Pratique, Yoga na Vida

Do Mahalila

A vida é Mahalila, um grande jogo. Sendo um jogo, deveríamos nos divertir muito mais, rir mais, ser mais leves, mais brincalhões. E nos envolvermos menos com os diversos papéis que cumprimos, pois eles são apenas isso: personagens de um grande espetáculo

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A vida é mahalila, um grande jogo. Sendo um jogo, deveríamos nos divertir muito mais, rir mais, ser mais leves, mais brincalhões. E nos envolvermos menos com os diversos papéis que cumprimos, pois eles são apenas isso: personagens de um grande espetáculo.

Em francês, a palavra usada para o ato de representar é ‘jouer’. Em inglês, ‘to play’. Ambas também significam jogar, brincar. Se levássemos a vida menos a sério, talvez fôssemos mais felizes…

As coisas são como são porque não podem ser diferentes. Nossa tentativa de buscar uma causa para tudo é que faz com que soframos. Quando algo vai mal, pensamos em por que isso aconteceu comigo? O que fiz para merecer isto? Por que eu? Por que? Buscar causas para tudo é individualizar demais os fatos da vida….

Mais do que saber as causas, o importante é continuar o jogo. Tenha certeza: nada é pessoal! Deus está ocupado demais pra te culpar ou castigar. As outras pessoas também estão ocupadas demais tentando jogar o jogo delas. As coisas são assim porque são, porque de alguma maneira você escolheu passar por isto para evoluir, para aprender.

O Mahalila é um jogo indiano de auto conhecimento. Nele, há um tabuleiro que mostra a evolução de atma, o Ser, em direção a Consciência Cósmica (Vaikuntha loka). Nesse percurso, passamos por vários estágios ou níveis de existência (lokas).

Temos possibilidades de escolha, mas quem decide são os dados. Para entrar no jogo, nascer, é preciso tirar 1 nos dados. O tão desprezado 1 de outros jogos é o que te permite entrar no mahalila.

Ao entrar no jogo, os números decidem se você evolui rapidamente, dá uns saltos qualitativos através de escadas que existem nos tabuleiros ou cai na boca da serpente e retrocede até o rabo dela.

O duro é estar a poucas casas da luz e os dados te jogarem de volta até a cauda da serpente, na casa 2. Sabemos que isso é uma metáfora para o que pode nos ocorrer literalmente na vida: estarmos no auge da prosperidade e da realização pessoal e perdermos tudo.

Lançamos os dados e não necessariamente acontece uma seqüência lógica, assim como na vida; às vezes, fazemos tudo como achamos que está certo e as coisas acontecem de forma diversa do que gostaríamos. Esse é o jogo. Lançar-se no vazio e contar com a ajuda da sorte. E continuar jogando…

No tabuleiro, a cada passo que damos, ascendemos também nos chakras, indo do mais denso ao mais sutil, como fazemos ou deveríamos fazer em nossa vida diária.

Quando inconscientes, movidos pelas emoções, agimos a partir dos chakras mais básicos, quase instintivamente, olho por olho, dente por dente. Conforme evoluímos em nossa prática espiritual, deveríamos agir baseados em princípios mais altruístas, visando o bem do próximo, através da compaixão e da empatia.

Por fim, o trabalho desinteressado a que se dedicam os líderes da humanidade, os mártires, que dão sua vida pelos outros. Ser íntegro significa ser coerente entre o que se diz e o que se faz.

Não importa onde trabalhemos ou moremos; se numa cidade como São Paulo ou num ashram na Índia. Estamos onde devemos estar. Por isso, resta-nos agir de onde estivermos com as ferramentas que dominamos. Não adianta acharmos que mudando de endereço, os problemas ficarão na casa velha. Já sabemos que não adianta fugir, pois os problemas vão conosco em nossas malas.

Viver o dharma não é apenas estudar as escrituras sagradas. É aplicar o dharma no trânsito, na fila do banco e com as pessoas que pisam no nosso calo. São estas pessoas os nossos maiores mestres. Interessante no jogo é que existem quatro casas a mais, depois do numero 68, que é a porta para a Consciência Cósmica.

Muitas vezes, o dado teima em fazer você passar direto, como se ficasse num ‘limbo’, um espaço decisório entre realmente deixar-se entregar à luz ou continuar preso às correntes de apegos, desejos e identificações que nos causam tanto sofrimento.

Sabemos qual é o caminho, provamos algumas vezes o néctar do êxtase, mas ainda teimamos em agir guiados pelos condicionamentos. Sabotamos nossa possibilidade de iluminação.

E aí, o jogo é impiedoso. Faz você retroceder ao início, aos chakras inferiores, mostrando que nada é garantido. Que o caminho espiritual exige confiança e retidão.

E não adianta tentar compreender através do intelecto. É preciso entregar-se: Ishvara pranidhana. É preciso jogar os dados e confiar. O mahalila está aí para ser jogado. E o melhor: é um jogo sem vencedores. O grande divertimento é apenas jogá-lo. Como a vida…

Namaste!

Se você quiser conhecer e jogar o Mahalila, clique aqui.

Tereza é yogini, atriz, locutora, escritora, historiadora e professora de Yoga; mora, pratica e ensina em São Paulo. Dirigiu e produziu, em parceria com Daisy Rocha, o documentário Caminhos do Yoga, filmado na Índia em 2003.

6 respostas para “Do Mahalila”

  1. Olá, gostaria de obter mais informações sobre os chakras inferiores que ficam abaixo do chakra base. Se puder me passar alguma informação ou dicas de leitura a respeito fico grato!

  2. Já joguei o Mahalila e notei que ele é mesmo um jogo cósmico e que os dados parecem cair nas casas de acordo com os caminhos que estamos trilhando em nossa vida para nos fazer refletir no seu significado. Parabéns! Mas peço por favor, que ativem novamente o link do tabuleiro.

  3. Amei o texto! Simples, preciso e precioso!

    Outro lado interessante é que pra jogar esse jogo, o Todo se multiplica nas diversas formas de vida – eu,você, plantas, animais, etc – e pro jogo ser emocionante, em cada uma dessas formas, Ele acredita piamente na sua existência separada…

    No final, é sempre Deus se relacionando com Deus – não é fantástico!?

  4. Querida Tê,
    Parabéns por mais este belo artigo.Deus continue abençoando sua vida e que Ele alargue suas fronteira. Beijo.

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