Começando, Pratique

Retiros de Yoga e afins

Com o ano repleto de feriados, a gama de retiros voltados ao Yoga, Vedanta e outros temas, são amplamente divulgados e oferecidos aos praticantes. É bem natural e comum que aqueles que pretendam adquirir mais conhecimento, se interessem em participar desses encontros

· 2 mins de leitura >

Com o ano repleto de feriados, retiros de Yoga, Vedanta e outros temas, são amplamente divulgados e oferecidos aos praticantes/estudantes. É bem natural e comum que aqueles que pretendam adquirir mais conhecimento, se interessem em participar desses encontros. Porém, o interessado deve procurar selecionar, dentre as várias opções, quais retiros vale mesmo a pena participar.

O primeiro atrativo da proposta de um retiro é o potencial do palestrante ou palestrantes; os professores, que irão transmitir o conhecimento aos aprendizes durante os três ou quatro dias que estiverem juntos e “reclusos”. O segundo ponto relevante é o tema a ser abordado, o conteúdo, associado ao local onde o retiro irá acontecer: nas montanhas, na praia ou simplesmente no campo. E o outro ponto, este o decisivo, é o valor a ser pago pelo retiro, ou seja, o custo e benefício, incluindo acomodação e alimentação, sendo um fator bem relevante na decisão final dos mais conscientes.

A palavra retiro advém do verbo retirar-se. Retirar-se significa ausentar-se da vida cotidiana, do urbano, isolar-se, recolher-se em um local que traga bons momentos e tranqüilidade. Talvez, a palavra retiro também possa ser vinculada a uma fuga de tudo o que possa estar sobrecarregando a vida de alguém. Para outros, retirar-se é simplesmente sair do estresse e encontrar a paz.

Retiros espirituais estão presentes e sempre estiveram presentes em muitas linhas religiosas. Católicos, protestantes, budistas, hinduístas, retiram-se para conectar-se com o espiritual. Yogis da antiguidade também se retiravam nas montanhas, passando anos e mais anos em solitude e quem sabe até mesmo levando uma vida toda de eremita.

Já alguns retirantes da atualidade, ao se retirarem, precisam saber separar o joio do trigo para não confundirem os meios com o fim, ou seja, não irem a um retiro como se estivessem indo passar um fim de semana agitado com os amigos, regado a álcool, cigarros e outros excessos, pois essas ações não combinam nenhum pouco com o real e verdadeiro propósito de qualquer tipo de retiro e/ou evento.

Talvez, você já tenha participado de algum retiro em que certas pessoas não se comportavam comme-il-faut, ou seja, agiam de uma forma inadequada àquele precioso e único momento de introspecção, estudo e assimilação de novas idéias, trazendo desordem, intranqüilidade e tumulto ao ambiente, dentre outras situações, todas inconvenientes àqueles que realmente estavam ali para retirar-se.Comportamentos esses, que cortam o real proveito e a verdadeira finalidade de qualquer retiro que se preze, transformando-o em um retiro de intranqüilidade.

No entanto, aquele que é considerado um bom retiro, o resultado é sentido quando se encerra. Se você sentir-se bem, até mesmo com um sentimento de plenitude e com aquela sensação de ‘que pena que acabou’, então, o retiro que você participou valeu mesmo a pena, te trouxe experiências novas e proveitosas, momentos de tranqüilidade e sobretudo o conhecimento e a sabedoria transmitidos pelo palestrante/professor foi válido e lhes deixaram boas mensagens para a vida.

Por outro lado, é comum existirem retiros em que alguns participantes vão embora com aquela sensação de alívio por finalmente ter acabado. Aliviados ficam, pois o retiro não lhes foi nenhum pouco proveitoso, o(s) palestrante(s) nada de novo lhes acrescentou(ram), nada do que lhes foi dito e transmitido, bem como as vivências, não se encaixaram com as suas expectativas, e, então, aquele ‘investimento’ que propagaram e que na melhor das intenções foi feito, de nada valeu. Ficou apenas o turismo e olhe lá.

Sem contar que, vez por outra, nos deparamos com certos retiros que se desvirtuam totalmente da precípua finalidade. São aqueles que não trazem qualquer tipo de benefício aos participantes e tampouco novas experiências. Do contrário, provocam resultados inesperados, alterados e indesejados aos que deles participaram, atingindo até os íntegros profissionais que atuam no mesmo campo, maculando-lhes a imagem, sem ao menos terem qualquer vínculo com o indigitado evento.

Portanto, se o feriado chegou e você vai participar de um retiro de Yoga, Vedanta, seja qual for o tema, propósito ou palestrante(s), aproveite esse momento único para viver, aprender, refletir e sobretudo crescer como mumukshu, aquele busca moksha, a liberação.

Harih Om!

Humberto é professor de Yoga em Campinas.
Mantém o excelente blog Yoga em Voga.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *