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Impressões de uma Yogiṇī na Gravidez

A prática durante a gravidez nunca é igual à que faziamos antes de começar esse processo. Ela pode variar bastante, tendo em conta a idade, o estado físico e psicológico do momento, a estação do ano, o país onde nos encontramos, as identificações do ego, o próprio espaço, entre outros fatores.

Escrito por Rute Pinho · 2 mins de leitura >

Yoga na Gravidez

A prática durante a gravidez nunca é igual à que faziamos antes de começar esse processo. Ela pode variar bastante, tendo em conta a idade, o estado físico e psicológico do momento, a estação do ano, o país onde nos encontramos, as identificações do ego, o próprio espaço, entre outros fatores.

Percebi que a minha evolução ao nível da prática pessoal tem sido muito interessante: um processo de grande aprendizagem, que me tem aberto outras perspetivas e possibilidades. A ideia de que é o āsana que se adapta ao corpo e não o corpo que se adapta ao āsana está na gravidez mais presente do que nunca.

Fui realizando estas adaptações desde que soube que estava grávida, e até mesmo antes. Regra número um: ouvir o próprio corpo, prestar atenção aos seus sinais, tentar perceber a linguagem escondida por trás dele, cada sinal de desconforto, de dor, cada expiração de alívio, de prazer e relaxamento no āsana.

gravidez

Há tanto a explorar em cada permanência, em cada postura, em cada inspiração, em cada expiração, em cada pensamento. Tudo isto é Yoga.

E à medida que vamos desenvolvendo toda esta consciência na sala de prática, ela desenvolve-se não só dentro de nós, mas também nas vivências do mundo, ampliando, renovando e enriquecendo a nossa perceção dele.

Por respeito e por amor ao novo ser que em mim habitava, foi necessário alterar uma prática habitual, substituir posturas, reinventar movimentos, adaptar torções, omitir retenções, suprimir bandhas, prolongar savasanas, alterar balāsanas…

Ainda assim, o objetivo da prática permanece e o seu significado amplia-se. Esta união com o Todo, com Īśvara, fica ainda mais presente através da consciência ampliada e mais próxima do milagre da criação.

Estranhamente (ou não), ainda com algumas semanas de gestação, sentia dificuldade em fazer retenções e sem saber muito bem porquê, deixei de as fazer.

É esta a prova de que no pequeno espaço do tapete, vive um universo inteiro de possibilidades. É isto que mais me agrada na prática; saber que nenhuma se repete, que ela é sempre nova e por isso leva também a uma nova experiência e descoberta.

Esta relação com o meu corpo, que albergou um novo ser durante oito meses, veio consolidar a ideia de que a perfeição no āsana, não é mais do que a consciência total nele, o foco e a atenção no momento presente, independentemente do joelho fletido, do uso do bloco ou da perna a noventa graus…

A prática durante este tempo, permitiu-me ainda, para além do diálogo interno habitual, um diálogo com a minha filha. Ao tentar descobrir a postura mais adequada a ela, ao tentar desvendar os seus gostos e aversões em cada movimento, foi-se estabelecendo também entre as duas uma comunicação.

Foi essa comunicação que me levou a deixar a prática de āsana mais cedo, pelas 30 semanas de gestação. Percebi que Anita queria nascer antes do tempo, pelo cansaço, contrações e desconforto que sentia. Abracei o descanso com aceitação e ela decidiu nascer com 35 semanas.

Apesar de prematura, tudo nela indicou que estava pronta: peso, comprimento, funcionamento dos órgãos, reflexos, vivacidade. Uma vez que estava sentada, Anita nasceu de cesariana.

Depois do parto e durante as primeiras semanas, os efeitos da prática foram fundamentais. Ajudaram-me ao nível da consciência corporal, equilíbrio, respiração, controlo da dor e controlo de movimentos. O processo de adaptação e o regresso à prática levou semanas, quase dois meses.

Escolhi dedicar-me inteiramente a Anita durante este tempo, mas senti que talvez seja demasiado, pois para o bebé estar bem, a mãe também tem de estar equilibrada, física, psicológica e emocionalmente.

Apercebi-me das modificações que o meu corpo tinha sofrido por exemplo, ao nível da falta de alongamento; falta de força abdominal, que se refletia em dores nas costas; menor abertura peitoral, menor abertura ao nível do quadril, menor rotação nas torções, entre outros.

Foi surpreendente verificar que a prática, em poucas sessões, me vai resolvendo alguns destes problemas, me vai aliviando tensões localizadas, me vai tornando mais flexível e mais forte em pouco tempo.

Em modo de conclusão, a prática depois que me tornei mãe, tornou-se ainda mais preciosa para mim, porque para além de todos os outros benefícios, ajuda-me a cuidar da minha filha, transmitindo-lhe paz, segurança e felicidade. Namaste.

Rute e Anita.

॥ हरिः ॐ ॥
Rute é professora de Yoga em Oliveira de Azeméis
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3 respostas para “Impressões de uma Yogiṇī na Gravidez”

  1. Oi, Rute! Namastê!
    Parabéns pela autopercepção durante a gestação!
    Gostaria de saber porque devemos suprimir os bandhas durante a gestação, ou só nos três primeiros meses? Você saberia me dizer?
    Em alguns sites a contração de períneo é muito indicada durante toda a gravidez, porém minhas professoras me indicaram que não fizesse mula bandha.
    Estou confusa,
    Se puderem me ajudar, agradeço!
    Namastê!
    Carla

  2. Muito bom! Obrigado pela partilha e pela inspiração! Tudo de bom para a família! Namaste!

  3. Parabéns, Rute, pelo lindo texto!
    Espero que possas ajudar e inspirar outras grávidas a viver esse momento tão especial com a ajuda da prática de Yoga.
    Namaste!

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