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Vegetarianismo e Yoga

Muita gente se pergunta o porquê da dieta vegetariana que nós yogis praticamos. Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda

Escrito por Pedro Kupfer · 12 mins de leitura >

Muita gente se pergunta o porquê da dieta vegetariana que nós yogis praticamos. Às vezes fica difícil discernir os motivos pelos quais o vegetarianismo é adotado sem uma compreensão mais profunda desses motivos. O discernimento e a compreensão são valores fundamentais para exercermos nossa liberdade. O yogi consciente não se torna vegetariano cegamente, porque alguém mandou, ou porque assim se faz há milênios. O yogi consciente adota o vegetarianismo como um corolário do processo de compreensão da realidade da vida e do papel que o homem exerce no planeta.

Este texto tem o propósito de contextualizar a prática do Yoga na cultura hindu, de maneira que a pergunta sobre o porquê do vegetarianismo possa ser devidamente respondida. Ao mesmo tempo, o presente artigo pretende ser uma fonte de reflexão e recursos para aqueles que, havendo incorporado algumas das práticas yogiks em suas vidas, se sintam curiosos ou preparados para darem esse passo em relação à alimentação.

Antes de começar, uma palavra sobre o dharma

A tradição do Yoga hindu nos ensina que a realização espiritual e a verdadeira felicidade somente são possíveis se nossos pensamentos, sentimentos e ações estiverem em harmonia com a ordem universal, chamada dharma. A palavra dharma significa ‘aquilo que mantém unido’, e refere-se não somente às leis naturais, mas igualmente à Força Consciente de coesão e harmonia que gera e mantém o universo. Tudo é harmonia no universo. Um exemplo óbvio dessa harmonia universal que é expressão do dharma, é que os planetas, cada um seguindo sua própria órbita, não se chocam nunca.

Porém, o conceito de dharma admite uma outra interpretação no plano humano. Nessa segunda interpretação, podemos afirmar que o dharma é um grupo de valores, eternos e universais, através dos quais se estabelece uma convivência harmoniosa na sociedade. A palavra dharma também pode ser interpretada como ‘fazer a coisa certa’. Nesse sentido, dharma é aquilo ao qual o homem se mantém fiel ao longo da sua vida, o que pauta suas escolhas e ações. Em soma, sua missão de vida ou seu propósito humano.

O dharma e o código yogik de conduta

A compreensão plena do conceito de dharma é essencial para podermos integrar em nossa vida os aspectos mais profundos da prática do Yoga, pois este está intrinsecamente ligado ao código de conduta yogik, chamado yama e niyama.

O código de conduta yogik tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante, do que com repressão e controle. A coerência, a coordenação e a motivação que acabamos de mencionar são absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Esse código de conduta é o fruto de um longo processo de reflexão, discernimento e sensibilização que os yogis da antiguidade nos legaram. Esse código tem mais a ver com coerência, motivação e coordenação dos esforços do praticante, do que com repressão e controle. A coerência, a coordenação e a motivação que acabamos de mencionar são absolutamente essenciais para podermos distinguir o certo do errado a cada momento.

Vou lhe contar um exemplo que ilustra perfeitamente a diferença entre discernimento e repressão de que falei acima. Meu amigo George Porto Ferreira foi morar numa reserva ambiental em Rondônia, na Amazônia, como técnico ambiental do IBAMA. Parte importante do seu trabalho é defender a mata virgem através de ações contra as madeireiras que extraem ilegalmente árvores da selva. Um dos principais motivos do desmatamento, porém, é a criação de novas áreas de pastagem para manutenção dos rebanhos bovinos que serão usados como alimento pelo homem.

Recentemente, em uma de suas raras visitas a Florianópolis, George me contou que tinha se dado conta de que não fazia nenhum sentido para ele levantar a bandeira do ambientalismo se não assumisse definitivamente uma dieta vegetariana. Em suma, meu amigo não decidiu tornar-se vegetariano porque alguém tenha proibido ele de comer carne, mas porque simplesmente percebeu a incoerência entre o discurso ambientalista e sua decisão na hora de escolher o alimento que punha no prato.

Se você come carne, você não está unicamente se prejudicando com um alimento de qualidade altamente duvidosa, ou colaborando com a matança de milhões de animais usados como alimento: você está financiando o desmatamento da Amazônia. Assim simples.

Quem por um lado, discerne o certo do errado e, por outro, for capaz de colocar em prática o esforço para anular a distância que separa a retórica da prática, é um yogi de verdade.

Não-violência, dharma e vegetarianismo

Voltemos ao código yogik de conduta. Esse código existe para facilitar a tarefa da realização espiritual. Sem ele, não há como progredir na prática. Não obstante a importância deste código para o Yoga, hoje em dia muitos praticantes sequer suspeitam da existência dele.

O esteio central do código yogikahimsa, a prática da não-violência. Você certamente já ouviu falar na não-violência, uma prática yogik tão poderosa que, apenas aplicando-a, Mahatma Gandhi e os lutadores pela independência da Índia foram capazes de libertar aquele país do jugo colonialista inglês sem disparar um único tiro. Isso por sua vez, nos mostra o infinito poder transformador do Yoga. O ahimsa, portanto, é um formidável instrumento para nos mantermos harmonizados com o dharma.

Existem duas dimensões diferentes na prática da não-violência, que estão intrinsecamente ligadas: uma pessoal e uma social. A primeira tem a ver com a forma como a gente se relaciona consigo mesmo e com a nossa prática pessoal de Yoga. A segunda tem a ver com a maneira em que vivemos a vida em sociedade, com nossa família, nossos amigos, vizinhos ou colegas de trabalho.

A segunda dimensão da não-violência, a social, depende diretamente da primeira, assim como a unha está ligada à carne. Se os praticantes de Yoga ficarem conscientes o tempo todo da ahimsa, haverá uma transformação profunda na sociedade. Os shastras, textos tradicionais do Yoga, convidam o praticante, como corolário natural da prática da não-violência, a adotar uma dieta vegetariana.

Em sânscrito, vegetarianismo se diz shakaharah. Shakaharah significa literalmente ‘comedor de vegetais’ (shaka = vegetal). A pessoa não vegetariana é chamada mamsaharah, que significa ‘comedor de carne’ (mamsa = carne). O Manudharmashastra, um texto de mais de 2.000 anos de antiguidade, dá a seguinte explicação sobre a palavra mamsaharah, ‘comedor de carne’:

‘Os sábios declaram que o significado da palavra mamsa (carne) é [o seguinte]: ‘ele (sa) irá comer minha carne [na próxima encarnação] se eu (mam) comer a dele agora’.

Portanto ‘mamsa significa literalmente ‘eu + ele’. Isso nos leva ao tema da unidade que existe na criação e à constatação de que, qualquer coisa que fizermos contra a harmonia universal, irá irremediavelmente nos atingir no futuro.

Algumas razões para o praticante de Yoga se tornar vegetariano

O vegetarianismo tem sido adotado maciçamente pelos praticantes de Yoga desde milênios atrás, por três motivos:

1) o dharma e a ética ambiental,

2) a saúde e

3) o progresso espiritual.

Em relação ao primeiro ponto, vale lembrar o contexto da experiência do George: considera-se comer carne um crime contra a lei universal, porque isso significa participar, mesmo que indiretamente, em atos de crueldade e violência contra o reino animal, mas também contra o meio ambiente, quando somos coniventes com a destruição das florestas para fazer pasto para engordar o gado. Se uma parte da extensão de terra fértil usada atualmente para criar gado fosse utilizada para plantar cereais, o problema da fome no mundo acabaria imediatamente.

Em relação à questão da saúde, está mais do que claro que uma dieta rica em carnes é diretamente responsável por uma interminável série de problemas de saúde, que vão desde a prisão de ventre até o câncer de cólon, desde o mal de Parkinson até o mal da vaca louca, desde a halitose até problemas cardíacos como o enfarte, que, aliás, é a principal causa de mortes no mundo. Se continuarmos de olhos fechados para essas constatações gritantes, continuaremos vivendo mal e morrendo cedo. Uruguai, por exemplo, país onde o consumo de carne vermelha é maciço, é recordista planetário em mortes por câncer de cólon (em números relativos à população).

Em relação ao último ponto, o progresso espiritual, devo dizer que nem todas as tradições espirituais do Oriente abraçaram o vegetarianismo. O budismo tibetano, por exemplo, não menciona o assunto. Isso acontece por dois motivos. Por um lado, o Tibet é um país íngreme, alto e muito frio, onde não é possível para a maioria da população seguir uma dieta vegetariana. Por outro lado, Buda não quis colocar nenhuma restrição a seus monges em relação à alimentação para evitar que eles se apegassem a uma dieta ou deixassem de aceitar o alimento que lhes era dado como esmola.

De fato, o próprio Buda morreu em decorrência de uma intoxicação que adquiriu num jantar onde lhe foi servido porco, que ele não rejeitou pela questão do desapego mencionada acima. Não obstante esses dois motivos, e outros que poderíamos mencionar, o Dalai Lama recomenda aos seguidores do budismo tibetano a dieta vegetariana.

Excetuando-se o budismo, todas as demais tradições ascéticas da Índia são taxativas em relação à dieta vegetariana: hindus, jainistas e parses aderem desde tempos imemoriais ao vegetarianismo como meio para purificarem não apenas seus corpos mas igualmente suas mentes e corações.

Para o yogi consciente, devorar a carne de animais mortos é um ato de barbárie que carrega consigo conseqüências kármicas muito indesejáveis.

Considera-se como regra que, se o alimento foge de você quando você estende sua mão para pegá-lo, você não deve comê-lo. Se estender minha mão para pegar um frango com a intenção de matá-lo para comer, é natural que ele fuja para proteger sua vida. Até mesmo animais com limitações de locomoção como as ostras fugiriam de você se tivessem pernas e sentissem que você está atrás delas para comê-las!

Por outro lado, o reino vegetal parece dar seus alimentos sem demasiado sofrimento. Se estender minha mão em direção a um cajueiro para pegar seus frutos, este generosamente permite que me alimente com eles. A árvore não sofre, o alimento é bom e eu tenho direito de me beneficiar dele. Por causa disso, considera-se que a dieta vegetariana esteja em harmonia com o dharma.

A lista de razões para adotarmos o vegetarianismo não se esgota aqui. Sugiro que o leitor amplie sua pesquisa lendo bons livros sobre o assunto ou pesquisando na internet. Um bom começo é visitar o website da Sociedade Vegetariana Internacional no Brasil: http://www.vegetarianismo.com.br/

A transição para o vegetarianismo

Então, como implementar uma dieta vegetariana sem criar um trauma em nossos hábitos? Existem duas opções. A primeira, radical, é simplesmente parar da noite para o dia, após haver refletido e amadurecido a idéia por tempo suficiente como para não se arrepender da decisão ao primeiro convite para o churrasco do próximo domingo.

A segunda, mais adequada para muita gente, é implementar uma série de mudanças graduais nos hábitos alimentares e começar a entrar com mais regularidade na cozinha para escolher e preparar o próprio alimento. Ambas as opções exigem planejamento, pesquisa, bom senso e, principalmente, uma mudança de visão em relação ao que significa realmente alimentar-se.

É preciso ter muita coragem para combater o preconceito e os hábitos sociais arraigados. Um vegetariano recente pode ouvir comentários como estes, da parte de seus amigos ou família: ‘Então você virou vegetariano? Você está comendo só grama?’ ‘Mas essa canja tem pouquinha galinha. Você não vai comer mesmo assim?’ Se você não mantiver o foco em seu propósito, a pressão social ou a familiar podem fazer fracassar seu plano.

Pessoalmente, parei de comer carnes e ovos há mais de vinte anos. Em verdade, já havia tomado a decisão no momento em que tive meu primeiro contato com o Yoga, há mais de vinte e cinco anos. Porém, quando anunciei para a minha mãe, desde o alto dos meus treze anos de idade, que havia decidido parar de comer carnes, ela simplesmente me deu uma bofetada e disse: ‘Se você acha que vou cozinhar especialmente para você sem carne, está redondamente enganado’. O assunto morreu aí mesmo, mas eu não desisti. Hoje em dia, minha mãe adotou a dieta vegetariana e ajuda muita gente que quer parar de comer carnes.

Não fui bem sucedido naquela primeira tentativa por causa da minha situação de dependência familiar. No entanto, o tempo passou e, quando tornei-me e comecei a morar sozinho, consegui finalmente realizar esse objetivo. Devo dizer que não me custou nada parar com as carnes e os ovos, pois minha motivação em relação à prática era muito forte e, depois que você desenvolve uma certa sensibilidade através da meditação, os mantras e as práticas mais sutis do Yoga, o vegetarianismo torna-se uma necessidade.

Definição de vegetarianismo no contexto do Yoga

Por vegetarianismo, entende-se aqui a dieta alimentar que exclui quaisquer tipos de carne, seja de vaca, ovelha, porco e outros mamíferos, mas igualmente a das aves, peixes e ‘frutos do mar’. Os ovos tampouco fazem parte da dieta vegetariana do Yoga, pois se considera o ovo um tipo de carne líquida.

Mesmo se formos considerar o ovo não galado, ele não faz parte da dieta simplesmente por uma razão de higiene: ovos não galados são menstruação de galinha e, de modo geral, os yogis não se sentem muito confortáveis alimentando-se da descarga menstrual dos simpáticos bípedes. Aliás, uma pergunta que nenhum ovo-vegetariano me respondeu satisfatoriamente até hoje é a seguinte: qual é a diferença entre comer os ovos de uma galinha e os ovos de um peixe ou de uma tartaruga? Se você come omelete ou bolo com ovos, porque torce o nariz para o caviar?

Por outro lado, a dieta vegetariana tradicional recomendada nas escrituras admite o consumo de leite e seus derivados. É por isso que esta dieta é chamada lacto-vegetarianismo. Os derivados do leite usados na Índia, sejam de vaca ou búfala, são os seguintes: paneer, ou queijo fresco, coalhada, iogurte, manteiga e ghi, ou manteiga clarificada. Esses são produtos de fácil digestão para a maioria das pessoas, embora haja gente com intolerância a lactose que deve evitar todos os tipos de laticínios.

Na Índia não existem os queijos amarelos, curados ou gordurosos desenvolvidos na Europa e trazidos para o Brasil pelos imigrantes italianos e alemães. Na medida do possível, o yogi precisa evitar esses queijos, pois contêm um excesso de gordura saturada e são de difícil digestão, provocando um excesso de mucosidade que é extremamente prejudicial para a prática do pranayama e os exercícios de purificação, dentre outros. De resto, provindo do reino vegetal, vale absolutamente tudo.

Afora a dieta lacto-vegetariana adotada pelos yogis, existe outra opção alimentar, o veganismo, que exclui não somente as carnes mas igualmente todo alimento de origem animal, como os laticínios e o mel. O veganismo leva até as últimas conseqüências a preocupação ética em relação ao tratamento que os animais recebem das indústrias alimentar e do vestiário, eliminando sumariamente não apenas os alimentos de origem animal mas também quaisquer artigos de couro ou outros sub-produtos da mesma origem.

É bom lembrarmos que essa iniciativa nasceu igualmente na Índia, onde artigos feitos de couro como roupas, sapatos, cintos e outros acessórios, nunca foram usados por praticantes sérios de Yoga.

Vegetarianismo e Ayurveda

Uma coisa interessante na hora de escolher o alimento e o tempero que se usa para dar sabor às refeições, é se esse alimento e esse tempero estão de acordo com nosso biotipo individual. Esse biotipo individual chama-se dosha, em sânscrito.

O Ayurveda, a ciência indiana de manutenção da saúde, recomenda uma série de alimentos para cada biotipo. Nem todos os alimentos considerados bons, são bons para todos nós. Você já se perguntou porque, quando duas pessoas comem exatamente a mesma coisa, uma delas digere o alimento com facilidade e a outra não? O Ayurveda responde essa pergunta e muitas outras que possam surgir ao longo do processo de tornar-se vegetariano, indicando os alimentos mais adequados para cada tipo de constituição individual.

Se você não escolher corretamente seu alimento, não conseguirá digeri-lo bem e vai achar que a dieta vegetariana só dá gases, ou que ser vegetariano não é uma boa opção para você.

Se o amigo leitor quiser ampliar sua pesquisa a esse respeito, existem algumas dietas recomendadas para os diferentes doshas disponíveis neste mesmo website. Não obstante, para escolher com propriedade uma dieta, é preciso conhecer primeiramente seu biotipo fazendo um teste rápido que pode ser achado usando o mecanismo de pesquisa deste website.

Ser yogi = ser vegetariano?

Existem yogis atualmente que, por diferentes motivos, não aderem à dieta vegetariana. Esses praticantes podem apresentar situações peculiares de saúde, ou manter condicionamentos que lhes impedem de assumir o vegetarianismo de maneira plena, ou simplesmente não darem ao vegetarianismo a importância que ele merece na tradição. Pessoalmente, acredito que essas pessoas têm pleno direito de agirem conforme suas próprias consciências.

O aparente paradoxo que pode surgir do confronto destas afirmações com o resto deste texto resolve-se no foro íntimo de cada um. Em suma, adotarmos ou não o vegetarianismo é uma questão de ética, sensibilidade, desapego e preparo.

Um dos grandes perigos que tenho visto em relação a isso no pequeno mundo do Yoga é que algumas pessoas se acham no direito de julgarem os demais em função do que elas comem, como se ser vegetariano fosse garantia e elevação espiritual e não o ser fosse sinal do contrário.

Nunca foi correto julgar alguém em função do que a pessoa põe no prato. Adolf Hitler, por exemplo, era vegetariano. Eu não colocaria esse assassino psicopata na categoria das pessoas espiritualmente elevadas. O Dalai Lama, embora já tenha mantido durante um tempo a dieta vegetariana, come carne ocasionalmente por indicação médica. Eu não diria que ele tem uma estatura espiritual pequena.

Portanto, adotar o vegetarianismo pode ajudar, mas não é sinal de realização espiritual. Assim como não existe um teste que possa ser aplicado ao ser humano para determinar seu grau de espiritualidade, tampouco podemos considerar que a adoção de uma determinada dieta signifique alguma coisa em termos de progresso espiritual.

Se você for trocar seus condicionamentos atuais por outros, como a tendência a julgar os demais pela dieta ou a se considerar superior pelo fato de ser vegetariano, é melhor que continue comendo carne até resolver seus problemas de fundo.

Em suma, se a prática do Yoga não estiver nos ajudando a sermos pessoas melhor resolvidas, mais felizes e legais, isso pode ser sinal de que não estamos praticando com a atitude correta, de mente equânime e coração aberto. O melhor é fazermos nossa prática sem julgar a dos demais. Para concluir, deixo o leitor com uma reflexão do shaiva yogi Tirumular, do sul da Índia:

‘Como pode praticar a verdadeira compaixão aquele que come a carne de um animal para engordar sua própria carne? Maior do que mil oferendas de ghi no fogo sagrado é não sacrificar nem consumir nenhuma criatura viva.’


Publicado originalmente na edição no 06, do Outono de 2005, do periódico trimestral Cadernos de Yoga.

Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas.

Escrito por Pedro Kupfer
Pedro nasceu no Uruguai, 54 anos atrás. Conheceu o Yoga na adolescência e pratica desde então. Aprecia o o Yoga mais como uma visão do mundo que inclui um estilo de vida, do que uma simples prática. Escreveu e traduziu 10 livros sobre Yoga, além de editar as revistas Yoga Journal e Cadernos de Yoga e o website www.yoga.pro.br. Para continuar seu aprendizado, visita à Índia regularmente há mais de três décadas. Perfil

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32 respostas para “Vegetarianismo e Yoga”

  1. Oi Pedro. Sou praticante de Yoga há pouco tempo e estou tentando entrar no vegetarianismo. Esse seu texto é muito bom, e como você disse, é difícil da noite para o dia. Como eu estou tentando? A primeira coisa é tirar todos os “embutidos”: Presunto, salsicha, etc, além de ter muito sódio, contem carne, e faz mal para saúde. Depois, no almoco e jantar, tento comer devagar e perceber o que estou comendo, daí fica a vontade de comer mais natural: Alimentos integrais, saladas, chás, sucos e frutas. Mas as vezes tenho fome, e acabo esquecendo, e como uma carne (Branca….a vermelha já consegui abolir!). Mas tenho esperança de um dia conseguir por completo. Obrigada pelos esclarecimentos! Namastê! Renata

  2. Bom dia Pedro,
    Como praticante de Yoga e Espírita aprendi sobre a importância e o respeito a todas as formas de vida. Questionei, pesquisei e aos poucos fui mudando meus hábitos. Comecei diminuindo a carne vermelha, depois cortei e hoje sou quase 100% vegano.
    Isso significa que as vezes ainda consumo alimentos que tenham sido preparados com ovos ou leite. Percebi que com minhas escolhas fui aos poucos entendendo um pouco mais sobre a energia gerada em cada uma de minhas ações.
    E isso reflete diretamente no meu dia a dia, na saúde, na meditação… Agora vou começar um curso de instrutor e me aprofundar mais em todos os ensinamentos. Agradeço por seus textos que tem me dado uma prévia do vasto universo que me aguarda.
    Namastê.

  3. Pedro,
    parabéns pelas preciosas informações. Sou professor de filosofia do Instituto Federal de Educação, ciencia e Tecnologia do MA, aqui em são Luís, e há tres anos desenvolvi um projeto com os estudantes do curso de quimica em alimentos, chamado \\\’filsofia da boa alimentação\\\’, baseado na escola de Pitagoras.
    Foi muito boa a experiência, realizamos uma oficina de sucos naturais, no termino da disciplina, eles conheceram melhor sobre os fundamentos filosoficos da escola pitagorica, e puderam refletir sobre muitos males de nossa alimentação industrializada.
    O vegetarianismo é algo muito importante, leva tempo pra gente se convencer, as vezes, é necessário passar por momentos de crise, para reconhecermos a necessidade da mudança. Parabéns, mais uma vez, fico feliz em ver a divulgação do yoga e do vegetarianismo para mais e mais pessoas.
    Om Shanti!

  4. Percebo que estamos em vários estagios em nossa caminhada. Se não tivermos consciencia de nossos processos interiore, comeremos pelos olhos, pelo nariz. Cada evolução é próprio a cada etapa em nossa existencia. Nossas necessidades são próprias a nossa evolução e entendimento. Só existirá liberdade e integração do ser quando não haja culpa. Comer ou não comer melhor será conhecer, analisar e deixar que o meu ser veja. Toda e qualquer causa será nobre quando preservamos nossas condições humanas, integrada ao meio ambiente e ao seu interior. Todos sereis não tem também uma razão para sua existencia?

  5. Olá Pedro,
    Em primeiro lugar gostaria de parabenizar pela matéria e pelo site que são ricos em informações sobre yoga, filosofia e demais assuntos relacionados que muito estou interessada em aprender.
    Sou praticante de yoga a pouco tempo, sempre me interessei pelo assunto e sempre aprendo muito, principalmente com o objetivo da yoga, a transformação que ela causa no ser humano que adota a prática.
    Não sou vegetariana, como carne, não diariamente porque não sinto necessidade, mas como carne. Eu procuro adotar os ensinamentos que a prática da yoga proporciona, que são gratificantes.
    Mas a minha dúvida é quanto ao ser vegetariano, como você disse alguns yogis comem carne. Como fica isso, eu posso alcançar e buscar a plena satisfação dentro do yoga mesmo consumindo carne? Novamente, parabenizo e agradeço aos ensinamentos que tens passado para os leitores.
    Namaste!
    ===
    Oi Núbia,
    Medir um ser humano pela dieta que ele segue é perigoso. A dieta vegetariana se recomenda para os praticantes de Yoga pois ela está mais afinada com o modo de viver dos yogis, que inclui a não-violência em pensamentos, palavras e ações. Nessa linha, quando a pessoa se dá conta de que ela não tem direito de tirar a vida de outros seres vivos para se alimentar, o vegetarianismo surge sem dificuldade. Algumas pessoas relatam que não se adaptaram à dieta, e voltam a consumir algum tipo de carne esporadicamente. Em todo caso, se não puder deixar todas as carnes, pelo menos não consuma carne vermelha.
    Namaste!

  6. Pedro, o que você pensa sobre a dieta do tipo sanguineo? Faço essa pergunta porque segundo essa dieta devo comer carne.
    =====
    Oi José, infelizmente, não sei lhe dizer nada sobre isso. Não conheço a dieta do tipo sanguineo. Mas posso lhe dizer que usar a auto-observação e a intuição funcionam muito bem. Pessoalmente, faz muito sentido para mim o que ensina o Ayurveda sobre alimentação e biotipos. Sugiro que pesquise por esse lado. Namaste!

  7. Meu Deus!!!!!! Que malucada!!! Quase entrei em choque ao ler que menstruação de galinha é ovo !!!!!!!!!!!!!!! Estão precisando estudar mais; não sabia que galinha tinha endométrio. Se der anticoncepcional elas param de botar? kkkkkkkkkkkkk
    Gosto da filosofia de vocês, mas isso é demais, negação completa de sua natureza, não consigo me alimentar de luz!!!!!!!!!! Sorte sua que planta não tem pé ou teriam que fazer fotossintese mesmo!!!!!!! Prefiro minha inexistente espiritualidade a tomar o alimento dos nossos irmãos caprinos, equinos, bovinos e dos demais que se alimentam do reino vegetal.
    Sou contra matar animais por crueldade, além do mais assim a carne se torna dura, não é à toa que embebedam o peru. Se for pra alimentar,pra minha sobrevivencia e satisfação da minha gula mato tudo.
    Ai de mim se for verdade que o ser de quem comi a carne me comerá na proxima encarnação. Vou ter que me multiplicar pra todo mundo dar uma garfadinha.
    E poupe a Amazônia: sobrou até pra ela. Todo teoria carente de fundamentos cientificos utiliza a salvação da 
    Amazônia como objetivo, só pros outros alienados caírem que nem patinhos e desistirem da delícia suprema que é a carne dos animais. Um pula no buraco e arrasta os outros.

    Abraços.
    —-
    Caro Thiago,
    Obrigado pelo seu tempo em escrever um comentário tão extenso. Tomei-me a liberdade de corrigir o português e melhorar a sintaxe para tornar a sua mensagem mais clara para nossos leitores.
    Mesmo assim, não compreendi algumas passagens, como quando você fala sobre a “negação completa de sua natureza”: você se refere por ventura a que os humanos seriamos naturalmente carnívoros?

    Desculpe a minha falta de agilidade mental. Talvez a dieta vegetariana tenha afetado meu raciocínio, ou talvez seu texto seja mesmo confuso. Faço aqui algumas anotações sobre suas observações.
    Se me refiro ao ovo como “menstruação de galinha”, é porque, preciosismos biológicos e ironias aparte, é precisamente assim que os vegetarianos da Índia se referem ao ovo.
    Ainda, você poderá ouvir referências ao ovo como “carne líquida”. Se quiser, pode continuar treinando sua ironia sobre essa ideia.
    Por favor, indique-nos referências sérias que indiquem o contrário do que aqui está escrito sobre a expansão da fronteira agropecuária na Amazônia, e nós retiraremos o texto do ar imediatamente.
    Você diz que estes dados estão errados, mas não aponta para o que seria o certo. Envie-nos os dados para ponderação, já que você insinua saber algo que nós ignoramos sobre o assunto.
    Ainda bem que vivemos no lado livre do mundo e ninguém pode nos obrigar a comer “a delícia suprema que é a carne dos animais”, como você diz.

    Obrigado.
    Pedro Kupfer.

    1. Olá Pedro!
      Não te conheço, mas cheguei ao site pois tenho mt interesse em Yoga, apesar de ainda não praticar. Achei interessantíssima a questão da não-violência, pois tenho um defeito mt grande: não consigo ficar calma diante de pessoas arrogantes, cegas pela ignorãncia e pela falta de conhecimento e, talvez por isso, se julguem acima dos outros por professar ideias absurdas.
      Parabéns ao responder a pessoa acima com tanta classe. Sei q estou errada, mas não consigo ter paciência com essas pessoas que claramente não têm conhecimentos de filosofia, biologia, ecologia e de outras culturas e acham q estão absolutamente corretas só pq seguem o senso comum.
      Qt ao vegetarianismo, aos 4 anos soube q meu pai mataria um cabrito para comermos e achei o fato de comer um bicho um absurdo. Mas acabou que cresci comendo carne branca. Hoje, com a morte de meu grande amigo, meu lindo cachorrinho, consegui enxergar melhor esses seres maravilhosos da criação q esperam de nós respeito e cuidado.
      Sou espírita e nossos livros tb afirmam q o futuro da humanidade é o respeito absoluto ao próximo, seja humano, seja animal. Enfim, adorei a matéria!

  8. Ser vegetariano ou não ser, eis a questão!

    Quero filosofar.

    Aos 10 anos de idade acabei descobrindo, sem querer, que haviam pessoas vegetarianas e que elas não morriam por isso. Era possível viver sem comer carne! Fiquei chocada. Naquele momento eu comecei a entender a natureza humana e fiquei “sem graça” ao perceber que nada acontece para suprir as necessidades do mundo e sim desejos pessoais.

    Eu tinha dez anos quando descobri que o mundo não iria me amparar.

    A Terra não é uma grande família organizada e zelosa… infelizmente. Ela é sim uma grande escola para nossa mente limitada, carentes de valores espírituais. Diva Paiva

  9. Uma pergunta…. o que acham e o que é possível fazer? Pq parar de comer carne, mas ainda tomar leite, queijos e afins me parece hipócrita. As vacas são sugadas até a última gota no nosso mundo. http://www.youtube.com/watch?v=D2J6phADJvY&feature;=player_embedded#! E parar com tudo? Existe como e manter uma dieta saudável?
    ===
    Sim, Ro, existe uma dieta saudável. É a dieta dos veganos. A outra opcão é beber o leite da vaca feliz, que é bem cuidada. Ai em Sampa você tem algumas boas opções para isso. Abraços,
    Pedro.

  10. Sou praticante de yoga há mais ou menos 7 anos, fui vegetariana por 5, voltei a comer carne e agora parei novamente. Acho que a dieta vegetariana faz parte SIM da busca yogue pela iluminação.
    Mas fico chocada cada vez que leio essas discussões BRUTAIS entre quem come e quem não come carne, que agressividade é essa??? Pra quê?
    Esse tipo de postura foge completamente a proposta do “Respeitar as opiniões” mesmo que divergentes. Ao invés dessa troca de palavras mal-criadas porque cada um não pega seu respectivo tapete e vai praticar yoga?
    AHIMSA inclui a NÃO AGRESSIVIDADE NAS PALAVRAS TAMBÉM. Vejo alguns excessivamente preocupados em defender suas idéias que esquecem a educação…
    Triste… Nós seres humanos temos ainda muito o que aprender para estarmos no topo da cadeia realmente.
    Om Shanti.

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