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O que é Mokṣa?

O mestre e o discípulo estavam morando recolhidos num lugar tranquilo e isolado. Tinham algumas vacas para lhes fornecer leite, que eram cuidadas pelo estudante. De manhã, depois das aulas, ele as levava até o pasto e no fim do dia as conduzia novamente até o estábulo. Um dia, de noitinha, depois do pôr-do-sol, quando as vacas já estavam no estábulo, ele reparou que as cordas com as quais elas eram amarradas tinham sido perdidas no pasto.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī · 1 mins de leitura >

Mokṣa significa liberdade, e é o objetivo do Yoga. Ouça por favor esta história.

Um mestre e seu discípulo estavam morando recolhidos num lugar tranquilo e isolado. Tinham algumas vacas para lhes fornecer leite, que eram cuidadas pelo estudante. De manhã, depois das aulas, ele as levava até o pasto e no fim do dia as conduzia novamente até o estábulo.

Um dia, de noitinha, depois do pôr-do-sol, quando as vacas já estavam no estábulo, ele reparou que as cordas com as quais elas eram amarradas tinham sido perdidas no pasto. Foi, alarmado, falar com o mestre, pois elas poderiam sumir durante a noite se não fossem amarradas.

“Não se preocupe”, disse o professor, “faça de conta que você as amarra, uma a uma, em seus respectivos lugares e elas ficarão quietas até amanhã”. O discípulo coça a cabeça, duvidando, e pergunta: “E depois?”

“Depois veremos”, responde o guru. O rapaz volta ao estábulo, faz de conta a amarra as vacas, e vá dormir. No dia seguinte, volta ao estábulo e repara que todas as vacas estão nos seus lugares. Fica agradavelmente surpreso.

Porém, quando as chama, elas não se movem. Tenta puxá-las, e nada. Aí, ele imagina que o mestre tem algum tipo de mantra mágico imobilizar as vacas. Vai até ele e lhe conta o que está acontecendo.

O guru pergunta: “Mas você as desamarrou? Ontem você fez de conta que as tinha amarrado. Elas estão esperando para ser desamarradas. Volte la e solte-as!”

Mokṣa

A pessoa em mokṣa não mais vê a si mesma como condicionada pela identificação com o corpo físico ou os pensamentos, sujeita à morte, à passagem do tempo. Conhecendo a si mesmo como Brahman, a pessoa se desvencilha da ideia de ser limitada, assim como as vacas se libertam da noção de estarem amarradas.

É só uma noção, lembre disso. É só uma mudança de visão de si mesmo. Não há necessidade de se fazer mais nada, nenhuma ação e precisa para se ter mokṣa. É só se dar conta de que você já é livre.

Se você está pronto para se dar conta disso, e as condições internas e externas assim o possibilitam, se a mente está preparada e purificada, se o pramāṇam, o meio de conhecimento está disponível, se o professor está disponível, mokṣa inevitavelmente acontece.

No sétimo capítulo da Chāṇḍogyopaniṣad aparece o mahāvākyam, a grande afirmação védica tat tvam asi: “você é esse [Ilimitado]”. Dizer que você é Ilimitado, que você é a causa de tudo, pode parecer arrogante. Toda forma de arrogância é uma forma de ignorância.

Porém, não há arrogância alguma em se reconhecer como Brahman, em se reconhecer como satyam, como o verdadeiro. Pelo contrário, o autoconhecimento dá à pessoa tranquilidade e humildade.

Mokṣa


Traduzido por Pedro Kupfer a partir de uma palestra de Pūjya Swāmijī em Março de 2011, em Rishikesh, Índia. Mais textos sobre Vedānta aqui.

Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.

Escrito por Swāmi Dayānanda Saraswatī
Swāmi Dayānanda Saraswatī (1930-2015) ensinou a sabedoria tradicional do Vedanta por cinco décadas, na Índia e em todo o mundo. Seu sucesso como professor é evidente no sucesso dos seus alunos: mais de 100 deles são agora Swāmis, altamente respeitados como estudiosos e professores.

Dentro da comunidade hindu, ele trabalhou para criar harmonia, fundando o Hindu Dharma Acharya Sabha, onde chefes de diferentes seitas podem se reunir para aprender uns com os outros.

Na comunidade religiosa maior, ele também fez grandes progressos em direção à cooperação, convocando o primeiro Congresso Mundial para a Preservação da Diversidade Religiosa.

No entanto, o trabalho de Swāmi Dayānanda não se limitou à comunidade religiosa. Ele é o fundador e um membro executivo ativo do All India Movement (AIM) for Seva.

Desde 2000, a AIM vem trazendo assistência médica, educação, alimentação e infraestrutura para as pessoas que vivem nas áreas mais remotas da Índia.

Havendo crescido em uma pequena vila rural, ele próprio entendeu os desafios particulares de acessar a ajuda enfrentada por pessoas de fora das cidades. Hoje, o AIM for Seva estima ter ajudado mais de dois milhões de pessoas necessitadas em todo o território indiano.
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3 respostas para “O que é Mokṣa?”

  1. acho que não é nem arrogância , é medo mesmo, de sermos livres, de sermos tudo que buscamos :). Obrigada Pedro.

  2. Essa estorinha é “brutal”, como se diz aqui em Portugal.
    🙂

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