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As dez encarnações de Vishnu

Escrito por Pedro Kupfer · 2 mins de leitura >

Vishnu, o todo penetrante, é, na mitologia purânica, o deus conservador e sustentador da criação. É um deus basicamente benigno, embora não lhe faltem os aspectos terríveis. Ostenta quatro atributos: o disco de arremessar (chakra), arma de guerra e símbolo de poder, a flor de lótus (padma), a trompa de concha (shankha) e o bordão (gada).

Durante o período vêdico, Vishnu foi uma deidade secundária, adquire cada vez maior prestígio durante o classicismo hindu. Seu ciclo é um dos mais complexos do hinduísmo, o que mostra sua popularidade. Os avataras ou encarnações de Vishnu são dez. Desses dez avataras, os quatro primeiros são não humanos (teriomórficos) e correspondem à idade de ouro (krta yuga).

Matsya é o deus-peixe que resgata o legislador Manu do dilúvio, entregando-lhe os Vedas, o conhecimento sagrado.

Como Kúrma, Vishnu assume a forma de uma tartaruga, que serve de pivô no episódio da batida do oceano de leite, em que deuses e asuras (demônios) unem seus esforços para bater o mar (samudramánthana), do qual surgirão o amrita, elixir da imortalidade, os tesouros submersos, as apsaras, ninfas celestiais e, finalmente, Lakshmí, a deusa da beleza e da fortuna, com quem Vishnu casará.

Varáha é o javali que resgata a terra do fundo do oceano primordial, dividindo-a posteriormente em sete continentes e outorgando-lhe a vida.

Narasimha é o homem-leão matador do demônio Hiranyakáshipu, que torturava seu próprio filho, devoto de Vishnu. Este demônio havia obtido de Brahmá o privilégio de não poder ser morto por deus, homem ou animal algum, nem de dia nem de noite, nem dentro nem fora do seu palácio. Vishnu transforma-se então numa criatura híbrida (nem homem, nem animal) e o ataca na hora do crepúsculo (nem dia, nem noite) na soleira da porta do palácio (nem dentro, nem fora), arrancando suas vísceras.

Na idade de prata (treta yuga), Vishnu encarna como Vamana, Parashuráma e Ráma. A quinta encarnação, Vamana, é o anão que resgata o universo das mãos do demônio Bali, que o havia subjugado. Vamana aparece perante Bali e lhe pede humildemente a terra que possa cobrir com três passos. Concedido o desejo, o anão aumenta repentinamente de tamanho, cobrindo com o primeiro passo a totalidade do mundo terrenal, os céus com o segundo, e sepultando o demônio no mundo subterrâneo com o terceiro.

Parashuráma (“Ráma com o machado”) é o restaurador das castas na disputa entre brahmanes e kshatriyas, sacerdotes e guerreiros.

Ráma (o Encantador) é o rei de Ayodhya, modelo exemplar do legislador. Ele é o herói do Rámáyána, um dos épicos do hinduísmo onde se narram as mil aventuras que viveu para resgatar a sua esposa Sítá das mãos do demônio Rávana, seu raptor. Sítá e Ráma são o paradigma perfeito dos amantes.

Krishna, a oitava encarnação, surge na idade de bronze (dvapara yuga), aparecendo na Bhagavad Gítá como o cocheiro de Arjuna, jovem príncipe a quem ensina a viver em harmonia com o karma, tendo como pano de fundo a batalha fratricida de Kurukshetra, que representa a dinâmica da própria vida.

Na idade de ferro (kali yuga, “era do conflito”) ele encarna como Buddha e Kalki. Buddha, o nono avatara, é uma tentativa de integrar a heterodoxia budista no hinduísmo que demonstra a abertura, pluralidade e tolerância da religião hindu.

Finalmente Kalki, o homem-cavalo que construirá uma nova era de ouro sobre as cinzas da atual era de ferro. No meio do caos surgirá este avatara para restabelecer a ordem do dharma, a lei da justiça. Esta encarnação é representada como um homem com cabeça de cavalo e quatro braços, ou ainda pelo próprio Vishnu, rodeado dos seus atributos usuais, empunhando uma espada e montado num cavalo branco. Nesta era de guerras, invasões e incompreensão entre os povos, certamente estamos precisando da presença de Kalki.


Extraído do Dicionário de Yoga.

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.

Escrito por Pedro Kupfer
Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas. Perfil

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2 respostas para “As dez encarnações de Vishnu”

  1. Poderia me indicar um livro para ler as dez encarnações de Vishnu e o Mito de Ramayana ?

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