Conheça, Vedānta

Sádhana Pañchakam

Ádi Shankaracharya, nestas cinco estrofes de aparência simples, amorosamente enumera os meios e caminhos que podem ser fácil e prontamente seguidos por todos os estudantes do Vedanta, buscando a experiência direta do Estado Divino, além da mente, a Fonte da Consciência.

Escrito por Swami Chinmayananda · 24 mins de leitura >

Shankara (1), nas cinco estrofes seguintes, enumera cerca de 40 ítens que constituem o sádhana vedântico. O ritualismo só pode ser uma disciplina no campo dos muitos – Dwaita. No Adwaita não pode haver sádhana na forma de adoração, invocação, auto-entrega ou sacrifício. Contudo, o estudante que está enredado na sua bagagem mente-intelecto está ainda no nível do ego (Jíva-bháva). Deve-se mostrar-lhe o caminho pelo qual ele pode elevar firme e constantemente a sua visão ao Além, mais adiante das fronteiras dos muitos (corpo-mente-intelecto e objetos-emoções-pensamentos), ao Ser Uno, ao Estado de “Paz que ultrapassa todo entendimento”.

Ádi Shankara, nestas cinco estrofes de aparência simples, amorosamente enumera os meios e caminhos que podem ser fácil e prontamente seguidos por todos os estudantes do Vedánta, buscando a experiência direta do Estado Divino, além da mente, a Fonte da Consciência. Qualquer buscador que siga com sinceridade e fielmente essas indicações certamente não perderá o seu caminho e não perambulará no labirinto de argumentos negativos, auto-destrutivos e de falsas conclusões.

Shankara mostra aqui o grande Caminho à Verdade, o Caminho que foi trilhado por inúmeros Mestres dos Vedas e das Upanishads.

Estrofe 1:

Estude os Vedas diariamente.
Execute diligentemente as suas atividades (karmas), conforme ordenadas por eles.
Dedique todas as suas ações (karmas) como adoração ao Senhor.
Renuncie a todos os desejos da mente.
Purifique multidões de pecados no coração.
Reconheça que os prazeres dos objetos dos sentidos (Samsára) estão crivados com a dor.
Busque o Ser com empenho constante.
Escape do cativeiro da “casa”.

Nesses versos de abertura, Shankara enumera cerca de oito ítens para compor o programa espiritual do estudante do Vedánta.

1. Estude os Vedas diariamente.

Ler e refletir sobre as idéias vivificantes das Upanishads é manter o coração do estudante inspirado a todo momento. O buscador também tem que viver neste mundo de objetos sensuais encantadores, entre outros membros da comunidade, que se entregam constantemente ao divertimento e ao prazer. Viver entre tais pessoas, entre tais objetos, que podem e realmente dão arrancos temporários de alegria e negar-lhes inteiramente e sempre é difícil, a menos que a mente do buscador seja constantemente mantida inspirada pela visão mais ampla da essência da vida mais elevada. Só as Escrituras são a literatura exclusiva que mantém a visão espiritual numa linguagem que compele. Daí a necessidade de se ler diariamente a parte final dos Vedas, chamada Upanishads.

2. Realize diligentemente os deveres ordenados por eles.

Um estudo passivo, ou até mesmo reflexões inteligentes em si mesmas, não são suficientes nessa Ciência Subjetiva. Esses devem ser seguidos por um envolvimento dinâmico da personalidade do buscador nessas idéias, na sua vida diária. Os Karmas (deveres) prescritos pelas Upanishads e a maneira de vida sugerida pelos Rishis das Upanishads devem ser vividos fielmente. Insiste-se consistentemente numa vida de autocontrole inteligente em todos os níveis. Uma vida com um mínimo de dissipação mental e intelectual no mundo dos objetos-emoções-pensamentos deve ser seguida para que a vitalidade da mente seja sempre conservada com muito zelo.

3. Dedique todos esses karmas como sua adoração ao Senhor.

Dedicação aqui quer dizer a auto-entrega do ego e dos desejos egocêntricos com um senso de dedicação a Deus. A idéia do “eu” e os seus desejos egoístas, como “eu quero”, são os fatores de nossa personalidade interna que intensificam os depósitos de vásanás (tendências) dentro de nós. As ações egoísticas ocasionam cada vez mais tendências (ou inclinações). Fazer a auto-entrega pessoal e de nossos desejos egoístas no Seu Altar e trabalhar no mundo é uma maneira simples de liquidar e de livrar-se das “tendências” (vásanás) acumuladas, dos grilhões de nossa personalidade interna com as nossas próprias tendências mentais.

4. Renuncie a todos os desejos da mente.

Enquanto a mente for incitada com infindos desejos, os pensamentos na mente precipitar-se-ão para diante para jorrarem em borbotões nos campos da gratificação dos sentidos. Uma mente que se torna assim, “extrovertida”, não estará disponível para um estudo profundo e para reflexões contínuas sobre as idéias das escrituras estudadas. Sem reflexões profundas, os estados elevados de contemplação da Natureza da Realidade serão ineficazes e, assim sendo, o estudante, mesmo depois de anos de esforços honestos, pode ainda se encontrar, para seu desapontamento, sem progressos no caminho espiritual.

5. Limpe as multidões de pecados do seu coração.

Uma ação é iniciada no presente quando os nossos equipamentos (corpo-mente-intelecto) encontram os ambientes prescritos pelos campos das experiências (objetos-emoções-pensamentos). Mas nenhuma ação pode ser considerada como terminada tão logo o contato físico seja concluído. No devido tempo, a ação se exaure nos seus resultados. Esse fato proeminente é geralmente ignorado pelos observadores superficiais da vida. Como um produto final de cada ato egoísta, fica uma tendência na nossa personalidade que nos induz a repetir atos similares. Essas tendências, assim acumuladas de nossas ações passadas, são chamadas vásanás (ou samskáras). Essas vásanas, que criam dentro de nós cada vez mais agitações mentais e arrastam a nossa atenção à dança sempre mutável do finito (objetos-emoções-pensamentos), são chamadas “pecados”. Pelas ações desinteressadas, dedicadas e realizadas com uma personalidade sinceramente centrada em Deus, essas vásanás podem ser esgotadas e assim o nosso coração pode ser purificado de todos os nossos “pecados”.

6. Reconheça que os prazeres dos objetos sensórios (Samsára) estão crivados de dor.

Seguramente, ninguém pode negar que existe prazer nos objetos sensórios. Eles certamente contém doses satisfatórias de alegria em si. O único defeito é que essa centelha de alegria é precedida e imediatamente seguida de uma grande quantidade de dor e sofrimento, desgosto e desapontamento. Para adquirir os objetos e para criar uma atmosfera conducente ao seu gozo, é necessária uma longa cadeia de esforços e lutas infindas, tanto muito exaustivos como extremamente fatigantes. Então chega o momento do prazer – sempre tão fugaz! Esse é seguido sempre pela repulsa e desapontamento, sensação de cansaço e até mesmo de arrependimento. Reconhecer isso é compreender que a alegria verdadeira e duradoura não está nos prazeres dos sentidos. Quando essa esperança falsa é removida, as expectativas da mente para a alegria e o conseqüente cascatear desenfreado da atenção da mente que estava no mundo exterior de objetos sensórios tentadores se acalmam e até mesmo cessam totalmente. É a falsa noção de que existe alegria (permanente) no mundo sensório que faz com que a mente irrompa com suas agitações e apetites.

7. Busque o Ser com um empenho consistente.

Uma vez que a mente seja domada assim das suas investidas selvagens e impensadas no campo dos objetos dos sentidos e seja efetivamente controlada, por favor não permita que a mente permaneça quieta. A mente não pode permanecer por muito tempo num estado de animação suspensa, numa estagnação estacionária. A mente libertada do mundo exterior deve ser imediatamente reempregada na contemplação sobre a natureza do Ser interior, a Fonte da Consciência em nós.

8. Fuja do cativeiro da “casa”.

A casa é o abrigo seguro no qual permanecemos e contatamos o mundo ao redor de nós. Os equipamentos da matéria (corpo, mente e intelecto) constituem agora a “casa” do Ser, de onde colhemos nossas experiências durante nossas constantes transações com o mundo exterior (objetos, emoções e pensamentos). Nesse momento, nas nossas identificações com a nossa “casa” (corpo, mente e intelecto), nós nos comportamos como se tivéssemos uma personalidade física, mental e intelectual (aquele que percebe, sente e pensa) indefesa, um ego limitado (Jíva), totalmente sob a tirania do nosso próprio corpo e de seus luxos, de nossa mente e suas paixões e de nosso intelecto e suas inquietações. Ádi Shankara brada clamorosamente: “Escape do cativeiro dessa ‘casa’ de uma vez para sempre”. Acabe com o seu senso de ego (a atitude daquele que percebe, sente e pensa) e venha despertar nos campos mais amplos da Consciência Infinita – a Consciência de Deus.

Estrofe 2:

Busque a companhia de homens sábios.
Estabeleça-se na devoção firme ao Senhor.
Cultive as virtudes como Shánti, etc.
Abstenha-se de todas as ações dominadas pelo desejo.
Abrigue-se no Mestre perfeito (Guru).
Diariamente, sirva aos seus Pés de Lótus.
Adore o ‘OM’, o Imutável.
Ouça com toda a atenção as declarações das Upanishads.

9. Busque a companhia de homens sábios.

Geralmente, isso é traduzido como “associe-se” (Sanga) aos homens sábios (Sat). Uma “proximidade” meramente física, ou mesmo um “apego” emocional aos grandes homens, não é o suficiente para que a sabedoria deles flua para dentro de nós. É necessário um completo companheirismo: nós devemos estudar, aprender a adorar e admirar as idéias e os ideais pregados e vividos pelos mestres. Dessa maneira, a nossa personalidade interna crescerá em tamanho e profundidade, na sua sensibilidade sutil e alcance. Só então a sabedoria dos mestres sábios poderá fluir e plenificar os nossos corações.

É, na realidade, uma oportunidade rara e singular se conseguirmos encontrar um homem sábio, um homem de perfeição espiritual. Tais homens são raros. Mas podemos ter a sua companhia constante indiretamente quando estudamos a literatura das escrituras que eles deixaram à posteridade como uma herança rica e sagrada.

10. Estabeleça-se na firme devoção ao Senhor.

Quando o amor é voltado ao mais alto, é chamado “devoção”. Na devoção, a mente se integra e cresce nos seus poderes inerentes. No amor às coisas mais baixas, a mente se fragmenta e desintegra. Dirigir o nosso amor ao Altar do Senhor é voltar os pensamentos a Ele com facilidade; pois os nossos pensamentos sempre gravitam fácil e prontamente em direção ao nosso amor! Quando a devoção pelo Senhor aumenta em sua profundidade e sinceridade, cada vez mais pensamentos nossos correm fixamente em direção ao Senhor nos nossos corações. Nossa meditação torna-se constante e contínua. Nós estamos prontos a sacrificar facilmente tudo o que está entre nós e o nosso bem-amado Senhor. Voltar-se em direção ao Uno é devoção; correr atrás de muitos é amor.

11. Cultive as virtudes como Shánti, etc.

Essas são técnicas basicamente para controlar a mente que se projeta para fora pelos órgãos dos sentidos do indivíduo nos objetos sensoriais (Shánti), e para controlar o arroubo dos estímulos sensoriais do mundo exterior em direção à nossa mente, através dos órgãos dos sentidos (Danti). Em cada um de nós, os sentidos são os portais pelos quais nossa mente corre para fora para vagabundear entre os prazeres sensuais, sendo também as entradas pelas quais os estímulos dos sentidos entram aos borbotões, para levantar tormentas de paixões na nossa mente. Quando esses dois são controlados, a mente não é perturbada pelos objetos sensoriais, nem ela é feita para arquejar com o influxo dos estímulos tentadores. Naturalmente, a mente torna-se extremamente calma. Quando a mente está calma, o nosso intelecto adquire uma refulgência maior, uma compreensão mais perspicaz. Uma mente-intelecto assim “purificada” é o “instrumento interno” para uma contemplação mais prolongada e uma meditação mais profunda.

12. Evite as ações dominadas pelo desejo.

As ações em si não são inofensivas, mas quando são “desinteressadas” podem limpar a nossa personalidade de todas as nossas vásanás. Quando, porém, as ações são realizadas com desejos egoístas, elas tendem a adquirir cada vez mais as “tendências” (vásanás), e elas, por sua vez, podem iniciar outras ações infindas, cada uma delas dominada por uma quantidade crescente de desejos, paixões, apetites e luxúrias. O resultado final de todas essas é o de anuviar a Divindade potencial no indivíduo, provocando o seu colapso cultural total, lançando-o abaixo da dignidade humana, ao abismo de trevas de níveis que geram a medonha dor do mero animalismo.

13. Entregue-se a um Mestre perfeito.

Um perfeito Mestre não é meramente um sábio erudito nas Upanishads (Srothriyah), mas deve também estar bem estabelecido na experiência divina (Brahma-Nishtah). Um mero conhecimento livresco não é o suficiente para comunicar essa Ciência Subjetiva aos buscadores, para ajudá-los a saírem da sua letargia e tristezas e para que se encaminhem à Luz da Realização. Auto-entregue-se a um Guru assim. Cuidadosamente, observe aqui que Ádi Shankara nunca nos pediu que ‘buscássemos’ um Guru, o que nós não podemos fazer. No nosso estado de imperfeição atual, até mesmo se encontrarmos um, talvez não sejamos capazes de reconhecê-lo como tal. Portanto, dediquemo-nos de coração à maneira de vida indicada nas Upanishads e na Bhagavad Gítá – que nos entreguemos verdadeiramente aos Rishis das Upanishads e ao Senhor da Divina Canção, da Gítá. Harmonizar os nossos pensamentos, palavras e ações às declarações dos mestres nas Escrituras é a única e verdadeira auto-entrega ao Guru.

14. Sirva diariamente às suas sandálias.

O serviço ao Guru deve ser uma maneira de vida contínua e o serviço não é uma ‘Sevá‘ física, mas deve ser o nosso serviço consciencioso e respeitoso às suas Sandálias (Paduka). O Guru fica de pé sobre a sua Paduka. Sirva àquilo sobre o que o Guru se levanta, a ‘plataforma’ que ele representa, o programa de devoção que ele predica. Que todos os dias nos esforcemos para viver em constante e sincera contemplação do Ser Uno Infinito, que é expressado em todas as partes como a vida que palpita em cada um dos organismos viventes.

15. Adore o “OM”, o Imutável.

O Supremo Ser, a Essência Eterna, a Verdade Infinita UNA, isso expressa como este Universo de nomes e formas é indicado nos Vedas pelo símbolo do som OM. Esse não é um mero nome; OM não é Verdade: OM indica a Verdade. Assim como o seu nome não é você – o seu nome indica você -, você está separado do seu nome. A Bandeira Nacional não é a nação – o emblema indica o ideal. Assim, OM indica um outro Estado de Consciência diferente do nosso estado presente de ego (aquele que percebe, sente e pensa), e aos estudantes do Vedánta se recomenda que adorem o OM como um símbolo do Ser, para a sua “purificação” mental. Ao cantar, fazer Japa e adorar com devoção o símbolo OM, as nossas mentes congregam os próprios raios errantes do mundo do empurra-empurra e inconstante das coisas, dos seres e acontecimentos e a mente acalma-se, torna-se vigilante e alerta. Uma mente assim, alerta e vigilante, porém calma, é o instrumento para uma meditação firme e profunda. Assim sendo, Shankara insiste que os estudantes do Vedánta farão bem se diariamente adorarem o OM, o Imutável.

16. Ouça, em profundidade, as declarações das Upanishads.

As Upanishads contém inteiramente o conhecimento místico dos hindus, a Ciência Subjetiva do Ser, da Vida. “Ouça” as Upanishads diretamente do mestre que discursa a respeito deles e indiretamente pelo seu estudo atento. Assim, podemos ganhar apenas um conhecimento superficial – um mero significado para estudo das declarações. Mas os Rishis tratam de apontar, por meio dessas sagradas palavras selecionadas, um Estado em nós que deve ser explorado e experienciado por todos e cada um pessoalmente. Esse descobrimento da nossa própria “Fonte de Consciência” em nós mesmos pode acontecer somente quando as nossas mentes navegam sobre as declarações das Upanishads e aprendemos a deslizar no Eterno Infinito, no Supremo Estado de Pura Consciência Divina. As declarações principais das Upanishads são veículos sobre os quais a mente pode alçar vôo aos mundos de contemplação e aprender a aterrissar com segurança nos campos do Infinito.

Estrofe 3:

Reflita sempre sobre o significado dos mandamentos das Upanishads
e refugie-se na Verdade de Brahman.
Evite argumentos perversos,
mas siga o raciocínio racional do Shruti.
Esteja sempre absorvido na atitude (Bháva): “Eu sou Brahman”.
Renuncie ao orgulho.
Abandone o conceito errôneo e enganador: “Eu sou o corpo”.
Abandone completamente a tendência de argumentar com os sábios.

17. Reflita constantemente sobre o significado dos mandamentos das Upanishads…

Temos quatro declarações básicas que são consideradas pelos Rishis como os mandamentos verdadeiros e no seu abraço eles contém toda a sabedoria espiritual dos Vedas. Eles são:

1. A definição da Verdade: “A Consciência é Brahman” (Pragyanam Brahman);

2. A declaração de conselho (Upadesh): “Você é Aquilo” (Tat Twan Asi);

3. A declaração de experiência direta (Anubháva): “Este ÁtmanBrahman” (Ayam Atma Brahma) e

4. O rugir da realização: “Eu sou Brahman” (Aham Brahmasmi).

Todos eles, no seu conjunto e simultaneamente, elevam a mente que estiver firmemente contemplando essa profunda e sutil complexidade. A Consciência nada mais e nada menos é que a Centelha de Vida UNA que joga ou se manifesta através de todas as criaturas. E Isso é Deus, o Senhor. O substrato do qual o Universo surgiu, no qual o Universo existe e joga e tão-só no Qual, no final, todos os nomes e formas se incorporam. Essa Consciência em você é a sua própria e verdadeira natureza: Isso é o Sujeito básico essencial. E tudo o mais são seus Objetos percebidos. Tão-só Isso é a Pura Luz da Consciência, o Ser que vê. Quem medita tem que chegar a conscientemente “vivenciar” por si mesmo, em momentos de meditação profunda e total e, afinal, no diário viver, que ele não é a junção de corpo-mente-intelecto, mas “esse Ser (Átman) em mim é o Ser Uno presente em todas as partes (Brahman)”. Depois desse despertar do sono profundo, o sentido de individualidade acaba e o buscador realizado ruge no silêncio da sua realização – “Eu sou Brahman”. Shankara recomenda aos estudantes do Vedánta que reflitam constantemente sobre o sentido profundo e importância inenarrável desses quatro Grandes Mandamentos.

18. …e refugie-se na Verdade de Brahman.

Como indivíduos mortais limitados, estamos agora nos reconhecendo como sendo o corpo e a mente. Como um ego, o Ser individualizado (Jíva) anseia ardentemente redescobrir a própria paz aparentemente perdida e a bem-aventurança pela aquisição e posse, abraçando e desfrutando do mundo dos objetos sensoriais externos (objetos, emoções e pensamentos). Um verdadeiro buscador deveria constantemente “refugiar-se”, mesmo que ele não tenha tido experiência direta, no pensamento de que “eu não sou este corpo”, e viver na atitude silente de que “eu sou o Ser Uno”. Divorcie-se da amante corpo-mente-intelecto e case-se com o Ser interior, que é o Ser Uno em todas as partes.

19. Evite argumentos perversos.

Argumentos podem ser extremamente construtivos e também completamente destrutivos. Argumentos corretos podem lançar cada vez mais luz sobre o caminho a ser seguido e a meta a ser alcançada e argumentos errados podem levantar barreiras que confundem com névoas ofuscantes o nosso caminho e ocultar o nosso objetivo. Evite tais argumentos perversos desnecessários e inúteis, levantados por pessoas que não têm fé nas Upanishads nem sutileza da percepção para sentir o Senhor Invisível jogando/manifestando-se ao redor de nós a todo tempo. Isso necessita de sensibilidade, pois um equipamento interior reduzido pelas suas paixões e luxúria não tem o necessário equilíbrio para detectar o jogo da Realidade Final.

20. Certamente siga a lógica de discernimento do Shruti.

Enquanto evitarmos a lógica perversa e argumentos falsos, isso não quer dizer que não tenhamos argumentos e processos de raciocínio lógicos para provar o Ser interior, para a nossa própria satisfação intelectual. O Vedánta é um processo racional (Jñána) do intelecto iluminado. Devemos aprender a pensar e argumentar seguindo a linha de discussão indicada pelas Upanishads: a seqüência dos argumentos pelos quais os Rishis negam os cinco invólucros (Pancha Koshas), as razões ordenadas para examinar os três Estados de Consciência (Avastha Traya), os processos de pensamento lógico elaborados nas Upanishads para demonstrar o Ser Uno Imutável, o Único Substrato para o Universo da multiplicidade e mudanças… Todos esses podem ajudar imensamente o estudante a purificar o intelecto e se esforçar a fim de seguir adiante e despertar para o estado sem dimensão da Pura Consciência Divina.

21. Esteja absorvido na atitude: “Eu sou Brahman”.

Assim como somos, vivemos na suposição de que somos o ego limitado (Jíva) tiranizado pelos nossos equipamentos (corpo, mente e intelecto), desavergonhadamente lutando para obter a todo custo nossa felicidade no mundo exterior (objetos, emoções e pensamentos). Temos vivido com essa falsa noção por tanto tempo que qualquer quantidade de estudo e reflexão não pode terminar nossa tendência (vásaná) de considerar-nos como um ego desamparado e desafortunado. O único antídoto para essa “atitude errada” (samskára) é desembaraçar-se delas com a atitude mais nobre e auto-recriativa de que “Eu sou Brahman”.

Como Ser Infinito e eterno, não sou o equipamento corpo-mente-intelecto e, conseqüentemente, não tenho nenhuma de suas imperfeições e tristezas. Nascimento, morte, saúde, doença, os ashramas, os varnas, as espécies, as castas, as distinções de cor – todas essas considerações baseiam-se no corpo e se referem ao corpo. Experiências de alegria e tristeza são determinadas pela mente, e como eu não sou a mente, elas também não são minhas em nenhum momento. As inquietações intelectuais não são minhas porque eu não sou o intelecto. Manter a atitude de que “Eu sou Brahman” em todas as circunstâncias é trazer uma quantidade indomitável de eqüanimidade e alegria, equilíbrio e bem-aventurança às nossas vidas interiores.

22. Renuncie ao orgulho.

Por se identificar com o corpo e possessões vem o sentido exagerado de auto-importância, acompanhado sempre da irreverência aviltante com os demais. Esses fatores, em conjunto, criam o orgulho. Ele é basicamente uma atitude falsa do ego, quando ele é identificado com as limitadas camadas de matéria ao seu redor. Renunciar a esse “orgulho” e suas tendências mais baixas é auto-entregar-se ao Ser no nosso próprio coração.

23. Abandone a idéia: “Eu sou o corpo”.

A atitude “eu sou o corpo” é natural, uma vez que já vivemos assim por bilhões de anos durante o nosso progresso evolucionário lento dos equipamentos menos desenvolvidos como plantas e depois como animais. Nesses estados inferiores, o nosso único Dharma era manter a atitude de que “eu sou o corpo”, porque a natureza não havia ainda completado o seu trabalho de polimento e melhoramento das estruturas físicas e de suas funções. Agora, nós já alcançamos plenamente a nobre estrutura anatômica e o perfeito funcionamento fisiológico da forma humana. Doravante, a “auto-preservação” não é através do corpo; torna-se a preservação da beleza, da graça e glória do Ser. O corpo do homem é destinado somente ao serviço (upakara) dos outros (para); “Paropakarartham Idam Sariram“, o seu corpo não é destinado a você; ele é um instrumento eficiente para servir aos outros. Nossa tarefa agora é purificar o equipamento mente-intelecto e transcendê-lo a fim de que venhamos a vivenciar diretamente o Estado Supremo de Consciência Pura: o Estado Divino. Portanto, abandone a idéia vazia e falsa de “eu sou o corpo”.

24. Desista de argumentar com os sábios.

Nós nos aproximamos de homens com experiência direta e de homens com conhecimento das Escrituras para o nosso próprio benefício. Nós não lhes estamos fazendo favor algum. Eles nada recebem por ensinar-nos a glória e a natureza do Ser. Não são eles que se beneficiam quando pacientemente nos explicam e nos encorajam a alcançar o Ser. Trata-se aqui de vantagem inteiramente nossa. Eles são pessoas que já realizaram com plena satisfação as suas vidas. Tão-só por compaixão pelo nosso sofrimento eles se dedicam a nos instruir, ensinar, inspirar e a nos guiar. Por causa de nossos argumentos vulgares, não devemos obstruir essa torrente de seu amor que se precipita para banhar-nos na alegria e felicidade.

Estrofe 4:

Quando tiver fome ou estiver doente, trate-se.
Tome diariamente o remédio da ‘Bhiksha’: comida.
Não mendigue por alimento delicioso.
Viva feliz com o que vem ao seu quinhão, como ordenado por ele
Suporte todos os pares de opostos: calor e frio, e similares.
Evite falar destrutivamente.
Seja indiferente.
Livre-se das malhas da bondade alheia.

25. Na fome e doença, trate-se.

De acordo com Shankara, a fome é uma doença crônica do corpo, natural a todas as criaturas viventes, e ela deve ser tratada como as demais doenças o são. A fome não é uma ocasião para “desfrutar” do alimento. Como nós não podemos evitá-la, ofereça algum alimento ao corpo quando ele estiver sofrendo as dores agudas da fome. Enquanto o corpo estiver doente, trate dele e conduza-o de volta ao estado normal de saúde.

26. Diariamente tome o remédio da Bhiksha (comida).

O alimento deve ser tomado. Isso é inevitável. Mas isso não deve ser feito como um prazer. Todo homem vivo sofre cronicamente desse desconforto regular na altura da cintura, chamado fome. O remédio para ele é a comida. Assim sendo, tome o alimento como um remédio, não para desfrutar, mas para aliviar as dores da fome. Para um Sannyásin, o alimento obtido de cinco casas é Bhiksha; para os chefes-de-família no mundo, tudo o que se recebe sem pedí-lo é Bhiksha. Não planeje o jantar, não reclame da comida que vem a você. Seja o que for, ofereça-a ao Senhor com devoção, e com uma oração silente. Tome-a como um Prasháda d’Ele: Comunhão. Não dê muita importância ao tipo de alimento que você obtém.

27. Não mendigue alimentos deliciosos.

A idéia contida no conselho anterior é aqui reenfatizada, com receio de que o buscador pudesse passar por alto a sua importância. Não exija nenhum “gozo”. Apesar de o sentido básico do termo “alimento” ser “aquilo que é desfrutado pela boca”, todos os estímulos dos sentidos são “alimentos” para os órgãos dos sentidos. Assim, satisfazemos os olhos com cores e formas, os ouvidos com sons, a pele com o contato e o nariz com aromas. Viva o Espírito, buscando a alegria interna em vez de satisfação dos sentidos pelos “alimentos” consumidos e desfrutados pelos órgãos dos sentidos.

28. Viva contente com o seu quinhão, como ordenado por ele.

Aprenda a viver na alegria interior de uma mente cheia de paz em vez de nas excitações obtidas com a satisfação dos sentidos. O que “reencontramos na vida” é ordenado pelo nosso passado e tão-só “como nós os recebemos” determina o progresso e crescimento futuros da nossa personalidade interna. Para estar em paz com nós mesmos e com um sentido feliz de contentamento e satisfação internos, sempre prontos para encarar o mundo como ele é e agir é – de acordo com Shankara – a maneira correta de vida para o buscador.

29. Aguente os pares de opostos: calor e frio, etc.

Calor e frio, alegria e tristeza, sucesso e fracasso, prazer e dor e outros pares de opostos desse tipo são experienciados pela mente humana. Desapegar-se da nossa mente é não ser golpeado por essas tempestades naturais internas criadas por esses pares de opostos. Mudando a nossa identificação ao Ser, o Senhor, nós não mais seremos sacudidos ao léu pelos distúrbios tumultuosos dos pares de opostos. Quando eles surgem dentro, um estudande do Vedánta aprende a ser tão-só uma “testemunha” deles, sem neles se envolver.

30. Evite conversas destrutivas.

Um buscador sério não deve permitir que a sua atenção seja dissipada por canais de assuntos e paixões mundanos. Conversa fiada e geralmente sobre quatro tópicos: mulheres, riqueza, prazeres e inimigos. Em todas as partes, quando as pessoas se encontram, esses são os únicos e exclusivos assuntos que elas discutem. Ser arrebatado por esses tópicos é aviltar o caminho espiritual, é descarrilar na sua jornada. Portanto, evite tais conversas supérfluas e devastadoras. Que todas as nossas conversas sejam sobre assuntos espirituais: sobre a Natureza da Realidade, as tristezas do mundo da pluralidade, o destino do ego (Jíva), os caminhos da libertação, os meios de autocontrole, as belezas da vida divina e as glórias dos Homens Realizados.

31. Seja indiferente.

Existem milhões de acontecimentos ao nosso redor, especialmente nestes dias de comunicação rápida, que são trazidos ao nosso conhecimento. É um grande mérito para o buscador espiritual ser sensível às tristezas dos outros. Mas perturbar-se emocionalmente por causa delas é perder o seu próprio equilíbrio e tranqüilidade. Quando tais coisas acontecem, sobre as quais não podemos fazer nada de eficaz, então aprenda-se a fazer a entrega daquilo – com uma prece humilde – ao Senhor do Universo. Essa atitude é indicada tanto aqui como na Gítá como “Indiferença”.

32. Livre-se da ‘bondade’ dos outros.

Recuse-se a ficar submetido a obrigação para com os outros pelas ‘bondades‘ impostas por eles. Isso poderia acorrentá-lo num enredo emocional e compelí-lo, às vezes, até mesmo a compremeter a sua própria maneira de vida. Preste atenção para que na vida você “dê” ao mundo mais do que você “toma” dele ou mais do que os outros “dão” a você na vida. Faça o mundo devedor seu, em vez de você tornar-se devedor do mundo. O devedor, lembre-se, é sempre um escravo; o credor é o Senhor, o superior em qualquer comunidade.

Estrofe 5:

Viva com alegria na solidão.
Acalme a sua mente no Senhor Supremo.
Vivencie e veja o Ser que tudo permeia em todas as partes.
Reconheça que o Universo finito é uma manifestação do Ser.
Conquiste os efeitos dos atos praticados em vidas prévias por meio da ação correta presente.
Pela sabedoria, torne-se desapegado das ações futuras (Agami).
Experimente e esgote ‘Prarabdha’, os frutos das ações passadas.
Doravante, viva absorto no ‘Bháva’: “Eu sou Brahman”!

(aqui termina o poema em cinco estrofes, sobre o Sádhana)

33. Na solidão, viva contente.

A solidão mencionada aqui não é um estado de solidão física. Estar num lugar onde ninguém mais está para perturbá-lo, não é um lugar solitário; até mesmo num lugar solitário assim, você pode ser jogado de um lado a outro por uma multidão de pensamentos e emoções tumultuosas fustigadas repentinamente pelas suas próprias memórias. Estar centrado no Solitário, no Uno-sem-segundo, no Ser Divino Infinito, é a verdadeira solitude. Daí ser o termo em sânscrito para solidão: Ekantha: Eka, um, Antha, fim, meta, ponto de atenção. Quando a mente está firmemente estabelecida num único altar de profunda contemplação, a mente está cheia de paz e em repouso. A mente naturalmente experiencia ou verifica a felicidade suprema. Porque paz é bem-aventurança.

34. Acalme a mente no Senhor Supremo.

A mente movida pela luxúria, paixões e desejos corre para o mundo exterior dos objetos sensoriais, emoções e pensamentos e, conseqüentemente, dissipa inteiramente sua vitalidade. Para recolher a mente que divaga e para repousá-la firmemente na contemplação sobre a natureza esplendorosa do Ser, é preciso serená-la. Uma mente calma, alerta e vigilante automaticamente entra em meditação. Por meio de meditações, a mente fica cada vez mais tranqüila no Senhor Supremo. Uma mente absolutamente serena já não é mais uma mente. Esse “estado sem mente” é o Supremo Estado Divino.

35. Realize e ‘veja’ o Ser que tudo permeia em todas as partes.

Na meditação – com uma mente calma, alerta e vigilante – eleve-se acima de todas as flutuações mentais e vivencie a Experiência Única do Ser Uno Divino. Depois dessa verificação do Eterno, venha por último e finalmente a viver e constantemente “ver” esse Ser Imutável, eternamente presente em todas as partes. A mera experiência subjetiva do Ser interior não é uma realização plena: os Rishis insistem repetidamente que o Homem Auto-realizado é aquele que reconhece o Ser se expressando em todas as formas, em todas as partes, quando os seus olhos estão abertos. O mundo é sagrado para o verdadeiro homem santo.

36. Reconheça que o mundo finito é uma manifestação do Ser.

Os efeitos nada mais são que a própria causa das diferentes formas. O mundo finito dos equipamentos (corpo, mente e intelecto) e os mundos sempre mutantes das experiências (objetos, emoções e pensamentos) são todos projeções e meras suposições sobre o Ser, como o brilho, o comprimento, o capelo, a cauda e todos os outros detalhes de uma serpente sobre uma corda! O mundo da matéria não é senão uma extensão da Suprema Consciência, como as ondas, as bolhas, a espuma e o murmúrio nada mais são que o oceano e suas expressões. O Veda é oniabarcante: o mundo não é algo separado da Realidade; o mundo das coisas e seres é uma visão falsa do Ser Puro, quando visto por uma mente perturbada. Reconhecer a pluralidade como sendo tão-só uma manifestação do Ser é acalmar a mente.

37. Conquiste os efeitos dos atos realizados em vidas prévias por meio das ações presentes corretas.

O passado já está fora do nosso controle. Podemos agir somente no presente. Pode ser que tenhamos agido de maneira errada, por erros de julgamento, e agora estamos a sofrer os seus resultados. Mas eles podem ser “curados” com antídotos corretos: dando início agora a ações corretas e nobres. Nossas upásanas, preces, adorações, estudos das escrituras, tapas, meditações, são todas ações corretas para endireitar as curvaturas que tenhamos criado em nós com o nosso próprio egoísmo e atividades incitadas pelo desejo no passado.

38. Através da sabedoria, torne-se desapegado dos karmas futuros.

Dos karmas acumulados do passado (sañchita), os que amadureceram para produzir frutos determinam o nosso presente (prarabdha) e o resto é reservado para experiências futuras (agami). Pela sabedoria obtida com o estudo das escrituras, pela upásana e meditações regulares, quando transcendemos o nosso senso de ego, poderemos permanecer como uma “testemunha” não-afetada nos altos e baixos da nossa vida. Assim, por meio da sabedoria de que eu não sou o “agente” (kartha) nem “aquele que vivencia” (bhokta) – em resumo, com a sabedoria de que eu não sou o ego (aquele que percebe, sente e pensa), a individualidade que experiencia – aprenda a desapegar-se dos karmas futuros. Sem a sua cooperação voluntária, o karma não pode atingí-lo.

39. Experiencie e esgote as ações passadas que começam em prarabdha.

As ações que começaram a produzir os seus resultados são chamadas prarabdha; elas devem ser humildemente vividas inteiramente, num senso silente de auto-entrega e assim exauridas. Elas são como flechas que partiram do arco – nada pode ser feito a respeito delas agora; elas têm que se esgotar completamente. Suporte-as com dignidade silente, com coragem destemida e heroísmo paciente. Entenda-as como sendo doses de tristeza que o Senhor tem que nos dar para nos amoldar à Sua Forma e Beleza. Sofremos as dores que os nossos médicos nos dão, sabendo que eles o estão fazendo somente para nos curar rapidamente.

40. Doravante, viva absorvido no ‘Bháva’ “Eu sou Brahman”.

Um buscador assim – que compreendeu inteiramente que o Ser dentro dele é o Ser Uno se expressando sob todas as formas e nomes e que o mesmo Ser é a vivificante Centelha da Vida Una manifestando-se através de todas as formas – ele está totalmente acordado para o Estado Divino Infinito e, assim, tem que alcançar a sua Meta Imutável. Havendo alcançado esse Estado de Despertar que é Imutável e Infinito, Eterno e Indestrutível, o sádhaka se estabelece permanentemente nessa Experiência Transcendental: o seu estado anterior de uma existência limitada e cheia de tristeza como um ego (aquele que percebe, sente e pensa) terminou para sempre. Ele vive absorvido na Consciência Suprema – o seu sentido de ego individualizado se incorporou: assim como um rio termina quando ele se incorpora no oceano; assim como uma pedra de granizo se dissolve para se transformar em oceanos ao redor do mundo.

Assim o “eu” enganador e ilusório também acaba: só Brahman existe. “Eu sou Brahman” é o Bháva que vem para governar daqui para diante todas as suas ações, sentimentos e pensamentos. Esse não é um lema para se falar muito a respeito; não é uma vaidade a ser divulgada em altas vozes pelo mundo; não é um credo aceito, mas uma atitude natural, sempre ecoando através de todas as suas realizações no mundo.


(1) Ádi Shankaracharya (788-820 d.C.), teólogo e filósofo malabar, divulgador do Advaita Vedánta, sistema filosófico monista. Levou uma vida errante, predicando e operando milagres por onde passava, mas morreu cedo, aos trinta e dois anos de idade. Foi o fundador da ordem dos Dasanámis, “aqueles dos dez nomes”, grupo de dez confrarias de renunciantes, também chamados ekadandin, ou “portadores do bastão”. Esses ascetas levam o sufixo Ánanda em seu nome de iniciação. Todos os yogis de hoje cujos nomes tenham como final esse sufixo remetem necessariamente à linhagem fundada por ele: Yoganánda, Shivanánda, Satyánanda, etc. Autor do Vedánta Sútra, da Ánanda Lahari, de comentários sobre a Bhagavad Gítá e várias Upanishads, Shankara influenciou enormemente a sociedade de seu tempo. É considerado uma encarnação (Avatar) de Shiva, de quem era devoto. Atribui-se a ele a fundação de quatro mosteiros em Mysore, Puri, Dwáraka e Bhadrinath. (segundo o Dicionário de Yoga, de Pedro Kupfer, Institudo Dharma, Florianópolis)

Digitado por Cristiano Bezerra.

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