Mantra, Pratique

Sādhana Pañcakam

Estude sempre os Vedas. Pratique diligentemente o ensinamento. Dedique as ações a Īśvara e, desta maneira, abandone os desejos. Mantenha-se firme na consciência de Ātmā, o Ilimitado que você é. Abandone já a identificação com aquilo que você não é.

Escrito por Ādi Śaṅkarācārya · 22 mins de leitura >
sādhana

वेदो नित्यमधीयतां तदिुदतं कमर् स्वनुष्ठीयतां
तेनेशस्य विधीयतामपिचितः काम्ये मितस्त्यज्यताम्।
पापौघः पिरधूयतां भवसुखे दोषोऽनुसन्धीयतां
आत्मेच्छा व्यवसीयतां निजगृहात्तूणर्ं विनिर्गम्यताम् ॥ १ ॥

vedo nityamadhīyataṁ taduditaṁ karma svanuṣṭhīyatāṁ  
teneśasya vidhīyatamapacitiḥ kāmye matistyajyatām | 
pāpaughaḥ paridhūyatāṁ bhavasukhe dośo’nusandhīyatāṁ 
ātmecchā vyavasīyatāṁ nijagṛhāttūrṇaṁ vinirgamyatām || 1 ||

Estude sempre os Vedas. Pratique diligentemente o ensinamento. 
Dedique as ações a Īśvara e, desta maneira, abandone os desejos.
Mantenha-se firme na consciência de Ātmā, o Ilimitado que você é.
Abandone já a identificação com aquilo que você não é. || 1 ||

सङ्गः सत्सु विधीयतां भगवतो भिक्तदृर्ढाऽऽधीयतां
शान्त्यािदः पिरचीयतां दृढतरं कमार्शु सन्त्यज्यताम्।
सिद्वद्वानुपसृप्यतां प्रितिदनं तत्पादकु सेव्यतां
ब्रह्मैकाक्षरमथ्यर्तां श्रुितिशरोवाक्यं समाकण्यर्ताम् ॥ २ ॥

saṅgassatsu vidhīyatāṁ bhagavato bhaktirdṛḍhā’dhīyatāṁ 
śāntyādiḥ paricīyatāṁ dṛḍhataraṁ karmāśu santyajyatām|
sadvidvānupasṛpyatāṁ pratidinaṁ tatpādukā sevyatāṁ
brahmaikākṣaramarthyatāṁ śrutiśirovākyaṁ samākarṇyatām || 2 ||

Cultive boas companhias e conecte-se com o auspicioso.  
Firme-se em valores como o comando sobre a mente.  
Abandone os apegos. Aproxime-se do sábio e sirva-o. 
Busque apenas o Ilimitado e ouça as palavras do Śrutiḥ.  
Conheça a si mesmo como o Ilimitado Brahman, que é Uno. 
Ouça as palavras supremas de sabedoria da boca do mestre. || 2 ||

वाक्याथर्श्च विचायर्तां श्रुितिशरः पक्षः समाश्रीयतां
दस्तु कार्त्सुिवरम्यतां श्रुितमतस्तकोर्ऽनुसन्धीयताम्।
ब्रह्मास्मीित विभाव्यतामहरहगर्वर्ः पिरत्यज्यतां
देहेऽहमंतिरुझ्यतांबुधजनैवार्दःपिरत्यज्यताम्॥३॥

vākyārthaśca vicāryatāṁ śrutiśiraḥ pakṣassamāśrīyatāṁ
dustarkātsuviramyatāṁ śrutimatastarko’nusan-dhīyatām |
brahmāsmīti vibhāvyatāmaharahargarvaḥ parityajyatāṁ
dehe’haṁmatirujhyatāṁ budhajanairvādaḥ parityajyatām || 3 ||

Reflita sobre o significado do Śrutiḥ e tome refúgio na visão.  
Afaste-se de argumentos fúteis e perceba a lógica do Śrutiḥ. 
Lembre sempre que você é Brahman e abandone o egoísmo.  
Elimine a confusão Eu-corpo. Não argumente com os sábios. || 3 ||

क्षुद्व्याधिश्च चिकित्स्यतां प्रितिदनं भिक्षौषधं भुज्यतां
स्वाद्वन्नं न तु याच्यतां विधवशात्प्राप्तेन सन्तुष्यताम्।
शीतोष्णािद विषह्यतां न तु वृथा वाक्यं समुच्चायर्तां
औदासीन्यमभीप्स्यतां जनकृ पानैष्ठु यर्मुत्सृज्यताम् ॥ ४ ॥

kṣudvyādhiśca cikitsyatāṁ pratidinaṁ bhikṣauṣadhaṁ bhujyatāṁ
svādvannaṁ na tu yācyatāṁ vidhivaśātprāptena santuṣyatām | 
śītoṣṇādi viṣahyatāṁ na tu vṛthā vākyaṁ samuccāryatāṁ
audāsīnyamabhīpsyatāṁ janakṛpānaiṣṭhuryamutsṛjyatām || 4 ||

Através do remédio da nutrição, trate a doença da fome.  
Não seja exigente: alimente-se com o que a vida lhe dá.  
Seja estoico com os pares de opostos como frio e calor.  
Evite palavras desnecessárias. Tome tanto a gentileza  
como a dureza com a mesma atitude equânime. || 4 ||

एकान्ते सुखमास्यतां परतरे चेतः समाधीयतां
पूणार्त्मा सुसमीक्ष्यतां जगिददं तद्बािधतं दृश्यताम्।
प्राक्कमर् प्रिवलाप्यतां चितिबलान्नाप्युत्तरैः श्लिष्यतां
प्रारब्धं त्विह भुज्यतामथ परब्रह्मात्मना स्थीयताम् ॥ ५ ॥

ekānte sukhamāsyatāṁ paratare cetassamādhīyatāṁ
pūrṇātmā susamīkṣyatāṁ jagadidaṁ tadvādhitaṁ dṛśyatām |
prākkarma pravilāpyatāṁ citibalānnāpyuttaraiḥ śliṣyatāṁ
prārabdhaṁ tviha bhujyatāmatha parabrahmātmanā sthīyatām || 5 ||

Fique numa postura confortável, recolhendo a mente do exterior.  Mantenha o foco no Supremo. Medite na Verdade como Ser Pleno. Perceba claramente a visão Invariável. Elimine o apego ao mundo. Dissolva o karma passado pela correta compreensão do Ilimitado.  Permaneça igualmente incólume aos seus karmas futuros. 
Frua seus karmas presentes. Depois da dissolução do corpo,  
que você permaneça como Parabrahman, o Ilimitado. || 5 ||

sādhana

Algumas palavras sobre o Sādhana Pañcakam

कोऽहिमित ॥ 
Quem Sou Eu? 
Aitareyopaniṣad, I:11

पुरुषः सोऽहमिस्म ॥ 
Esse Ser, Eu Sou. 
Īśopaniṣad, 16

Este stotra é da autoria de Ādi Śaṅkarācārya e pertence à categoria dos prakaraṇa graṇṭhas, textos breves que sintetizam a essência do autoconhecimento e da visão do Vedānta.

No texto, o professor coloca-se compassivamente no lugar do aluno para perceber o que ele precisa, quais são as qualificações que ele já tem claras e aquelas que precisa trabalhar. O iniciante tem sede de autoconhecimento e precisa de um guia. Essa sede precisa ser saciada.

Assim, Śaṅkara, oferece seu sábio e amoroso conselho. Consequentemente, nos dá igualmente uma série de recomendações ao longo destas cinco estrofes, que têm o propósito de facilitar a nossa jornada e nos ajudar a estabelecer as nossas prioridades no caminho, para evitar distrações e manter o foco no que interessa.

Sādhana Pañcakam é uma formidável introdução a todos os temas do autoconhecimento, tanto o central, que é mokṣa, a liberdade, quanto do subsidiários, como valores, hábitos, atitudes e práticas.

O nome Sādhana Pañcakam significa “As Cinco Estrofes da Prática”. Pañcakam é um conjunto de cinco estrofes ou ślokas. A palavra sādhana significa em sânscrito “meio para chegar” e se refere as disciplinas, meditações, valores e atitudes recomendados para quem sente a forte motivação e o poderoso chamado para uma vida livre e plena.

Essa pessoa é chamada mumukṣu, ou alguém que tem dentre as suas prioridades, a libertação em relação a todos os condicionamentos e crenças que nos impedem crescer.

Oferecemos aqui uma tradução das palavras destas cinco estrofes, onde o autor nos dá uma linda e inspiradora lista de 40 passos para vivermos a espiritualidade no cotidiano. Seguindo esses passos, abrimos as possibilidades para mokṣa, a libertação.

O sânscrito não é o mais simples mas com cuidado e persistência poderemos aprender e recitar este lindo cântico para nos inspirar, lembrar das nossas prioridades e levar em consideração que o caminho em direito ao autoconhecimento não precisa ser sófrego nem penoso.

O sufixo tāṁ, que se repete ao longo de todo o stotram, significa “deveríamos”. Porém, não devemos considerar esse modo imperativo uma imposição vertical. A meditação nao pode ser compulsória. A pūjā não pode ser obrigatória.

sādhana não deve ser imposto desde fora. Ninguém pode impor nada para você. Você assume as possibilidades em prol do seu próprio crescimento interior. Consideremos, então estas recomendações como uma série de importantes sugestões para facilitar a nossa caminhada.

As 40 Chaves do Sādhana Pañcakam

Śloka 1

  1. Vedo nityamadhīyataṁ: estude sempre os Vedas, a visão da nao-separação.
  2. Taduditaṁ karma svanuṣṭhīyatāṁ: pratique diligentemente o ensinamento.
  3. Teneśasya vidhīyatamapacitiḥ: dedique as ações a Īśvara (tena Īśā).
  4. Kāmye matistyajyatām: abandone [toda forma de apego] aos desejos.
  5. Pāpaughaḥ paridhūyatāṁ: desenterre (paridhūyatāṁ) a totalidade dos deméritos.
  6. Bhavasukhe dośo’nusandhīyatāṁ: perceba a limitação de buscar somente o prazer.
  7. Ātmecchā vyavasīyatāṁ: cultive o desejo (icchā) pelo conhecimento de Ātmā.
  8. Nijagṛhāttūrṇaṁ vinirgamyatām: abandone imediata (tūrṇaṁ) [e definitivamente] a identificação com a personalidade limitada(literalmente, abandone imediatamente [a ideia de que você é o dono da] sua casa).

Śloka 2

  1. Saṅgassatsu vidhīyatāṁ: cultive as boas companhias.
  2. Bhagavato bhaktirdṛḍhā’dhīyatāṁ: conecte-se com o auspicioso, firme na devoção.
  3. Śāntyādiḥ paricīyatāṁ: cultive os seis valores: śama, mente funcional, dama, o controle sensorial, uparatiḥ, relaxamento, titikṣa, paciência, śraddhā, confiança e samādhana, concentração.
  4. Dṛḍhataraṁ karmāśu santyajyatām: abandone completamente (santyajyatām) as ações baseadas no desejos egoístas.
  5. Sadvidvānupasṛpyatāṁ pratidinaṁ: aproxime-se (upasṛpyatāṁ) do sábio.
  6. Tatpādukāsevyatāṁ: façaseva, sirvaospésdele [para quebrar o apego ao ego].
  7. Brahmaikākṣaramarthyatāṁ: compreenda (arthyatāṁ) o verdadeiro significado do Ilimitado, que é Uno (eka) e indestrutível(ākṣaram).
  8. Śrutiśirovākyaṁ samākarṇyatām: ouça atentamente (samākarṇyatām) as palavras capitais do Śrutiḥ, id est, os mahāvākyas.

Śloka 3

  1. Vākyārthaśca vicāryatāṁ: medite sobre o significado dos mahāvākyas.
  2. Śrutiśiraḥ pakṣaḥ samāśrīyatāṁ: acompanhe a argumentação lógica do Śrutiḥ.
  3. Dustarkātsuviramyatāṁ: evite a discussão falaciosa (dustarkā) com os sábios.
  4. Śrutimatastarko’nusan-dhīyatām: mantenha-se na lógica (tarkā) do Śrutiḥ.
  5. Brahmāsmīti vibhāvyatām: lembre [do mahāvākya] “eu sou Brahman”.
  6. Aharahargarvaḥ parityajyatāṁ: abandone [o apego ao] orgulho e o egoísmo (garvaḥ) dia após dia (aharahar).
  7. Dehe’haṁmatirujhyatāṁ:elimineaconfusãoEu-corpomente [a identificação em relação ao corpomente].
  8. Budhajanairvādaḥ parityajyatām: deixe de lado (parityajyatām) quaisquer argumentações com os sábios (budha).

Śloka 4

  1. Kṣudvyādhiśca cikitsyatāṁ: pelo remédio da nutrição, “cure” (cikitsyatāṁ) a doença da fome (kṣudvyādhi).
  2. Pratidinaṁ bhikṣauṣadhaṁ bhujyatāṁ: tome diariamente (pratidinaṁ) a medicina (auṣadha) do bhikṣa, aquilo que chega ao seu prato.
  3. Svādvannaṁ na tu yācyatāṁ: não seja exigente em relação aos alimentos muito saborosos (svādvannaṁ): alimente-se com o que avida lhe dá.
  4. Vidhivaśātprāptena santuṣyatām: aceite aquilo quevocê recebe (vidhi: isto é, o que resultado dos seus karmas passados).
  5. Śītoṣṇādi viṣahyatāṁ: seja estoico com os pares deopostos como frio e calor.
  6. Na tu vṛthā vākyaṁ samuccāryatāṁ: evite o falatório desnecessário.
  7. Audāsīnyamabhīpsyatāṁ: seja neutro e (audāsīnyam) perante tudo.
  8. Janakṛpānaiṣṭhuryamutsṛjyatām: abandone (utsṛjyatām) [a suscetibilidade perante] gentileza (kṛpā) ou crueldade (naiṣṭhuryam) por parte das pessoas (jana) e seja sempre gentil em relação a elas.

Śloka 5

  1. Ekānte sukhamāsyatāṁ: em solitude, fique [meditando]numa postura confortável.
  2. Paratare cetassamādhīyatāṁ: recolhendo a mente(cetaḥ) do exterior, mantenha o foco no Supremo (Brahman).
  3. Pūrṇātmā susamīkṣyatāṁ: veja a forma auspiciosa eagradável (susamīkṣyatāṁ) nesse Ser Pleno, que é você (Ātma).
  4. Jagadidaṁ tadvādhitaṁ dṛśyatām: veja este mundocomo ele é, relativo.
  5. Prākkarma pravilāpyatāṁ: que os frutos das suas ações pretéritas sejam destruídos.
  6. Citibalānnāpyuttaraiḥ śliṣyatāṁ: não se apegue aos karmas que possam surgir no futuro.
  7. Prārabdhaṁ tviha bhujyatām: que você possa exaurir seu prārabdha karma, seu karma atual, presente, neste corpo e neste mundo.
  8. Atha parabrahmātmanā sthīyatām: depois da desintegração do corpo, no fim desta encarnação, que você possa ficar como o Īśvara (que você é), para o mundo.

Śloka 1

vedo nityamadhīyataṁ taduditaṁ karma svanuṣṭhīyatāṁ  
teneśasya vidhīyatamapacitiḥ kāmye matistyajyatām | 
pāpaughaḥ paridhūyatāṁ bhavasukhe dośo’nusandhīyatāṁ 
ātmecchā vyavasīyatāṁ nijagṛhāttūrṇaṁ vinirgamyatām || 1 ||

Estude sempre os Vedas. Pratique diligentemente o ensinamento. 
 Dedique as ações a Īśvara e, desta maneira, abandone os desejos.
 Mantenha-se firme na consciência de Ātmā, o Ilimitado que você é.
 Abandone já a identificação com a personalidade limitada. || 1 ||

Vedo nityamadhīyata: estude os Vedas diariamente. Nityam quer dizer sempre. Cante diariamente. Estude diariamente. Conheça as palavras dos Vedas. Saiba para onde essas palavras apontam: você já é a felicidade que está buscando. O termo Veda deriva do dhatu, da raíz verbal vid, que possui quatro significados:

  1. vid significa conhecimento,
  2. vid também quer dizer análise,
  3. vid significa igualmente riqueza e
  4. vid ainda, quer dizer ganho. No caso, ganho da liberdade.

Todos estes significados podem ser aplicados ao Veda, ao corpo de conhecimento que constitui a base da tradição do Yoga. Esse corpo de conhecimento não é uma coleção de livros, mas uma visão inestimável que não tem autoria. É considerada apauruṣāya, ou que não tem origem humana, uma vez que ela é eterna, como o próprio Ser, do qual é manifestação.

O Veda consta de três partes: karmakaṇḍaupāsanakaṇḍānakaṇḍa: ações rituais, práticas e conhecimento, respectivamente. O karmakaṇḍé a porção inicial, e aparece nos Brahmāṇas. O upāsanakaṇḍestá nas Saṁhitās. Oānakaṇḍestá nas e nas Upaniṣads. Essas são as três seções do Veda.

Estudar o Veda diariamente, no entanto, não é apenas ler esses textos mas remover o saskāra, os condicionamentos da mente que nos impedem de compreender quem somos realmente. Isso implica aplicar o conhecimento e a visao da não separação no nosso cotidiano.

Taduditaṁ karma svanuṣṭhīyatāṁ: adote o estilo de vida indicado pelo Veda, aplicar o ensinamento, noutras palavras. Isso inclui as práticas dentro do processo de śravaṇam-mananam-nididhyāsanam.

A palavra karma aquidesigna as práticas rituais e os deveres universais que todos deveríamos considerar, que por sua vez sugerem um estilo de vida harmonioso e calmo.

Esses karmas, essas ações são de seis tipos:

  1. nityakarma, as ações habituais,
  2. naimittikakarma,asocasionais,
  3. kāmyakarma,aquelasmotivadaspelosdesejos,
  4. niṣiddhakarma, as ações proibidas,
  5. prayascitakarma,aspurificatóriase,finalmente,
  6. niṣkāmakarma, a atitude do Karmayoga.

Nityakarma são as ações que fazemos habitualmente, como por exemplo o chamado pañcayajña que consiste em fazer cinco tipos de esforço:

  1. Brahmayajña, assimilar o ensinamento transmitido para nós pelos nossos professores e mestres,
  2. Devayajña, fazer práticas que nos ajudem no reconhecimento da presença invariavel de Īśvara em todas as formas da natureza, como por exemplo o sūryanamaskāram,
  3. Pityajña, honrar os nossos ancestrais, nossos pais e avós, ajudando-os quando precisam de nós, cuidando deles,
  4. Manuyayajña é prestar servico à humanidade. Há muitos tipos de caridade: o mais denso é dar esmolas, o mais sutil é transmitir o ensinamento e, finalmente,
  5. Bhūtayajña é cuidar da natureza, cuidar por exemplo de algumas árvores ou plantas para contribuir para um mundo melhor, também nesse plano.

Se a gente se omitir dessas ações diárias, se não fizermos essas ações, algum tipo de resultado indesejável irá acontecer, diminuindo ao mesmo tempo o nosso mérito, pūṇya. Por exemplo, se deixarmos de fazer alguma atividade fisica, o nosso corpo vai debilitar-se e isso pode trazer problemas de saúde.

Naimittikakarma são as ações ocasionais, como as festividades religiosas, os jejuns pontuais, o ritual do casamento, e outros. Os dezesseis rituais de passagem do hinduísmo, por exemplo, pertencem a esta categoria de ações. Dentre eles estão o ritual que inicia o processo educativo, o ritual da primeira tonsura, o ritual do primeiro alimento sólido e o ritual fúnebre, entre outros.

O terceiro tipo de karma é kāmyakarma, ou as ações motivadas pelos nossos próprios desejos. Deixar de fazer alguma ação deste tipo não amuenta nem diminui o nosso mérito, uma vez que estas ações são todas opcionais e não obrigatórias. O desejo de ter filhos ou descendência, por exemplo, pertence a esta categoria.

O quarto tipo de ação é o chamado niṣiddhakarma. Essa palavra refere-se às coisas proibidas, tanto pelos códigos éticos quanto pelos legais, como por exemplo provocar dano ou ferir os demais, roubar, enganar e outras. Fazer este tipo de ação reduz o mérito e aumenta o karma indesejável.

O quinto tipo de karma é denominado prayascita, e faz referência as ações purificatórias, necessárias para neutralizar os eventuais frutos kármicos indesejáveis e restaurar a paz interior, se for preciso. Inclui práticas de austeridade, compensação ou esforço sobre si mesmo. Estas ações aumentam o nosso mérito, pūṇya.

Finalmente, o sexto tipo de ação é o nikāmakarmaNikāmakarma refere-se mais a uma atitude do que a uma ação pontual ou a um tipo de ação: a atitude do Karmayoga, que é abordada na segunda linha desta estrofe.

Teneśasya vidhīyatamapaciti: qualquer que seja o resultado das ações que fizemos na busca da realização dos nossos desejos, devemos procurar manter Īśvara em mente. Esse é o segredo do Karmayoga, o Yoga da Vida. Ao fazemos as ações com o foco em Īśvara, cada uma delas torna-se uma pūjā, uma oferenda.

Você não precisa de alguém que lhe obrigue a amar seus filhos. Amar é dharma, e dharma é aquilo que deve ser feito, por paradoxal que isto possa parecer. Noutras palavras, não temos opção a não ser amar e reconhecer o amor que somos.

Kāmye matistyajyatām: ao caminhar nesta senda, evite as ações desnecessárias ou aquelas que não forem essenciais para a sua busca, para a autorrealização. Você está aqui e neste lugar onde você vive há muitas opções de coisas para fazer.

Porém, você quer manter o foco nas suas prioridades fundamentais, uma das quais é a busca da felicidade, ou melhor dizendo, o reconhecimento dessa felicidade que você já é. Assim apenas deixe de lado a dispersão de energia que pode vir com essas distrações e reconheça-se feliz, agora.

Pāpaughaḥ paridhūyatāṁ: abstenha-se de ações que possam ferir os demais. Pāpam não é pecado, mas aquilo que machuca os outros e, consequentemente, a nós mesmos. Podemos traduzir a palavra pāpam como demérito, ou ação contrária ao bem comum, ao dharma.

Bhavasukhe dośo’nusandhīyatāṁ: que você possa sempre enxergar e descartar a identificação com coisas fúteis que podem criar apego, autoindulgência excessiva ou hábitos potencialmente perniciosos. Que você possa ver sempre a limitação dessas experiências e consiga manter o foco no que realmente interessa.

Ātmecchā vyavasīyatāṁ: que você possa cultivar o desejo pela liberdade e o amor pelo autoconhecimento, i.e., amor por si mesmo. Amor pelo conhecimento é amor pelo autoconhecimento, e amor pelo autoconhecimento é amor por si mesmo.

Nijaghāttūraṁ vinirgamyatām: que você possa deixar imediatamente a casa que acredita ser sua para continuar o seu processo de moka. Isto não quer dizer abandonar o seu lar, mas compreender que você nao é o dono de nada e está apenas fruindo do mundo como ele é, provisionalmente, enquanto você está aqui vivo.

Noutra possibilidade de interpretação, estas palavras apontam para fazer ações em prol do próprio crescimento interior, saíndo da nossa área de conforto para nos dar a oportunidade de aprender sobre nós mesmos, sobre quem realmente somos. Noutro nível ainda, esta frase também pode ser interpretada como um convite para tomar sannyāsa, para se tornar um renunciante, se for o caso.

Śloka 2

saṅgassatsu vidhīyatāṁ bhagavato bhaktirdṛḍhā’dhīyatāṁ 
śāntyādiḥ paricīyatāṁ dṛḍhataraṁ karmāśu santyajyatām|
sadvidvānupasṛpyatāṁ pratidinaṁ tatpādukā sevyatāṁ
brahmaikākṣaramarthyatāṁ śrutiśirovākyaṁ samākarṇyatām || 2 ||

Cultive boas companhias e conecte-se com o auspicioso. 
 Firme-se em valores como o comando sobre a mente. 
 Abandone seus apegos. Aproxime-se do sábio e sirva-o. 
 Busque apenas o Ilimitado e ouça as palavras do Śrutiḥ. 
 Conheça a si mesmo como o Ilimitado Brahman, que é Uno.
 Ouça as palavras supremas de sabedoria da boca do mestre. || 2 ||


Sagaḥ satsu vidhīyatāṁ: que possamos ser apoiados pelo saga, pelo grupo das pessoas que têm os mesmos horizontes e as mesmas metas que nós, pessoas que tenham o desejo de conhecer Ātma. Como diz o Bhaja Govinda: associando-nos com as pessoas certas, nos afastamos das pessoas erradas.

Isso não quer dizer que você se torne um anacoreta e passe a viver isolado do mundo mas que você vai escolher as suas companhias com cuidado para que possa encontrar e fornecer apoio mútuo no saga.

Sagaḥ significa encontro ou reunião. Satsagaḥ é reunião em boa companhia, ou estar em presença de um sábio que possa nos orientar, personalizar a nossa prática e esclarecer as nossas dúvidas.

Bhagavato bhaktirdṛḍhā’dhīyatāṁ: que possamos nos conectar e invocar a auspiciosidade e o que invoca e lembra da felicidade que somos, assim comotambém perceber a presença invariável de Īśvara (Bhagavān) em tudo e em todos.

Que possamos cultivar uma atitude confiante e devota, no sentido de reconhecer que podemos escolher as nossas ações mas não temos a capacidade de escolher os frutos delas.

Śāntyādiḥ paricīyatāṁ dṛḍhataraṁśāntyādiḥ aponta para śama, o primeiro dos seis valores recomendados para um mumukṣu, um buscador da liberdade. Que possamos cultivar assim esse śamādi ṣaṭka sampattiḥ, o conjunto dos seis valores. Estes são os seguintes:

1)  śama, é cultivar uma mente funcional, que esteja disponível para o aprendizado, sobre a qual haja algum tipo de comando;

2)  dama, o controle sobre os sentidos;

3)  uparatiḥ, a calma ou a atitude de permanecermos relaxados;

4)  titikṣa, a paciência e a tolerância em relação aos demais e a nós mesmos;

5)  śraddhā, a confiança no mestre e no ensinamento; e, finalmente,

6)  samādhana, a concentração ou a capacidade de manter o foco.

Dṛḍhataraṁ significa de maneira firme. Que possamos, assim, nos estabelecer firmemente nesses seis valores e atitudes.

Karmāśu santyajyatām: esta afirmação aponta para sannyāsa, a renúncia ao apego e aos frutos dos karmas, que possibilita que a pessoa possa deixar de lado o egoísmo e focar-se totalmente no reconhecimento de si mesma como plenitude.

Sadvidvānupaspyatāṁ: depois de obter essas seis virtudes, o samādi aka sampatti, que possamos nos aproximar com a atitude adequada de um vidvān, um mestre qualificado, que abra nossos olhos e nos esclareça. Que possamos estar em presença do ensinamento fundamental através desse mestre, que possamos pedir Brahmavidyā, o autoconhecimento, a ele, e sejamos aceites.

Pratidinaṁ tatpādukā sevyatāṁ: que possamos fazer seva, serviço ao mestre. Totakācārya, discípulo de Śaṅkarācārya, estava fazendo seu seva e se atrasou uma vez para a aula. Śaṅkarāchārya não começou até ele chegar, apesar da impaciência dos demais alunos. Quando Totakācārya voltou, Śaṅkarācārya lhe perguntou sobre o atraso, e ele respondeu com o Totakāśṭaka, oito lindas estrofes onde fala sobre o papel do seva, serviço ao mestre.

Pādukā sevyatāṁ significa fazer serviço ao professor; literalmente, a expressão denota servir os pés do mestre.

Brahmaikākaramarthyatāṁ: que você possa conhecer a si mesmo como Brahman, o Ilimitado, o Uno, que é a sua Real Natureza.

Śrutiśirovākyaṁ samākarṇyatām: que você possa ouvir as palavras supremas de sabedoria do Vedānta da boca desse mestre. Samākarṇyatām: karṇa é a audição. Śrutiśirovākyaṁ: Śrutiḥ é a fonte da tradição védica, śiraḥ significa capital, fundamental. Vākyaṁ é a palavra que transmite a visão libertadora.

Śloka 3

vākyārthaśca vicāryatāṁ śrutiśiraḥ pakṣaḥ samāśrīyatāṁ
dustarkātsuviramyatāṁ śrutimatastarko’nusandhīyatām |
brahmāsmīti vibhāvyatāmaharahargarvaḥ parityajyatāṁ
dehe’haṁmatirujhyatāṁ budhajanairvādaḥ parityajyatām || 3 ||

Reflita sobre o significado do Śrutiḥ e tome refúgio na visão. 
 Afaste-se de argumentos fúteis e perceba a lógica do Śrutiḥ. 
Lembre sempre que você é Brahman e abandone o egoísmo. 
 Elimine a confusão Eu-corpo. Não argumente com os sábios. || 3 ||

Vākyārthaśca vicāryatāṁ: que você possa realizar a autoinquirição através da análise e da compreensão dos mahāvākyas, as grandes afirmações védicas, e o Ilimitado para o qual elas apontam. Que possamos compreender o ensinamento das Upaniṣads e aplicá-lo na nossa vida. Que essa inspiração possa estar sempre presente no nosso dia-a-dia.

Śrutiśiraḥ pakassamāśrīyatāṁ: que você possa compreender o ensinamento do Śrutiḥ e tomar refúgio nessa visão libertadora.

Dustarkātsuviramyatāṁ: há um ramo do conhecimento dentro da tradição védica, chamada nyāyaNyāya é tarkā, lógica. Os seguidores desse darśana ficam presos aos seus próprios paradigmas, dentro dos quais tentar encaixar a realidade.

Este termo composto alerta justamente sobre o perigo da pessoa ficar presa nesse tipo de cilada mental. O termo dustarka aponta também para a possibillidade de evitar nos confundir ou usar a lógica errada para compreender o mundo em que vivemos.

Śrutimatastarko’nusandhīyatām: analise os mahāvākyas, as grandes afirmações védicas dentro da visão não-dual. O Vedānta não tenta convencer nem precisa que você acredite ou tenha fé no ensinamento. O Vedānta é um pramāna, um meio de conhecimento que revela a natureza de você mesmo e do mundo. É a visão dos ṛṣis.

Não tenta convencer logicamente ninguém. Aprofunde a visão para poder compreender que você é felicidade. A lógica é um recurso auxiliar para a compreensão, mas não é a única nem a principal ferramenta. Contemple o fato de que você é Brahman, o Ilimitado.

Brahmāsmīti vibhāvyatām: que possamos contemplar a Verdade de Tudo, que é Brahman.

Aharahargarvaḥ parityajyatāṁ: diariamente, cultive a não-identificação em relação ao ego. Pratique o desapego em relação ao complexo corpo-mente- sentidos. Que possamos abandonar, assim, o apego às coisas fúteis do ego. Que o ego possa ser um ego iluminado.

Dehe’hamatirujhyatām: aprecie o fato de que você é Brahman. Abandone a falsa identificação, que é a causa do sasāra, da existência condicionada, da falsa ideia de que você é o corpo. Mantenha-se firme na visão da Verdade.

Budhajanairvādaḥ parityajyatām: que você possa sempre compreender as palavras do mestre. Que você possa esclarecer as suas dúvidas. E que você cultive uma mente harmoniosa e humilde, deixando de lado o risco de cair na arrogância.

Que você possa evitar qualquer tipo de confronto ou argumentação contraproducente com os sábios. Esta recomendação é muito válida pois através desse tipo de confronto sobre o que não é, a gente perde o foco sobre o que é.

Śloka 4

kṣudvyādhiśca cikitsyatāṁ pratidinaṁ bhikṣauṣadhaṁ bhujyatāṁ
svādvannaṁ na tu yācyatāṁ vidhivaśātprāptena santuṣyatām | 
śītoṣṇādi viṣahyatāṁ na tu vṛthā vākyaṁ samuccāryatāṁ
audāsīnyamabhīpsyatāṁ janakṛpānaiṣṭhuryamutsṛjyatām || 4 ||

Através do remédio da nutrição, trate a doença da fome. 
 Não seja exigente: alimente-se com o que a vida lhe dá. 
 Seja estoico com os pares de opostos como frio e calor. 
 Evite palavras desnecessárias. Tome tanto a gentileza 
 como a dureza com a mesma atitude equânime. || 4 ||

Kudvyādhiśca cikitsyatāṁ pratidinakudvyādhiśca quer dizer que a fome é como uma doença. Cikitsyatāṁ é o remédio que a cura: o alimento adequado, símbolo do conhecimento realizador. Pratidinaṁ é diariamente, todos os dias. Nutra diariamente sua mente e seu coração com bom alimento.

Bhikṣauṣadhaṁ bhujyatāṁbhikṣa é quando o renunciante vai de casa em casa pedindo alimento. O bhikṣa, o alimento, é o remedio, a cura (cikitsyatāṁ) para eliminar a doença que é a fome. Esta metáfora fala sobre o alimento como o conhecimento que, nutrindo o coração, elimina a carência e a fome, que simbolizam a ignorância.

“Não seja exigente”: em termos práticos, não gaste muito tempo em elaborar com demasiados detalhes o alimento que seu corpo consume. Você não precisa jejuar todos os dias, mas pode simplificar e reduzir, se for o caso, o esforço que você faz diariamente para alimentar-se, de maneira que tenha mais tempo disponível para si mesmo.

Svādvannaṁ na tu yācyatāṁsvādvannaṁ é a comida que é do agrado da pessoa. Não fique só esolhendo o alimento que seja do agrado do seu paladar. Alimente-se frugalmente, com aquilo que estiver disponível na hora da sua refeição: “alimente-se com o que a vida lhe dá”. Simplificando, não seja um foodie compulsivo.

Vidhivaśātprāptena santuyatām: esteja feliz com aquilo que vem ao seu prato. Não faça demasiados esforços para contentar o seu paladar. Alimente-se com o intuito de manter o corpo saudável.

Śītoṣṇādi viahyatāṁ na tu vthā: não fique fugindo dos extremos do frio e o calor. Śītaḥ é o frio. Uṣṇā é o calor. Śītoṣṇā, a dualidade frio-calor, representa todos os diferentes pares de opostos. Não deixe que as coisas externas definam suas prioridades. Viahyatāṁ quer dizer seja resistente, seja forte perante as adversidades.

Viahya significa resistência. Assim, evite se deixar levar pelos opostos. Mantenha uma atitude equânime. Não desperdice seu tempo em discussões ou ações inúteis.

Vākyaṁ samuccāryatāṁ: faça o vāktapas, o tapasya da palavra. Será que fazemos o que precisamos de fato fazer, e conseguimos nos abster daquilo que é irrelevante ou contraproducente? Evite dizer palavras que não sejam essenciais. Não perca tempo com temas fúteis ou fofocas.

Audāsīnyamabhīpsyatāṁ: mantenha a equanimidade como sādhaka. Evite os extremos. Evite qualquer forma de radicalismo ou fundamentalismo. Evite se precipitar ao fazer julgamentos. Mantenha as expectativas baixas. Seja compassivo.

Audāsīnya é equanimidade, neutralidade. Esta palavra é sinônima de upekanaṁ ou samatva. Assim, que você possa manter-se firme na equanimidade e na compaixão. Não desperdice a sua energia criticando os demais.

Janakpānaiṣṭhuryamutsjyatām: não se deixe abalar pelas opiniões dos outros. Valide a si mesmo à Luz do Conhecimento e mais nada. Abandone as eventuais expectativas em relação ao elogio alheio ou à necessidade de ser reconhecido. Você não precisa da validação dos demais: prescinda dela.

Flua nas suas ações de forma simples e discreta. Śaṅkarācārya recomenda-nos, assim, uma maneira compassiva e cuidadosa de lidar com o nosso próprio corpo, com o ambiente em que vivemos e com as pessoas com quem convivemos.

Este śloka cobre as três fases do autoconhecimento: śravaṇammananan nididhyāsana, ouvir o ensinamento, questionar o ensinamento e contemplar sobre o ensinamento. Nididhyāsana é ouvir as palavras que revelam a visão de si mesmo e depois permanecer em silêncio,

Śloka 5

ekānte sukhamāsyatāṁ paratare cetaḥ samādhīyatāṁ
pūrṇātmā susamīkṣyatāṁ jagadidaṁ tadvādhitaṁ dṛśyatām |
prākkarma pravilāpyatāṁ citibalānnāpyuttaraiḥ śliṣyatāṁprārabdhaṁ tviha bhujyatāmatha parabrahmātmanā sthīyatām || 5 ||

Fique numa postura confortável, recolhendo a mente do exterior. 
 Mantenha o foco no Supremo. Medite na Verdade como Ser Pleno.
 Perceba claramente a visão Invariável. Elimine o apego ao mundo.
 Dissolva o karma passado pela correta compreensão do Ilimitado. 
 Permaneça igualmente incólume aos seus karmas futuros. 


Frua seus karmas presentes. Depois da dissolução do corpo, 
 que você possa permanecer como Consciência Ilimitada. || 5 ||

Depois de ter dado as recomendações dos primeiros quatro versos, Śaṅkara diz neste último śloka que agora é a hora de praticar: esta é a hora do nididhyāsana, quando deixamos tudo de lado e apenas contemplamos o que é, o Ilimitado.

Ekānte sukhamāsyatāṁ: escolha bem o lugar e a postura na qual você vai praticar meditação. Ekāntaḥ refere-se a um lugar tranquilo e isolado, mas isso não significa que você precise sair do lugar onde você mora para encontrar esse lugar.

Sukhamāsyatāṁ designa a postura sentada, que deve ser agradável e na qual não deve haver desconforto nem distrações de nenhum tipo. Invoque o meditador em você, à luz da visão não-dual.

Paratare cetaḥ samādhīyatāṁ: recolha a mente e os sentidos de qualquer estímulo externo para poder se focar na Realidade, que é Parabrahman.

Pūrṇātmā susamīkyatāṁ: que você tenha uma visão clara de pūrṇātmā, o Ilimitado e Pleno que é você. Que haja uma compreensão correta de Brahman e jīvātma, do Todo e o indivíduo. Que possamos perceber que não estamos separados do todo, que estamos e estaremos sempre amparados pelo Ilimitado.

Jagadidaṁ tadvādhitaṁ dṛśyatām: que possamos compreender que o mundo manifestado é mithyā. Que possamos cultivar a visão não-dual o tempo todo.

Prākkarma pravilāpyatāṁ: que o sañcita karma, chamado aqui prākkarma, que é o depósito kármico previamente acumulado, seja desintegrado à Luz do Conhecimento.

Citibalānnāpyuttaraiḥ śliyatāṁ: que você possa resolver igualmente os karmas futuros. Śliyatāṁ: que você evite gerar novos karmas futuros que possam obstaculizar seu caminho.

Prārabdhaṁ tviha bhujyatām: que você possa exaurir seu prārabdha karma, seu karma atual, presente, neste corpo e neste mundo. Não façamos planos mirabolantes em relação ao futuro. Mantenhamos a vida simples. Que possamos permanecer incólumes em relação aos karmas que tinha para viver nesta vida.

Atha parabrahmātmanā sthīyatām: depois da desintegração do corpo, no fim desta encarnação, que possamos ficar como o próprio Īśvara (o que somos), para o mundo.

Aprenda aqui o Sādhana Pañcakam com Swāmi Tadātmānanda:

|| Sādhana Pañcakam ||

vedo nityamadhīyataṁ taduditaṁ karma svanuṣṭhīyatāṁ 
 teneśasya vidhīyatamapacitiḥ kāmye matistyajyatām |
pāpaughaḥ paridhūyatāṁ bhavasukhe dośo’nusandhīyatāṁ 
ātmecchā vyavasīyatāṁ nijagṛhāttūrṇaṁ vinirgamyatām || 1 ||

saṅgassatsu vidhīyatāṁ bhagavato bhaktirdṛḍhā’dhīyatāṁ 
śāntyādiḥ paricīyatāṁ dṛḍhataraṁ karmāśu santyajyatām |
sadvidvānupasṛpyatāṁ pratidinaṁ tatpādukā sevyatāṁ 
brahmaikākṣaramarthyatāṁ śrutiśirovākyaṁ samākarṇyatām || 2 ||

vākyārthaśca vicāryatāṁ śrutiśiraḥ pakṣassamāśrīyatāṁ
dustarkātsuviramyatāṁ śrutimatastarko’nusandhīyatām |
brahmāsmīti vibhāvyatām-aharahargarvaḥ parityajyatāṁ
dehe’haṁmatirujhyatāṁ budha-janairvādaḥ parityajyatām || 3 ||

kṣudvyādhiśca cikitsyatāṁ pratidinaṁ bhikṣauṣadhaṁ bhujyatāṁ
svādvannaṁ na tu yācyatāṁ vidhivaśātprāptena santuṣyatām | 
śītoṣṇādi viṣahyatāṁ na tu vṛthā vākyaṁ samuccāryatāṁ
audāsīnyamabhīpsyatāṁ janakṛpā-naiṣṭhuryamutsṛjyatām || 4 ||

ekānte sukhamāsyatāṁ paratare cetassamādhīyatāṁ pūrṇātmā
susamīkṣyatāṁ jagadidaṁ tadvādhitaṁ dṛśyatām |
prākkarma pravilāpyatāṁ citibalānnāpyuttaraiḥ śliṣyatāṁ
prārabdhaṁ tviha bhujyatāmatha parabrahmātmanā sthīyatām || 5 ||
 

॥ हरिः ॐ ॥

॥ हरिः ॐ ॥

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