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Mais uma razão para ser vegetariano: cachorro no prato

Qual seria a diferença entre comer um cachorro e um porco? Por que tendemos a ver o porco, animal conhecido pela inteligência, como comida, e o cão como o nosso melhor amigo? A ironia do caso é que nem sempre o consumidor de carnes ingere exatamente aquilo que imagina. Isso nem sempre acontece. Pelo menos, nem sempre acontece em alguns lugares do Brasil.

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Qual seria a diferença entre comer um cachorro e um porco? Por que tendemos a ver o porco, animal conhecido pela inteligência, como comida, e o cão como o nosso melhor amigo? A ironia do caso é que nem sempre o consumidor de carnes ingere exatamente aquilo que imagina. Isso nem sempre acontece. Pelo menos, nem sempre acontece em alguns lugares do Brasil e da Ásia, segundo o que noticia a Folha de São Paulo nestes dias.

Como se não bastasse a questão do direito à vida dos animais, que muitos humanos sequer consideram, nem a questão da própria saúde da pessoa, nem as demais questões relativas à ética ou à ecologia, ainda, quem consome carnes, se arrisca a comer carne de cachorro ou gato. Uma matéria (aqui resumida) do dia 12/11/2009 na Folha Online reza:

Polícia apreende 60 kg de carne de cachorro e gato vendida a restaurantes em São Paulo.

“A Polícia Civil de São Paulo apreendeu 60 kg de carne de cachorro e gato no matadouro clandestino descoberto na manhã desta quinta-feira no no bairro Miguel Badra, na cidade de Suzano, na Grande São Paulo.”

“Segundo o delegado Anderson Pires Gianpaoli, da 2a Delegacia de Saúde Pública do DPPC (Departamento de Polícia e Proteção à Cidadania), o casal preso por abater os animais recolhia sua matéria-prima das ruas há três anos. Eles atraíam os bichos com pedaços de carne e ossos, aguardavam um período de engorda, e os matavam a machadadas.

“O corpo, então, era recortado em pedaços, que ficavam armazenados em refrigeradores. A pele e os pelos dos animais, assim como pedaços da carcaça, eram queimados com maçarico. Segundo o delegado, eles faziam isso para evitar deixar vestígios do abatimento.

“Também foram presos nesta quinta quatro coreanos responsáveis por dois restaurantes do bairro Bom Retiro, na região central de São Paulo, onde a polícia afirma que a carne era vendida. Nos locais foram apreendidos pedaços de carne que ainda vão passar por perícia para apontar se são de cachorros ou gatos.

“Todos os envolvidos serão indiciados por maus-tratos contra animais, crime de relação de consumo e formação de quadrilha. “Eu poderia fazer uma comparação com a legislação da Holanda, que permite, por exemplo, o consumo de entorpecentes. O fato de um holandês vir pra cá não o possibilita de comprar entorpecentes para consumir. Se no país oriental de onde estes estrangeiros vieram isso é permitido, obviamente eles não podem, ao mando desta cultura, querer no nosso país praticar este tipo de crueldade e consumir este tipo de carne”, disse o Gianpaoli.”

O curioso das declarações do nobre delegado, é que ele está prontamente disposto a agir compassivamente e aplicar o peso da lei em defesa do direito à vida de cachorros e gatos, mas não temos certeza de se essa mesma atitude compassiva, no seu caso pessoal, se estenderia aos bois, vacas, porcos, carneiros, ovelhas, bodes, patos, perus, galinhas, peixes e outros seres vivos cujos cadáveres vemos higienicamente acondicionados nas geladeiras dos supermercados.

Porém, sabemos que a lei de maus tratos contra animais termina naqueles que consideramos animais de estimação e não vale para os que consideramos “de consumo”. A bem da verdade, tirar a vida de um boi ou um peixe é tão errado e lastimável como tirar a vida de um cachorro ou de um gato. Se não conseguimos ver a diferença, é porque aprendemos que cachorros não devem ir para o prato, mas que bois e porcos são mesmo comida. Atribuímos alma e sensibilidade aos cães, e a negamos aos outros bichos que fazem parte da nossa dieta.

Cínica e convenientemente, a nossa sociedade usa dois pesos e duas medidas em relação aos direitos dos animais: por um lado, pune com penas de até 10 anos de prisão àqueles que infringirem maus-tratos a cachorros, como é o caso dos açogueiros citados na matéria acima mas, por outro, cultiva a mais absoluta indiferença em relação aos massacres sistemáticos promovidos pela indústra da carne nas granjas e frigoríficos do planeta.

Esse cinismo e essa confusão ética estão por trás de acontecimentos como o já célebre churrasco beneficente da Sociedade Protetora dos Animais de Goiânia. Um churrasco, promovido por uma Sociedade Protetora dos Animais? Será que não tem algo de errado nessa situação? Como estamos nós em relação a isso? Pense nisso, e pense também no que você irá colocar no prato na sua próxima refeição. Bom apetite! Uau, uau!

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.
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O Corpo é o Templo. O Āsana é a Prece

Pedro Kupfer em Conheça, Tantra
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17 respostas para “Mais uma razão para ser vegetariano: cachorro no prato”

  1. Seu pensamento é corretíssimo.
    Não há lógica em termos pena apenas dos cães e gatos, e sermos coniventes com os massacres que acontecem nos abatedouros.
    Talvez estejamos de fato condicionados a ignorar o sofrimento daqueles que nos são “saborosos” ao prato.
    Há tempos me debato com minha consciência sobre isso. Minha filha é vegetariana desde que tomou ciência de que o churrasquinho que tanto gostava vinha da vaca, que a linguiça do porquinho, etc.
    Eu a respeito por isso, e quero um dia ser evoluída assim e abandonar de vez a carne. Parabéns pelo seu pensamento.

  2. Fico feliz por encontrar sites como este, em que o bom senso e a compaixão imperam. Faz 27 anos que deixei de comer carne e ovos , embora ainda tome leite e coma queijo. Minha saúde melhorou e sinto que foi umas das melhores coisas que fiz na vida.
    Embora sempre tenha amado animais desde a infância, crescendo junto com eles no campo, foi preciso tempo (dezoito anos) para perceber que era maldade me alimentar da carne dos meus amigos. É também lamentável o que consumimos de agrotóxicos, tomara que isso mude um dia.
    Parece que nossa punção de morte nos leva a nos autodestruirmos e a tudo a nossa volta, mas, com certeza um dia reverteremos essa situação.

  3. Ei Pedro.
    O episódio se refere a uma demanda de restaurantes orientais, em São Paulo, conforme noticie o link abaixo: http://www.forumseguranca.org.br/praticas/abatedouro-que-abastecia-restaurantes-com-caes-e-gatos-e-fechado . No cardápio de um restaurante coreano consta, inclusive, os pratos e o tipo da carne escrito em coreano. Ninguém está, portanto, vendendo gato por lebre. A reportagem mostra que o consumo da carne canina está sendo feita por livre e espontânea vontade. Em contrapartida, a salada do brasileiro é feita de agrotóxico, conforme http://www.brasilwiki.com.br/noticia.php?id_noticia=10105 As frutas e as hortaliças consumidas no Brasil estão com uma quantidade alarmante de agrotóxicos, alertou ontem a Anvisa. Uma análise de 17 alimentos em 25 estados revelou que nenhum escapa dos pesticidas, alguns deles contaminados por agrotóxicos de uso proibido. O pior caso é o do pimentão, com 64% de contaminação. Depois vêm morango, uva e cenoura. O ministro da Saúde disse que parou de comer pimentão (págs. 1 e 28).

    1. Olá Paulo!
      Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa!!!Temos que combater todas as questões que ferem os princípios legais contidas em nossa “carta” que estão em vigor e devidamente regulamentadas.Por princípios, também, sou contra qualquer tido de matança de animais, inclusive esta que vivenciamos e encontramos no prato da maioria dos brasileiros. Já na Índia a “vaca” é sagrada, portanto é considerado crime sua matança.Agora, é lastimável o Ministro da Saúde dizer uma besteira desta. Isto também é caso de polícia, não é mesmo? Só falta o Ministro da Educação dizer aos alunos brasileiros não estudarem em escolas públicas.
      Acorda Brasil!

  4. Parece nos inconcebível que nossa sociedade haja assim nos tempos de hoje, porém mais inconcebível ainda são as sociedades que acham natural matar cães e gatos para comer… Você tem toda razão quando diz que não há diferença entre os animais domésticos e todos os outros que estão aí, sendo abatidos para alimentação do humano. Parei de comer carne de vaca aos 15 anos, hoje com 31 me sinto muito feliz com minha escolha. Não foi uma escolha individual, e sim, uma escolha feita após conhecer um hare krisna na rua (sim, aqui em sao paulo há vários deles), e de ter comprado um livro sobre reencarnação. Lá, pude saber sobre o sofrimento da vaca ao morrer, o quanto ingerimos esse sofrimento, e o quanto isso nos faz mal… Virei vegetariana mesmo, abolindo todo tipo de carne depois que comecei a fazer yoga. Apenas, não fazia mais sentido pra mim. Não condizia com a vida que queria levar, com os princípios que o yoga pregava e que eu queria seguir. Com um mês senti uma grande diferença, tanto na prática como no meu físico-orgânico mesmo. Estava mais leve, mais feliz, com o instestino funcionando que era uma maravilha, o sono melhorou, a pele ficou lisinha, o humor e até a prática de sexo melhoraram. Quem sabe um dia, nossa sociedade acorde para o melhor, acorde para a vida, e não mais mate os animais por matar. Fora a crueldade contra os animais! Ps: aliás, me recordo que há muito tempo atrás, andando aqui próximo ao meu trabalho, vi um cara enforcando um cachorrinho já sem pelo, no meio da rua… O cão gritava tanto, que fiquei toda arrepiada e no mesmo momento comecei a chorar. Devia estar matando para fazer o famoso \\\’churrasquinho de gato\\\’ ou de cão, tão comum por aqui… Nunca vou me esquecer dos gritos desse cachorro. Só fico imaginando a dor que ele estava sentindo. E sinto pesar por quem ainda come esse tipo de maldade.

  5. Caro Pedro, O Link abaixo: http://vista-se.com.br/site/fechado-abatedouro-que-vendia-carne-de-cachorro refere-se ao fechamento de um abatedouro que vendia carne de cachorro para restaurantes chineses em São Paulo. Como você sabe a carne de cachorro é muito apreciada pelos chineses. Os brasileiros onívoros, portanto, não correm o risco de ingerir tal alimento. Veja outra reprtagem, abaixo: Chineses comerão carne canina do Brasil As novas relações comerciais entre o Brasil e a China trouxeram esperança para muitos. Menos para os cães brasileiros. Entre a comitiva de comerciantes que esteve em maio na China ao lado do presidente Luis Inácio Lula da Silva estava o diretor de uma empresa que presta serviços a prefeituras do interior de São Paulo recolhendo animais das ruas. O objetivo de Gustavo Vanassi, proprietário da DogColect, em território chinês era apresentar aos restaurantes do país uma nova alternativa de abastecimento para um de seus pratos mais tradicionais: a carne canina. De acordo com a agência de notícias Associated Press, a presença e os planos de Vanassi vinham sendo mantidos em segredo para não ofuscar nem causar um efeito negativo nos tratados comerciais entre China e Brasil. No entanto, quando o governo chinês autorizou, na semana passada, a importação da carne de cães brasileiros, a informação acabou vazando e chegando ao conhecimento de entidades protetoras de animais, que já estão se organizando para frear as negociações. A comoção pelo destino dos cães, que viriam de abrigos municipais do estado de São Paulo, já chegou à esfera do PETA (People for Ethical Treatment of Animals), organização internacional das mais atuantes nos países do primeiro mundo. – Estamos pasmos. Não imaginávamos que um país tão importante como o Brasil seria capaz de um ato desses. Essa iniciativa abre um perigoso precedente e dá um péssimo exemplo a países de menor porte, que podem começar um verdadeiro processo de chacina, sacrificando milhares de cães. O mundo ocidental não pode lucrar com hábitos alimentares rudimentares de países orientais, que já nos dão preocupações suficientes. ? diz a diretora do PETA, Debbie Leahy. Gustavo Vanassi, diretor da DogColect, com sede na cidade de São Caetano do Sul, não foi encontrado para comentar os protestos do PETA. A empresa, no entanto, emitiu uma nota oficial dizendo que vai operar dentro das normas estabelecidas pelo tratado comercial e que os cães destinados ao abate para consumo chinês não serão mortos antes do prazo legal de sacrifício estipulado pelas prefeituras onde presta serviços. Fonte: http://www.cocadaboa.com/archives/003881.php

  6. É como a frase que gosto de reproduzir: “Se você ama uns, por que come outros?” “Might doesn\\\’t make right!” O poder não gera o direito! Essa nossa suposta superioridade humana deveria ser provada com atos evoluídos, e não primitivos.
    O desejo — meramente cultural e preguiçosamente difundido — pela carne não justifica a tortura cruel a que submetemos os animais. O tema deve ser sempre levantado, é uma obrigação moral! Bom post!

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