Viagem à Índia 2020 

Yoga, Vedānta e Cultura 

Com Ângela Sundari e Pedro Kupfer | 27 de fevereiro a 20 de março, 2019 

 

Esta viagem foge ao propósito da maioria das que se fazem à Índia, terra do Yoga. Não está centrada em visitar lugares históricos ou turísticos, nem em fazer compras, mas no próprio processo de crescimento pessoal do viajante. 

O foco está no Yoga e na descoberta de si mesmo. Pede-se genuíno entusiasmo e vontade de mergulhar no autoconhecimento e espírito de aventura, bem como curiosidade e mente aberta para conhecer e conviver com a incrível cultura hindu. 

O ritmo da viagem é muito mais suave das feitas anteriormente, pois não haverá longas viagens terrestres de cidade para cidade e, por outro lado, teremos a chance de desfrutar de cada lugar com calma, entrando de fato no ritmo de vida local para poder assimilar o ensinamento e fruir adequadamente a cultura e o modo de vida dos yogis. 

Caso a vontade de conhecer a Índia te chame, escreva para angelasundari@gmail.com

Será muito bem vinda(o) ao nosso grupo de 2020. 

 

Roteiro, valores e programação completa, em breve.

Deixe o seu e-mail para retornarmos quando tivermos todas as informações. Mantemos o contato.

* A data que aparece, poderá ter alterações.

 

Especialistas Ângela Sundari e Pedro Kupfer 

Ângela Sundarī é yoginī por nascimento e vocação. Pratica Yoga e estuda Vedānta há mais de 20 anos. Ela e Pedro viajam juntos pela Índia e o Oriente, onde o casal estuda, pratica, pesquisa, surfa e aperfeiçoa seus conhecimentos. Ângela compartilha com os grupos os segredos que aprendeu na estrada e coordena as atividades de Yoga de nossas viagens. 

Pedro Kupfer nasceu no Uruguai em 1966. Descobriu o Yoga aos 16 anos de idade e pratica desde então. Escreveu e traduziu vários livros sobre Yoga, além de ser editor das revistas Yoga Journal, Cadernos de Yoga e do site www.yoga.pro.br. Desde a década de 1980 viaja regularmente pela Índia e outros países do Oriente. Atualmente mora em Portugal. 

 

Impressão de quem já foi neste grupo

Índia contada por Cíntia Soares (em nossa viagem à Índia em 2017).

Eu também fui atrás de especiarias: tudo que é especial!

Namastê!

Quando via fotos e reportagens sobre a Índia, eu pensava: “Cara! Tem alguma coisa aí além do que esta imagem mostra”. Porque se você olha apenas aquela cena, você só vê uma bagunça. Mas tem algo no rosto, sorriso, olhar das pessoas que me chamavam a atenção. O que tem lá?

Hoje eu sei! E vou contar, ao meu olhar, aquilo que meu coração pôde enxergar. Claro que você pode ir para lá e ter suas próprias percepções completamente distintas e valiosas.

Ainda absorvendo toda esta vivência, somente quando converso com os amigos que se interessam em saber como foi a viagem e o curso, me dou conta do quanto muitos pensamentos e ideias que eu fazia a respeito do que seria estar lá, se transformaram.

Isso porque os amigos chegam falando o que imaginam que seja e aí eu percebo que também achava aquilo antes de ir.

Nem tente entender a diversidade cultural. Nossa mente não tem condições para isso. A Índia não é para ser compreendida racionalmente mas sim sentida, com o máximo dos seus sentidos e suas percepções.

Seus ouvidos vão questionar e reclamar “o que são estes bi bi bi bi bi dos rickshaw (tuc-tuc), motoqueiros sem capacete, carros, vacas, macacos e porcos pelo caminho??” É a forma que eles transitam, dirigem pelo som e não pela visão, como estamos acostumados.

Não tente entender! Eu ria muito quando ia de um lugar para outro.

Pensava “pequena-mente”: lá é tão “transforma-dor” porque você se depara com tanta pobreza, dificuldades e miséria e assim fica mais feliz, satisfeito e grato com tudo que tem... hahaha... que vergonha! Nossa! Não é isto! Eles não são miseráveis!

Uma coisa é o jeito cultural que vivem – esgoto a céu aberto, sujeira, entre outras coisitchas mais... Outra coisa é ser miserável, o que eles não são! Porque eles sabem que Deus está dentro deles – eles tem um conhecimento de Deus, Deus como Si mesmo! E isto é maravilhoso e encantador.

Por isto aquele brilho esplendoroso que reflete em seus olhares. É incrível!

Aqui no ocidente, Deus foi colocado muito longe e distante de nós, como algo a ser buscado ou que nos salvará, logo não somos divinos e sim pecadores. Isto é ser miserável. Eles não! Eles sabem que são divinos, sagrados, tem consciência de si mesmos como Luz e isto muda tudo em suas vidas!

Tivemos um guia que nos levou ao cume do Arunachala em Tiruvannamalai, chamado Saram, sobre quem me faltam palavras para descrever seu semblante. Sua presença iluminada.

Eu jamais vou esquecer aquele olhar e sorriso de alguém que tem consciência da sua verdadeira essência – do quão sagrado ele é, de forma simples e natural – já que ser divino e ilimitado é a sua natureza.

Isto é algo muito longe da realidade do ocidente, o que nos tornou fracos e medrosos.

Você pode chegar lá e só ver a bagunça, sujeira, hábitos muito distintos ou você pode chegar lá e ver Deus em todas as coisas. E na verdade Deus não está em nenhuma coisa e sim no seu olhar.

Enquanto nós estávamos esbaforidas durante a subida, Saram flutuava subindo a montanha sagrada de Shiva. Porque se você é Shiva, e ele sabe que é, não existem obstáculos.

Om Namah Shivaya!

Já li que você só sabe os efeitos de ter ido para a Índia e ficado num Ashram depois que vai embora de lá. Em Rishikesh, nas horas vagas do curso de Vedanta, saíamos comer, passear, comprar! E assim, diante de todo aquele aprendizado que recebíamos nas aulas, esta atitude estampava o quanto ainda estávamos apegadas as coisas do mundo. Porém, acredito que o desapego mais difícil não é com relação às coisas materiais, sinceramente isto é fácil, por mais que você goste de algo. Na volta da viagem, se minha mala fosse extraviada e eu perdesse todos meus incensos, batas, estatuetas... ia doer? Sim! Porém, dali a alguns dias isto já teria ficado para trás, outras situações viriam, o reencontro com familiares.

É fácil desprender-se do material perto da dificuldade de mudar hábitos mentais! Aí o bicho pega e é aí que será necessário o esforço para desfazer um monte de bobagens em que insistimos em nos apegar.

Dar um vestido querido para uma amiga que deseja é moleza perto de abandonar certos pensamentos constantes que insistem em nos oprimir.

O difícil é mudar, desapegar das crenças e condicionamentos que estão enraizados no nosso jeito de ser. Sabe aquele trajeto que a mágoa, medo, culpa, raiva, desespero sempre percorrem quando as frustrações acontecem? Eu quero ver o desapego acontecer aí! Aí está o grande desafio, abandonar hábitos de dor e deixar o coração leve.

Não é a bagagem em excesso que pesa! Como nos dizia o Pedro Kupfer: “Sua mala, seu karma”.

O que pesa mais, voltar com a bagagem no limite permitido e o coração sorrindo ou uma mala leve, sem excessos, porém, trazendo de volta toda a amargura, com tudo que carrega no peito, cheio de mágoas, dores e rancores?

Pagar as Rúpias pelo excesso de bagagem é fácil perto de pagar uma “in- justiça” arbitrária e cruel e ainda prosseguir com alegria, esperança, acreditando no Amor. Eis o grande desafio!

É fácil olhar para o Ganges e ver toda sujeira, poluição. Difícil é olhar para nós mesmos e ver tudo o que intoxicamos na fluidez do nosso corpomente.

O grande salto está aí, conseguir se distanciar, internamente, daquele monte de pensamentos e certezas que carregamos e começar a enxergar-se como algo diferente deles.

Não, você não é esta ideia que faz de você. Nada que possa ser nomeado, definido, qualificado ou rotulado é você. Tudo isto é conteúdo mental, e você é mais que a sua mente. Tudo o que pensar sobre você é limitador, ainda que seja positivo (“ah eu sou bom, generoso.”). Qualquer definição te limitou e impediu de ampliar. Tudo que seja passível de observação é algo diferente de você, já que você é a testemunha que observa. O conhecedor, e não as experiências que conhece.

A única coisa que tranquiliza o coração é o autoconhecimento, sabedoria da essência Ilimitada que você é, só assim as frustrações deixam de ser tão contundentes.

Apenas o discernimento, saber separar as coisas permanentes das transitórias, o reconhecimento de si mesmo como Ser distinto de tudo (crenças, medos, remorsos, culpas, certezas) te livra da ignorância e liberta.

A borboleta precisa de coragem para sair do casulo e da inteligência para reconhecer que determinada fase se foi e esta preparada para a próxima – Nova. E assim deixar para trás sua estória de lagarta, porque em essência ela sempre foi borboleta – é necessário coragem para deixar para trás as carências emocionais, todos os desejos e melindres do ego - esta transição de rastejar para voar leva alguns dias mas acontece! Não é algo a se adquirir ou buscar, é algo para se reconhecer, que no mais profundo você sempre foi e sempre será Luz. Atmajyotih se diz em sânscrito.

 

Harih Om!

 

 

|| ॐ गं गणपतये नमः || 

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!