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O significado do Mantra Om

Essa sílaba única, Om, vem dos Vedas. Como uma palavra sânscrita, significa avati raksati - aquilo que lhe protege, lhe abençoa. Como se dá essa proteção? É um mantra e é um nome do Senhor. O nome do Senhor lhe protege através da repetição do próprio nome. Pelo nome você reconhece o Senhor. E, portanto, é reconhecimento em forma de oração.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī · 6 mins de leitura >
mantra om

Essa sílaba única, Om, vem dos Vedas. Como uma palavra sânscrita, significa avati rakṣati – aquilo que lhe protege, lhe abençoa. Como se dá essa proteção? O mantra Om é um mantra e é um nome do Senhor.

O nome do Senhor lhe protege através da repetição do próprio nome. Pelo nome você reconhece o Senhor. E, portanto, é reconhecimento em forma de oração. Sendo um mantra, ele é repetido, e, portanto, torna-se uma prece.

O Senhor é o protetor e o provedor; aquele que abençoa é o Senhor; o Senhor é na forma de bênção. Repetido o mantra Om, você invoca o Senhor naquela forma específica. Então, dessa maneira, Om lhe protege. Portanto, ele é fiel a seu nome. É o Senhor que lhe protege, e não o som.

Entre o nome e o Senhor há uma ligação (abhidhāna abhidheya sambandha). Um é o nome, o outro é o seu significado. A conexão é que você não pode repetir o nome sem o significado dele, se você o conhece.

Uma vez conhecido o significado, este vem para sua mente, assim como a palavra. Portanto, não são duas ações diferentes. Não ocorre primeiro a palavra e depois de algum tempo o significado.

Se você conhece o significado quando a palavra aparece na sua mente, no mesmo instante o significado está lá. Isso é possível somente quando ambos estão interligados.

Essa conexão é chamada abhidhāna abhidheya sambandha. E, por causa desse sambandha, o nome protege você, e o Senhor também. O Senhor é Um e não-dual. Isso é o que dizem os Vedas.

Om iti idam sarvam yat bhútam yat ca bhavyam bhavisyat iti:
O que existia antes, o que existirá depois e o que existe agora.

Tudo isso, sarvam, é realmente Om. Tudo o que existe é Om. Tudo o que existiu é Om, e também tudo o que existirá depois, no futuro. Passado, presente e futuro, incluindo o tempo e tudo o que existe no tempo – tudo isso é Om.

mantra om

Os componentes do mantra Om

Aquele Om é Brahman. Portanto, o Senhor é não-dual, e esse não-dual é Um. A sílaba é também uma e não-dual, significando que tudo está dentro dela. E tudo está dentro de Om.

Portanto, é também uma contemplação. Pois, apesar de Om ser uma sílaba única, nela existe A, U e M. A mais U é O, um ditongo, e mais M é Om. Tem, portanto, três mátras, ou unidades de tempo. A é um mātra, U é outro e M mais outro. Brahman é sarvam (tudo) e também está na forma de três.

Brahman em estado causal, como sūkṣma prapañca, o mundo sutil, e o sthūla, o mundo físico. O corpo físico é chamado de sthūla, assim como o universo físico.

Dentro desse corpo físico existe outro mundo. É o mundo do nosso prāṇa que mantém este corpo vivo e inclui a mente e os sentidos.

É sutil, pois está dentro desse corpo físico, não visível, mas sua presença não se perde. Portanto, o que mantém esse corpo vivo, sem o qual estaria morto, isso é sūkṣma. Quando sthūla e sūkṣma estão juntos, então existe vida.

Quando sūkṣma não está presente, esse corpo físico fica inerte. Se Brahman, o Senhor, é tudo, então todo o sthūla prapañca, o universo físico que inclui todos os corpos físicos, é o Senhor, e também o sūkṣma prapañca, o mundo sutil, é o Senhor.

Dessa maneira, temos o Senhor nos três níveis: no nível físico, sutil e causal. Na nossa vida diária também temos três estados distintos de experiência: o acordado, o sonho e o sono profundo. No sono profundo o indivíduo está na forma causal.

No sonho você se identifica com o sūkṣma (sutil), sua própria mente. A mente está acordada e existe uma experiência de sonho e um mundo de sonho. E você ainda identifica-se com o corpo físico e tem então o estado acordado. Então temos três estados de experiência e três mundos.

Isso constitui o indivíduo enquanto ser acordado e todo o mundo físico, o ser que sonha e todas as experiências sutis e o causal, no sono profundo. São três e completam tudo o que existe a nível individual e total.

O ser acordado e individual está incluído em Brahman, que é o total. Portanto, o indivíduo acordado e o mundo acordado é Brahman. Seu mundo acordado está incluído no mundo acordado total.

Todo aquele mundo acordado está representado por A. E existe uma razão para isso, falada nos Śāstras (Escrituras). A é a primeira letra (ou som) que é pronunciada quando se abre a boca, e, da mesma maneira, M é a última, quando se fecha a boca. U está entre os dois.

A representa o acordado, do qual depende U. A torna-se U quando os lábios se fazem arredondados. U representa todo o sūkṣma prapañca (mundo sutil), e M representa todo o mundo causal, pois tudo se dissolve em M.

Depois de fechar os lábios, de dizer M, você não pode dizer mais nada. A e U terminam em M, assim como no sono profundo os mundos físicos e sutil dissolvem-se. Portanto, A-U-M, Om e quando se pronuncia Om, tudo se dissolve em M. E, depois, tudo retorna, Om.

A origem do retorno não é em M, mas sim no silêncio. A e U dissolvem-se em M, e em seguida o Om nasce do silêncio. Então, A-U entram em M, e M entra no silêncio. O silêncio não é A, nem U e nem M, mas está também incluído no mantra Om. Ele é chamado de amārra.

O silêncio que existe entre dois Oms é Brahman, em sua forma essencial, do qual depende AumJāgat, o estado acordado; Swapna, o sonho; Suṣupti, o sono profundo; o Sthúla prapañca, o mundo acordado; sūkṣma prapañca, o mundo de sonho; e o Karana avasthá, o estado causal.

Todos os três dependem do silêncio, que é Brahman, que é Caitanya, consciência, Átman, Brahman. E é aquele mesmo que está nesses três. Portanto, todos os três vêm Dele, são sustentados por Ele e retornam para Ele mesmo. Aquele é Brahman.

Portanto, Om iti idam sarvam: o Om é tudo. É uma sílaba e, ao mesmo tempo, contém tudo. É não-dual. Então, o Senhor é tudo. Todas as formas na criação são formas do Senhor. E todas as formas têm um nome. Imaginemos que queiramos dar um nome ao Senhor.

O mantra Om aponta para Īśvara

Que nome deveria ser? Todos os nomes são nomes do Senhor. Então, qual nome que poderíamos dar? Quando digo cadeira, não é mesa; são diferentes. Suponhamos que cadeira é Brahman, e que mesa também seja Brahman. Então, qual o nome que daria ao Senhor? Deveria dar todos os nomes. Então, todos os nomes em qual língua?

O Senhor é Um. Apesar de seu nome ter que incluir todos os nomes, ainda assim existe um nome de sílaba única que podemos dar a Ele. Este é Om. Em qualquer língua, todos os nomes estão somente entre dois sons.

Isto dentro do ponto de vista puramente fonético. Se você abre a sua boca e faz um som, este é A. Não existe outro som que possa ser feito. Um indiano, um chinês, um norueguês, ou até mesmo uma pessoa de alguma tribo, todos dirão A.

Então, feche sua boca e faça um som. Você terá MM. Tente fazer outro som depois de fechar a boca! Portanto, Am. Todas as palavras, em todas as línguas, estão entre A e M.

Entre essas estão muitas letras que tem de ser levadas em conta. Todas as outras letras estão representadas por o que você produz quando arredonda os lábios e diz A. Você terá U. Junte A e U (em sânscrito) e você terá O; adicione M e terá Om.

Todos os nomes, em todas as línguas, conhecidos e desconhecidos, estão incluídos entre A e M. Om iti idam sarvam. Portanto, Om é tudo e Om é também um nome fonético para o Senhor. Om não faz parte de uma língua específica. É fonético, além de qualquer língua.

Portanto, Om é o nome para Brahman que inclui o silêncio também, o nirguna (sem forma) e o turīya (o quarto estado da consciência, que é a pura consciência). Aum é o turīya. Portanto, Om é considerado o mais sagrado e básico entre todos os nomes do Senhor.

Você pode fazer o japa de Om ou contemplar o Om. Om é o mantra do sannyási. Produz tyága vritti, uma tendência a abandonar tudo. É por isso que geralmente as pessoas não cantam somente Om. Sannyāsins têm que cantar Om para não se envolverem. Outros não são incentivados a cantar para que não larguem tudo.

Geralmente, cantamos Om no início e no final de qualquer coisa. Om representa um início auspicioso.

॥ हरिः ॐ ॥


Extraído do Informativo Vidyā Mandir de novembro/dezembro de 1989, do Vidyā Mandir – Centro de Estudos de Vedanta e Sânscrito, Rio de Janeiro, e digitado por Cristiano Bezerra.

Visite o aqui o site do Arsha Vidyā Gurukulam, o ashram de Swami Dayananda Saraswati na Pensilvânia, EUA.

Para conhecer mais a obra de Swāmi Dayānanda, visite o site do Vidyā Mandir – Centro de Estudos de Vedānta e Sânscrito, da professora Gloria Arieira.

॥ हरिः ॐ ॥

Saiba mais:

  1. O Significado do Símbolo Oṁ
  2. Meditação no Mantra Om

Medite sobre o mantra Om aqui:

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī
Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.
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jñānayoga

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  ·   55 segundos de leitura

Uma resposta para “O significado do Mantra Om”

  1. Lindo esse artigo do Swami Dayananda. Ele clarifica tanto as coisas na mente da gente… Ler um texto dele é praticamente “meditar no texto”, integrar-se… No final, abrem-se portas e vem um ar novo, revigorado… Uma sensação de estar maior e mais livre. Adoro o site de vocês. Está cada vez mais bonito. Parabéns pela boa vontade, pelo bom coração e pela disponibilidade em dividir/unir todo esse material com a gente… Com carinho, Marceli.

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