Pratique, Yoga na Vida

Bicicletas, ahimsa e a cultura do automóvel

Uma das mais importantes qualidades de um brahmana, de um yogi, é a capacidade de reconhecer em tudo o que existe, nas mais diversas e distintas manifestações de existência, a unidade de Brahman, o princípio único que subjaz em todos os fenômenos

Escrito por Goura Nataraj Das · 7 mins de leitura >

Uma das mais importantes qualidades de um brahmana, de um yogi, é a capacidade de reconhecer em tudo o que existe, nas mais diversas e distintas manifestações de existência, a unidade de Brahman, o princípio único que subjaz em todos os fenômenos.

Este olhar singular, este re-conhecimento místico, aparece na Bhagavad-gita sob o termo sama-darshinah – visão equânime. O yogi possui uma visão de igualdade. Na diversidade quase infinita do mundo material ele vê sempre Brahman, a divindade, a consciência suprema, por trás das formas sempre diferentes, sempre mutantes dos fenômenos.

Ao agir de acordo com este entendimento, o yogi, naturalmente, expressa em suas ações a virtude de ahimsa – a não-violência. Tratar com respeito e reverência tudo o que existe é uma condição essencial para o desenvolvimento da humanidade e consiste dentro da cultura do Yoga uma das obrigações morais universais que devemos ter em nossas condutas.

Visto que, nos dias de hoje, nos dias de Kali, as manifestações de agressividade e violência estão presentes em quase todas as esferas da vida, torna-se um desafio ainda maior buscar esta visão ampla, universal, que traz união ao invés de separar, que aproxima o ser humano da natureza ao invés de isolá-lo numa vida artificial, pautada por valores ilusórios, como o dinheiro e o poder. Isto, no entanto, deve ser objeto de profunda reflexão.

Contra a corrente de Kali-yuga, vemos o Yoga afirmando a não-violência como tema principal. Com o avanço da sociedade industrial, a sociedade do excesso e do consumo, os valores da individualidade, da competição e da vaidade narcísica, estão presentes em tudo e em todos. Crescemos ouvindo isto, imersos em ambientes de alienação e doutrinação, onde aprendemos que ajuda mútua, cooperação e coletividade são utopias.

Acreditamos, no entanto, que é possível imaginar um mundo diferente. Não se trata aqui de afirmar ingenuamente uma irmandade dos seres humanos e pedir que a partir disto nossas ações sejam mais fraternas e solidárias. A visão do yoga é mais ousada. Tudo o que existe é parte de uma realidade única. Absolutamente tudo.

Temos que ver com os mesmos olhos os animais, as plantas, as montanhas, bem como todos os tipos de seres humanos. Reconhecer em todos a manifestação da mesma realidade da qual você, sujeito consciente, brotou. Afirma Krishna na Gita que esta é a condição para que haja paz no mundo. O fundamento ético dos Vedas consiste neste importante reconhecimento – Tat Tvam Asi.

Um dos fatores que mais contribuem para a atmosfera de conflito em que vivemos, atmosfera onde predomina a ausência da visão equânime, é a assim chamada ‘cultura do automóvel’. Observamos que nossas cidades estão insalubres, que o ar que respiramos está contaminado, a água impura, e o barulho constante dos motores faz parte do pano de fundo da urbe. A cultura do consumo inculcou em nossa mente o ideal do carro individual como sonho de aquisição, promessa de liberdade e segurança. A ideologia do automóvel conquistou todos os continentes.

Do Rio de Janeiro a Los Angeles, observamos cidades construídas para o carro. Numa conversa recentemente, entre amigos, nomearam-no ‘o protagonista do século XX’. O carro, no entanto, perde seu valor de uso quando todo mundo possui um. Torna-se símbolo de ostentação, egoísmo e vaidade.

É por causa de sua tirania que as ruas estão deixando de ser espaços de convivência e tornando-se fluxo de trânsito. Para satisfazer os ímpetos de sociabilidade oferecem-nos, no lugar das praças, das calçadas, das pequenas mercearias e lojas locais, os ambientes controlados e assépticos dos shopping centers e hipermercados, onde a convivência é pautada diretamente pelas regras do grande capital.

Gostaria aqui de propor à comunidade do Yoga uma reflexão sobre a mobilidade baseada em ahimsa, a mobilidade não-violenta, capaz de provocar uma verdadeira revolução em nossos hábitos, e incitar transformações efetivas no curso da era de conflitos e hipocrisia em que vivemos. A tese é simples. Precisamos gastar menos. Produzir menos lixo, menos resíduos. O Yoga deve afirmar e defender o de-crescimento sustentável. A humanidade já tem tudo o que precisa. É nosso dever reavaliar a lógica absurda da produção, do trabalho e do consumo.

As pessoas não estão mais felizes ou realizadas neste paradigma, pois o desejo nunca se satisfaz e a ansiedade somente aumenta. Sendo assim, propomos, como método de libertação da mente das angustias inerentes à vida moderna, a inserção da bicicleta em nosso cotidiano. A bicicleta como meio de transporte capaz de desacelerar o ritmo mental desenfreado em que vivemos. Falta oxigenação no cérebro da maior parte das pessoas, principalmente daquelas que se propõem a organizar e direcionar a sociedade. Falta O2 e sobra ignorância.

O motorista assume uma postura passiva. Locomove-se sem usar o sangue, os músculos e o coração. Se distancia da cidade e se afasta das pessoas. Cria para si uma extensão de seu quarto, de seu living-room, e pelas janelas do automóvel observa o mundo como se estivesse olhando mais uma vitrine ou a tela da televisão. Ao enumerarmos os malefícios da cultura do automóvel, por si só, os benefícios da mobilidade limpa falam a nossa consciência.

Uma dose saudável de radicalismo é necessária. Sem ela não tomamos a coragem de questionar nossos hábitos, nossos vasanas, nossos condicionamentos. E este é o ponto principal. O carro nos condiciona. Ficamos tensos por sua causa. Indolentes, preguiçosos, obesos, irritados, impacientes. Se juntamos isto tudo e ainda acrescentamos a opressiva ideologia do trabalho como meta da vida e a ausência de estímulos criativos na dia-a-dia, temos um quadro bastante negro para contemplarmos, e será este o quadro que nós, habitantes do início do século XXI, estaremos deixando para as futuras gerações.

Certa vez Bernard Shaw, escritor e dramaturgo inglês, perguntado sobre o porquê de sua opção vegetariana de alimentação – “por que não comer carne?” – afirmou que a interrogação não era apropriada. O correto era inverter o questionamento. Temos infinitas razões para não matar os animais em nossa dieta e pouquíssimas para afirmar esta matança.

Da mesma forma, a pergunta não é – Por que não utilizar o automóvel? – mas sim: Por que utilizar o automóvel, diariamente, em tudo o que fazemos, como se não houvessem alternativas mais inteligentes? Vejamos se nossos argumentos convencem nossa preguiça, nosso conforto inconseqüente, nossa alienação da rua e de nós mesmos.

1. Em primeiro lugar lembre-se de que o carro disciplina o corpo.

– (como se fosse uma meditação conduzida) –

Você está em seu carro. Observe o seu corpo ao dirigir, ou ao permanecer sentado no carro como passageiro. Observe as tensões nos ombros, no pescoço, na mandíbula, em toda a musculatura do seu rosto. Contemple o cenário de caos ao seu redor. Cada pessoa com seu meio de transporte irracional. Duas toneladas de aço para cada 70kg de sangue e derivados. Petróleo sendo queimado para te levar ao trabalho. Todos os dias. Todos os anos. Por causa deste petróleo, ou deste ‘agro-diesel’, guerras estão sendo feitas.

A terra esta sendo explorada insensatamente. Os mares e rios estão sendo contaminados. Cada motorista, como você, está isolado. Triste. Fechado em sua bolha. Não dá para ver o que esta lá fora. O vidro é escuro. Que triste não poder sentir a luz e o ar em seu rosto. Que triste sentir medo de andar pelas ruas da cidade. Que triste se alienar de seu corpo, deixar o corpo tornar-se algo estranho a você.

Que triste deixar o corpo ser domesticado e disciplinado por forças que vêm de fora. Tome consciência de si. Pare e desligue o carro. Jogue fora as chaves. Vá para fora e ande, caminhe, corra… respire… respire… e respire.

2. O carro polui tudo – mais de 70% da poluição sonora das cidades grandes é oriunda dos veículos de transporte movidos a combustão. A emissão de gases dos automóveis é a responsável direta pela péssima qualidade do ar que respiramos diariamente. Algo está errado . . . o ato de nos transportarmos não deveria ser causa de tanto lixo e detrito. Se somos de fato racionais, uma mudança deve ocorrer na maneira em que nos relacionamos com o ambiente em que vivemos. Para completar as assustadoras estatísticas lembramos que um automóvel já consumiu, em sua fabricação, mais do que irá gastar em toda sua vida útil. Em outras palavras, o seu carro ‘zero km’, já tem uma dívida imensa com a Terra, desde o inicio.

3. A motocicleta tampouco é a solução. Ela polui até 6 vezes mais do que o automóvel.

4. Carros são armas. Diariamente pessoas morrem ou são gravemente feridas por eles.

5. Nas vias urbanas o trajeto feito de bicicleta é sempre mais eficiente. Rápido, sem custos, estimulante e faz bem à saúde.

A escolha é nossa. Contribuímos para o novo paradigma, baseado na mobilidade limpa e consciente, ou continuamos com o papel de poluidores, inconscientes e inconseqüentes. O que cada um de nos pode fazer para inserir ahimsa na mobilidade?

Faça seus deslocamentos de bicicleta.

Utilize o lado direito da via (o código de trânsito lhe concede este direito)

Coloque luzes e refletores na bicicleta.

Capacete é bom.

Use os braços e as mãos para indicar seus movimentos.

Lembre-se de que a rua é sua também, e que é dever dos carros frear para o ciclista. É necessário lembrá-los disto. A bicicleta não atrapalha o trânsito. Quem atrapalha o trânsito é quem insiste em meios de transporte irracionais; é quem ocupa individualmente o espaço de 6 ou 8 ciclistas, e ainda por cima poluindo a cidade com barulho e gases tóxicos.

Com o uso de alforjes e/ou cestas é possível fazer de tudo com a bicicleta. Ir ao trabalho, às compras, às aulas, ao lazer.

Exija: das autoridades, uma política urbana que contemple a bicicleta como meio de transporte legítimo e supremo; dos motoristas, que o respeitem, mantendo distância e velocidades seguras ao lhe ultrapassar. Todos nós podemos e devemos favorecer a bicicleta. O uso do carro deve ser racional e consciente. Se não fizermos isto a tempo, se não mudarmos o sentido no qual nossa sociedade caminha, só nos resta esperar o degelo do permafrost, as camadas de gelo permanente do ártico, e observar o comportamento das bactérias pré-históricas, que estão ali congeladas há milênios e que, ávidas por se manifestarem, entrarão na vida moderna com conseqüências desconhecidas. Os mares também irão subir. Os verões ficarão cada vez mais intensos, e o clima como um todo desequilibrado. Os sintomas de Kali-yuga, que já estão se manifestando, irão se acelerar e se consolidar.

No momento atual da Humanidade, o Yoga é um movimento de vanguarda. Pense em tudo isto e nas maneiras que você pode colaborar no seu dia-a-dia com a construção dos novos paradigmas de mobilidade.

Menos carro, mais bicicleta!

Menos gasolina, mais adrenalina!

Más aire, menos humo!

Goura é filosofo e professor de Yoga, sânscrito e meditação. Participa das Bicicletadas em Curitiba e é colaborador dos Cadernos de Yoga.

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12 respostas para “Bicicletas, ahimsa e a cultura do automóvel”

  1. Caro Goura,
    Li com atenção o seu interessante artigo.
    Vivo em Portugal na região de Lisboa e tenho sentido nesta cidade um crescente interesse pela utilização das bicicletas. Ainda assim estamos muito longe do que seria desejável…
    Considerei o seu texto muito interessante embora também considere que o problema tem que ser resolvido também com outras medidas, nomeadamente através de uma eficaz politica de transportes publicos. Isto porque a bicicleta não pode resolver todas as necessidades de deslocação. Na região onde vivo são poucas as pessoas que podem de facto recorrer a ela (fruto do elevado número de km´s que teem que percorrer, entre outras razões).
    Quero ainda acrescentar um comentário a um ponto do seu texto do qual discordo: O facto de ser afirmado que as motas não são solução porque poluem mais. Isso não é verdade… No meu caso por exemplo, desde há alguns meses que passei a deslocar-me de mota (as minhas deslocações não permitem o uso da bicicleta e não tenho alternativa válidada de transportes públicos) e em termos de combustivel gasto menos de metade do que gastaria de carro!!! (o meu carro consome cerca de 7lt por 100km enquanto que a minha mota (de 200cc) gasta menos de 3,5!) Um carro só gastará menos combustivel se transportar mais pessoas mas 80% dos carros transportam sempre 1 ou 2 pessoas, logo nestas deslocações a mota é ambientalmente menos agressiva (também porque não provoca engarrafamentos, desgasta menos a estrada, entre outros incovenientes do carro tão bem descritos por si).
    Cumprimentos
    Júlio Santos

  2. Caro Professor, seu artigo é brilhante, os yogis que chegaram ao Brasil, há mais de 50 anos, erraram ao trabalharem o Yoga como comércio, principalmente como vendedores de livros, contrariando o que o Sr. escreveu em seu Artigo sobre o uso da bicicleta, uma vez que o universo de leitores de livros é infimo. Logo, faltou competência ou sobrou interesse comercial.

  3. Olá, Cindy. Que bom saber que você viveu em minha cidade natal. Acho estranho nunca terem roubado sua bicicleta … Sem querer estragar a festa de vocês, não sei como faria para levar e buscar as crianças da escola, assim como carregar as compras do supermercado para casa sem um veículo automotor. Como moro perto do meu local de trabalho, costumo ir a pé mesmo, porque se fosse de bicicleta chegaria todo suado de tanto empurrar a bicicleta ladeira acima.
    Aqui em BH, a turma usa bicicleta como esporte e lazer; nunca vi ninguém indo para o trabalho de bicicleta. Se for no bairro de Santo Antônio então, tem que chamar o reboque ou um guindaste.
    Em todo caso, eu desejo muito sucesso para todos vocês nessa empreitada. Namastê.

  4. Olá Goura!
    Adorei seu artigo “Bicicletas, ahimsa e a cultura do automóvel”! Vivi algum tempo no Rio de Janeiro onde tive o prazer de pedalar por todos os lugares em que precisava ir a qualquer hora do dia. Hoje moro em Belo Horizonte e conheço muitos ciclistas que se locomovem pela cidade e, a maior dificuldade nem é o tipo de terreno, acho que é mesmo a desatenção e desconhecimento da sociedade ás leis de trânsito e a impaciência. Concordo com vc sobre a necessidade de uma mudança de pensamento que devemos implantar e informar a sociedade, se fizermos valer as leis ou fizermos programas de incentivo e organizar passeios, mais pessoas iram aderir a prática de um mundo mais saudavél e humanista. Pedalar em um grande centro urbano pode parecer loucura para muitas pessoas,mas é a melhor maneira de vivermos sem o trânsito, sem a poluíção, o barulho e com certeza com mais disposição, tolerância , se socializando e desenvolvendo uma relação mais saudavel com si mesmo.

    Abraço grande!!!
    Cindy

  5. Caro Paulo,
    Curitiba tem algumas ladeiras. Elas são estimulantes, na verdade. Servem como desafios. É claro que a situação é distinta da que vc encontra aí em BH. No entanto, o que temos que questionar é o papel que o veículo motorizado individual tem em nossas vidas e no desenvolvimento de nossas cidades.
    Percebemos que existem coisas erradas. Falta silêncio, falta contemplação, falta diálogo e convivência. No lugar disto temos os shoppings, os carros, os condomínios fechados, a alienação, a televisão etc.

    Temos que repensar a maneira que nossas cidades e nossas vidas estão construídas.

    Apesar de tudo eu sei de algumas iniciativas interessantes aí na sua cidade – http://apocalipsemotorizado.blogspot.com/2006/08/dia-sem-carro-um-ms-antes-em-bh.html

    O Yoga nos ajuda a pensar tudo isto e por isto é uma ferramenta tão importante de transformação e mudança.

    Obrigado pelos comentários.

    Um abraço,
    Goura

  6. Caro Goura,
    Pelo visto, não deve haver ladeiras em Curitiba. Aqui em Belo Horizonte seria praticamente inviável a sua proposta. Fico imaginando as pessoas descendo das suas bicicletas para terem que empurrá-las ladeira acima.
    Talvez, fosse mais viável a melhoria do transporte público, com a pesquisa de combustíveis menos poluentes e veículos menos barulhentos.
    Já existe o carro movido à hidrogênio, cujo resíduo é vapor de água. Só que áinda é muito caro.
    Tenho um cunhado o qual trabalha numa multinacional que vende bancos para a Fiat. Imagine o que ele e milhares de outras famílias inseridas no contexto automobilístico iriam pensar sobre o seu texto.
    Concordo, no entanto, que o assunto merece reflexão. As ruas estão apinhadas de veículos poluntes e ensudercedores; as cidades grandes e até as médias tornaram-se inóspitas e desumanas. Mas enquanto houver pessoas desejando carros novos, haverá pessoas produzindo-os. O triste é que muitos desejos são, na verdade, criados pela propaganda, a fim de incitar as pessoas a consumirem.
    Seu texto é válido e muito bom para refletirmos sobre o consumo nefasto e desenfreado de diversos bens supérfluos. O discernimento para isto, meu caro, só vem com o amadurecimento da população. E isso se conquista através de leituras de textos como o seu e de tantos outros que nos levam a refletir sobre nosso cotidiano.
    Parabéns.
    Sou aluno do Rodrigo de Carvalho, professor de Ashtanga Yoga.
    Namastê.

  7. Muito legal o texto! A tempos pensava em vir para o trabalho de bicicleta. Faltava um empurrão, um incentivo. Esse texto só me fez pensar e deixou mais claro o que devo fazer.

  8. Muito boa recomendação, além des ser muito saudável, ainda estamos praticando verdadeiramente Yoga, ou seja sendo exatos em nossas intenções. Pena que não posso fazê-lo, pois trabalho muito longe da minha morada. Muita Paz. Om Shanti!

  9. Hari Om…
    Qualidade da informação gerando conhecimento e tomada de consciencia, coduzindo a esperança e ao entusiasmo.E´ hora de arregimentar forças políticas.
    Inspiremo-nos neste ideal comum e simples.Levemos adiante; a quem possa ser voluntário!
    Parabéns amigo, unidos neste ideal, sempre!
    Namaste…

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