Pratique, Yoga na Vida

Profissão, yogi, parte II

Meses atrás, soube que um amigo, professor de Yoga em uma grande cidade do Brasil, foi demitido do espaço onde ministrava aulas. A única resposta que obteve ao querer saber o porquê de seu inapropriado desligamento foi que ele já sabia o motivo por que isso estava acontecendo

Escrito por Humberto Meneghin · 2 mins de leitura >

Meses atrás, soube que um amigo, professor de Yoga em uma grande cidade do Brasil, foi demitido do espaço onde ministrava aulas. A única resposta que obteve ao querer saber o porquê de seu inapropriado desligamento foi que ele já sabia o motivo por que isso estava acontecendo. Mas, aparentemente, não havia qualquer razão que justificasse a demissão.

Quando o yogi-professor procura um espaço voltado ao ensino do Yoga para oferecer suas aulas, muitos elementos estão por trás dessa escolha, dentre eles, o ambiente, a(s) linha(s) do Yoga que lá se adota(m), o público que o freqüenta, a boa afinidade com o(a) dono(a) do espaço/estúdio e finalmente o justo pagamento por suas aulas.

No caso desse meu amigo professor, altamente qualificado na senda do Yoga, ministrava, isto é, ainda ministra, aulas com muita dedicação, inclusive passando tarefas para os alunos tutelados em casa fazerem, ou seja, treinarem ásanas, porém, nada disso foi levado em conta quando decidiram demiti-lo.

Entretanto, soube por ele que o ambiente do espaço não estava sendo apropriado ao ensino da nobre filosofia, visto que o(a) proprietário(a) o considerava apenas mais um negócio; um empreendimento cujo valor principal é o ganho comercial através de um gerenciamento específico para isso.

Como todo empreendimento comercial, as escolas de Yoga naturalmente buscam um justo rendimento, fruto das aulas e cursos que oferecem, mas não a ponto de considerar isso o elemento número um de sua lista de prioridades.

Se um professor de Yoga inevitavelmente precisa ser demitido do espaço onde ministra aulas ou mesmo qualquer outro servidor, desde a ‘tia’ da limpeza à recepcionista, que haja um bom e justificado motivo para isso. Não adianta simplesmente dizer ao prestador de serviço que demitido está e que ele próprio já sabe o motivo que levou o(a) dirigente do espaço tomar essa decisão. Isso não funciona, no mínimo tem que existir uma justificativa para tal ato, pois tanto quando se ‘contrata’ ou quando se ‘distrata’, o bom senso deve estar presente (distratar é rescindir um contrato).

Aliás, um outro ponto delicado a ser analisado neste tema, é a questão contratual, muitas das vezes adotada também em alguns estabelecimentos voltados à prática do Yoga. Aquele eventual contrato realizado por alguns espaços com o yogi-professor, que na grande maioria das vezes, visa mais os interesses da escola do que o do profissional do Yoga, excetuando, é claro, alguns outros justos e com claúsulas equilibradas para ambas as partes.

Pois é, por que no mundo do Yoga, alguns acham que há essa necessidade de se adotar um contrato entre proprietários de espaços Yoga e seus professores? Não seria isso, talvez, uma demonstração de insegurança por parte desses espaços? Um certo receio de que os autônomos professores sigam direto à Justiça do Trabalho para requererem as devidas indenizações, após uma demissão?

Do oposto, sabemos de outros espaços onde a questão contratual não é relevante, ou seja, justamente pelo simples fato de haver uma confiança sólida e verdadeira que se construiu entre o(a) dono(a) do espaço e o professor que lá dá aulas, não existe a mínima necessidade de se colocar no papel certos parâmetros impostos, dentre eles o da absurda exclusividade de o professor-yogi em somente ministrar aulas no espaço que assim pontua, como se esse professor de Yoga fosse um valioso artista participante do casting de uma emissora de TV, adicionando a isso, a obrigatoriedade de se seguir regulamentos internos pautados em certas ordens até burocráticas: ‘Não pode estacionar o carro aqui na frente porque as vagas são reservadas para o cliente aluno’.

Claro que existem certos parâmetros, regras de boa conduta e convivência, dress code ? o jeito de se vestir para o trabalho, que devem ser adotados em qualquer ambiente profissional, incluindo aquele da escola que oferece aulas e cursos voltados ao Yoga, mas que essas regras, não extrapolem os limites do bom senso.

De tudo isso, vale destacar que o Yoga dos dias atuais, em primeiro lugar, não deve estar pautado tão somente por cláusulas contratuais colocadas por algumas escolas que adotam este hábito com os professores que lá trabalham, mas sim na fiel divulgação da preciosa filosofia do Yoga.

Se a porta da rua ainda é a serventia da casa em certos espaços, cabe então aos autônomos, yogis-professores analisarem muito bem a ‘proposta’ de onde pretendem ministrar as suas aulas antes de aceitá-la, para que mais tarde não haja qualquer tipo de arrependimento. Harih Om!

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