Conheça, Vedānta

O décimo homem

Havia uma vez um guru chamado Paramānanda. Ele tinha dez estudantes que eram chamados conjuntamente Paramānandaśiṣyaḥ, estudantes de Paramānanda. Um dia, aconteceu uma festividade numa aldeia próxima à floresta onde ficava o Āśram e os jovens resolveram comparecer. O professor não ia poder acompanhá-los e então pediu para o maior deles se ocupar de cuidar dos outros nove no caminho até a aldeia.

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Havia uma vez um guru chamado Paramānanda. Ele tinha dez estudantes que eram chamados conjuntamente Paramānandaśiṣyaḥ, estudantes de Paramānanda. Um dia, aconteceu uma festividade numa aldeia próxima à floresta onde ficava o Āśram e os jovens resolveram comparecer. O professor não ia poder acompanhá-los e então pediu para o maior deles se ocupar de cuidar dos outros nove no caminho até a aldeia.

“Vou levar eles e trazê-los de volta em segurança, mestre”, disse o jovem. Cantando bhajans alegremente, foram à festividade a pé. No caminho tiveram que atravessar um rio que não era muito caudaloso mas mesmo assim precisava-se saber nadar para atravessá-lo.

Quando chegaram ao outro lado, o maior resolveu contâ-los para verificar que todos estivessem lá. Ele contou nove. Contou novamente e se deu conta de que faltava um. Ficou muito preocupado pois era o responsável por todos perante o mestre.

O jovem ficou sem saber o que fazer: não queria continuar sem o décimo estudante, e muito menos voltar ao Āśram. Desesperado, sentou embaixo de uma árvore para se lamuriar. Tempos depois aconteceu de um sādhu atravessar o seu caminho e, vendo-o desesperado, lhe perguntar o que aconteceu. Ele conta que certamente um dos estudantes se afogou ao atravessar o rio.

O sādhu dá uma risada que o menino não compreende. Ele pensa que o sábio está rindo da desgraça deles. Pergunta: “vocês eram dez? E você diz que agora são nove? Pois eu estou vendo os dez.” O estudante lhe pergunta: “mas onde está o décimo estudante? Você está vendo ele agora?”

“Esteja pronto para encontrar o décimo homem”, diz o sādhu. Depois pediu que todos os estudantes ficassem em fila e para o maior deles contar novamente. Ele faz o que lhe foi pedido mas só conta nove ainda. Triste, pergunta: “onde está o décimo?” O sādhu replica: “ele está à minha frente agora mesmo. Você é o décimo. Esqueceu de contar a si mesmo.”

Que “eu sou” é algo que o menino sabe. Porém, ele não sabe que ele é o décimo estudante. Ele sabe que é mas não sabe quem é e desconhece seu lugar na ordem do grupo. O décimo homem precisa ser descoberto, da mesma maneira que Īśvara precisa ser percebido na criação.

Assim como o décimo estudante sempre esteve aí, Īśvara também sempre esteve aí para ser visto, em todos os nomes e formas. Só precisamos nos dar conta da presença invariável de Īśvara em tudo e em todos. Essa é a história do décimo homem.

Guru Pūrṇima, a Lua do Mestre

Pedro Kupfer em Conheça, Dharma Hindu
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