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Yogaterapia Integrativa, uma abordagem do Yoga para o terceiro milênio

No movimento que vem sendo efetuado neste século no campo da abertura e da difusão da espiritualidade, no sentido de se aproximar Oriente e Ocidente, tem-se procurado geralmente somar o que há de melhor em cada um, para assim poder otimizar as técnicas e seus resultados. No Yoga, essa "simbiose" também não podia deixar de ocorrer. Os conhecimentos ocidentais tem servido para comprovar, respaldar e corroborar as milenares teorias e técnicas de que o Yoga dispõe, e para incrementar a eficácia dessas mesmas antigas técnicas mediante o auxílio de outras tantas técnicas desenvolvidas aqui no Ocidente.

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No movimento que vem sendo efetuado neste século no campo da abertura e da difusão da espiritualidade, no sentido de se aproximar Oriente e Ocidente, tem-se procurado geralmente somar o que há de melhor em cada um, para assim poder otimizar as técnicas e seus resultados.

No Yoga, essa “simbiose” também não podia deixar de ocorrer. Os conhecimentos ocidentais tem servido para comprovar, respaldar e corroborar as milenares teorias e técnicas de que o Yoga dispõe, e para incrementar a eficácia dessas mesmas antigas técnicas mediante o auxílio de outras tantas técnicas desenvolvidas aqui no Ocidente.

Hoje, no meio do Yoga, além de Pátañjali, ásanas e pránáyámas, também já se ouve falar em Reich, Lowen, Feldenkreis, RPG, antiginástica, Eutonia, Rolfing… numa busca de se encontrar uma linguagem comum que venha enriquecer todos os caminhos, e passar eficientemente a grande mensagem que é a do homem holístico que caminha rumo à plenitude, à Unidade.

E a grande mensagem do Yoga é justamente a de não “vender um peixe” específico, dogmático ou sectário, e sim traçar diretrizes amplas, porém bem fundamentadas, que levem em consideração que cada um é um conjunto de corpo-mente-emoção-espírito, uno em essência com seu semelhante, mas profundamente singular em sua manifestação.

Essa singularidade – aliada ao contexto ambiental e histórico em que o homem moderno se encontra, com todas as suas peculiaridades e desequilíbrios sociais, políticos, ecológicos, psicológicos, etc. – tem feito com que o Yoga tenha que se adaptar e se capacitar mais para atender mais eficientemente à demanda corpo-mente-emoção-espírito desse homem moderno estressado, desarmonizado e desequilibrado.

Esse esforço para otimização do trabalho do Yoga, unindo Oriente e Ocidente, tem sido realizado por várias pessoas e grupos em vários países do mundo, gerando os mais diversos estilos de trabalho, dependendo da área e da bagagem de quem fez a “releitura” do Yoga.

Na Yogaterapia Integrativa, esse trabalho holístico é feito sem que se perca de vista a espinha dorsal do Yoga, que é a sua filosofia, a sua ética e o seu embasamento teórico. Pátañjali ainda é a mola mestra da maioria das escolas de Yoga, embora não mais sob os auspícios da escola Sámkhya (a filosofia dualista que embasa Pátañjali em seu “Yoga Sútra“), e sim sob uma visão não-dual da Unidade (mais afeita portanto, à visão do Vedanta).

Yogaterapia Integrativa é Hatha Yoga, na medida em que utiliza seu instrumental: ásanas (posturas), pránáyámas (respiração), mudrás (gestos psicossomáticos), bandhas (contrações), kriyás (limpezas) e yoganidrá (relaxamento), para manter e/ou restaurar a saúde fisica.

Tantra Yoga, na medida em que busca a saúde mental, emocional e energética atravéz do reequilíbrio da personalidade por meio da utilização do instrumental do Hatha Yoga (de maneira bastante mais ampla) e de diversas técnicas que trabalham as dimensões mais sutis de cada um, estudando e trabalhando profundamente o funcionamento e a importância de elementos tais como: os tanmátras (os órgãos dos sentidos), os mahabhútas (os 5 elementos), indriyas (órgãos de conhecimento e ação), os gunas (visão dialética tríplice da Criação), os koshas e sháríras (os corpos), os chakras (centros energéticos), as nádís (condutos de energia), os pránas (energia vital), a kundaliní, etc.

E é também Medicina Ayurvêdica (Medicina tradicional indiana), na medida em que leva em conta a avaliação e o reequilibrio dos 3 princípios ayurvêdicos: vata (ar), pitta (bílis) e kapha (fleuma). E o Hatha Yoga consta entre o arsenal utilizado por essa importante vertente da Medicina.

A Yogaterapia Integrativa é profundamente interagente com a Medicina ocidental, com a Fisioterapia, com a Educação Física e com a Nutrição, na medida em que trata (também) do corpo físico, e exige do profissional sólidos conhecimentos de Anatomia e Fisiologia.

Interage com a Psicologia ocidental, na medida em que o Yoga trabalha também no campo da psique e das emoções, exigindo do profissional fundamentos das principais escolas psicoterapêuticas ocidentais (que, de uma forma ou de outra, tem seu pé no Oriente).

Interage ainda com a Educação, na medida em que Yoga é fundamentalmente um trabalho de (re)educação, que exige do profissional conhecimentos nas áreas de Pedagogia e Didática.

E, por fim, (e sobretudo) Yogaterapia Integrativa é uma terapia eminentemente holística e “aquariana”, na medida em que está aberta para lançar mão, despreconceituosamente, de técnicas e treinamentos psico-físicos ocidentais que ao final das contas, direta ou indiretamente, também tem seu berço no Yoga e só vem confirmar sua eficácia, fazendo ver aos ocidentais que Yoga não é só “coisa de gente mística”.

É interessante fazer aqui um pequeno retrospecto histórico, e colocar para os leitores que o Hatha Yoga, tal como hoje o conhecemos, com sua metodologia e sua estrutura de aulas (geralmente coletivas ou individuais com sistema de fichas), é coisa relativamente recente (algo em torno do início do século XX).

O Hatha Yoga foi elaborado inicialmente por Gorakhnath, para que servisse como preparo do corpo e da energia para a prática do Rája Yoga. Dois textos mais famosos – o Hatha Yoga Pradipika (de Svátmáráma) e o Gheranda Samhitá – atestam literalmente esse fato.

A tradição hindu considera o Hatha Yoga como tendo sua gênese no Tantra, reportando-nos mitologicamente aos diálogos entre Shiva e sua consorte Parvati, como está indicado em outra escritura importante do Hatha Yoga, o Shiva Samhitá.

O Hatha Yoga é, na verdade, uma forma resumida do Tantra – mais específicamente do Dakshina Tantra (o Tantra da mão direita), – cuja finalidade principal é preparar o corpo para a meditação (Rája Yoga).

Como dizia acima, a estruturação pedagógica e metodológica do Yoga que conhecemos atualmente se desenvolveu mais recentemente, apresentando abordagens e estilos mais ou menos característicos (deixando em aberto a questão se de fato existe realmente um Hatha Yoga “clássico”). Tradicionalmente, esse ensino era feito individualmente de mestre para discípulo.

A grande afluência de ocidentais interessados em espiritualidade na Índia a partir do início do século, e o crescente agravamento do panorama da saúde nos tempos modernos, recolocou o Hatha Yoga em evidência, e vários mestres resolveram adaptar o ensino tradicional, colocando-o mais disponível à realidade agitada do mundo contemporâneo.

Devemos esse resgate do Hatha Yoga a vários nomes importantes, tais como: Swami Sivananda, de Rishikesh (e seus principais discípulos, tais como Swami Satyananda, Swami Vishnudevananda e Swami Satchidananda), que deu um enorme impulso ao Hatha Yoga, trazendo para o Ocidente o modelo de aulas coletivas com séries pré-estabelecidas; Shri Yogendra (e seus filhos), de Mumbai, que instituiu o método de fichas individualizadas, desenvolvendo e divulgando intensamente a Yogaterapia; T. Krishnamacharya e seus filhos, que desenvolveram a técnica de Vinyoga, onde em cada aula enfoca-se um só ásana, desenvolvendo-se uma sequência de posturas que preparam o corpo para o ásana objetivado; e B.K.S. Iyengar, de Poona, que, na minha opinião, é o grande responsável pelo que poderíamos chamar de “modernização” do Yoga no que tange ao aspecto físico, de saúde.

Iyengar ousou utilizar “ferramentas” (almofadas, blocos, cavaletes, cordas, etc.) para facilitar a prática dos emperrados ocidentais que a ele afluem abundantemente.

Ainda poderíamos citar Swami Kuvalayananda, Amrit Desai e tantos outros. E o trabalho da Yogaterapia Integrativa deve muito ao trabalho de todos esses Mestres, e bebe de todos os textos, indistintamente.

Sem abandonar o espírito do Yoga, a Yogaterapia Integrativa, sem preconceitos ou exagerados purismos, utiliza de variado instrumental de apoio físico (almofadas, bolas gymball, apoios de isopor e bambú, bolas de tênis, yogaprops, etc.); de variadas técnicas modernas derivadas do Hatha Yoga tradicional (Yoga em duplas, Yoga em grupo, Yoga restaurativa, yogassage, etc.) e variadas técnicas ocidentais e orientais para a conscientização, sensibilização e reequilíbrio fisico-psicológico-emocional (vivências com os 5 elementos, com os chakras, com os 3 doshas, com os 3 gunas, com os 5 koshas, além de meditações e relaxamentos), sempre buscando unir o que há de melhor e mais eficaz nesse encontro entre Ocidente e Oriente.

Toda esta “tecnologia” permite que seja feito um trabalho coletivo ou individual – sempre dentro de uma abordagem absolutamente personalizada -, alcançando uma alta eficácia nos casos que mais acometem e afligem o homem moderno: o malfadado stress, as terríveis dores na coluna e os preocupantes problemas cardiovasculares, respiratórios e digestivos, entre muitos outros.

É importante frisar insistentemente que todo esse trabalho gravita em torno da idéia da Unidade, da busca da plenitude total (sem que isso seja um exercício necessariamente religioso), e não apenas na conquista do alívio de alguma dor. A grande beleza desse método está no fato de o Yoga abrir um grande e fraterno leque, absolutamente eclético e ecumênico, que vem atender de forma integrada e profunda a todas as nossas características, diferenças e necessidades.


Visite o site do professor Ernani Fornari em www.geocities.com/yogaterapia

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