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Treinamento Antidistresse

O estresse não é uma doença, e sim um mecanismo de defesa da vida. Se mal administrado, ele pode tornar-se distresse, gerando enfermidades. Em artigo exclusivo, o professor Hermógenes nos ensina a preservar a saúde, nos conectando com a dimensão sátvica.

Escrito por José Hermógenes · 7 mins de leitura >
Antidistresse

O que é o treinamento antidistresse?

Poucos desconhecem que, mais que os vírus, micróbios, tóxicos e acidentes, o estresse está dizimando vidas e trazendo infelicidade.

Não é no entanto propriamente o estresse, o qual é um mecanismo de defesa da vida, mas, sem dúvida, o distresse, ou seja, a perturbação gerada pelo estresse mal administrado, que produz doenças reconhecidamente letais como cardiopatias, coronariopatias, hipertensão, câncer e outras menos graves como impotência, asma, diabetes…

Uma variedade enorme de síndromes são também manifestações de distresse. Acidente-propensão, neuroses, alcoolismo, e tantas outras formas de instabilidades e inabilidades psíquicas e até sociais podem igualmente ser manifestações de distresse.

Dados estatísticos americanos recentes denunciam que anualmente ocorrem de 1 a 1,5 milhão de ataques cardíacos, sendo que 0,5 milhão são fatais; 8 milhões de americanos sofrem de úlcera; 12 milhões são alcoólatras; 27 milhões são hipertensos; e mais de 230 milhões de receitas médicas são prescrições de psicotrópicos…

Tudo isso denuncia que o grande desenvolvimento econômico não assegura boa qualidade de vida.

Muito mais inteligente, mais fácil e eficaz que combater uma a uma, tão variadas enfermidades específicas (físicas, psíquicas e sociais), é atuar preventivamente sobre a causa comum de todas elas, isto é, sobre o distresse.

Assim, o tratamento antidistresse promete ser uma das buscas mais promissoras a serem empreendidas pela Medicina do futuro, pois, tratando-se da causa, evitam-se ou suprimem-se os efeitos.

Com isso serão minimizadas ou eliminadas centenas de doenças que ainda hoje estão castigando a Humanidade, não obstante os avanços e enormes esforços da Medicina.

Baseamo-nos em experiência bem-sucedida para afirmar que um treinamento (antidistresse ou de outra tipo) é preferível a um tratamento.

Neste, há um que trata e outro que é tratado, sendo este último reduzido à condição de paciente, isto é, alguém que passivamente recebe a ação terapêutica do outro.

No Treinamento, desaparece a figura do paciente, o qual é solicitado a tornar-se atuante no processo terapêutico.

O treinamento, além disso, evita dois conhecidos males que alguns tratamentos produzem: dependência e intoxicação.

Venho propondo um método de treinamento antidistresse, confiante nos resultados de mais de 30 anos de observação e experiência com milhares de casos, nos quais lidei com pessoas doentes e infelizes e durante as quais formei minha visão sobre a Medicina Holística.

Constatei que inúmeras pessoas, mediante o autotreinamento antidistresse, conseguiram a remissão de sintomas e síndromes e mesmo a superação de severas e prolongadas patologias, que lhes roubava o sabor de viver.

Elas aprenderam a controlar a SGA, isto é, a ‘Síndrome Geral de Adaptação’, conforme descreveu o autor da tese do estresse, o Dr. Selye, mostrando como o corpo reage procurando responder aptamente às situações estressantes, a fim de reequilibrar e defender a própria vida.

Multifrontalidade

São características do Método de Treinamento Antidistresse:

1) Naturopatia, por mobilizar as energias de auto-recuperação da vida, mediante harmonização do indivíduo com a natureza externa e interna;

2) Independência, porque visa a levar o praticante a libertar-se de condicionamentos, dependências, velhos hábitos obsessivos e maléficos e de sua irresponsável passividade quanto à saúde;

3) Desintoxicação, porque, enquanto ensina a minimizar a ingestão, ativa a eliminação de substâncias tóxicas, reduzindo, assim, a ‘normal’ toxemia gerada por alimentos, medicamentos e outros agentes;

4) Autoterapia, porque o indivíduo se treina para sadiamente se recondicionar, assumindo a direção de sua conduta e, conseqüentemente, a responsabilidade por tudo que daí resulta. Ele deixa de ser um paciente, e se torna um agente na obtenção e preservação da saúde;

5) Etiologia: essa é a característica que indica atuação terapêutica mais sobre as causas reais e profundas, do que sobre os efeitos (as doenças particulares);

6) Base científica, desde que o método se fundamenta em princípios, não meramente psicossomáticos, mas holístico-sistêmicos, de acordo com as conquistas mais recentes da comunidade científica internacional. Ele é igualmente baseado nos antigos ensinos dos sábios vêdicos (Yoga e Vedánta), de validade perene;

7) Eficiência inespecífica. Isto é, tem a capacidade de recuperação de casos hoje tratados nas diversas especialidades médicas (cardiologia, psiquiatria, ortopedia, reumatologia,…);

8) Baixo custo. Diferente das outras propostas de tratamento antiestresse, que requerem instalações, equipamentos e medicações sofisticadas e onerosas, o treinamento antidistresse praticamente nada custa, pois não depende de recursos tecnológicos e laboratoriais, e, sendo auto-aplicado, dispensa mesmo a presença de alguém que o administre;

9) Praticamente isento de riscos iatrogênicos (efeitos colaterais), pois se caracterizando como um processo de auto-educação para a condução de uma vida mais significativa, valiosa, sábia e sadia, o treinamento não utiliza meios e recursos capazes de produzir intoxicação;

10) Multifrontalidade. Essa é talvez a característica mais fecunda do método. Admiráveis curas são obtidas por terapias diversas (psicoterapia, cinesioterapia, terapias energéticas e outras) aplicadas isoladamente. Muito mais admiráveis são os resultados quando aplicadas simultânea e sinergicamente.

O método que temos utilizado como treinamento antidistresse recorre a diversas frentes de ação terapêutica (psicoterapia, somaterapia, pranoterapia, eticoterapia, esteticoterapia e logoterapia), todas em si mesmas eficientes na recuperação e manutenção da saúde, atuando ao mesmo tempo, umas reforçando as outras, promovendo controle sobre o estresse, evitando que este degenere em distresse, isto é, em enfermidade ou má qualidade de vida;

11) Busca da perfeição. O método há décadas é praticado, já tendo o reconhecimento e aprovação de congressos científicos, sendo apoiado em acervo considerável de casos comprobatórios de eficiência. Mesmo assim, seu criador busca alcançar um grau maior de perfeição;

12) Acessibilidade. Praticamente é aplicável a todos que dele necessitem. Em casos de limitações por doença, carência ou idade, sempre há algo acessível a quem se dispõe a treinar-se, pois são quase nulos os riscos iatrogênicos, e a multifrontalidade faculta recorrer a uma ou mais das ‘frentes terapêuticas’.

Quem não puder, por exemplo, praticar exercícios com o corpo, por uma limitação qualquer, que pratique as demais ‘frentes’ que lhe são viáveis e o poderão ajudar.

Antidistresse

Energia de adaptação

Na multifrontalidade do método, as diversas frentes, atuando em diferentes níveis e facetas do homem holístico, se combinam sinergicamente, isto é, uma reforçando o efeito da outra, e o resultado não fica apenas na soma das partes, mas em algo mais. As diferentes frentes são:

a) Somática: atuação no corpo com a ajuda de diversas técnicas e disciplinas higiênicas;

b) Energética: agindo para melhorar quantitativa e qualitativamente o ‘corpo energético’ e, conseqüentemente, o organismo;

c) Psicoterápica: fazendo correções nos pensamentos;

d) Eticoterápica: guiando o comportamento no sentido de convivência harmônica e eficaz com a sociedade;

e) Esteticoterápica: visando a disciplinar sentimentos, emoções e paixões, dirigindo-os para a saúde e a paz;

f) Logoterápica: espiritualização da vida.

Estresse não é uma doença a ser combatida ou um bandido a ser destruído. É a reação pela qual o organismo procura defender-se, adaptar-se e sobreviver, que se, bem administrada, cumpre o importante papel de preservador da vida.

Somente quando inabilmente enfrentado, o estresse é entrópico, isto é, danoso à vida. O Dr. Selye diz: ‘Estresse não é mais do que a intensidade com que vivemos cada momento…’.

Outro engano é supor que somente a perda de uma pessoa amada, a dispensa do emprego, um assalto que sofremos, um casamento desfeito, a prisão de um filho, a notícia ‘você está canceroso’…, coisas assim dramáticas, desagradáveis e desgraçadas, provocam o alarme e o esforço de adaptação, isto é, o estresse.

Nas palavras do Dr. Selye: ‘Para os efeitos do estresse, um beijo apaixonado é equivalente a um golpe doloroso’.

Um homem rico, poderoso, vivendo no luxo e na abundância, pode ser mais estressado que um pobretão lutando pelo pão de cada dia. A vida, principalmente numa sociedade injusta, insegura e neurótica, igual a esta em que estamos inseridos, a vida em si mesma é um permanente estresse.

Além do corpo feito de matéria, o homem holístico é integrado por uma configuração energética, que os yogis chamam de corpo pránico; os teosofistas, corpo etérico; e os cientistas russos, corpo bioplásmico.

Os grandes sucessos alcançados pela acupuntura e as fotos Kirlian não deixam dúvidas sobre a existência desse ‘corpo’ que é coexistente e co-espacial com o físico e, além disso, é ele que propicia ao corpo físico a energia que o mantém vivo.

O descobridor do estresse, Dr. Selye, menciona a energia-de-adaptação, a qual não é outra coisa que o bioplasma ou prāṇa. Esse corpo feito de energia comanda as estruturas e funções do corpo físico. A saúde e a doença vêm dele ao físico.

Em grau de sutibilidade crescente, outros ‘corpos’ (se assim podemos dizer) integram o homem holístico: o ‘corpo’ das emoções; o dos pensamentos; e, finalmente, no maior grau de sutibilidade, o Espírito (Nous para os gregos; Átman, para os hindus; Cristo em nós, dos cristãos…).

Todos esses níveis que configuram o homem holístico integram os diferentes ‘universos’ dos quais eles fazem parte.

Se um homem estressado meditar, pode melhorar, mas melhorará muito mais se, além de meditar, cuidar de seu relacionamento (ético) com os demais e de seu relacionamento (místico) com Deus.

Um homem que pratique uns bons relaxes alcançará melhoras, e poderá reduzir sua tensão sangüínea que estava elevada, mas, se além disso, diminuir a dose de sal em sua dieta, ainda melhores resultados observará.

Por quê um mesmo fato, ocorrido numa família, produz variados graus de estresse em pessoas diferentes? Minha experiência me faz inferir um conceito, que proponho a todos os que lidam com o estresse.

Refiro-me à ‘estressibilidade’ pessoal. Pessoas que têm em si como que um ‘amplificador’ de emoções.

Vivem tensas, engatilhadas, predispostas à hiper-atividade. Os yogis as denominam pessoas rajásicas. Os cardiologistas Meyer Friedman e Ray Rosenman (de São Francisco, Estados Unidos) chegaram a caracterizá-las. Propuseram o nome ‘pessoas-do-tipo-A’.

Os institutos médicos mais respeitáveis têm concluído que tais pessoas (tipo A) são tremendamente mais suscetíveis a um ataque cardíaco ou outras moléstias relacionadas com o distresse.

Diferentes são as ‘pessoas-do-tipo-B’, que, mais tranqüilas e menos responsivas, absorvem os golpes, e, portanto, estão mais protegidas contra as doenças do distresse. Nestes, a ‘estressibilidade’ é bastante reduzida.

As pessoas menos estressáveis, por sua vez, segundo os yogis, são de dois tipos: algumas são pouco atingidas ou não são atingidas pelos acontecimentos estressantes por sua própria incapacidade, podendo essa ser biológica ou psicológica.

Os cretinos representam a forma extrema desse tipo de pessoa. A imperturbabilidade dos sábios, por outro lado, também expressa um grau reduzido de ‘estressibilidade’.

Os incapazes de se estressarem são aquelas personalidades que os sábios (rishis) da Índia mencionam como tamásicas (personalidades apáticas, sombrias, ignorantes, insensíveis, estagnadas…).

Aos que, graças a uma visão mais profunda da vida, não se deixam afetar, isto é, estressar, os filósofos hindus chamam de personalidades sátvicas.

Dimensão sáttvica

Os métodos antidistresse em voga nos EUA vêm trabalhando no sentido de reduzir a hiperatividade das pessoas do tipo A. E fazendo somente isso, já estão prestando um grandioso bem.

Mas, ficando apenas nisso, isto é, ignorando o grupo das pessoas do tipo B, as que o são por carência ou doença, não estão realizando um serviço completo.

Minha proposta de atuação é no sentido de reduzir a ‘estressibilidade’ do tipo A, inclusive mediante provocar um insight filosófico, um aprofundamento de consciência.

Em linguagem do Yoga, diríamos: reduzir a dimensão rajásica para aumentar a dimensão sáttvica. E isso não é coisa que medicamentos, e mesmo biofeedback, medicação ou auto-hipnose possam realizar.

Por outro lado, a ajuda às personalidades tamásicas igualmente também deve ser tentada, visando a aumentar-lhes a dimensão de rājasidade e sattvidade.

Esse é outro ponto em que o treinamento antidistresse que proponho diverge dos programas antiestresse em outros países.

Embora estando em experiência há tantos anos e já reconhecido em congressos médicos, o método ainda terá de aperfeiçoar-se.


॥ हरिः ॐ ॥

Extraído da revista Ano Zero, no 32, de dezembro de 1993.
Digitado por Cristiano Bezerra.
Leia aqui mais textos deste brilhante autor.
Visite aqui o site do Professor Hermógenes.

॥ हरिः ॐ ॥

Mohinī, a Encantadora

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2 respostas para “Treinamento Antidistresse”

  1. Há 10 anos faço tratamento para estresse e ansiedade. Desde então remédios para depressão e outros fazem parte do meu dia-a-dia. Em maio deste ano, durante o feriado sofri um transtorno de ansiedade generalizado , com dormência do lado direito do meu corpo. Há 6 meses prático Yoga, tomo homeopatia e faço acupuntura, além de claro mergulhar em textos sobre como lidar com esses dois males. Vocês podem me auxiliar com mais textos ou até “dicas”!?Quero curar-me, mas só consigo alívios de prazos curtos… Um abraço. Rúbia

  2. Gostaria de resgatar um programa que assisti do Professor Hermógenes, pois apenas o vi do meio para o fim. Como posso revê-lo?

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