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Inspire, Expire. Mas nem pense em roubar nossa tradição

Você é do Power Yoga, do Yoga Nu, do Yoga do Riso, do Yoga Cristão ou do Contemporâneo? Ou talvez, você prefira o "puro" Ashtanga Vinyasa? Se seu estilo de Yoga preferido está entre os aqui mencionados, você poderá estar do lado errado na tentativa de definir o que constitui a milenar disciplina física e mental que é o Yoga. O governo indiano, na tarefa de proteger a rica herança do país da medicina e prática começou a filmar centenas de ásanas na tentativa de tornar o sistema mais rígido.

Escrito por Jason Burke · 3 mins de leitura >

Índia adota postura rígida em relação às origens do Yoga.

O governo pretende estabelecer regras em relação às práticas.

Você é do Power Yoga, do Yoga Nu, do Yoga do Riso, do Yoga Cristão ou do Contemporâneo? Ou talvez, você prefira o “puro” Ashtanga Vinyasa? Se seu estilo de Yoga preferido está entre os aqui mencionados, você poderá estar do lado errado na tentativa de definir o que constitui a milenar disciplina física e mental que é o Yoga.

O governo indiano, na tarefa de proteger a rica herança do país da medicina e prática começou a filmar centenas de ásanas na tentativa de tornar o sistema mais rígido. A intenção desses vídeos é prover evidência irrefutável contra qualquer um que tente patentear um “novo” estilo de Yoga que já tenha sido criado pelos indianos. O esforço feito anteriormente nesse sentido, de definir o Yoga baseado simplesmente nas traduções de textos antigos trouxe não resultados satisfatórios. Portanto, agora eles tentam novamente.

“É como o futebol e a Grã-Bretanha”, disse Suneel Singh, um dos maiores gurus de Yoga da Índia. “Os ingleses deram esse esporte ao mundo, o que é lindo e generoso. Mas imagine se as pessoas noutros países começassem a dizer que elas inventaram essa atividade. Seria irritante”.

O Dr. Vinod Kumar Gupta, que lidera a Biblioteca Digital de Conhecimento Tradicional, uma organização governamental baseada em Delhi, estabelecida pelos Ministérios da Saúde e da Ciência, disse ao The Guardian: “Um simples texto não é adequado. As pessoas estão reivindicando que estão fazendo algo diferente do Yoga original quando eles não estão. O Yoga se originou na Índia. As pessoas não podem reivindicar a invenção de um novo Yoga quando eles não o fizeram”.

A campanha para proteger essa rica tradição indiana da arte medicinal e sua prática já contabilizou grandes vitórias, forçando companhias européias a reverter patentes no uso de extrato de melão, gengibre, cominho, açafrão e cebolas para o mercado de produtos naturais.

Em cada caso, oficiais do governo indiano vasculharam na nova biblioteca digital para submeter cuidadosamente as traduções de trechos de livros médicos do século XIX até manuais da tradicional medicina ayurvédica do século V para sustentar suas afirmações.

Mas tentando combater o Yoga de ser “indevidamente utilizado” é diferente de defender as plantas indianas contra a “bio-prospecção” para remédios naturais por companhias estrangeiras. Existem dezenas – senão centenas – de milhões de praticantes e centenas de diferentes gamas de escolas, desde Naked Yoga (Yoga nu) até Yoga Cristão, desenvolvidos em escolas e igrejas nos Estados Unidos.

“Não há a intenção de que as pessoas parem de praticar Yoga, mas ninguém deve se apropriar do Yoga e começar a cobrar dinheiro de franquia”, disse Gupta, que como muitos residentes em Delhi pratica a arte antiga num parque perto de sua casa. “Quanto ao Hot Yoga, Power Yoga, ou o que quer que seja não tenho nada a comentar. Nosso trabalho é mostrar a evidência e deixar que os outros decidam”.

A campanha para preservar o Yoga como uma criação indiana tem suas raízes na tentativa feita há alguns anos atrás pelo Bikram Choudhury, o auto-proclamado “professor de Yoga das estrelas de Hollywood” para conseguir patentear seu Bikram Yoga nos USA.

“Eles estão criando marcas”, disse Guru Singh, tendo ele mesmo inventado o que ele chama de “Yoga Urbano”. “De qualquer maneira, batendo palmas, rindo, todas essas coisas, todas elas existiam antes. Eles simplesmente deram um novo nome em inglês”.

Mesmo na Índia os yogis e yoginis estão divididos. Os conservadores dizem que somente o Yoga descrito nos textos como Hatha Yoga Pradipika, manual compilado por um sábio do século XV, é a verdadeira tradição.

Mas uma nova geração deseja algo mais. Guru Mohan, 31 anos, dirige um curso para jovens profissionais indianos que trabalham em companhias de tecnologia na grande cidade satélite de Noida ao redor de Delhi.

“O estilo de vida era diferente há 2 mil anos atrás. Haviam necessidades diferentes. Naquela época eles praticavam Yoga em selvas e rios. De acordo com os textos se usava estrume de vaca para limpar o local onde você iria praticar. Isso não é mais apropriado nem mesmo na Índia”, diz Mohan que usa esse nome profissionalmente.

De acordo com Mohan, que foi o pioneiro do que ele chama “Call Center Yoga” com ásanas especiais para aqueles que passam horas atendendo telefones, algumas coisas, no entanto, são eternas. “Yoga está aí para toda humanidade. É para servir as pessoas”, diz o guru. É uma sabedoria tradiocional e seu alcance nunca deve ser limitado”.

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Opinião de um perito: “Patentear o Yoga é tolice

As 64.000 posturas formam apenas uma minúscula parte do Yoga.

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12 respostas para “Inspire, Expire. Mas nem pense em roubar nossa tradição”

  1. Todos os tipos de Yoga inventados ou adaptados carecem, como disse no seu comentário a Denise, do parampara, o ensinamento discipular, do mestre para discipulo, procurando manter a tradição.
    Para nós, tantricos, o yoga é um sistema para alcançar um objetivo. O yoga que é reconhecido como um dos sistemas filosoficos do hinduismo é yoga de Patanjali, que não fala de chakras e nem de kundalini.
    Agora é mesmo muito bom que o governo da Índia registre esses sistemas, mesmo porque nesse processo muitas informações acerca do tema aparecerão.
    Aqui no Rio de Janeiro um professor quase registrou no INPI o Omkara (o Om em devanagari). Já pensaram, pagar royaltes pelo símbolo Om?

  2. Não existe Yoga sem Parampara ou transmissão mestre e discípulo, e se alguém rompe este elo é porque seu ego cresceu e portanto não há mais possibilidade de vivenciar o Yoga. Todo aquele que cria nova linha está rompendo este vinculo, é o discípulo que negou o mestre.
    Eu particularmente não vejo diferenças tão significativas nestas linhas para registrar novo nome, e as diferenças significativas são exatamente aquelas que se diferenciam do Yoga (como calor vir de fora – no Hot yoga).

    1. Você tem razão Denise. Todavia, no Brasil, os “Mestres” mais famosos da nossa pátria, são os que mais inventam linhas e não possuem vínculo com Mestre algum, a não ser o Mestre da sua própria conta bancária e restaurantes Franceses.

  3. O yoga hoje é denominação em torno da qual se movem negócios de bilhiões de dólares, e anda muita gente a tentar controlar esse mercado atrás desses dólares. O Bikram, um indiano, quis controlar o seu quinhão ameaçando patentear a sua forma de negócio que incluía uma certa pratica de yoga, que ele mesmo desenvolveu e promoveu…
    O governo de um país, chamado Índia, o Estado indiano (um país moderno, por sinal), resolveu movimentar-se para controlar (todos os que querem controlar preferem dizer “defender”, a “liberdade”…) o yoga como um todo, e quer poder dizer o que o yoga é ou deixa de ser, se é x ou y, que é seu…É que o yoga vale para esse país-Índia muitos milhões de dólares anuais em turismo espiritual…
    Sinceramente não sei o que é mais assustador, se um indiano tentar controlar o seu modelo de negócio, ou se um Estado de um país arrogar-se ser dono e definidor do yoga…Mas pode ser que eles sejam mesmo bonzinhos e só queiram defender a liberdade de todos em relação ao yoga. Pelo que me toca o yoga não deve ser apropriado por ninguém, nem por um indiano, nem pelo governo indiano. Nem sequer pertence aos praticantes, estudiosos e professores de yoga.
    O yoga recriou-se e expandiu-se muito no último século. Democratizou-se, tornou-se aberto ás mulheres, a todas as castas, e a pessoas de todas as nacionalidades e culturas. Hoje é património universal. É de todos, e cada um pode chamar yoga ao que lhe apetecer. Sim, massificou-se. E daí? Isso também contribui para que hajam mais estudiosos-praticantes do que jamais houve.
    Há mais estudos, livros, interpretações e comentários do que jamais houve. Há mais diversidade do que jamais houve. Isso é bom. Para “puristas”(ou seria puritanos?) pode ser incomodo, mas hoje o yoga é tanta coisa que já não há uma definição, há imensas (para ser rigoroso, o yoga já há muito tempo que é varias coisas.
    Não havia só uma tradição, nem as varias que haviam eram coerentes entre si, a diversidade e complexidade na cultura é inevitável). O yoga é imensa coisa, é de todos os que o queiram tomar para si, em qualquer forma, qualquer meio, com qualquer objectivo.
    Abraço ao Pedro e Angela.

  4. Já esperava por um texto assim há algum tempo, que bom!
    Sempre é tempo para tudo e este é o momento do resgate de todos os prinçipios do Yoga, tempo para percepção e entendimento mas para isto é necessário humildade para reconhecer atitudes não adequadas até então em relação ao Yoga por alguns…. acredito que de pouco em pouco isto vá acontecendo e uma inversão (chega a ser ironia mas…) dos valores retomando ao que chamamos da essência do Yoga onde é nela que devemos nos balizar e manter a tradição. Penso que a atitude de “registrar” um tipo de yoga com o nome prórpio ou seja lá o nome escolhido, é a demonstração mais real de que o ego sobrepos a conciência e humildade….. bem, penso muitas coisas mas o que de fato quero dizer é que é sempre tempo para o resgate do que é certo e retornar ao caminho da ritidão. Vamos lá, nós que praticamos os yamas e nyamas desde o conhecimento deles(ou até mesmo antes), vamos continuar fazendo nossa parte e que este cordão engrosse e que o Yoga não seja privado da sua tradição e essência.
    Namaste!
    Adriane Kassis

  5. Ufff… Graças a Deus *
    Pelo menos, mesmo a medida sendo talvez rígida demais a alguns olhos, não dá para negar que ela alivia um pouco o nosso medo de perder a tradição e a integridade da verdadeira filosofia que se perde aos tantos hoje em dia para a “rede consumista da espiritualidade”. Aos verdadeiros mestres não se cita o nome. Cita-se o respeito e a grande e profunda gratidão.
    Om Namah Shivaya *

  6. Vivemos em um periodo no qual o ser humano tornou-se superficial e aparente. Nao somos nada, nao temos muito, mas aparentamos muita coisa. Os rotulos criados e os metodos satisfazem esta sociedade baseada no exterior, que busca na internet o guru.
    Tanto a banalizaçao, onde cada um que tem talento de comunicaçao chega e cria seu estilo, e esta rigorosa tentativa de manter a tradiçao amarrada a fios nada flexiveis, sao exemplos claros de como nossa natureza humana ainda se encontra muito distante da essencia do que somos. O Caminho do Meio do Sr. Buda deveria ser a orientaçao quanto ao que praticar. O resto sao apegos. U
    ns apegados ao convencional com medo das possiveis transformaçoes decorrentes da evoluçao, outros inovando demais e aproveitando o dito moderno para se automitificarem dentro da Tradiçao do Yoga. Tanto quem pratica quanto aquele que passa adiante a Tradiçao deve se perguntar se ha uma essencia e um espirito no que faço…\\\’e um caminho do coraçao ou do poder mascarado de nomes bonitos ou em nome da verdade?
    Namaste.

    Graça Escosteguy.

    1. Concordo com o muito que disse, porém a forma como citou o acesso a internet em busca de informação eu desconsidero… A internet tem um acervo preparatório inspirador para se começar uma prática espiritual, sabendo-se filtrar fica lindo.
      A busca do espirito nunca deve ser banalizada, mesmo sabendo que por fim a grande busca de cada ser está na sua intimidade, qualquer outra forma que auxilie a este caminho deve ser considerado… entender a evolução do ser é algo complicado, impossível até mesmo dizer ou julgar qual caminho é o certo e qual o errado…
      Namaste. ( o meu Deus interior respeita o seu Deus interior, de qualquer forma)

  7. O verdadeiro Yoga não se restringe à parte física, mas busca realmente uma integração entre o corpo a mente e o espírito. Buscar o aperfeiçoamento nas 8 partes do yoga e ler a filosofia é fundamental. Prabhupada e Hermógenes são verdadeiros mestres.

  8. Adorei a postagem… Sou professora de yoga e muitas vezes as pessoas perguntam que tipo de yoga você pratica? Ao que respondo… Só yoga.
    Penso, que podemos integrar e adequar elementos na yoga, mas nunca o contrário. Viver é uma prática de yoga, continua além do seu tapetinho chique, sua roupa estilo Indiana linda, seus piercings e tatuagens com OMS… Portanto…
    Namaste.
    Jane.

  9. Eu sinto no meu corpo, percebo e compreendo o yoga como um meio para encontrar-me comigo mesma. E como é BOM, depois de tando tempo (nem sei quanto), aprender a me observar melhor, estar presente aqui e agora e através dos yamas e niyamas buscar a liberdade. Sendo assim, o Yoga não é um fim em si mesmo e não pode ter dono, rótulo, ser motivo de qualquer tipo de comércio e tampouco ser ROUBADO. Estes atos VIOLAM A ESSÊNCIA DO YOGA.
    O YOGA É VERDADE pura para ser experienciada e vivida. O Yoga é PARA todos, especialmente para aqueles que querem VIVENCIÁ-LO. São iniciativas como a deste site, da revista prana yoga, do site simplesmente yoga, dos livros do Prof. Hermógenes que me dão sinais, sugestões por onde andar com segurança. Hari Om.

  10. E este é o resultado merecido das invenções acronudepowerultramegaflexyoga vira-latas que inventaram por aí. Uma vergonha… triste!
    Harih Om!

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