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O Yoga como negócio

Vemos com alguma freqüência entrepreneurs que, olhando para a popularidade que o Yoga está vivendo atualmente, decidem abrir seus próprios “negócios” vinculados a ele. Coloco a palavra negócio entre aspas, pois até hoje me choca essa associação do Yoga com uma empresa que objetiva apenas o lucro.

Escrito por Pedro Kupfer · 9 mins de leitura >

Vemos com alguma freqüência entrepreneurs que, olhando para a popularidade que o Yoga está vivendo atualmente, decidem abrir seus próprios “negócios” vinculados a ele. Coloco a palavra negócio entre aspas, pois até hoje me choca essa associação do Yoga com uma empresa que objetiva apenas o lucro. Pura e simplesmente, o que estes empreendedores querem é fazer dinheiro com Yoga. Não há nenhum compromisso com os objetivos maiores, e muitas vezes nem sequer são contemplados os efeitos secundários da prática sobre as pessoas, como aumento da qualidade de vida e bem-estar.

Não obstante o foco estar completamente centrado no lucro, o discurso sobre bem-estar e qualidade de vida continuam presentes nos materiais de divulgação e websites dessas empresas. Essa infeliz atitude lembra as ações da Petrobras, essa infame empresa que, após emporcalhar da maneira mais irresponsável as águas dos mares brasileiros e destruir a vida neles (vide a situação da baía de Guanabara), patrocina campeonatos de surf e outros esportes aquáticos para “cumprir sua responsabilidade social”.

Um esclarecimento necessário: quando falo em empresas de Yoga, não estou incluindo nessa categorização a imensa maioria dos estúdios de Yoga do planeta, mas me referindo apenas às grandes empresas (ou as aspirantes wannabes), organizadas muitas vezes em redes de franquia ou sistemas similares, com marcas e nomes registrados. Dessas corporações, podemos distinguir dois tipos: 1) as de perfil sectário, que carregam toda uma bagagem de culto à personalidade de um líder despótico e mecanismos de lavagem cerebral, dentre outros, e 2) as empresas cujo foco é o lucro, puro e simples. Este texto está centrado na tentativa de compreender a relação entre a sociedade em que vivemos, o praticante de Yoga e esse último tipo de corporação, cujos donos vejo como os Dhritarashtras desta era, cegados pela ambição desenfreada.

O Yoga como Yoga.

Há muitas formas de definir o Yoga. Para simplificar, e não cansar o leitor com repetições, podemos afirmar que Yoga é uma escola de autoconhecimento, ou o exercício da prática desse conhecimento de si mesmo na vida real, através de atitudes e ações conscientes. Desde tempos imemoriais, o Yoga esteve vinculado à busca da liberdade. Por paradoxal que possa ser buscar algo que nós já somos (uma vez que as escolas de filosofia vinculadas ao Yoga nos ensinam que aquilo que buscamos é o que de fato somos), esse é o objetivo e todo o esforço do praticante está centrado na completude desse processo de crescimento interior.

Nessa ordem de coisas, o Yoga nunca foi um método para prosperar ou enriquecer materialmente. O tipo de prosperidade e conforto para o qual o Yoga aponta, certamente, não está centrado na realização de desejos ou na acumulação de bens materiais. A riqueza para a qual o Yoga aponta é de outra índole. A meta é cultivar a pacifica plenitude, de maneira que esta pontue todos os momentos da existência. Essa plenitude é chamada mokṣa, que quer dizer liberdade, em sânscrito.

Tradicionalmente, as pessoas comprometidas com esse caminho não eram as mais ricas ou as mais visíveis dentro da sociedade, embora dentro do grupo dos adeptos do passado não faltassem figuras como o rei Janaka, um yogi-governante lembrado pela temperança e justiça com que reinou. No passado remoto, os yogis preferiam a vida simples, na floresta, perto dos rios, ou em lugares recolhidos e tranqüilos. No passado recente, da mesma maneira, percebemos que muitos praticantes escolheram lugares solitários para viver, praticar e ensinar. Atualmente, a coisa muda bastante de figura: aproveitando o embalo da popularidade do Yoga, surgem grandes firmas e franquias, que aplicam massivamente o marketing e os demais métodos do capitalismo para vender e divulgar algo chamado Yoga. O fato de termos chegado nessa situação é reflexo de uma curiosa série de distorções que relataremos a seguir.

O Yoga como exercício.

Originalmente, o Hatha Yoga era um dos métodos ou formas do Yoga. A prática das posturas, por sua vez, era uma ínfima parte desse método. Com a distorção atual, vemos que essa ínfima parte do Yoga tornou-se sinônimo de Hatha, e que este termo, por sua vez, tornou-se sinônimo de Yoga. No caminho, ficaram para trás as técnicas avançadas ou complexas, como mudra, pranayama, mantra e meditação. A falácia de vermos o Yoga desta maneira é que se Yoga é igual a Hatha, e Hatha é igual a ásana, então, Yoga é ásana:

Yoga = Hatha; Hatha = ásana => Yoga = ásana.

Concluir isto é tão ridículo e precipitado quanto concluir que se Yoga é um conjunto de técnicas, e que o mula bandha (a contração dos esfíncteres) é uma dessas técnicas, então, qualquer pessoa que contraia os esfíncteres estará praticando Yoga.

Enquanto seja verdade que o Yoga lida com o corpo, a mente e as emoções, seu objetivo maior é a liberdade, moksha. No entanto, a visão reducionista que a sociedade tem do Yoga na atualidade é de que este seria uma espécie de exótica ginástica oriental ou exercício anti-estresse. Essa percepção equivocada é fruto da confusão entre meios e fins no próprio ambiente dos professores de Yoga. Muitos instrutores “profissionais” desconsideram a visão da vida e o ensinamento sobre si mesmo, julgando serem mera teoria, e acabam se centrando nas técnicas, que passam a ser vistas como objetivos a serem atingidos.

Quando a mídia especializada em Yoga promove esta confusão, como acontece atualmente, os demais veículos da imprensa ecoam essa atitude e assim, o público recebe a informação de que Yoga é exercício físico para o bem-estar, e mais nada. Com esta distorção na visão dos objetivos do Yoga, confundem-se ferramentas e metas e o cuidado com o corpo, que sempre foi considerado um veículo para alcançar a meta maior, moksha, passa a ser considerado um fim em si mesmo.

A responsabilidade e o demérito kármico, obviamente, ficam com os professores, que, por opiniões ou ações deliberadamente distorcidas ou até mesmo por omissões (por exemplo, quando um professor diz “eu não me meto nessas coisas”), iniciam esse processo de confundir meios e fins.

O Yoga como instrumento do capital.

Não sou economista nem enxergo com clareza as filigranas do capitalismo. Porém, percebo que, para o empresário, o Yoga, obviamente, não é filosofia de vida nem escola de conhecimento. No melhor dos casos, é visto convenientemente como um exercício, da forma que analisamos acima. Eis aí que começa a tarefa de destruição sistemática do ensinamento: quando o empresário define o Yoga como serviço ou produto, estabelece os meios de produção (instalações, infra-estrutura da escola, sala de prática, etc.) e os complementa pelo modo de produção (equipe de professores, recepcionistas, etc.).

Nessa ordem de coisas, o material humano não é visto de maneira muito diferente dos camponeses da Idade Média ou dos operários das fábricas durante a Revolução Industrial. Em muitos casos, estabelece-se uma retribuição por salário ou hora-aula ao professor, que passa a ser considerado apenas como uma engrenagem no sistema produtivo e que pode ser eliminado, caso se perceba um interesse “além do normal” na filosofia, ou na motivação para manter os mantras ou a meditação nas práticas. Nesses casos, o professor é descartado como a casca de uma laranja cujo suco foi extraído, uma vez que ele representa um perigo.

Disse acima manter os mantras e a meditação nas práticas, pois obviamente, no processo de redução do Yoga a um exercício, essas técnicas, bem como a reflexão sobre os valores éticos e a auto-observação, são descartadas como empecilhos que podem espantar a clientela. Hoje em dia, pouca gente sabe que mantras e meditação sempre fizeram parte do leque de práticas do Hatha Yoga. Essa é a razão pela qual os praticantes que não se satisfazem com o Yoga da maneira que é ensinado, acabam por dirigir suas atenções para outros sistemas que saciem a sede real de conhecimento, como o budismo tibetano ou o zen.

O instrutor-bagaço.

Nessa ordem de coisas, a grande ironia é que, quem define o que é Yoga é o próprio “consumidor”, através de canais de comunicação com a gerência dessas empresas (“fale conosco”, caixa de sugestões na recepção, emails, etc.). Assim, quem estabelece o que entra numa aula de Yoga e o que fica de fora, não é o professor, mas o “cliente”. Portanto, deduzimos que o empresário considera que o cliente saiba mais sobre Yoga do que o próprio professor.

Do professor, espera-se que, mansamente, se submeta à vontade do aluno de manter o foco das práticas na redução do abdome ou em firmar os glúteos. Um bom amigo meu perdeu o emprego numa dessas empresas por conta da opinião de clientes (leia-se dondocas ansiosas para eliminar a flacidez) que se queixaram de que a aula dele tinha “demasiada filosofia”. Como o cliente sempre tem razão, o professor foi para a rua.

O resultado da atitude do empresário que apresenta o Yoga desta forma, é que ele colabora, no melhor dos casos, com a involução e a distorção do Yoga. No pior dos casos, podemos ainda considerar que o empresário esteja falsificando o Yoga, apresentando-o como algo que ele não é. Assim, voluntariamente ou não, o empresário mente e engana as pessoas, empurrando para elas algo que parece Yoga, mas em verdade é um arremedo vulgar, uma cópia malfeita dele.

Dizendo alto e em bom tom um número suficiente de vezes que Yoga é um exercício físico, estes empresários e professores inescrupulosos conseguiram emplacar a ideia de que o Yoga seja mesmo um exercício. Como a opinião pública tende a seguir os especialistas dentro de cada área, e os especialistas em Yoga da atualidade (pelo menos, aqueles que pagam assessoria de imprensa ou convencem as agências de notícias) declaram isso, então as pessoas acabam mesmo acreditando que Yoga é exercício. O resultado é que muitas vezes, praticantes sinceros sentem-se desorientados em tais contextos. Intuindo que o Yoga seja algo mais do que aquilo que está sendo apresentado para eles, acabam por se sentir fora de contexto nas próprias escolas cujo foco esteja apenas no lucro.

O Yoga como auto-ajuda para enriquecer.

Atualmente, para piorar as coisas, há autores da área da auto-ajuda que, um pouco dissimuladamente, um pouco descaradamente, expõem o Yoga como um sistema que ajudaria o praticante a fazer dinheiro. Eufemisticamente, a palavra dinheiro não é empregada. Em seu lugar, entram termos mais neutros, como prosperidade, sucesso, riqueza ou abundância. Ainda, estes ensinamentos aparecem profusa e generosamente pintados com “verniz espiritual”, adornados com citações das Upanishads e outros śāstras.

Não testemunhamos apenas a redução do Yoga a um sistema de exercício físico, mas igualmente um uso bastante questionável, por não dizer hipócrita, dos valores do Yoga como uma forma de fazer dinheiro. Assim, invertem-se os valores fundamentais da ética yogika: onde deveria haver desapego, vemos prosperar a busca da abundância, como se nela estivesse a plenitude. Onde os praticantes deveriam ser convidados para pensar na simplicidade, propõe-se a busca do hedonismo, como se nele pudéssemos achar a felicidade. Onde deveríamos refletir sobre a verdadeira identidade do Eu, nos propõem a realização das ambições como solução para a felicidade.

Nesse vácuo, alguém ainda vai escrever livros com títulos como O Yoga Sutra da Prosperidade, Os Sete Segredos do Yoga, ou Patañjali, o Maior Vendedor do Mundo. Ficam aqui anotadas essas sugestões para o próximo candidato a guru auto-ajudístico.

As alternativas.

Paradoxalmente, os opositores do Yoga nesta nossa sociedade parecem saber mais do que os próprios instrutores. Esses adversários do Yoga, se cabe usar esta palavra, são membros de cultos fundamentalistas cristãos que, muito corretamente, percebem a dimensão espiritual do Yoga que os empresários insistem em negar. O detalhe é que, considerando estes religiosos que o Yoga não está na Bíblia, eles o enxergam como um produto da mente do demônio e olham para ele com medo e desconfiança. Bons evangélicos, como sabemos, não freqüentam aulas de Yoga.

A compreensão de que o Yoga seja algo mais do que estas distorções é a tábua de salvação do praticante sincero. A bem da verdade, o Yoga nunca esteve dirigido ao consumo fácil. A massificação dele veio, conseqüentemente, acompanhada desse tipo de distorção. Aqueles realmente interessados nos objetivos verdadeiros do Yoga continuam sendo uma pequena minoria dentro do imenso grupo das pessoas que se auto-definem como praticantes. Assim sendo, eles devem superar as provações que a vida lhes colocar, na forma de coisas que parecem Yoga, têm cara de Yoga, cheiro de Yoga, mas não são Yoga.

Tradicionalmente, o Yoga foi ensinado em espaços pequenos, para grupos reduzidos ou até mesmo de forma individual. As mesmas soluções que funcionaram no passado, como ilustra o exemplo do mestre Krishnamacharya, que ensinava num exíguo cômodo da própria casa, continuam funcionando e sendo aplicadas por muitos bons professores até hoje. Provavelmente, essas salas de prática não terão letreiros luminosos com logotipos bem-bolados à porta. Provavelmente, não são lugares muito visíveis ou fáceis de se achar. Provavelmente, também, os professores que você encontre nesses lugares serão praticantes dedicados que, por estarem em casa, não têm o rabo preso ou receio de perder o emprego se falarem sobre a espiritualidade.

O praticante deve estar disposto a fazer frente, sozinho, a quaisquer dificuldades que possam aparecer em seu caminho. Dentre elas, podem surgir como obstáculos internos o desalento, a falta de motivação, a inércia ou a instabilidade emocional. Os obstáculos externos que o yogi encontra atualmente incluem professores despreparados ou fúteis, bem como essas sedutoras firmas com suas instalações, folhetos e websites moderninhos, mas vazios. Cabe a cada um, usando o bom-senso, evitar cair nessas armadilhas e trilhar pacificamente seu próprio caminho em direção à liberdade. Namaste!

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.

Escrito por Pedro Kupfer
Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas. Perfil

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21 respostas para “O Yoga como negócio”

  1. Vivemos num país cujo regime é democrático e capitalista. É natural que o profissional sério que dê aulas de Yoga receba por isso, que a escola, instituto, academia, espaço, como queiram chamar tenha o objetivo do lucro , como qq outro negócio para a sobrevivência do mesmo . Nada de errado nisso. A questão está em como expor a filosofia do Yoga e os objetivos da proposta da mesma para o alcance de um praticante e, nesse caminho, naturalmente, vão existir charlatões e pessoas sérias e comprometidas com a filosofia. Portanto, você quem procura aulas de Yoga como praticante certamente deve ter algum conhecimento sobre o assunto, afinal, toda a globalização e a tecnologia de informação está disponível para os interessados, basta buscar esse conhecimento. Sendo um conhecedor do assunto, ainda que seja mínimo, notará logo no primeiro momento quem realiza um trabalho digno e competente de quem pretende “distorcer” a real prática e filosofia do Yoga. Namastê!

  2. Pedroji,
    Nos últimos anos tenho ensinado em diversos países aqui pela Europa e tenho observado esses mesmos fenômenos que você aborda nesse artigo. É algo global. Gostaria de pedir sua autorização para traduzi-lo para o inglês e publica-lo em meu site, citando autor e fonte, claro.
    Acredito que o artigo traz uma reflexão importantíssima sobre yoga na contemporaneidade. Por aqui tem muitas empresas com propostas nada satvicas se espalhando, cada coisa estranha… enfim. A escola que eu estou dando aula, tinha uma proposta interessante, incluía estudos teóricos e era um espaço sem comercialização de produtos, mas infelizmente vai fechar no final do mês.
    Tenho a impressão que os espaços mais comerciais tem mais alunos e são mais sustentáveis. Eu vou continuar ensinando com a abordagem que acredito ser cuidadosa, seja para vários ou poucos alunos. Se eu não encontrar alguma escola que eu concorde com o estilo de ensino, darei aulas em casa. Kshanti.
    Estou estudando empreendedorismo social, modelos de “negócios” que não visam lucro, só sustentabilidade e benefícios para comunidade. Vamos ver se uso esse conhecimento para continuar difundindo o yoga. grande abraço,
    Namastê!
    Bruno.

  3. Namastê!
    Primeiramente, agradeço pelo texto, por ver diariamente como a pratica da ioga pode ser levada a um objetivo de iluminação ou apenas como um exercício, o que é literalmente uma aberração da ioga e seu texto esmiúça essa realidade de forma clara. Gostaria de fazer um adendo.
    Quando criança tive uma experiência com meditação e ioga que me direcionou para essas práticas, a mais de 25 anos, e durante uns 15 anos eu não me satisfazia com nenhuma pratica que posteriormente tive, pelos motivos citados pelo senhor no texto.
    Era mestre que utilizavam um orientalismo exacerbado e um culto a personalidade assustador, professor que não cantava mantras nem explicava as praticas, não sabia ou pior, inventava explicações absurdas.
    Tive que trabalhar muito cedo e como não tenho muitas posses, durante alguns anos me afastei da ioga por considerar que “ioga é coisa de rico”, por que para praticar a noite deveria gastar um dinheiro que comprometeria a minha sobrevivência ou optar por uma pratica de dia, mais barata, mas impossível, pois não me permitiria trabalhar. Durante muitos anos pratiquei através de alguns livros usados, que foram meus mestres.
    Sempre tive muita dificuldade para achar uma pratica com um mínimo de seriedade, o que me afastava e teve o efeito de me obrigar a ler cada vez mais sobre o assunto para poder me instruir minimamente e fugir de alguma pratica danosa. Isso me fez uma pessoa muito desconfiada quanto a pratica da ioga.
    Posteriormente alcancei um poder aquisitivo maior, e pude praticar ioga num grupo, com um bom professor, o que melhora enormemente a pratica e o entendimento total da experiência. Percebo uma tendência da ioga de se chegar a um determinado público, que tem um determinado grau de instrução, e principalmente um poder aquisitivo maior.
    Me entristece que uma pratica tão benéfica não possa ser apresentada a mais pessoas, por impossibilidade econômica. Por que não existe uma pratica de ioga honesta, com foco num cidadão comum no nosso País? Então realmente ioga é coisa de rico?

  4. Pedro ja realizei 2 cursos contigo, compreendo perfeitamente a exposição que tu traz a respeito do tema, porém não o deixo de enquadrar tabém como um empresário (bem sucedido por sinal) a sua pratica esta muito próxima de ser terapeutica = adaptação do yoga para todos.
    Fazer mantras para seus alunos, é um excelente marketing…. minhas experiencias na india, nenhum Swami tocava musica para seus alunos durante o relaxamento… e tu conquista muitos alunos assim, não tenha duvidas…
    Admiro seu trabalho, mas nao concordo em numeros e graus com o senso critico que apresentas em alguns artigos, os quais por vezes pode se contradizer com aquilo que você oferece, e que te rentabiliza muito bem, certo?
    Peço perdão pela colocação , mas acredito ser importante esse reconhecimento da necessidade de se adaptar as pratica tradicional e milenar do yoga, para o homem contemporâneo …. adaptação que você como empresario e professor faz… que eu como empresario e professor faço também. É claro, que toda adaptação possui um genero e grau, o qual deve ser consciente para nao distorcer excessivamente os conhecimentos do yoga.
    Om namah Sivaya. Namastê
    =================================
    Caro Yogiswar,

    Obrigado pela mensagem. Faço aqui algumas pontualizações sobre suas declarações, uma vez que elas contêm incorreções que podem trazer confusão aos leitores.

    1) Você diz que eu sou um empresário. Pelo que entendo, um empresário é alguém que possui uma empresa e trabalha com a finalidade de obter lucro. Eu não vivo para trabalhar, mas trabalho para viver e para poder viajar para continuar estudando e praticando, e para honrar meu mestre, que me ensinou o que pratico e ensino.

    Não me defino como empresário. Um empresário é alguém que tem uma empresa. Eu sou um trabalhador autônomo. Desde o ponto de vista do meu status de trabalhador, perante a prefeitura onde moro, estou na mesma categoria de um professor de línguas, um cabeleireiro ou um palhaço.

    Não tenho uma empresa, nem um CNPJ, nem talão de cheque, nem plano de saúde, nem seguro, nem carro. Tampouco quero ter nada disso. O dinheiro que ganho com os cursos vai para pagar viagens e fazer doações. Não tenho poupanca nem dinheiro guardado.

    2) O texto NÃO fala sobre a relação entre o professor de Yoga e o dinheiro, como seu comentário sugere, mas entre alguns empreendedores que querem aplicar dinheiro para lucrar, e o Yoga. A relação entre o professor de Yoga e o dinheiro pode ser tema para um texto futuro. Obrigado pela sugestão.

    3) O meu mestre aqui na Índia canta mantras para nós durante a meditação matinal, canta mantras nos satsangs, entre pergunta e pergunta que lhe fazemos, e canta mantras no templo durante as pūjās. Nós cantamos mantras aqui o tempo todo.

    Tenho amigos, aliás, com quem aprendi a tocar e cantar, que também são professores de Yoga e que usam a música como um elemento auxiliar nas práticas, do mesmo jeito que faço.

    Não uso os mantras na prática para “conquistar” ninguém. Usar a palavra marketing para se referir ao uso dos mantras nas práticas é algo que me pareceu insólito, mas enfim… Creio que essa palavra se usa mais para designar algum posicionamento no mercado, a apresentação ou divulgação de um produto, etc.

    4) Adaptar as práticas de Yoga às diferenças individuais é algo que está no Yogasūtra de Patañjali, na Haṭha Yoga Pradīpikā e noutros textos tradicionais. Não vejo a conexão entre ter esse cuidado, que aliás garante a integridade física dos praticantes e ser um “empresário”, como você insinua.

    Namaste!

    Pedro Kupfer.

  5. Olá a todos os amigos que mantêm este site, gostaria de deixar aqui primeiramente minha gratidão, pois este site é fonte maravilhosa de conhecimento quanto ao Yoga.
    Quero deixar as minhas impressões aqui, sendo que sei do potencial de cada um de vocês e da grande importância de cada um para a difusão do Yoga.
    Neste texto relatou-se como o “capitalismo” tem diminuído a importância do Yoga, sendo que grandes empresas tendem a trazer para suas falsas academias de Yoga apenas uma fração da prática, e ainda não permitem que professores sérios exerçam sua sabedoria quanto a prática.
    Realmente isto é algo para nos preocuparmos, e realmente, infelizmente quem escolhe o que quer aprender são as pessoas, que geralmente buscam a “superficialidade” com as quais estão habituadas, não entendem que cada professor de Yoga é um mestre, e que o caminho que ele conhece é para transcender estes valores inúteis aos quais estão arraigados nossa sociedade.
    E há tempos andamos caminhando rumo a mediocridade. O que vim acrescentar aqui é, que a nossa sociedade necessita de valores maiores, necessitam principalmente da prática do Yoga, como algo que os elevará a pensamentos maiores e dignos de uma sociedade fundamentada para o bem, e o GRANDE problema disso tudo, é que as pessoas que têm em mãos este conhecimento, agregaram a este valor um valor financeiro, e o que é pior, um grande valor financeiro, expandindo desta forma um Yoga inautêntico, pois ja fugiram da tão almejada SIMPLICIDADE yógica, pra você se tornar um disseminador desta prática que pode trazer luz a este mundo, geralmente pagará de 4 a 6 mil reais, quando não mais, fora as tarifações, e tudo o mais. Ou então pagará em 3 ou 4 anos 350,00 por mês, acessível mas… PARA TER APENAS UMA ÚNICA AULA POR MÊS???!!!!
    O Yoga necessita de expansão! Vocês continuam nutrindo um sistema desigual, e ainda, para piorar, fugindo da simplicidade e tentando ocupar a classe privilegiada desta piramide desumana. Todos estes instrutores que trazem em si o conhecimento do Yoga e que cobram grandes quantidades de dinheiro, deixando-o desta maneira inacessível a grande parte da população tão indo contra o Yoga, e todos os “valores” aos quais este site trata tão imperiosamente.
    Eu sinto muito por tudo isto, e espero que cada um de vocês repensem o que andam praticando, o que andam buscando, e que valores estão disseminando, pois se existe um INSTRUTOR de Yoga que prefere aplicar uma prática falsa ao perder o emprego, temos que avaliar o que este INSTRUTOR recebeu de seu mestre.
    O que ele sente? Medo de perder o emprego? Quem conhece o Yoga sabe, somos maiores que tudo isso. Obrigado pela livre expressão de opinião, e espero que aceitem minhas críticas como construtivas, e também sei que vocês estão comprometidos de forma diferente com o Yoga. Abraços fraternais, Paz, Amor, Harmonia e Simplicidade para podermos vislumbrar a verdadeira felicidade.

  6. se alguém procura yoga em academia é porque nao quer nem saber do yoga,ou quer fazer alongamento ou emagrecer,essas coisas…..
    quem realmente se interessa por yoga,sabe onde procurar

    1. Prezado Caetano,
      Acho esta colocação precipitada e preconceituosa. Dou aulas em academias há anos e posso dizer que há também pessoas bastante interessadas no Yoga verdadeiro. Tudo depende de como ensinamos. O exemplo que o Pedro dá de um amigo que perdeu o emprego por sua aula conter demasiada filosofia, é sobre mim em um “grande espaço” de Yoga. Portanto, melhor trabalhar em uma academia que lhe respeite como professor de Yoga do que numa falsa escola cujo objetivo puro e duro seja o lucro!
      Harih Om!

  7. /\ Prezado Pedro, Parabéns pelo seu corajoso texto nos alertando para essa cruel realidade criada para envolver o Yoga. Mas acredito fortemente que no final a Tradição vencerá e assim sempre será. Felizmente tenho a oportunidade (leia-se privilégio) de praticar Yoga com um professor idôneo, experiente, maduro (3a idade) que se preopcupa em realçar a importância da essencia do Yoga na vida daqueles que realmente se sentem e foram tocados pelo Yoga. Namastê.

  8. Olá, Pedro! Bom texto. Se você me permite, um único reparo respeitoso: a comparação entre os camponeses medievais e os operários da Revolução Industrial é fruto de uma visão comum e equivocada da Idade Média. Bons estudiosos já corrigiram essa visão em alguns ótimos livros. Recomendo “Luz Sobre a Idade Média”, de Regine Pernoud. Um clássico. Forte abraço!

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