Meditação, Pratique

Ekagrātā, a Concentração num Ponto, Passo Prévio à Meditação

Ekāgratā, a fixação da atenção em um ponto determinado, é o passo prévio à prática do samyama. Por meio dessa concentração, o yogin abstrai a sua psiquê das dispersões inerentes à condição terrena, conseguindo assim lograr um estado de unificação do fluxo consciente.

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O que é ekagrātā?

Ekagrātā, a fixação da atenção em um ponto determinado, é o passo prévio à prática do samyama, o processo meditativo.

Esse ponto pode ser uma região do corpo (um cakra, o intercílio, a ponta do nariz), uma imagem (a chama de uma vela, uma estrela, um yantra) ou uma ideia abstrata (um mantra, um sūtra).

Por meio dessa concentração, o yogin abstrai a sua psique das dispersões inerentes à condição terrena, conseguindo assim lograr um estado de unificação do fluxo consciente.

O saṁskāra e as vāsanās

O alvo primordial do ekagrātā é controlar as faculdades dos sentidos e queimar a atividade subconsciente, o saṁskāra e as vāsanās, que dão corpo à vida psíquica.

O saṁskāra é o conjunto das raízes profundas dos condicionamentos do ser, de caráter kármico e inato, que se estruturam em malhas subconscientes.

Se perpetua através das gerações por herança histórica, cultural ou étnica, afetando a todos os indivíduos.

Estamos condicionados a agir sempre em consonância com o saṁskāra, que funciona como um modelo padrão de comportamento.

Sir John Woodroffe dá o exemplo de uma tira de borracha que, embora possa assumir as mais diversas formas, sempre tenderá a retomar a original.

Vāsanās (lit. “perfume”) são os sulcos subconscientes. O cheiro que uma flor deixa em um pano é a vásaná essa flor: mesmo depois de retirá-la, o perfume permanece.

As vāsanās constituem um colossal obstáculo para o meditante, pois a vida subconsciente é um fluxo constante de impressões latentes que dão corpo aos vṛttis.

Para poder atingir a cessação da identificação com os conteúdos psíquicos (cittavṛtti nirodhaḥ) é necessário aniquilar essas tendências pela contemplação e compreensão da nossa real natureza.

O corpo funciona como um receptor de prāṇa universal, captando energia do ambiente através dos cakras, que vibram em consonância com o saṁskāra de cada um.

Os vṛttis acionam o sistema glandular, que fabrica os hormônios. Através das práticas, agindo sobre os centros de força, podemos controlar as propensões da mente e sublimar o saṁskāra.

Fazendo āsana e bandha, por exemplo, pressionamos e massageamos as glândulas do sistema endócrino, que estão relacionadas à atividade dos vṛttis.

As mudanças biológicas causam reações nas outras áreas do ser humano: consciência, mente, emoções e atividade subconsciente.

O corpo energético está relacionado às emoções: da mesma forma, também os endocrinologistas sabem que certos desequilíbrios emocionais estão ligados a disfunções glandulares.

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As glândulas do sistema endócrino estão em consonância com os seis principais cakras.

Cada glândula desempenha um papel no funcionamento do corpo, segregando hormônios e substâncias químicas sob influência do tattva (princípio de realidade) dominante em cada cakra.

A redução do campo de atuação de citta pelo pratyāhāra e sua posterior limitação a um ponto definido preparam o caminho para atingir o estado de não condicionamento.

Quando a atenção está perfeitamente centrada e dirigida, se alcança o dhāraṇā, a concentração, primeiro degrau do samyama, o processo meditativo.


Extraído do livro Guia de Meditação.

॥ हरिः ॐ ॥

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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