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Avatāra: as Dez Encarnações de Viṣṇu

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Viṣṇu, a Consciência que está em Tudo é, na mitologia purânica, o preservador e sustentador da criação. É uma manifestação benigna da Consciência Ilimitada. Ostenta quatro atributos: o disco de arremessar (cakra), arma de guerra e símbolo de poder, a flor de lótus (padma), a trompa de concha (śaṅkha) e o bordão (gaḍa).

Durante o período védico Viṣṇu foi uma deidade secundária. Posteriormente adquire cada vez maior prestígio durante o período clássico. Seu ciclo é um dos mais complexos do hinduísmo, o que mostra sua popularidade. Os avatāras ou encarnações de Viṣṇu são dez. Desses dez avataras, os quatro primeiros são não humanos (teriomórficos) e correspondem à idade de ouro (krta yuga).

Matsya é o deus-peixe que resgata o legislador Manu do dilúvio, entregando-lhe os Vedas, o conhecimento sagrado.

Como Kūrma, Viṣṇu assume a forma de uma tartaruga, que serve de pivô no episódio da batida do oceano de leite, em que deuses e asuras (demônios) unem seus esforços para bater o mar (samudramánthana), do qual surgirão o amrita, elixir da imortalidade, os tesouros submersos, as apsaras, ninfas celestiais e, finalmente, Lakshmí, a deusa da beleza e da fortuna, com quem Vishnu casará.

Varāha é o javali que resgata a terra do fundo do oceano primordial, dividindo-a posteriormente em sete continentes e outorgando-lhe a vida.

Narasimha é o homem-leão matador do demônio Hiraṇyakāṣipu, que torturava seu próprio filho, devoto de Viṣṇu.

Este demônio havia obtido de Brahmā o privilégio de não poder ser morto por deus, homem ou animal algum, nem de dia nem de noite, nem dentro nem fora do seu palácio.

Viṣṇu transforma-se então numa criatura híbrida (nem homem, nem animal) e o ataca na hora do crepúsculo (nem dia, nem noite) na soleira da porta do palácio (nem dentro, nem fora), arrancando suas vísceras.

Na idade de prata (treta yuga), Vishnu encarna como Vamana, Parashurāma e Rāma. A quinta encarnação, Vamāṇa, é o anão que resgata o universo das mãos do demônio Bali, que o havia subjugado.

Vamāṇa aparece perante Bali e lhe pede humildemente a terra que possa cobrir com três passos. Concedido o desejo, o anão aumenta repentinamente de tamanho, cobrindo com o primeiro passo a totalidade do mundo terrenal, os céus com o segundo, e sepultando o demônio no mundo subterrâneo com o terceiro.

Parashurāma (“Ráma com o machado”) é o restaurador das castas na disputa entre brahmanes e kshatriyas, sacerdotes e guerreiros.

Rāma (o Encantador) é o rei de Ayodhya, modelo exemplar do legislador. Ele é o herói do Rāmāyāṇa, um dos épicos do hinduísmo onde se narram as mil aventuras que viveu para resgatar a sua esposa Sītā das mãos do demônio Rāvaṇa, seu raptor. Sītā e Rāma são o paradigma perfeito dos amantes que superam todas as dificuldades e obstáculos para reunir-se em nome do amor.

Kṛṣṇa, a oitava encarnação, surge na idade de bronze (dvapārayuga), aparecendo na Bhagavadgītā como o cocheiro de Arjuna, jovem príncipe a quem ensina a viver em harmonia com o karma, tendo como pano de fundo a batalha fratricida de Kurukṣetra, que representa a dinâmica da própria vida.

Na idade de ferro (kali yuga, “era do conflito”) ele encarna como Buddha e Kalki. Buddha, o nono avatāra, é uma tentativa de integrar a heterodoxia budista no hinduísmo que demonstra a abertura, pluralidade e tolerância da religião hindu.

Finalmente Kalki, a manifestação que construirá uma nova era de ouro sobre as cinzas da atual era de caos. No meio do caos surgirá este avatāra para restabelecer a ordem do dharma, a lei da justiça.

Esta encarnação é representada como um homem com cabeça de cavalo e quatro braços, ou ainda pelo próprio Vishnu, rodeado dos seus atributos usuais, empunhando uma espada e montado num cavalo branco.

Nesta era de guerras, invasões e incompreensão entre os povos, certamente estamos precisando da presença de Kalki.


Extraído do Dicionário de Yoga.

Pedro nasceu no Uruguai, 55 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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2 respostas para “Avatāra: as Dez Encarnações de Viṣṇu”

  1. Poderia me indicar um livro para ler as dez encarnações de Vishnu e o Mito de Ramayana ?

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