a viver em cidades e a conviver através do comércio e do trabalho industrioso. Também mostrou-nos como sobreviver às catástrofes naturais do planeta e a reconstruir a existência, afirmando-se na enorme força ancestral das suas convicções que foram postas à prova uma geração após a outra durante milênios. O que mais admiramos neles é que sua aventura espiritual através do Yoga continua tendo vigência: sua ousadia construtiva é hoje patrimônio de todos.

Concluindo, podemos afirmar que a única importância que a ait teve na interpretação histórica, foi a de distorcê-la e nos desviar dos nossos objetivos. É preciso deixar de lado essas tolices, para ver quais foram as reais contribuições desta civilização, tão habituada a vencer limites quanto o próprio Yoga.

Uma cultura capaz de resistir a terremotos e cataclismos e que mostra a concepção do mundo que esta possui, permite a seus homens trocar de domicílio mas não de identidade: continuam sendo eles mesmos. A densidade da literatura surgida durante e após o deslocamento para o vale do Ganges fala de muitos milênios de história espiritual. A excepcional complexidade da sua linguagem, de seu mundo metafórico e de seus recursos simbólicos continua sendo hermética para nós, porque perdemos a chave para decifrá-la. Não obstante, este obstáculo não pode servir de pretexto para subestimá-la.

Através do pouco que sabemos da história deste povo, percebe-se a sua força, advinda de uma convicção profunda num modo de ver a vida. A sua espiritualidade foi posta a prova não pelas catástrofes, mas pela própria experimentação dos seus rishis, os sábios ascetas que compuseram os Vedas. Esse mundo corresponde a uma realidade metafísica transcendente. Com o Yoga, eles criaram um canal prático e ousado que não faz senão resumir a trajetória milenar dos rishis, e que lhes permite, de modo nem místico nem religioso, comprovar a veracidade da sua cosmovisão.

 


 

A literatura Hindu e a síntese do hinduísmo

Hinduísmo é o termo empregado para designar as instituições culturais, religiosas e sociais da grande maioria da população indiana. O hinduísmo faz a sua aparição no contexto da primitiva civilização hindu, durante o alvorecer da nação indiana. Embora não exista uma data precisa a partir da qual possa se dizer que surge a civilização hindu, poderíamos localizá-la entre o declínio da civilização vêdico-harappiana (2200-1900 a.C.) e o século vi a.C., a partir do qual possuímos registros escritos. Não temos evidências históricas para o milênio anterior à época clássica na Índia, mas temos abundante material nos planos filosófico e religioso. As primeiras escrituras do hinduísmo não possuem uma data precisa, foram compostas e transmitidas oralmente durante um lapso de tempo incerto antes de serem transcritas, embora a tradição oral (parampará) estivesse largamente desenvolvida.

O termo hinduísmo não deve restringir-se apenas ao âmbito religioso, pois não seria uma religião tal como se concebe no Ocidente: não possui um fundador, nem hierarquia, dogmas, liturgia ou profetas. Aliás, nem sequer existe uma palavra para designar essa instituição em sânscrito. A que mais se aproximaria é dharma, que se traduz mais precisamente como lei humana ou social. Também não existe um termo para designar Deus.

 

Distinguimos quatro grandes momentos na formação do hinduísmo clássico:

1) O período vêdico (1400-500 a.C.), que compreende a transcrição para o nágarí de obras de tradição oral que remontam à idade vêdica (7000-4000 a.C.): Vedas, Brahmánas, Upanishads e Áranyakas, que formam a base de uma importante porção ulterior da filosofia hindu.

2) A literatura épica: o Mahabhárata, o Rámáyána e os Puránas, epopéias e escritos mitológicos surgidos com anterioridade ao ano 3000 a.C. e transcritos para o nágarí entre os séculos iii a.C. e iv d.C.

3) A grande síntese hindu, momento em que começam a se configurar as seis escolas filosóficas tradicionais (darshana), o dharma, o sistema de castas, o uso do sânscrito como língua sagrada e a diferença entre Revelação (Shruti) e Tradição (Smriti), de 1400 a.C. até o século v d.C.

4) O Bhakti Yoga ou hinduísmo devocional, que embora tenha raízes antigas, alcançou força considerável entre os séculos vii e xvi d.C.

 

1) O Período Vêdico.

A) O gênero mais antigo é o dos Vedas, uma coleção de hinos e fórmulas rituais através dos quais o oficiante e harmonizava com as forças naturais. Embora de temática aparentemente limitada, estes livros revelam-se obras primas do ponto de vista literário, dando-nos uma visão global da cultura, dos valores e da forma de vida do povo vêdico. Existem quatro Vedas: o Rig, o Sáma, o Yajur e o Atharva.

O primitivo panteão hindu era muito complexo e até contraditório, pois os diversos autores inseriram ao longo dos séculos inúmeras concepções diferentes. Mesmo assim, podemos identificar claramente as diferentes forças da Natureza encarnadas nestes deuses: Súrya, Vishnu e Savitr são divindades solares, Agni personifica o fogo; Váyu relaciona-se com o vento, Rudra-Shiva é o deus terrível, Mitra e Varuna são os conservadores da criação e Indra o deus guerreiro.

B) Os Brahmánas são tratados escritos pelos sacerdotes que versam sobre a prática litúrgica e expõem a cosmogonia primitiva do Purushasukta: o nascimento do homem primordial através de ascese extrema (tapas) e sacrifício, que garante a continuidade da criação através da repetição do gesto criador.

C) Já nos Áranyakas (Livros da Floresta) e nas Upanishads (ensinamentos ouvidos aos pés de um Mestre), os hindus passam a aplicar as técnicas contemplativas, havendo uma transferência de interesses do mero ritual para a meditação. Começam assim a questionar o universo, a natureza da realidade suprema, o porque da existência humana e as relações entre essa realidade e o homem. Inferiram que a natureza suprema é igual à natureza humana e que é possível alcançar a fusão dessas realidades através das técnicas contemplativas. Há treze Upanishads reveladas (Shruti), das quais três tratam do Yoga e descrevem técnicas de meditação: Svetáshwatara, Maitrí e Kena. Todas as outras são posteriores, e pertencem à Tradição (Smriti).

 

2) A literatura épica.

Ganha popularidade ao mesmo tempo em que se delineiam as principais tendências do hinduísmo: o shivaísmo, o vaishnavismo e o culto de Shaktí nas suas diversas formas. As epopéias mais importantes são o Mahabhárata e o Rámáyána.

A primeira obra, O Grande (Combate) dos Bháratas, é um poema épico escrito em 100.000 slokas, estrofes de dois ou quatro versos, oito vezes maior do que a Ilíada e a Odisséia juntas. Descreve a cruenta batalha renhida entre os Pándavas e seus primos Kauravas pelo reino de Bhárata. Essa guerra, embora real, é uma verdadeira alegoria sobre o ser humano e a eterna conflagração de poderes entre o bem e o mal. Posteriormente será acrescentada à sua estrutura a Bhagavad Gítá, poema no qual o avatára[2] Krishna, ensina ao príncipe guerreiro Arjuna os princípios de três tipos de Yoga: Karma, Jñána e Bhakti Yoga.

O Rámáyána, ou Feitos de Ráma, que possui numerosas versões, conta as aventuras de Ráma para resgatar a sua amada Sítá do seu raptor, o demônio Rávana.

É necessário precisar que as datas aqui mencionadas referem-se ao momento em que estas obras, de transmissão oral, foram transcritas para pergaminhos ou folhas de palmeira (pushtaka). Existem atualmente estudiosos que situam a origem do Veda e dos épicos na última era glacial, ao redor de 8000 anos atrás.

Paralelamente às epopéias surgem os dezoito Grandes e os dezoito Pequenos Puránas, crônicas, mitos e lendas arquetípicos utilizados desde tempos imemoriais como fonte de educação popular. Os Puránas e os épicos possuem para a nação hindu o mesmo valor exemplar e a mesma importância que o Ocidente outorga à História.

 

3) A Síntese Hindu.

É o momento em que se definem as grandes instituições e tendências filosóficas, acontece no fim do período upanishâdico. Neste período perfilam-se as seis grandes escolas de filosofia (darshana) e outras instituições tradicionais: a concepção do sistema de castas (varna), os códigos da lei (dharma) e a literatura sânscrita clássica, que inclui textos sobre fonética, gramática, astronomia, matemática e outras ciências.

As epopéias (Mahabhárata, Rámáyána), Puránas (crônicas e mitos populares), Ágamas (manuais de culto), Tantras (tratados filosóficos) e darshanas (pontos de vista filosóficos), constituem a Tradição (Smriti), oposta e posterior à Revelação (Shruti), que inclui os Vedas, Brahmánas, Áranyakas e as treze primeiras Upanishads.

Os seis darshanas, pontos de vista ou escolas filosóficas, formam três pares: Sámkhya/Yoga, Nyáya/Vaisheshika e Mímánsá/Vedánta. O Sámkhya e o Yoga formam sem dúvida o par mais antigo de darshanas, tendo suas raízes profundamente fincadas na Índia aborígene.

O Sámkhya (lit., número, discriminação) é uma filosofia especulativa de fundo dualista que poderia ser definida como emanacionista: os seus vinte e quatro princípios (tattwa) formam uma estrutura vertical, na qual cada elemento ou grupo de elementos emana dos anteriores, e todos do par original Purusha/Prakriti. Através dos diferentes tattwas circulam três estados (guna) que definem por interação todo o existente: sattwa (leveza, equilíbrio), rajas (ação, emoção), e tamas (inércia, escuridão).

O Yoga é um conjunto sistematizado de técnicas que visam a alcançar o estado não condicionado da hiperconsciência (samádhi). À diferença dos outros darshanas, que são meramente especulativos, o Yoga utiliza práticas contemplativas para atingir o estado do não condicionamento. O Yoga está inextrincavelmente ligado ao Sámkhya, e faz suas as premissas deste último.

Antes de ser reconhecido como darshana, o Yoga já tinha alguns milênios de existência, estando ligado ao Niríshvara Sámkhya, ou Sámkhya ateísta. A partir da sua inclusão na grande síntese hindu, já com o status de darshana, passa a receber também o nome de Sêshwara Sámkhya, ou Sámkhya teísta, pois reconhece a existência de um Princípio Criador que estava fora das asserções do Sámkhya ateísta, mais antigo.

O Nyáya e o Vaisheshika são ramos separados da mesma escola, complementam-se entre si e ficaram virtualmente amalgamados em um único sistema filosófico. Nyáya (penetrar, compreender) é uma palavra que significa investigação analítica, e foi tomada em um sentido menos amplo como lógica. Esta é a corrente que mais se aprofundou nos processos e leis do pensamento, e baseia-se em compreensão exata e argumentação correta, estabelece uma clara diferença entre matéria e espírito. O Vaisheshika expõe o ponto de vista atomista, explicando a origem, a estrutura e a evolução do Universo. O mundo material é composto de átomos (anu), unidades especiais, eternas e imutáveis que se caracterizam apenas pela sua particularidade (vishêsha), donde o nome.

O Mímánsá (exame, forma, regra) ou Púrva Mímánsá não é um sistema filosófico propriamente dito, mas um dogmático sistema de interpretação das escrituras vêdicas que versa sobre como devem ser feitos os rituais e as cerimônias religiosas.

O Vedánta (o fim do Veda) é um darshana monista (adwaita[3]), que tem como objetivo acabar com a ignorância metafísica. Está baseado na interpretação das Upanishads e propõe a teoria da máyá (ilusão), segundo a qual o mundo não é real da forma como o percebemos. Também recebe o nome de Uttara Mímánsá.

 

4) O Hinduísmo devocional.

O culto devocional (bhakta) de Shiva, Shaktí e Vishnu possui os seus próprios textos: os Ágamas e os Tantras. O culto de Shiva e Vishnu já aparece nos épicos, sendo de grande importância no sul da península indiana. Existem diversas correntes do shivaísmo e do shaktismo que integram práticas do Yoga e do Tantra. Nelas reconhecemos formas de culto à Natureza que remetem às populações proto-australóides da Índia pré-histórica.

 


 

Cronologia histórica

Sub-continente indiano[1]

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

10000 final da última glaciação

8000 neolítico pré-cerâmico. Culto da Grande Deusa

c. 8215-7215 Mehrgarh, primeira cidade da cultura índica em Baluquistão

9000-8000 Revolução Neolítica: domesticação de animais e cultivos

 

 

c. 9000 caçadores ocupam o continente americano em direção sul

c. 7000 surgimento da cultura vêdica. Presença de símbolos tântricos em toda a Eurásia

 

 

c. 7000 fundação de Jericó

 

 

 

c. 6500 presença do shivaísmo e elementos de vários tipos de Yoga (Jñána, Karma, Mantra) na cultura vêdica. Evidências do Yoga proto-histórico no Rig Veda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

c. 6500 Grécia: início da agricultura, que se estende do Danúbio até o Mediterrâneo

c. 6500 Chipre: culto da Deusa Mãe

 

 

 

 

 

 


Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

c. 6000-5000 ocupação da planície em Baluqui e Gujarat: uso de implementos em cobre, tijolo cozido, cerâmica pintada, cultivos e domesticação de animais. Registros do Rig Veda coincidem com achados arqueológicos

c. 4500: assentamentos na área montanhosa do Cholistão precedem a civilização harappiana: início do intercâmbio entre habitantes da montanha e do vale do Saraswatí

c. 6000 Anatôlia: fundação de Çatal Hüyük. Trabalhos em lã e cerâmica

c. 5000 Mesopotâmia: colonização da planície aluvial

c. 5000 Egito: início da agricultura

 

 

 

 

 

c. 4000 Oriente Próximo: fundição do bronze

c. 5600 Chipre: ídolos de pedra

c. 5600 fim de Lascaux e Altamira

 

 

 

c. 4500-2500 povos falantes do proto-indo-europeu espalham-se pelo continente eurasiático

 

 

 

c. 3800 Malta: monumentos megalíticos

c. 6000 Tailândia: cultivo do arroz

 

c. 3500 fundação da cidade de Kot Diji, da cultura madura pré-harappiana

 

 

 

 

c. 3000 fim do período dos épicos (Mahabhárata e Rámáyána). Aparece o primeiro Purána

c. 3100 Suméria: desenvolvimento de cidades e invenção da escrita pictográfica

c. 3000 Europa: começa o trabalho com cobre

c. 3000 Tailândia: uso do bronze

c. 3000 surgimento da cerâmica na América do Sul

c. 3000-2000 desenvolvimento da civilização do Indus-Saraswatí: 2940-2540: Surkotada;
2863-2776: Harappá;
2655-2185
: Lothal;
2545-2315: Mohenjodaro

c. 3100 Egito: unificação sob o rei Menes.

c. 2500 Egito: Quéops constrói as pirâmides de Gizeh

c. 2800 Creta: apogeu da arte minoense

c. 2700 Chipre: culto do touro

c. 2300 Malta: cultos do touro e o falo (tarxiano)

 

 

 

c. 2500 domesticação do cavalo na Ásia Central

c. 2500 os ancestrais dos maias ocupam a América Central

Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

c. 2200-1900 declínio da civilização do Indus-Saraswatí

c. 1900 grande cataclismo: desertificação do vale do Indus-Saraswatí devido a movimentos tectónicos que alteram o curso dos rios

c. 1900-1500 período de caos e migração. Composição dos Brahmánas, Áranyakas e as primeiras Upanishads. Fim do Shruti (período da literatura revelada)

 

 

 

c. 1800 fundação do estado assírio

c. 1750 Hamurabi funda o Império Babilônico

1650 Império Hitita na Anatôlia

 

c. 1567 Egito: Novo Império

 

c. 2000 Grã Bretanha: megalitos de Stonehenge.

c. 2000 Creta: civilização minóica.

c. 2000 Indo-europeus ocupam o Peloponeso

 

c. 1600 Grécia: primórdios da civilização micénica

 

 

c. 2000 hititas invadem a Anatôlia e fundam um império

c. 1800 criação do estado assírio

c. 1750 Hamurabi funda o Império Babilônico

c. 1600 China: cultura shang (Idade do Bronze)

 

 

 

 

c. 2000 trabalhos em metal em Peru

c. 2000 povoamento da Melanésia por imigrantes polinésios

c. 1500 Fundação de Dwáraka. Inserção da Bhagavad Gítá no Mahabhárata.

c. 1500 Anatôlia: escrita cuneiforme

c. 1450 Creta: destruição da civilização minóica

c. 1500 China: escrita ideográfica

 

c. 1400-250 síntese do hinduísmo clássico: início do período Smriti ('memória', tradição): darshanas, Sútras, Shastras, lei humana (dharma), Tantras, Ágamas e Samhitás.

 

c. 1200 início da religião judaica

c 1300-1200 Grécia: guerra de Tróia

c. 1200 Grécia: fim da civilização micênica

 

c. 1200 queda do império hitita

c. 1200 êxodo dos judeus. Povoação da Palestina

 

 

 

c. 1300 melanésios ocupam Fidji e a Polinésia Oriental

 

 

 

c. 1100 os fenícios criam uma escrita alfabética

 

c. 1150 início da civilização olmeca


Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

c. 1000 ocupação da planície gangética

 

c. 1000 chegada dos etruscos à península itálica

c. 1000 China: a dinastia Shang é destronada pelos Chou

 

 

814 fundação de Cartago, colônia fenícia

c. 750 Amós, primeiro grande profeta de Israel

721-705 Assíria: apogeu do poderio militar

776 Grécia: primeiros jogos olímpicos

753 fundação de Roma

771 China: fim do feudalismo Chou

 

c. 500-200 Kapila ensina o sistema Sámkhya

528 morte de Mahavira, fundador do jainismo

671 Assíria conquista o Egito: trabalhos em ferro

c. 586 cativeiro dos judeus na Babilônia

558 Pérsia: Zoroastro inicia sua obra profética

c. 750 os poetas homéridas compilam a Ilíada e a Odisséia.

c. 750 colônias gregas no Mediterrâneo

c. 700 início da arte etrusca

 

 

c. 500 surge o sistema de castas

c. 550 Ciro o Grande funda o império persa

700-400 cultura de Hallstatt: ferro, agricultura mista

c. 650 introdução da tecnologia do ferro na China

 

c. 400 gramática sânscrita de Pánini

486 morte de Siddharta Gautama, fundador do budismo

521 Dario I, o Grande, reina desde o Nilo até o Indus

585 Grécia: início da filosofia racionalista

c. 520 Maratona: a Pérsia ataca Atenas e é derrotada

520 morte de Lao Tsé

479 morte de Confúcio

c. 500 expansão da tecnologia do ferro pela África subsaariana

 

 

c. 510 fundação da república romana

403-221 China: período dos estados beligerantes

500 cultura nok no norte da Nigéria

c. 500 escrita hieroglífica no México

 

Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

322 Chandragupta funda o império Maurya

334 Alexandre Magno invade a Ásia Menor, conquista o Egito, a Pérsia e alcança a Índia

479-338 período da cultura clássica grega: Esquilo, Sófocles, Hipócrates, Sócrates, Heródoto

350-200 China: formação das escolas taoísta e confuciana

 

 

323 morte de Alexandre: o império se divide

312 começa a era selêucida: primeiro sistema histórico contínuo de datamento

 

 

- 262 Ashoka, imperador Maurya, converte-se ao budismo. Surgimento da escrita brahmí

c. -290 fundação da biblioteca de Alexandria

-206 Roma controla a Península Ibérica

 

 

c. -200 Pátañjali compõe o
Yoga Sútra

 

-168 Roma derrota a Macedônia

c. -141 poderio Han na Ásia Central

 

 

-149 Roma destrói Cartago

 

-146 queda de Corinto: Grécia sob domínio romano

c. -112 abertura da Rota da Seda, ligando a China ao Ocidente

-100 introdução do uso do camelo no Saara africano

 

-30 morte de Antônio e Cleópatra: Egito sob domínio romano

-49 Júlio César conquista a Gália

 

 

c. +100 Íshvarakrishna compõe o Sámkhya Sútra

 

+27 queda da república romana. O Império inicia

 

 

 

 

c +30 Jesus de Nazaré, fundador do cristianismo, é crucificado em Jerusalém

 

 

 

 

+43 os romanos invadem a Grã Bretanha

 

+150 bérberes e mandingos dominam o Sudão

Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

 

 

+ 117 apogeu do Império Romano

c. +105 começa a utilizar-se o papel na China

 

 

+132 diáspora judaica após a rebelião contra Roma

 

+150 o budismo chega na China

 

 

c. +200 conclusão da codificação da lei judaica (Mishnah)

+221 fundação da dinastia Sassânida na Pérsia

+276 crucificação de Mani, fundador do maniqueísmo

 

 

 

 

313 Édito de Milão: o cristianismo passa a ser tolerado no Império Romano

+184 rebelião dos turbantes amarelos na China

+245 embaixadores chineses visitam Funam (Camboja), no sudeste asiático

+271 uso da bússola mangética (China)

c. +250 Axem (Etiópia) assume o controle do comércio no mar Vermelho

 

c. 300 civilização maia na América Central (Teotihuacán, Monte Albán, El Tajín)

320 Chandragupta funda o Império Gupta, no norte de Índia

c. 350 os hunos invadem a Índia e a Pérsia

330 a capital do Império Romano é transferida para Constantinopla

285 o confucionismo chega ao Japão

c. 300 povoamento da Polinésia Oriental

c. 400-700 eclosão do tantrismo

 

370 invasão dos hunos na Europa

 

 

413 Kumáragupta: grande período da literatura indiana

429 reinado vândalo no norte da África

410 os visigodos saqueiam Roma e ocupam a Espanha

 

 

480 queda do Império Gupta

 

476 deposto o último imperador romano

 

 

520 criação do sistema decimal por Áryabhata e Váramihara

 

 

 

 

 

 

 


 

Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

c. 700 surge a escrita nágarí (urbana), utilizada para transcrever o sânscrito, chamada posteriormente (s. xviii) devanágarí (escrita dos deuses)

625 o profeta Maomé inicia sua missão

590 o papa Gregório expande o poder da igreja católica

624 China une-se sob a dinastia Tang

 

 

625 morte de Maomé. Expansão árabe

645 o budismo alcança o Tibete

665 expansão tibetana no Turquestão

c. 600 apogeu da civilização maia

 

641 os árabes conquistam o Egito e o norte da África

 

 

 

 

 

 

 

 

 

711 invasão islâmica em Espanha

 

701 unificação do Tibete

 

 

 

 

 

c. 800 navegantes polinésios chegam à Nova Zelândia e à Ilha da Páscoa

788 Shankarachárya promulga o sistema Vedánta (monista)

760 os árabes adotam os numerais da Índia, a álgebra e a trigonometria, que os indianos usavam 4000 anos antes

788 grande mesquita de Córdoba

800 início do Santo Império Romano com Carlos Magno

751 manufatura do papel se estende da China à Europa e ao mundo muçulmano

c. 850 fim da cultura clássica maia

 

 

 

853 primeiro livro impresso na China

 

 

 

 

c. 890 renascimento cultural japonês

 

c. 900 Matsyendranatha inicia a linhagem dos Nathasiddhas, mestres de Hatha Yoga

935 finalização do texto do Alcorão

936 estabelecido o califado de Córdoba

907 China: deposição do último imperador Tang

 

Sub-continente indiano

  Norte da África e
  Oriente Próximo

Europa

Ásia, exceto a Índia e Oriente Próximo

Outras regiões

c. 900-1200 Gorakshanatha codifica o Hatha Yoga e funda a escola Kaula, Vamachara Tantra

1000 templos de Kajuraho

969 os fatímidas conquistam o Egito e fundam Cairo

 

1037 morte de Avicena (Averroes), filósofo persa

959 Edgard unifica a Inglaterra

960 Miezsko funda o estado polonês

 

 

979 China reunificada sob a dinastia Sung

c. 990 expansão do Império Inca (Peru)

c. 1000 vikings colonizam a Groenlândia e descobrem a América (Vinland)

1021 os Cholas invadem Bengala

 

 

 

1175 Muizzudin de Ghazni estabelece o domínio muçulmano na Índia

 

 

1096 Primeira Cruzada dos francos em Anatôlia e Síria

c. 1100 Omar Khayam compõe o Rubayat

1031 queda do califado de Córdoba

1066 os normandos conquistam a Inglaterra

c. 1100 primeiras universidades européias

 

 

c. 1300 Svatmarama compõe a Hatha Yoga Pradipiká

1188 Saladin acaba com o domínio franco na Terra Santa

c. 1160 poesia vernâcula européia: El Cid, Chanson de Roland,  Tristão e Isolda

1180 o reino de Angkor (Camboja) alcança seu máximo esplendor

1227 Morte de Gengis Khan

c. 1200 Império de Mali na África Ocidental

Nota: Em princípio, todas as cronologias são mentirosas. Elas ajudam a nos situar e são necessárias para uma primeira compreensão. Entretanto, existem pontos de vista diferentes, alguns até mesmo antagônicos entre os historiadores. Portanto, o autor deixa claro aqui o seu escrúpulo perante as evidentes limitações deste quadro. As fontes aqui usadas foram o Atlas Histórico, editado pelo New York Times, o Vedic Glossary of Indus Seals, do Dr. Natwar Jha, The Indus-Saraswatí Civilization: problems and issues, do Dr. S. P. Gupta, In Search of the Cradle of Civilization de G. Feuerstein, S. Kak e D. Frawley e outros trabalhos mencionados na bibliografia.


[1] Entende-se por sub-continente indiano aquela área que abrange não apenas a Índia, mas também Paquistão, Bangladesh e Nepal.

 

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