Começando, Pratique

Ela trocou o Pilates pelo Yoga

Ao contrário que se pensa, há pessoas que, não satisfeitas apenas com os imensos benefícios terapêuticos e com o trabalho corporal proporcionado pelo Pilates, percorrem um caminho diferente

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Ao contrário que se pensa, há pessoas que, não satisfeitas apenas com os imensos benefícios terapêuticos e com o trabalho corporal proporcionado pelo Pilates, percorrem um caminho diferente, no qual resolvem trocar o Pilates pelo Yoga. Outro dia, uma nova praticante, na faixa dos quarenta, apareceu para participar de uma aula de Yoga pela primeira vez.

Antes do início da prática, contou-me que havia feito aulas de Pilates, por algum tempo, e que apesar de contente estar com os benefícios estampados no físico, parecia que algo estava faltando. Ia às aulas e um ponto de interrogação ainda persistia em estacionar na mente. Então, chegou à nítida conclusão que o Pilates não lhe estava oferecendo o que procurava: o autoconhecimento, a prática da meditação e o conseqüente desenvolvimento do Ser.

Destacou que as aulas de Pilates estavam sendo repetitivas e com o grande fluxo de alunos entusiastas no estúdio onde se exercitava, muitos movidos pela moda Pilates, as aulas que antes a agradavam estavam ficando a desejar, tanto quanto ao acompanhamento da profissional que as ministrava como também em relação aos resultados. Em resumo, o Pilates a estava entediando.

Quando comunicou que iria desistir de se exercitar em Pilates, fizeram de tudo para que continuasse, chegando a ponto de oferecerem um desconto na mensalidade. Mas, com a firme decisão tomada, abandonou o Pilates e caminhou para o Yoga. Iniciou essa praticante a sua primeira aula de Hatha Yoga executando ásanas com certa facilidade, talvez pelo físico que condicionado estava, resultado dos exercícios da outra modalidade.

Conheceu pranayamas que antes nunca havia experimentado, equilibrou-se em novos ásanas, tomou conhecimento de um pouco da filosofia do Yoga, entoou mantras, praticou uma invertida, relaxou-se em Yoganidra e por fim começou a dar os primeiros passos na trilha da concentração e meditação.

Quando a aula se encerrou, notei um brilho de satisfação em seus olhos seguido por um semblante pacífico acompanhado de um leve sorriso. Então, disse-me que havia encontrado o que há muito tempo estava procurando: o Yoga; o Yoga da transformação, do autoconhecimento, da consciência corporal; o puro Yoga que lhe trazia mais introspecção e uma outra sensação nunca antes experimentada, que a outra modalidade não conseguiu lhe oferecer.

Muitas boas formas de desenvolvimento somente do físico estão disponíveis, hoje em dia, para quem quer que seja; em academias, spas urbanos, estúdios Pilates, clínicas, etc…; mas, nenhuma dessas que se possa comparar ao Yoga. O Yoga que não cobra medidas, que não está lá apenas para enfatizar a dieta e a estética corporal, mas sim o crescimento do Ser como um todo e, sobretudo, com o único e primordial fim de moksha, a libertação. Harih Om!

Humberto é professor de Yoga em Campinas.
Mantém o excelente blog Yoga em Voga.

Uma resposta para “Ela trocou o Pilates pelo Yoga”

  1. Caro amigo Humberto, parabéns pelo texto e pela força que você dedica em mostrar o verdadeiro Yoga.
    Gostaria somente de completar algumas palavras sobre o seu texto. Precisamos primeiramente entneder o Yoga e para isto vamos usar uma definição que aparece nos vedas ?tattva darshana upayah Yogah?.

    Yoga é um apoio para o conhecimento da verdade, da verdadeira natureza do ser que é plena, completa, satisfeita consigo mesma, que esta em paz e que é eterna.

    Como um apoio, o Yoga serve nada mais nada menos, para antakarana shuddhi, a purificação da mente.

    Yoga não é para experenciar algo diferente, o ser não pode ser experenciado. Só podemos experenciar objetos, mas o ser é sujeito e por isso não dá para experenciá-lo.

    É impossivel descrever o ser, porque ele não é objetificado, qualquer qualidade que dermos a ele, faria dele limitado, e não podemos limitar o absoluto.

    Yoga tambem não é só pranayama, porque controle da respiração o pilates tambem tem.
    É preciso entender que ?pranayamas que antes nunca havia experimentado, equilibrar-se em novos ásanas, tomou conhecimento de um pouco da filosofia do Yoga, entoou mantras, praticou uma invertida, relaxou-se em Yoganidra e por fim começou a dar os primeiros passos na trilha da concentração e meditação? não vai levar ninguem ao ? único e primordial fim de moksha, a libertação?.

    O objetivo dos pranayamas, asanas, mantras, invertida, yoganidra, concentração e meditação é antakarana shuddhi , a purificação da mente.

    E para que purificar a mente? Para sentar aos pés de um mestre, ouvir e compreender o ensinamento dos vedas , das Upanishads. Se não temos isto claro, para que Yoga?

    Se Yoga não é para autoconhecimento, se não é para preparar a minha mente para que eu possa compreender o estudo dos textos, mesmo assim o Hatha Yoga é ótimo para a saúde do corpo, para relaxar a minha mente, assim como o pilates, a natação, a corrida e outros mais.

    Agora se eu faço Pilates como algo que pode me ajudar de alguma forma para o autoconhecimento, dando saude e vitalidade ao meu corpo, relaxando a minha mente, aumentando meu poder de concentração, podemos dizer que esse pilates é Yoga, porque Yoga é tudo que me apoia para o autoconhecimento.

    A diferença não esta no que você faz, a diferença está na clareza de objetivo e essa clareza é chamada ?Viveka?, o discernimento.

    Grande abraço e tudo de bom!
    Ricardo.

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