Mantra, Pratique

Sankirtan Yoga

Sankirtan é a Swarupa ou natureza essencial de Deus. Dhvani é Sankirtan. Os quatro Vedas têm a sua origem no som. Existem quatro tipos de som: Vaikhari (vocal), Madhyama (da garganta), Pasyanti (do coração) e Para (do umbigo). O som parte do umbigo. Os Vedas também se originam do umbigo. O Sankirtan e os Vedas provêm da mesma fonte.

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Sankirtan é a Swarupa ou natureza essencial de Deus. Dhvani é Sankirtan. Os quatro Vedas têm a sua origem no som. Existem quatro tipos de som: Vaikhari (vocal), Madhyama (da garganta), Pasyanti (do coração) e Para (do umbigo). O som parte do umbigo. Os Vedas também se originam do umbigo. O Sankirtan e os Vedas provêm da mesma fonte.

As pessoas se sentam juntas e cantam os nomes do Senhor com harmonia e acordo, com Shuddha ou Bhava (sentimento divino). Isso é Sankirtan. Sankirtan é acompanhado pelo toque de sons musicais da mesma maneira em que a palavra San precede Kirtan. Sankirtan é uma ciência exata. Ela eleva a mente rapidamente além de intensificar o Bhava ou sentimento divino a um grau máximo.

Nama e Nami são inseparáveis. Nama quer dizer o nome de Deus. Nami significa aquilo que é denotado pelo nome ou Nama. Nama é ainda mais grandioso que Nami. Mesmo na experiência ordinária o Homem pode morrer, porém seu nome é lembrado durante muito tempo. Kalidasa, Valmiki, Tulsidas, Gauranga e outros são personagens lembrados até hoje na história da Índia. Nama não é nada mais do que Chaitanya. Sankirtan é cantar os nomes divinos com Bhava e Prema (amor puro).

Sankirtan Yoga é o caminho mais rápido, fácil, seguro e barato para atingir a realização de Deus nesta era. As pessoas não conseguem mais praticar duras austeridades hoje em dia. Elas não tem mais a força de vontade necessária para a prática do Hatha Yoga. São incapazes de permanecer toda uma vida em Bramacharya (celibato). Elas não tem os pré-requisitos psicológicos para o Rája Yoga. Não possuem tampouco o intelecto afiado para a prática do Jñána Yoga ou Sádhana Vedântico. Porém, esse Sankirtan Yoga ou Yoga do canto dos nomes divinos está ao alcance de todos. Existe um poder (Shakti) infinito nos nomes de Deus. Ele removerá todas as impurezas da sua mente. Os vedantins dizem que existem três tipos de obstáculos para a auto-realização: Mala, Vikshepa e Avarana. Para removê-los eles prescrevem Nishkamya Karma (serviço desinteressado), Upasana (adoração) e Nididhyasana vedântica (busca intelectual).

O Sankirtan sozinho pode obter todos os três juntos numa só tacada. Assim, ele tira as impurezas da mente (Mala), acalmando-a e controlando sua tendência de vacilar (Vikshepa). Finalmente, ele rasga o véu da ignorância (Avarana), levando o aspirante (Sádhaka) face a face com Deus.

Máyá (ilusão) é tão potente que o ilude a cada instante. A cada momento ela lhe dá a sensação que o prazer existe somente nos objetos dos sentidos e em nenhum outro lugar. Você troca a dor pelo prazer. Esse é o trabalho de Máyá. Fique atento! Lembre-se: Janma mrityu jara vyadhi duhkha dosha (este mundo é cheio de dores consequüentes do nascimento, morte, velhice, doença e miséria). Não existe prazer nesses objetos finitos. Yo vai bhuma tat sukham (você obterá felicidade somente no infinito). Sankirtan o capacitará a realizar esse infinito aqui e agora. Ele o libertará da ilusão. Dessa maneira, cante então os nomes do Senhor. Cante o Maha Mantra:

Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare
Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare

Esse é o grande mantra para as pessoas do Kali Yuga (época moderna de destruição). O Rishi Narada foi visitar o senhor Brahmá e disse ?Ó Senhor, as pessoas neste Kali Yuga não serão capazes das austeridades, nem de conduzir os Yajnas (sacrifícios e oferendas), nem de percorrer a via do Vedanta. Por favor tenha compaixão por eles e indique um modo fácil com o qual eles possam atingir Deus?. O Senhor Brahmá, na sua infinita compaixão e piedade, concedeu esse Maha Mantra com o qual as pessoas do Kali Yuga pudessem atingir a auto-realização. Cante então os nomes de Deus. Sirva, ame, dê, medite, realize, seja bom e piedoso. Pergunte: “quem sou eu?”. Conheça o Ser e seja livre. Que Deus abençoe vocês todos com saúde, vida longa, paz, prosperidade e felicidade.


* Trecho do livro Japa Yoga, de Swami Sivananda (1887 – 1963), grande santo e yogi contemporâneo, fundador do Sivananda Ashram Divine Life Society, em Rishikesh, Índia, autor de mais de 250 livros sobre Yoga, espiritualidade e temas afins. Texto traduzido por Júlio (Gopala) Falavigna, membro e instrutor do Sivananda Yoga Vedanta Centers no mundo, fundados por Swami Vishnu Devananda (1927 – 1993), discípulo direto de Swami Sivananda, autoridade mundial em Hatha e Rája Yoga, autor dos best sellers The Complete Ilustrated Book of Yoga e Meditation and Mantras, além de um comentário do Hatha Yoga Pradípika. Para maiores informações sobre o seu trabalho, visite o site de Gopala em www.oyoga.com.br/sivananda (Centro Sivananda de Yoga Vedanta, em Porto Alegre, RS), ou visite o site internacional da Organização Internacional Sivananda de Yoga Vedanta: www.sivananda.org

Gopala também desenvolve um trabalho com música espiritual e kirtans, acabando de gravar o CD “Shabda Rasa – Mantras e Ragas Místicos da Índia”. Gopala está disponível para workshops, shows e palestras sobre Yoga e música indiana.

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