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Samskáras e Vásanas

Tudo o que pensamos, dizemos e fazemos fica gravado indelevelmente em nosso subconsciente, embora esqueçamos da maior parte. Essas impressões ficam gravadas como riscos em nossa mente, como as ranhuras de um disco de vinil ou as trilhas de uma fita magnética. O Yoga chama-as de samskáras, impressões mentais subconscientes.

Escrito por Maria Alice Figueiredo · 13 mins de leitura >

Tudo o que pensamos, dizemos e fazemos fica gravado indelevelmente em nosso subconsciente, embora esqueçamos da maior parte. Sob hipnose, podemos recordar, com total nitidez, até as cenas mais insignificantes e inexpressivas de nosso passado, que pareciam estar completamente apagadas de nossa memória. Essas impressões ficam gravadas como riscos em nossa mente, como as ranhuras de um disco de vinil ou as trilhas de uma fita magnética. O Yoga chama-as de samskáras, impressões mentais subconscientes.

Os samskáras podem ser leves e superficiais, quando o tipo de pensamento, discurso ou ação não se repete e não tem maior significado para nós. No entanto, quando uma ação, mental ou física, repete-se constantemente, adquirindo intensidade psíquica e colorido emocional, os samskáras aprofundam-se, tornando-se sulcos poderosamente marcados no estofo mental da memória inconsciente (chitta).

Esses sulcos têm sua contrapartida física na rede de conexões estabelecidas entre as células nervosas de nosso cérebro. Sabemos que quando um desses circuitos é danificado por doença ou acidente, algumas vezes pode ter suas funções restauradas por circuitos alternativos, mas leva algum tempo até que o indivíduo crie um novo caminho em conexões nervosas e restabeleça os contatos com a função perdida.

Essas conexões não são apenas físicas; naturalmente, são também psíquicas. São os samskáras psíquicos profundos que governam nossa vida, constituindo-se nas quase irresistíveis tendências subconscientes, que levaram Paulo de Tarso a declarar num desabafo tão sincero quanto humilde:

‘Pois não faço o bem que quero, mas o mal que não quero fazer, esse faço.’ (Romanos, 7:19)

‘Assim eu sei que é isso que acontece comigo: quando quero fazer o que é bom, só sou capaz de fazer o que é mau. Dentro de mim sei que gosto da Lei de Deus. Mas vejo que uma lei diferente age no meu corpo, uma lei que luta contra aquela que a minha mente aprova. Ela me torna prisioneiro da lei do pecado que age no meu corpo. Miserável homem que sou! Quem me livrará deste corpo que me leva para a morte?’ (Romanos, 7:21-24)

O corpo de que Paulo se queixa tão amargamente não é o corpo físico; são os samskáras profundos, que se agrupam conforme a similitude de sua natureza, constituindo-se no que o Yoga chama de vásanas, as tendências subconscientes do caráter. Essas tendências são forjadas a partir de um substrato formado pelos nossos condicionamentos culturais, sociais, familiares, etc.

Mesmo quando atingimos conscientemente um patamar superior de compreensão, no qual repudiamos antigos comportamentos que eram baseados numa visão menos adequada da realidade, os vásanas por eles construídos continuam a atuar, como um veículo embalado continua a marcha, por sua própria inércia. E cada vez que, sem querer, voltamos a agir sob sua influência, é como se o veículo recebesse um novo impulso.

Há um aforismo sábio que diz:

‘Semeias um ato, colherás um hábito.

Semeias um hábito, colherás um caráter.

Semeias um caráter, colherás um destino.’ (1)

Esse dito explica a formação do karma, a lei de causa e efeito, que transcende o plano simplesmente físico, mostrando como nossas ações mentais, verbais ou físicas marcam nossa mente, gerando conseqüências às quais não podemos nos furtar. Ninguém nos pune; somos colhidos na rede psíquica que elaboramos em nosso próprio tecido mental de nossas almas ? chitta.

A idéia de que podemos melhorar a nossa vida, em profundidade, sem mudar nossa maneira de ser, é uma fantasia, somente passível de ocorrer a quem desconheça o que são os samskáras e vásanas. Mudar significa, basicamente, atingir aquele patamar superior de compreensão a partir do qual podemos discernir (viveka) quais são os vásanas negativos que, a partir do subconsciente, governam nosso comportamento. Cabe-nos transformá-los, desenvolvendo, em nosso íntimo, qualidades, hábitos e comportamentos opostos àqueles.

A melhora e o progresso espiritual tem como origem uma nova visão da realidade e um discernimento filosófico abstrato entre o bem e o mal, entre o ato bom e o ato mau. Essa visão superior da realidade implica numa revisão dos nossos condicionamentos culturais, sociais e familiares, bem como de nossas próprias atitudes pessoais em face da vida, das pessoas e do que nos acontece.

É por isso que o Yoga coloca, como fonte de todo o sofrimento, maya, a visão iludida e distorcida da realidade. Trabalhar com o pensamento abstrato, discernir sobre valores morais, realizar uma terapia filosófica, é parte integrante de qualquer trabalho sério de Yoga, porque sem ele não temos como nos libertar da tirania dos vásanas, que nos governam muito mais do que gostaríamos de admitir, e que, em grande parte, são fruto de nossos condicionamentos culturais e educacionais.

A sociedade em que vivemos pauta-se por poucos valores elevados; o pragmatismo e o imediatismo imperam, tanto nas relações interpessoais como nas empresariais e internacionais. O egoísmo é institucionalizado, como se os melhores resultados práticos pudessem ser obtidos dessa forma, quando, na verdade, essa visão limitada deixa de considerar um elenco de variáveis que, mesmo ignoradas, influem decisivamente nos resultados a longo prazo. A confusão entre egoísmo e praticidade é particularmente perniciosa quando pessoas corretas e genuinamente boas são depreciativamente descartadas como sonhadoras, quando seus projetos (objetivos, práticos e conscientes) não são levados em consideração e não encontram recursos para tornar-se realidade. Quando o ideal é confundido com o irreal, a sociedade está gravemente enferma.

Quanto de nossas ações é conscientemente escolhida com plena liberdade, dentro da racionalidade e deliberadamente orientada para que resulte sempre em um bem para nós e para os outros?

A maioria de nossas reações vem automatizada: reagimos primeiro e pensamos depois, e isso quando chegamos a pensar. Sabemos, tantas vezes, que estamos nos prejudicando, aumentando os obstáculos que teremos de enfrentar no futuro, e, mesmo assim, vamos em frente, porque o impulso do hábito (vásana) nos parece irresistível.

Muitos de nós seguimos pela vida como que arrastados por um vento impetuoso. Entretanto, podemos tomas as rédeas da vida em nossas mãos e tratar de imprimir-lhe uma direção orientada. Mas que ninguém se iluda com os filmes dos eternos vencedores: o processo de tomas as rédeas da vida em nossas mãos, por mais grandioso que possa parecer, assim descrito no papel, é cheio de dúvidas e hesitações.

Ninguém sai de um buraco andando elegantemente. Saímos como podemos, arrastando-nos de joelhos ou sobre a barriga, caindo e levantando, enlameados, sujos e rasgados, sentindo-nos culpados e inseguros, toscos e desajeitados. Colocar em questão os valores do grupo social a que pertencemos, da cultura na qual nos inserimos, provoca muitas dúvidas e insegurança. Não importa, pois estamos saindo, e, por pior que nos sintamos, estamos em melhor situação do que os outros que lá ficaram, aparentemente impecáveis, fingindo que não há buraco algum.

Mas, se quisermos realmente sair do buraco, se quisermos atingir um novo patamar de equilíbrio e harmonia, a preocupação com o que vão pensar e dizer sobre nós, nossas atitudes e nossa vida, não nos deve impedir de realizar as transformações interiores que forem necessárias à renovação de nossos vásanas. Pois, se não cuidarmos de transmutar nossos vásanas negativos, correremos o risco de assistir ao esvaziamento do sentido de nossa vida, e, no dia em que esta se encerrar, quem nos irá ressarcir pelo tempo perdido, pelo desperdício da vida que nos foi concedida? Quem ou o quê representará justificativa suficiente para termos deixado de fazer o que realmente importava?

Ninguém nasceu neste mundo para satisfazer às expectativas alheias, mas para encontrar-se com sua própria consciência e seu próprio coração, e expressá-lo em pensamentos, palavras e ações. Essa é a grande obra que viemos realizar: uma co-autoria na recriação de nós mesmos pela descoberta e realização de quem realmente somos. Não importa o que realizemos externamente; se não trabalharmos internamente, teremos vivido em vão. E, na medida em que nos transformarmos para melhor, contribuiremos também para elevar a sociedade da qual fazemos parte.

Nossos defeitos não vivem sozinhos. Eles reforçam-se mutuamente. O orgulho é um grande auxiliar da crueldade. Arrogância e ressentimento andam de braços dados. A gula, a preguiça e a inconstância são companheiras de cama e mesa. Dessa forma, torna-se difícil modificar uma característica isoladamente; mas, quando o conseguimos, abrimos caminho para a transformação de muitas outras.

Ninguém pode eliminar de vez uma qualidade negativa, porque, se o fizesse, ficaria com uma carência psíquica semelhante a uma amputação física. Cada defeito é uma qualidade em desequilíbrio. Tudo o que um avarento necessita é de tornar-se um homem apenas econômico; caso eliminasse radicalmente essa sua característica, tornar-se-ia um mão-aberta, incapaz de gerir seus próprios recursos e de saldar os compromissos inevitáveis. Em último caso, precisaria ser interditado na justiça, para que não arruinasse a sua família. Não é lutando contra os vásanas que nós os venceremos; mas sim trabalhando no desenvolvimento da qualidade oposta até atingir o equilíbrio.

Nossas características existem numa escala entre dois pólos. Num, a avareza, que seca toda a misericórdia pelo próximo e por si próprio; no outro, a generosidade desenfreada, que não é uma efusão de amor, mas uma irresponsabilidade e uma falta de controle e de critérios. No centro, em equilíbrio, encontramos, ao mesmo tempo, uma economia generosa e uma generosidade econômica, razoável e sensata.

De tudo o que somos, nada podemos rejeitar, porque tudo o que somos faz parte de um todo integrado, do qual nada pode ser dispensado, sem que venha a fazer falta. Isso é verdadeiro tanto no corpo físico como no psiquismo.

Diz o Tao Te King, obra-síntese da sabedoria chinesa:

‘Todo mundo toma o belo como belo, e nisso é que se encontra sua fealdade.

Todo mundo toma o bem como bem, e nisso é que se encontra seu mal.

Pois o ser e o nada se engendram mutuamente. O fácil e o difícil se completam. O curto e o comprido se formam um pelo outro. O alto e o baixo se tocam. A voz e o som se harmonizam. Sucedem-se o antes e o depois.

Eis porque o santo adota a tática do não agir e pratica seu ensinamento sem palavras. Todas as coisas do mundo aparecem sem que seja ele seu autor. Produz sem tomar para si, age sem esperar coisa nenhuma, e não se prende à sua obra quando sua obra está completa. E porque ele não se prende, a obra ficará.’ (Tao Te King, cap. II)

É muito importante compreender que tudo quanto constitui a nossa natureza é em sua origem bom e necessário. O mal não está inserido de forma intrínseca em nossa constituição. Não é verdade que tenhamos sido criados desde a origem com um lado bom e um lado mau. Deus não criou o mal. O mal encontra-se na desarrumação, na inversão de valores, no excesso ou na carência das características de nossa personalidade. Já é suficientemente trágico que o obscurantismo religioso medieval visse a natureza humana, e da mulher em particular, como sendo essencialmente má e irremediavelmente pecadora.

O cúmulo é que Freud, com o prestígio da ciência, tenha corroborado essa versão, deixando a cultura ocidental sem outras perspectivas que não fossem a aceitação dessa blasfêmia que, ao final do século XX, ainda contamina muitas mentes. Jung merece toda a nossa gratidão, por haver se insurgido contra esse estado de coisas e insistido em que nossa mais profunda natureza é boa e sábia. Acreditar que somos maus em nossa própria essência só pode gerar três atitudes, todas terrivelmente negativas e perniciosas.

Primeiro, um horror ao mal que acreditamos personificar, o que levaria à rejeição de si próprio, ao remorso, à culpa e ao desespero, atitudes essas nada construtivas, que não contribuem para a transformação da situação e que, no fundo, são o desapontamento da vaidade.

Segundo, o desenvolvimento de uma defesa em que projetamos nos outros o mal que não desejamos enxergar em nós mesmos.

Terceiro, a plena aceitação do mal dentro de nós como sendo o comportamento mais realista e adequado. Uma atitude que leva ao extremo materialismo e ao cinismo.

Nossa evolução não pode ser alicerçada numa ojeriza ao mal que, em si, nenhum benefício traz, e sim um irrestrito amor ao bem. Assim como forjamos cadeias de condicionamentos negativos, também podemos construir maravilhosos caminhos de evolução espiritual através de samskáras e vásanas positivos.

Ninguém apaga o fogo usando combustível; apaga-o com água.

O ódio ao mal não deixa de ser ódio, e ódio é em si um grande mal que não pode deixar de levar à rejeição, seja de nós próprios, seja do próximo. As pessoas maniqueístas, no entanto, aquelas que acreditam que o maior bem é o ódio ao mal, tornam-se fanáticas, cegas e até mesmo capazes de crueldades demoníacas, tudo isso em nome da sua interpretação do que seja o bem e de quem seja Deus.

Continua o Tao Te King:

‘Por isso, diz o adágio:

O caminho para a luz parece obscuro.

O caminho do progresso parece retrógado.

O caminho plano parece áspero.

A virtude suprema parece vazia.

A suprema candura parece imaculada.

A virtude maior parece suficiente.

A virtude sólida parece negligente.

A virtude mais funda parece flutuante.’

Tao Te King, cap. XLI

Os bons não odeiam. Nem mesmo ao próprio mal, porque compreendem que o mal é circunstancial, nem também aos maus, porque compreendem que estes estão equivocados, e que, basicamente, prejudicam-se a si mesmos.

Tomar as rédeas da vida em nossas mãos não é simples, porque a reconstrução interior não é uma busca da perfeição com a finalidade de satisfazer ao próprio ego e seu orgulho, nem é uma decisão de impor pretensiosamente aos outros os nossos próprios padrões. Tomar as rédeas da vida em nossas mãos significa observar cada pensamento, para perceber quando se afasta do amor ao bem e para trazê-lo de volta ao caminho da retidão.

Damos muita importância aos atos, menos importância às palavras, e, menos ainda, aos pensamentos, que ninguém pode ouvir. No entanto, os pensamentos são a origem de tudo o mais, porque são eles os construtores dos vásanas, que comandam as nossas ações. Tudo o que o homem já criou sobre a Terra existiu, anteriormente, apenas na mente de alguém. Pensamentos são forças extremamente poderosas; através deles, construímos nosso caráter e determinamos nosso destino.

Cada bom pensamento soma-se para reajustar uma qualidade que, equilibrada, torna-se boa. Essas boas qualidades agrupam-se também, gerando nossas tendências para a sabedoria, o amor e a prática do bem, que, se mantidas consistentemente, levar-nos-ão ao desabrochar pleno da consciência nos planos superiores da vida. Manter consistentemente uma orientação mental depende do desenvolvimento de um tipo especial de atenção, a atenção interior. Jesus referia-se a isso quando advertiu aos seus discípulos:

‘Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca.’ (Mateus, 26:41)

Vigiar é criar um ponto de observação superior através de dhárana, a atenção concentrada no interior, a partir da qual possamos observar nossa atividade mental, exercendo sobre ela discernimento e escolha. Orar, ou melhor, permanecer em ‘estado de oração’, é manter contato com a consciência espiritual, o espírito de verdade que habita em cada um de nós. ‘Entrar em tentação’ é sucumbir aos vásanas negativos, nossas fraquezas internas, que constituem o grande inimigo de nossa evolução.

O que vem de fora pode criar-nos embaraços e sofrimentos temporários; apenas o que vem de dentro de nós mesmos pode destruir-nos. Temos que impedir que o mal que vem de fora traga à tona, como resposta, um mal que venha de dentro de nós. Somente assim entenderemos a essência do Sermão da Montanha:

‘Eu, porém, vos digo que não resistais ao mal; mas, se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra.’ (Mateus, 5:39)

O pior mal não é o tapa que recebemos; são as emoções que ele pode fazer brotar em nosso coração, porque os efeitos do tapa ? e até da morte ? passam, porque a vida é temporária, mas os efeitos do ódio que sentimos ficam, e são vásanas destruidores. Oferecer a outra face não é convidar o agressor a bater de novo; é uma forma enfática de dizer que não devemos revidar. Mas isso não significa que não devamos tomar uma atitude adequada às circunstâncias. E Jesus nunca deixou de tomá-la, em seus confrontos com o mal, representado por sacerdotes e fariseus. Suas atitudes, contudo, não foram reações condicionadas pelas ações negativas deles, mas atitudes orientadas por um espírito livre do mal e de qualquer tendência para pensar, falar ou fazer o mal.

Isso é vencer o mundo!

Lembremo-nos das palavras encorajadoras de Jesus:

‘No mundo, tereis aflições, mas tende bom ânimo, pois Eu venci o mundo.’ (João, 16:33)

Quando deixamos de culpar os outros e de responsabilizar terceiros por questões que nos dizem respeito, que dependem de nossa condição interior, como seja nosso estado íntimo de felicidade ou infelicidade, e passarmos a enfrentar nossos vásanas, criando tendências positivas opostas para equilibrar as negativas, que inadvertidamente permitimos que se desenvolvessem, podemos afirmar que nosso sádhana começou.

‘Não é fácil entender isso, mas, com o tempo, você chegará a compreender que coisa nenhuma no universo tem poder sobre você. A menos que você permita.’ (Swami Vivekananda, em Karma Yoga, cap. VI)

Porque o sádhana inicia-se pela purificação da mente, transformando os vásanas num processo de evolução espiritual conscientemente dirigido.

Só então pisamos, realmente, o caminho interno.


(1) ‘O que for a profundeza do teu ser, assim será teu desejo. O que for o teu desejo, assim será tua vontade. O que for a tua vontade, assim serão teus atos. O que forem teus atos, assim será teu destino.’ – Brihadáranyaka Upanishad (nota do digitador)

Extraído do capítulo 2 do livro Yoga Vidya, a Sabedoria do Yoga – Conceitos Fundamentais (Copyright © 1997, Maria Alice Figueiredo; todos os direitos reservados) e digitado por Cristiano Bezerra.

Maria Alice Figueiredo é natural de São Paulo. Graduou-se em Administração pela UFBA em 1969 e trabalhou em Planejamento e Administração Municipal. Ao ter os seus filhos gêmeos em 1973, sofreu uma eclampsia com azotenia renal e acidose metabólica que a levou a passar três dias em coma, no limiar da morte. Ao retornar à consciência, viu-se portadora de diabetes e de insuficiência renal, além de severa depressão. Passou então a praticar Yoga durante 3 horas por dia, todos os dias. Saudável há mais de vinte anos, deixou sua antiga profissão passando por um estágio didático na conceituada Academia Hermógenes de Yoga, no Rio de Janeiro, em 1977, fundando o Yoga Vidya em Salvador, BA, em 1978. Juntamente com a psicóloga argentina Marta Molinero, criou o Método de Auto-Integração do Ser, que trabalha com o corpo, o psiquismo e a compreensão filosófica dos valores abstratos, tendo como base o Yoga e outros métodos terapêuticos ocidentais de vanguarda. Essa orientação de unir o que de melhor têm o oriente e o ocidente partiu de seu mestre na época, o Swami Rama, um grande mestre de Yoga, intelectual e autor de vários livros, que considerava sua missão criar uma ponte entre o Yoga e a ciência ocidental. Fundador do Himalayan Institute of Yoga Science and Philosophy, na Pennsylvania, e de um hospital na região dos Himalaias, o Swami Rama faleceu em novembro de 1996.

5 respostas para “Samskáras e Vásanas”

  1. Fui aluno de Maria Alice em 1978 e 1979, em Salvador-Ba. Gostaria de saber suas notícias. É possível?

    Atenciosamente,
    Fernando

  2. Amei o artigo, elucidou muitas das minhas questões no momento. Gratissimo!

  3. Artigo maravilhoso, gostei muito. Gostaria de saber onde encontro Maria Alice, fui sua aluna em 2000 e gostaria de encontra-la de novo.

  4. Excelente artigo, já lido várias vezes, e sempre tendo algo novo a transmitir. Beira as raias da poesia na parte em que fala que ninguém sai de um buraco elegantemente. Parabéns.

  5. Me pergunto se há algo a se acrescentar à verdade. Por quê repeti-la de tantas formas diferentes, sempre dizendo o mesmo? Talvez pelo único e inquestionável fato de estarmos distanciados dela: a verdade de quem somos, a verdade do amor, a verdade sobre a nossa existência. Freud não deveria ser tão criticado, se lembrarmos de seus méritos, nem que seja o de incitar o pensar sobre nosso mal ocidental. A contrariedade, o oposto, leva a um terceiro saber: um degrau a mais rumo à verdade.
    Nenhuma verdade se sustenta se não for reatualizada no continum do presente, pois senão nada mais seria do que estagnação. Meus sinceros e devotos agradecimentos a todos vocês que têm a coragem de desvelar a ilusão com a brandura da compaixão. Harih Om, Cláudia.

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